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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Lindolf Bell - Biografia


Lindolf Bell, filho de Theodoro e Amália Bell, nasceu na cidade de Timbó em 2 de novembro de 1938. Foi de seus pais que herdou a clareza dos poemas, os quais mesmo sendo produzidos na urbanidade, conservaram elementos da vida agrária. Os pais do poeta eram lavradores, porém, com um grande sentimento e conhecimento de mundo, o que definitivamente ficou enraizado em sua vida e obras.

Ao ser líder do Movimento Catequese Poética, o qual permitiu a milhares de pessoas o acesso à poesia e à arte, Lindolf Bell foi reconhecido nacionalmente e internacionalmente. Era um homem que abrigava o mundo no coração, que amava os girassóis, que via tudo como missão, encarando a palavra como uma dádiva e fazendo dela um instrumento de comunhão e solidariedade.


Lindolf Bell é atualmente o maior, o mais constante e importante nome da poesia catarinense, assim levantou-se a bandeira “como uma palavra tribal” em prol de sua memória, transformando seu sonho em realidade, buscando cada vez mais fazer com que o Bell casou-se com Elke Hering (reconhecida artista plástica), com a qual teve 3 (três) filhos: Pedro, Rafaela e Eduardo Bell.

Após difundir seu movimento pelo Brasil e exterior, fixou moradia na cidade de Blumenau, onde, juntamente com a esposa Elke Hering e os amigos Péricles e Arminda Prade, criou a Galeria Açu-Açu (primeira do Estado de Santa Catarina). Além destas atividades, Bell também foi contador, professor,


crítico de artes, conselheiro estadual da cultura do Estado de Santa Catarina e marchand (promotor de eventos relacionados à arte).
Foi um nome ligado à invenção lógica, à ousadia, à uma capacidade mágica. Seguindo seus impulsos rompeu as amarras que prendiam a poesia, tornando e exigindo o contato direto com o leitor. Bell também  difundiu suas idéias através de painéis-poemas, corpoemas...

Se o ofício do poeta é redescobrir a palavra, como dizia o autor de As Vivências Elementares, nosso  ofício é o de redescobrir o poeta, através de suas palavras, tais como aquelas presentes na Metafísica Cotidiana: procuro a palavra-palavra a palavra fóssil, a palavra antes da palavra”. Esse impulso rumo às origens nos torna mais sensíveis e profundos.



Bell amava a terra e tudo o que dela advinha. Mergulhando no drama da humanidade; a sua poesia mantinha-se vibrante. Tratava sempre da vida, da terra, da infância, do destino, da solidão, do efêmero, do transceNdente, do sonho e da esperança.

Em uma entrevista do poeta à FCC (Fundação Cultural Catarinense), quando questionado sobre algo de sua residência, o mesmo respondeu: “Todas as coisas que me rodeiam são raízes. A jabuticabeira que deve ter quase cem anos, a caramboleira, os baús, os móveis e todos os objetos antigos não são uma forma triste  de memória mas uma afirmação de que, num crescimento espiritual, num crescimento humano não podemos jogar nada pela janela ou no lixo.

 Não podemos jogar fora as raízes - elas nos preservam e elas se preservam conosco, na memória ou dentro da terra, seja onde for, mas elas também nos projetam porque, à medida que elas se preservam na terra, elas crescem fazem a gente crescer, como uma árvore. 



O homem é uma árvore que abriga amores, lembranças, outros seres, uma árvore que dá sombra e luz, e é para isso que a gente nasceu, fundamentalmente. Isso eu aprendi, é claro convivendo com meus pais e também com os vizinhos, que tinham maneiras semelhantes de viver e conviver, maneiras simples mas definitivas”, ou seja, é isso que se pretende preservar e que busca-se vislumbrar na Casa do Poeta Lindolf Bell.

Faleceu em 10 de dezembro de 1998, em Blumenau, Santa Catarina.





Casa de Lindolf Bell em Timbó, hoje um museu.



