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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Procuro a palavra palavra


Procuro a palavra palavra

Não é a palavra fácil
que procuro.
Nem a difícil sentença,
aquela da morte,
a da fértil e definitiva solitude.
A que antecede este caminho sempre de repente.
Onde me esgueiro, me soletro,
em fantasias de pássaro, homem, serpente.

Procuro a palavra fóssil.
A palavra antes da palavra.

Procuro a palavra palavra.
Esta que me antecede
e se antecede na aurora
e na origem do homem.

Procuro desenhos
dentro da palavra.
Sonoros desenhos, tácteis,
cheiros,desencantos e sombras.
Esquecidos traços. Laços
Escritos, encantos reescritos.
Na área dos atritos.
Dos detritos.
Em ritos ardidos da carne
e ritmos do verbo.
Em becos metafísicos sem saída.

Sinais, vendavais, silêncios.
Na palavra enigmam restos, rastos de animais,
minerais da insensatez.
Distância,circunstâncias,soluços,
desterro.

Palavras são seda, aço.
Cinza onde faço poemas, me refaço.

Uso raciocínio
Procuro na razão.

Mas que se revela arcaico, pungente,
eterno e para sempre vivo,
vem do buril do coração.

Lindolf Bell
In ‘Código das Águas’
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Procuro a palavra palavra


Procuro a palavra palavra

Não é a palavra fácil
que procuro.
Nem a difícil sentença,
aquela da morte,
a da fértil e definitiva solitude.
A que antecede este caminho sempre de repente.
Onde me esgueiro, me soletro,
em fantasias de pássaro, homem, serpente.

Procuro a palavra fóssil.
A palavra antes da palavra.

Procuro a palavra palavra.
Esta que me antecede
e se antecede na aurora
e na origem do homem.

Procuro desenhos
dentro da palavra.
Sonoros desenhos, tácteis,
cheiros,desencantos e sombras.
Esquecidos traços. Laços
Escritos, encantos reescritos.
Na área dos atritos.
Dos detritos.
Em ritos ardidos da carne
e ritmos do verbo.
Em becos metafísicos sem saída.

Sinais, vendavais, silêncios.
Na palavra enigmam restos, rastos de animais,
minerais da insensatez.
Distância,circunstâncias,soluços,
desterro.

Palavras são seda, aço.
Cinza onde faço poemas, me refaço.

Uso raciocínio
Procuro na razão.

Mas que se revela arcaico, pungente,
eterno e para sempre vivo,
vem do buril do coração.

Lindolf Bell
In ‘Código das Águas’
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