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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CONTRAPONTO


— Qual no espaço exterior, no antro de nossas mentes
há momentos também de sóis deliqüescentes,
de etéreos candelabros num puro azul sem rastros!
— Somos feitos da mesma seiva de luz dos astros.

— Oh, a negra cabeça da noite rola do alto...
Sermos também lastrados de queda e sobressalto...
— O pulso que na esfera mais mínima palpita
é o mesmo que lateja na galáxia infinita.

— Mas eu sinto que o peito uma ânsia azul me invade
de ser somente luz, acima, imensidade!
Sinto que há dentro em mim um eu que me transcende!

Sobe o mar interior, e no abismo que ascende
algo vem se formando como espumas e cânticos!
— Dentro do coração somos todos românticos.


Anderson Braga Horta

O TEMPO


Espantados olhos
vasculhando a treva.
(A ignorância nossa
do mistério é ceva.)

Num lugar da noite
(ao lado ou cá dentro)
dormem o ontem, o hoje,
o amanhã e o sempre.

Onde a espada que
a armadura rompa,
onde a lança que

desmantele o escudo e
mostre as faces do
tempo simultâneas?

Anderson Braga Horta
In Fragmentos da Paixão (1971)

terça-feira, 13 de julho de 2010

FLUXO


A noite veio vindo de mansinho.
Sons tornaram-se pedras.
As palavras vestiram-se de luto.
E a poesia floriu no bojo do silencio.
Lá estava ela, solitária.
Era a vida que escapava de tudo
como a água que foge entre os dedos
e vai brilhar um momento nos seixos.
Sem resposta, o relógio espeta o silencio:
seu clarão já não sorrirá nos olhos mortos.


Anderson Braga Horta
In: Fragmentos da Paixão
Carangola (MG)- 17.11.1934.
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CONTRAPONTO


— Qual no espaço exterior, no antro de nossas mentes
há momentos também de sóis deliqüescentes,
de etéreos candelabros num puro azul sem rastros!
— Somos feitos da mesma seiva de luz dos astros.

— Oh, a negra cabeça da noite rola do alto...
Sermos também lastrados de queda e sobressalto...
— O pulso que na esfera mais mínima palpita
é o mesmo que lateja na galáxia infinita.

— Mas eu sinto que o peito uma ânsia azul me invade
de ser somente luz, acima, imensidade!
Sinto que há dentro em mim um eu que me transcende!

Sobe o mar interior, e no abismo que ascende
algo vem se formando como espumas e cânticos!
— Dentro do coração somos todos românticos.


Anderson Braga Horta

O TEMPO


Espantados olhos
vasculhando a treva.
(A ignorância nossa
do mistério é ceva.)

Num lugar da noite
(ao lado ou cá dentro)
dormem o ontem, o hoje,
o amanhã e o sempre.

Onde a espada que
a armadura rompa,
onde a lança que

desmantele o escudo e
mostre as faces do
tempo simultâneas?

Anderson Braga Horta
In Fragmentos da Paixão (1971)

terça-feira, 13 de julho de 2010

FLUXO


A noite veio vindo de mansinho.
Sons tornaram-se pedras.
As palavras vestiram-se de luto.
E a poesia floriu no bojo do silencio.
Lá estava ela, solitária.
Era a vida que escapava de tudo
como a água que foge entre os dedos
e vai brilhar um momento nos seixos.
Sem resposta, o relógio espeta o silencio:
seu clarão já não sorrirá nos olhos mortos.


Anderson Braga Horta
In: Fragmentos da Paixão
Carangola (MG)- 17.11.1934.