OBRAS:

Os Póstumos e as Profecias. São Paulo: Massao Ohno, 1962.
Os Ciclos. São Paulo: Massao Ohno, 1964
Convocação. São Paulo: Brasil, 1965.
Curta Primavera. São Paulo: Brusco, 1966.
Tarefa. São Paulo: Papyrus, 1966.
Antologia Poética de Lindolf Bell. São Paulo: União, 1967.
Antologia da Catequese Poética. T. Paulista. São Paulo, 1968.
As Annamárias. São Paulo: Massao Ohno, 1971.
Incorporação. São Paulo: Quiron, 1974.
As Vivências Elementares. São Paulo: Massao Ohno/Roswitha Kempf, 1980.
O Código das Águas. São Paulo: Global, 1984.
Setenário. Florianópolis: Sanfona, 1985.
Texto e Imagem. Oficinas de Arte. Florianópolis, 1987.
Pré-textos para um fio de esperança. BADESC. Florianópolis, 1994.
Iconographia. Editora Paralelo: 1993.
Requiem. Oficinas de Arte. Florianópolis, 1994.


OBRAS TRADUZIDAS:

Italiano: In Poesia de Brasile d’Oggi (trav. Salvatore d’Anna) editrice i.l.a. Palma, 1968.

Belga: In Revista “Nieeuw Vlamams Tijdschrift” (trad. Freddy de Vree), Antuérpia, 1969.

Inglês: In Revista “Licor Store”, Iowa USA, 1969 in Brazilian Poets XX Century (trad. Elizabeth Bishop); e in Antologia da Poesia Contemporânea Brasileira (trad. José Neinstein), 1973.

Espanhol: In Tiempo de Poesia Brasileña (trad. Adovaldo Fernandes Sampaio) Buenos Aires, Ediciones de la Flor, 1974.

Angola: Poemas editados na revista MÁKUA nº 4.


PREMIAÇÕES:

- Prêmio Governador do Estado, em 1983, São Paulo.
- Prêmio de Poesia, pelo livro Código das Águas, concedido pela Associação Paulista de Críticos de

Arte, em 1984, São Paulo.



MAIS SOBRE ELE...

"Mas um poeta não morre; pois a vida dos poetas é eterna. Bell colocou um pouco dela em cada palavra que escreveu e, embora seu corpo tenha ido, sua vida continuará espalhada eternamente pelas páginas dos livros que abrigam sua obra, na magia de suas palavras e pelo legado cultural que nos deixou".

"Se conseguimos chegar onde estamos é porque Lindolf Bell nos ensinou a encontrar o caminho, a desenhar a direção do sucesso. Ele se desdobrava para fazer nossos talentos serem reconhecidos. Todos temos uma dívida imensa com ele. Sua morte dói muito. Dói saber que não tem volta".

Lair Bernardoni, fotógrafa



SOBRE SUA MORTE

Poeta Lindolf Bell morre em Blumenau.
Após cirurgia, poeta sofreu insuficiência respiratória

Marli Rudnik

...Os quatro cantos do mundo ficaram pequenos para a voz do poeta Lindolf Bell. O criador da Catequese Poética partiu para a eternidade, deixando um grande vácuo na cultura catarinense. Bell morreu ontem, às 12h20, no Hospital Santa Catarina, em Blumenau, onde estava internado desde sábado. Segundo a equipe médica, Bell não resistiu à cirurgia para correção de um aneurisma na aorta e morreu de insuficiência respiratória 12 horas após o início da intervenção. O corpo está sendo velado no Cine Municipal de
Timbó e será sepultado hoje, às 11 horas, no Cemitério Evangélico de sua cidade natal.

A morte foi comunicada por volta de 13h30 e em pouco tempo os amigos, familiares e artistas da região começaram a chegar, inconformados com a notícia. Às 16 horas, o corpo foi levado a Timbó, onde muita gente aguardava o início do velório no Cine Municipal.

Segundo o filho, Pedro Hering Bell, o poeta fez uma espécie de despedida antes de entrar no centro cirúrgico, na noite de quarta-feira. Ele chamou os três filhos e manifestou o desejo de que seus projetos tivessem continuidade, para preservação de sua memória e garantia da seqüência de um trabalho pelo desenvolvimento da cultura catarinense. "Vamos cumprir esta vontade", anunciou Pedro.


AINDA SOBRE ELE...

O poeta da nossa geração,
Por Apolinário Ternes

Chove neste 10 de dezembro de l998 como se fosse finados, como talvez tenha chovido no 2 de novembro de l938, em Timbó, quando nasceu o poeta. Por mais talentosos, os homens jamais conseguirão inventar palavras capazes de transmitir sentimentos. Estaremos sempre aquém, muito aquém do coração.

Ele transborda, explode, pára, como, ontem, o coração de Bell, tão generoso quanto o de outro poeta, Maiakovski, que admitiu que em sua pessoa a natureza ficara louca. Ele era todo coração.

