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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

'FAC-SÍMILE'


(Michelangelo Merisi da Caravaggio)

Estrela, minha Alfa Centauro,
ou uma outra qualquer
a inumeráveis anos-luz de indiferença,
sou um terráqueo instável , nem me sabes,
mas gosto, à noite, de deitar-te em meus olhos,
cansado das luzes nervosas onde me lavro.
Estrela, meu astro reinventado,
por que assim enternecido de ti me enamoro,
na funda noite exorcizado ?
Apascentarias ovelhas à tua órbita
Ou saberias a duração de tua glória?
Serias como humanos que do longínquo se encantam,
Trazendo de perto, o cheiro de entranhas,
o encadeamento dos hábitos?
E se eu te tocasse e te dissolvesses em absurdos ares?
Se eu te desvendasse os olhos
te verias serpente em teus lampejos ácidos?
Se eu te devorasse , serias eu próprio,
a consistência mesmíssima de um pó,
a fragilidade de um pirilampo -
tudo tão simples fac-simile de tudo
tão em si mesmo desmitificado?

(Estrela, tua terna esfinge me basta.)


(FERNANDO CAMPANELLA, 2007)
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

'FAC-SÍMILE'


(Michelangelo Merisi da Caravaggio)

Estrela, minha Alfa Centauro,
ou uma outra qualquer
a inumeráveis anos-luz de indiferença,
sou um terráqueo instável , nem me sabes,
mas gosto, à noite, de deitar-te em meus olhos,
cansado das luzes nervosas onde me lavro.
Estrela, meu astro reinventado,
por que assim enternecido de ti me enamoro,
na funda noite exorcizado ?
Apascentarias ovelhas à tua órbita
Ou saberias a duração de tua glória?
Serias como humanos que do longínquo se encantam,
Trazendo de perto, o cheiro de entranhas,
o encadeamento dos hábitos?
E se eu te tocasse e te dissolvesses em absurdos ares?
Se eu te desvendasse os olhos
te verias serpente em teus lampejos ácidos?
Se eu te devorasse , serias eu próprio,
a consistência mesmíssima de um pó,
a fragilidade de um pirilampo -
tudo tão simples fac-simile de tudo
tão em si mesmo desmitificado?

(Estrela, tua terna esfinge me basta.)


(FERNANDO CAMPANELLA, 2007)
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