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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

POEMAS DE ERNANI ROSAS

O Sonho-Interior

O Sonho-Interior que renasceste
era o Poema dum Lírio do Deserto, 
o vinho de Outras-Almas que bebeste 
fatalizou o meu destino incerto...

Depois por Ti em Sombras de degredo 
encerrei a minha alma desolada, 
tive a tua visão crepusculada 
na Beleza fugaz do meu segredo...

Perdeu-se-me ao Sol-Pôr teu rastro amado! 
qual Cipreste, no Poente agonizado, —
na demência autunal duma Alameda...

Velaram-se Sudários teus Espelhos... 
ante o cerrar do teu Olhar de seda, 
que era um descer de lua em cedros velhos

Ernani Rosas




Depois de te Sonhar...

Depois de te sonhar mistério ido
e seguir-te e ouvir-te em Hora leda, 
de vesti teu ser a raios de astro e olvido, 
de antigüidade o teu perfil de moeda.

Parei depois de haver corrido tanto
e amado e urdido horas de sonho-Asa? 
constelada de azul fulgor de brasa 
por Tardes enlaivadas de quebranto...

Sonho em cristal teu corpo de champagne? 
mansa luz que morrendo sem alarde, 
não há sol de crepúsculo, que a estranhe...

Acordas do teu Sono, para mim!
nos meus olhos à sombra, para a tarde... 
por que surges em sonhos num jardim?


Ernani Rosas



SONETO IMPRESSIONISTA

de Antonio Luzo

"Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões,vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos,vivos,vãs,vulcanizadas"
Cruz e Souza 


Seduz,embriaga o pensamento,anula
toda memória para além da vida,
é um vinho sedutor,que me estimula!
o coração de fibra envelhecida...

Quando tudo é silêncio e a alma da Lua,
Quando tudo se exulsa e os astros descem
para melhor ouvir o que tressua
nos bordões pelo ar, que se arrefecem...

É quando já se vão... fica a lembrança
da asa fluida do Longe e o último verso
de porta em rua, p'ra desesperança...

Guardo-o comigo, no meu coração,
fica a adejar no ouvido o último terço...
guardo a saudade da última canção!

Ernani Rosas
In História do Gosto e Outros Poemas

















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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

POEMAS DE ERNANI ROSAS

O Sonho-Interior

O Sonho-Interior que renasceste
era o Poema dum Lírio do Deserto, 
o vinho de Outras-Almas que bebeste 
fatalizou o meu destino incerto...

Depois por Ti em Sombras de degredo 
encerrei a minha alma desolada, 
tive a tua visão crepusculada 
na Beleza fugaz do meu segredo...

Perdeu-se-me ao Sol-Pôr teu rastro amado! 
qual Cipreste, no Poente agonizado, —
na demência autunal duma Alameda...

Velaram-se Sudários teus Espelhos... 
ante o cerrar do teu Olhar de seda, 
que era um descer de lua em cedros velhos

Ernani Rosas




Depois de te Sonhar...

Depois de te sonhar mistério ido
e seguir-te e ouvir-te em Hora leda, 
de vesti teu ser a raios de astro e olvido, 
de antigüidade o teu perfil de moeda.

Parei depois de haver corrido tanto
e amado e urdido horas de sonho-Asa? 
constelada de azul fulgor de brasa 
por Tardes enlaivadas de quebranto...

Sonho em cristal teu corpo de champagne? 
mansa luz que morrendo sem alarde, 
não há sol de crepúsculo, que a estranhe...

Acordas do teu Sono, para mim!
nos meus olhos à sombra, para a tarde... 
por que surges em sonhos num jardim?


Ernani Rosas



SONETO IMPRESSIONISTA

de Antonio Luzo

"Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões,vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos,vivos,vãs,vulcanizadas"
Cruz e Souza 


Seduz,embriaga o pensamento,anula
toda memória para além da vida,
é um vinho sedutor,que me estimula!
o coração de fibra envelhecida...

Quando tudo é silêncio e a alma da Lua,
Quando tudo se exulsa e os astros descem
para melhor ouvir o que tressua
nos bordões pelo ar, que se arrefecem...

É quando já se vão... fica a lembrança
da asa fluida do Longe e o último verso
de porta em rua, p'ra desesperança...

Guardo-o comigo, no meu coração,
fica a adejar no ouvido o último terço...
guardo a saudade da última canção!

Ernani Rosas
In História do Gosto e Outros Poemas

















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