Lindolf Bell será sempre o poeta da nossa geração. Os discípulos da Catequese Poética, a ousada empreitada do poeta de Timbó, em plena São Paulo de l964, quando os militares semearam rosas de arame farpado no asfalto e nos impuseram o banquete da ditadura.

Trinta anos de poesia plena, num legado de dez livros, milhares de palavras e de poemas que os catarinenses só saberão dimensionar a seriedade e importância na perspectiva do tempo, décadas à
frente. Como um Cruz e Sousa, sempre citado, quase nunca lido e tão incompreendido hoje quanto em seus dias de exílio em vida e em sua própria terra.


"Os meus poemas", escreveu Bell em Os Ciclos, "há 34 anos pertencem a todos os que tiverem capacidade de se isolar e agir como humanos em relação a uma falsa proposição de bem viver". Escreveu aos 26 anos, em l964, uma proposta de vida que perseguiu até ontem, aos 60 anos de idade.

 O poeta sempre teve esta capacidade: a de se isolar, em Blumenau primeiro e depois em Timbó, e também no interior mais bucólico,
em sua casa de roça, em Rio dos Cedros, justamente para daí acompanhar o festival da vida, o espetáculo do cotidiano, pois, como disse, "nós somos o cotidiano, feito de simplicidade".

Estamos tristes todos os que compartilhamos a catequese de Bell. Os filhos da geração das "crianças traídas", talvez o maior e mais conhecido poema de toda a sua vasta e devastadora obra. De luto está a cultura catarinense, que perde um dos maiores vultos do século, que poucos homens de hoje serão capazes de avaliar.

Isolado do burburinho da vida, agora viajante do cosmo e namorado das galáxias, Lindolf Bell não deixa apenas o legado de uma obra de primeira grandeza. Deixa uma silenciosa lição de vida: a de que é preciso, acima de tudo, honrar o nosso sonho de cada dia.

Foi irrepreensivelmente coerente com seus princípios, de incontida e incontrolável humanidade. Certamente hoje o poeta deve estar confirmando o que escreveu em l964: "Existe em nós não o novo, mas o renascido".

* Apolinário Ternes é jornalista e historiador


E MAIS...

"Se conseguimos chegar onde estamos é porque Lindolf Bell nos ensinou a encontrar o caminho, a desenhar a direção do sucesso. Ele se desdobrava para fazer nossos talentos serem reconhecidos. Todos temos uma dívida imensa com ele. Sua morte dói muito. Dói saber que não tem volta".

(Lair Bernardoni, fotógrafa)

"O Bell fazia seu trabalho com a alma, com verdade e emoção. Sempre passou esta imagem de sinceridade para nós. Dava muita satisfação fazer um trabalho e correr levar para ele, porque suas análises eram sempre muito verdadeiras".

(César Otacílio, artista plástico)

"Lamentável. Era uma pessoa carismática. Há poucos dias, quando recebeu a medalha do Mérito Cultural Cruz e Sousa, foi o único a se manifestar, num gesto emocionante. Sua obra, tanto como poeta quanto como crítico de arte, entra para a história de Santa Catarina."

(Paulo Arenhart, diretor-presidente da Fundação Catarinense de Cultura)

"Estou chocada. Estive com o Bell recentemente, num encontro de escritores, em Blumenau. Ele é o representante de uma fase do movimento da jovem poesia brasileira que buscava a liberação. Mas deve ter morrido feliz, porque era muito querido por todos."

(Leonor Scliar-Cabral, escritora e tradutora)

"Em minha vida particular e na carreira artística tive chances de passar momentos muito gratificantes com o poeta. Suas críticas foram importantes para enriquecer meu trabalho. Ele era o orientador geral da cultura, em todas as expressões".

(Élio Hahnemann, artista plástico)

"O Bell ensinou à minha geração de poeta o ofício da dignidade de cidadão. Ele dizia sempre que para o artista não basta crescer. Ele tem missão de acrescer. Fizemos muita catequese juntos".

(Tchello D'Barros, poeta)

"Ele abriu o caminho da maioria dos artistas catarinenses. É difícil falar da perda de alguém com quem convivemos há 30 anos. De quem fomos mais que parceiros, fomos amigos".

