Seja bem-vindo. Hoje é
Mostrando postagens com marcador Alcides Villaça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alcides Villaça. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de setembro de 2009

FIM DE FESTA



Ensaio um assobio
mas a arvore enfadada pede que me cale.
Na noite os ramos tem sono,
o cansaço do ar esta parado.


De fato, vejo que a madrugada é muito antiga.
Em sua noz, minha alegria não altera o silencio,
O peso das portas que dormem.


Recolho o hálito de festa.
O frescor do mentol,
o ruído do sapato novo,
um passo deixando outro
- eis o que posso rescaldar no caminho de volta,
antes que amanheça.



Alcides Villaça
In: Viagem de Trem

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Instância



Quem volta ao lugar perdido
quer ver o tempo.
Não vê a casa, o muro, o degrau mais fino:
quer no bater do coração o antigo.

Espanta a resistência daquela árvore,
a mesma e outra nesta floração.
Espanta a cor fiel dos azulejos,
a penumbra e o tom daquele quarto
desenhados na pauta de outros olhos.

Quem retorna não mora no outro tempo,
embora imite o rosto ancestral.
Quem retorna medita. Não cruza o corredor
como planava a mosca distraída.

Pode-se sentar na escada, prover os olhos
com a massa do cenário inocente.
Livre-se o coração para a verdade
desta árvore em gala de outro amor.

Alcides Villaça
In: Viagem de Trem-1988-
(Atibaia- São Paulo-1946)
Mostrando postagens com marcador Alcides Villaça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alcides Villaça. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de setembro de 2009

FIM DE FESTA



Ensaio um assobio
mas a arvore enfadada pede que me cale.
Na noite os ramos tem sono,
o cansaço do ar esta parado.


De fato, vejo que a madrugada é muito antiga.
Em sua noz, minha alegria não altera o silencio,
O peso das portas que dormem.


Recolho o hálito de festa.
O frescor do mentol,
o ruído do sapato novo,
um passo deixando outro
- eis o que posso rescaldar no caminho de volta,
antes que amanheça.



Alcides Villaça
In: Viagem de Trem

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Instância



Quem volta ao lugar perdido
quer ver o tempo.
Não vê a casa, o muro, o degrau mais fino:
quer no bater do coração o antigo.

Espanta a resistência daquela árvore,
a mesma e outra nesta floração.
Espanta a cor fiel dos azulejos,
a penumbra e o tom daquele quarto
desenhados na pauta de outros olhos.

Quem retorna não mora no outro tempo,
embora imite o rosto ancestral.
Quem retorna medita. Não cruza o corredor
como planava a mosca distraída.

Pode-se sentar na escada, prover os olhos
com a massa do cenário inocente.
Livre-se o coração para a verdade
desta árvore em gala de outro amor.

Alcides Villaça
In: Viagem de Trem-1988-
(Atibaia- São Paulo-1946)