(Marina Mosimann, promotora cultural)

FONTE:
Pesquisa no Site do Escritor e em diversos outros artigos da WEB 
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Lindolf Bell - Biografia


Lindolf Bell, filho de Theodoro e Amália Bell, nasceu na cidade de Timbó em 2 de novembro de 1938. Foi de seus pais que herdou a clareza dos poemas, os quais mesmo sendo produzidos na urbanidade, conservaram elementos da vida agrária. Os pais do poeta eram lavradores, porém, com um grande sentimento e conhecimento de mundo, o que definitivamente ficou enraizado em sua vida e obras.

Ao ser líder do Movimento Catequese Poética, o qual permitiu a milhares de pessoas o acesso à poesia e à arte, Lindolf Bell foi reconhecido nacionalmente e internacionalmente. Era um homem que abrigava o mundo no coração, que amava os girassóis, que via tudo como missão, encarando a palavra como uma dádiva e fazendo dela um instrumento de comunhão e solidariedade.


Lindolf Bell é atualmente o maior, o mais constante e importante nome da poesia catarinense, assim levantou-se a bandeira “como uma palavra tribal” em prol de sua memória, transformando seu sonho em realidade, buscando cada vez mais fazer com que o Bell casou-se com Elke Hering (reconhecida artista plástica), com a qual teve 3 (três) filhos: Pedro, Rafaela e Eduardo Bell.

Após difundir seu movimento pelo Brasil e exterior, fixou moradia na cidade de Blumenau, onde, juntamente com a esposa Elke Hering e os amigos Péricles e Arminda Prade, criou a Galeria Açu-Açu (primeira do Estado de Santa Catarina). Além destas atividades, Bell também foi contador, professor,


crítico de artes, conselheiro estadual da cultura do Estado de Santa Catarina e marchand (promotor de eventos relacionados à arte).
Foi um nome ligado à invenção lógica, à ousadia, à uma capacidade mágica. Seguindo seus impulsos rompeu as amarras que prendiam a poesia, tornando e exigindo o contato direto com o leitor. Bell também  difundiu suas idéias através de painéis-poemas, corpoemas...

Se o ofício do poeta é redescobrir a palavra, como dizia o autor de As Vivências Elementares, nosso  ofício é o de redescobrir o poeta, através de suas palavras, tais como aquelas presentes na Metafísica Cotidiana: procuro a palavra-palavra a palavra fóssil, a palavra antes da palavra”. Esse impulso rumo às origens nos torna mais sensíveis e profundos.



Bell amava a terra e tudo o que dela advinha. Mergulhando no drama da humanidade; a sua poesia mantinha-se vibrante. Tratava sempre da vida, da terra, da infância, do destino, da solidão, do efêmero, do transceNdente, do sonho e da esperança.

Em uma entrevista do poeta à FCC (Fundação Cultural Catarinense), quando questionado sobre algo de sua residência, o mesmo respondeu: “Todas as coisas que me rodeiam são raízes. A jabuticabeira que deve ter quase cem anos, a caramboleira, os baús, os móveis e todos os objetos antigos não são uma forma triste  de memória mas uma afirmação de que, num crescimento espiritual, num crescimento humano não podemos jogar nada pela janela ou no lixo.

 Não podemos jogar fora as raízes - elas nos preservam e elas se preservam conosco, na memória ou dentro da terra, seja onde for, mas elas também nos projetam porque, à medida que elas se preservam na terra, elas crescem fazem a gente crescer, como uma árvore. 



O homem é uma árvore que abriga amores, lembranças, outros seres, uma árvore que dá sombra e luz, e é para isso que a gente nasceu, fundamentalmente. Isso eu aprendi, é claro convivendo com meus pais e também com os vizinhos, que tinham maneiras semelhantes de viver e conviver, maneiras simples mas definitivas”, ou seja, é isso que se pretende preservar e que busca-se vislumbrar na Casa do Poeta Lindolf Bell.

Faleceu em 10 de dezembro de 1998, em Blumenau, Santa Catarina.





Casa de Lindolf Bell em Timbó, hoje um museu.



OBRAS:

Os Póstumos e as Profecias. São Paulo: Massao Ohno, 1962.
Os Ciclos. São Paulo: Massao Ohno, 1964
Convocação. São Paulo: Brasil, 1965.
Curta Primavera. São Paulo: Brusco, 1966.
Tarefa. São Paulo: Papyrus, 1966.
Antologia Poética de Lindolf Bell. São Paulo: União, 1967.
Antologia da Catequese Poética. T. Paulista. São Paulo, 1968.
As Annamárias. São Paulo: Massao Ohno, 1971.
Incorporação. São Paulo: Quiron, 1974.
As Vivências Elementares. São Paulo: Massao Ohno/Roswitha Kempf, 1980.
O Código das Águas. São Paulo: Global, 1984.
Setenário. Florianópolis: Sanfona, 1985.
Texto e Imagem. Oficinas de Arte. Florianópolis, 1987.
Pré-textos para um fio de esperança. BADESC. Florianópolis, 1994.
Iconographia. Editora Paralelo: 1993.
Requiem. Oficinas de Arte. Florianópolis, 1994.


OBRAS TRADUZIDAS:

Italiano: In Poesia de Brasile d’Oggi (trav. Salvatore d’Anna) editrice i.l.a. Palma, 1968.

Belga: In Revista “Nieeuw Vlamams Tijdschrift” (trad. Freddy de Vree), Antuérpia, 1969.

Inglês: In Revista “Licor Store”, Iowa USA, 1969 in Brazilian Poets XX Century (trad. Elizabeth Bishop); e in Antologia da Poesia Contemporânea Brasileira (trad. José Neinstein), 1973.

Espanhol: In Tiempo de Poesia Brasileña (trad. Adovaldo Fernandes Sampaio) Buenos Aires, Ediciones de la Flor, 1974.

Angola: Poemas editados na revista MÁKUA nº 4.


PREMIAÇÕES:

- Prêmio Governador do Estado, em 1983, São Paulo.
- Prêmio de Poesia, pelo livro Código das Águas, concedido pela Associação Paulista de Críticos de

Arte, em 1984, São Paulo.



MAIS SOBRE ELE...

"Mas um poeta não morre; pois a vida dos poetas é eterna. Bell colocou um pouco dela em cada palavra que escreveu e, embora seu corpo tenha ido, sua vida continuará espalhada eternamente pelas páginas dos livros que abrigam sua obra, na magia de suas palavras e pelo legado cultural que nos deixou".

"Se conseguimos chegar onde estamos é porque Lindolf Bell nos ensinou a encontrar o caminho, a desenhar a direção do sucesso. Ele se desdobrava para fazer nossos talentos serem reconhecidos. Todos temos uma dívida imensa com ele. Sua morte dói muito. Dói saber que não tem volta".

Lair Bernardoni, fotógrafa



SOBRE SUA MORTE

Poeta Lindolf Bell morre em Blumenau.
Após cirurgia, poeta sofreu insuficiência respiratória

Marli Rudnik

...Os quatro cantos do mundo ficaram pequenos para a voz do poeta Lindolf Bell. O criador da Catequese Poética partiu para a eternidade, deixando um grande vácuo na cultura catarinense. Bell morreu ontem, às 12h20, no Hospital Santa Catarina, em Blumenau, onde estava internado desde sábado. Segundo a equipe médica, Bell não resistiu à cirurgia para correção de um aneurisma na aorta e morreu de insuficiência respiratória 12 horas após o início da intervenção. O corpo está sendo velado no Cine Municipal de
Timbó e será sepultado hoje, às 11 horas, no Cemitério Evangélico de sua cidade natal.

A morte foi comunicada por volta de 13h30 e em pouco tempo os amigos, familiares e artistas da região começaram a chegar, inconformados com a notícia. Às 16 horas, o corpo foi levado a Timbó, onde muita gente aguardava o início do velório no Cine Municipal.

Segundo o filho, Pedro Hering Bell, o poeta fez uma espécie de despedida antes de entrar no centro cirúrgico, na noite de quarta-feira. Ele chamou os três filhos e manifestou o desejo de que seus projetos tivessem continuidade, para preservação de sua memória e garantia da seqüência de um trabalho pelo desenvolvimento da cultura catarinense. "Vamos cumprir esta vontade", anunciou Pedro.


AINDA SOBRE ELE...

O poeta da nossa geração,
Por Apolinário Ternes

Chove neste 10 de dezembro de l998 como se fosse finados, como talvez tenha chovido no 2 de novembro de l938, em Timbó, quando nasceu o poeta. Por mais talentosos, os homens jamais conseguirão inventar palavras capazes de transmitir sentimentos. Estaremos sempre aquém, muito aquém do coração.

Ele transborda, explode, pára, como, ontem, o coração de Bell, tão generoso quanto o de outro poeta, Maiakovski, que admitiu que em sua pessoa a natureza ficara louca. Ele era todo coração.

Lindolf Bell será sempre o poeta da nossa geração. Os discípulos da Catequese Poética, a ousada empreitada do poeta de Timbó, em plena São Paulo de l964, quando os militares semearam rosas de arame farpado no asfalto e nos impuseram o banquete da ditadura.

Trinta anos de poesia plena, num legado de dez livros, milhares de palavras e de poemas que os catarinenses só saberão dimensionar a seriedade e importância na perspectiva do tempo, décadas à
frente. Como um Cruz e Sousa, sempre citado, quase nunca lido e tão incompreendido hoje quanto em seus dias de exílio em vida e em sua própria terra.


"Os meus poemas", escreveu Bell em Os Ciclos, "há 34 anos pertencem a todos os que tiverem capacidade de se isolar e agir como humanos em relação a uma falsa proposição de bem viver". Escreveu aos 26 anos, em l964, uma proposta de vida que perseguiu até ontem, aos 60 anos de idade.

 O poeta sempre teve esta capacidade: a de se isolar, em Blumenau primeiro e depois em Timbó, e também no interior mais bucólico,
em sua casa de roça, em Rio dos Cedros, justamente para daí acompanhar o festival da vida, o espetáculo do cotidiano, pois, como disse, "nós somos o cotidiano, feito de simplicidade".

Estamos tristes todos os que compartilhamos a catequese de Bell. Os filhos da geração das "crianças traídas", talvez o maior e mais conhecido poema de toda a sua vasta e devastadora obra. De luto está a cultura catarinense, que perde um dos maiores vultos do século, que poucos homens de hoje serão capazes de avaliar.

Isolado do burburinho da vida, agora viajante do cosmo e namorado das galáxias, Lindolf Bell não deixa apenas o legado de uma obra de primeira grandeza. Deixa uma silenciosa lição de vida: a de que é preciso, acima de tudo, honrar o nosso sonho de cada dia.

Foi irrepreensivelmente coerente com seus princípios, de incontida e incontrolável humanidade. Certamente hoje o poeta deve estar confirmando o que escreveu em l964: "Existe em nós não o novo, mas o renascido".

* Apolinário Ternes é jornalista e historiador


E MAIS...

"Se conseguimos chegar onde estamos é porque Lindolf Bell nos ensinou a encontrar o caminho, a desenhar a direção do sucesso. Ele se desdobrava para fazer nossos talentos serem reconhecidos. Todos temos uma dívida imensa com ele. Sua morte dói muito. Dói saber que não tem volta".

(Lair Bernardoni, fotógrafa)

"O Bell fazia seu trabalho com a alma, com verdade e emoção. Sempre passou esta imagem de sinceridade para nós. Dava muita satisfação fazer um trabalho e correr levar para ele, porque suas análises eram sempre muito verdadeiras".

(César Otacílio, artista plástico)

"Lamentável. Era uma pessoa carismática. Há poucos dias, quando recebeu a medalha do Mérito Cultural Cruz e Sousa, foi o único a se manifestar, num gesto emocionante. Sua obra, tanto como poeta quanto como crítico de arte, entra para a história de Santa Catarina."

(Paulo Arenhart, diretor-presidente da Fundação Catarinense de Cultura)

"Estou chocada. Estive com o Bell recentemente, num encontro de escritores, em Blumenau. Ele é o representante de uma fase do movimento da jovem poesia brasileira que buscava a liberação. Mas deve ter morrido feliz, porque era muito querido por todos."

(Leonor Scliar-Cabral, escritora e tradutora)

"Em minha vida particular e na carreira artística tive chances de passar momentos muito gratificantes com o poeta. Suas críticas foram importantes para enriquecer meu trabalho. Ele era o orientador geral da cultura, em todas as expressões".

(Élio Hahnemann, artista plástico)

"O Bell ensinou à minha geração de poeta o ofício da dignidade de cidadão. Ele dizia sempre que para o artista não basta crescer. Ele tem missão de acrescer. Fizemos muita catequese juntos".

(Tchello D'Barros, poeta)

"Ele abriu o caminho da maioria dos artistas catarinenses. É difícil falar da perda de alguém com quem convivemos há 30 anos. De quem fomos mais que parceiros, fomos amigos".

(Marina Mosimann, promotora cultural)

FONTE:
Pesquisa no Site do Escritor e em diversos outros artigos da WEB 
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