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segunda-feira, 24 de maio de 2010

INTENÇÕES DIVINAS*

Os deuses criaram madrugadas estreitas
para que bêbados, pássaros e poetas
repousassem seus lábios e penas,
após dias de pura, inútil tempestade.

Os deuses criaram noites inteiras
para que putas, políticos e poetas
afiassem suas unhas, artimanhas e gemas,
após dias de enferma, escusa voragem.

Os deuses criaram manhãs de algazarra plenas
para que aves e animais, todos e tontos,
derramassem suas cestas de teses e fatos
na távola insone de cada um de seus mundos.

As tardes, inteiras e extremas, os deuses
reservaram para que os homens descalços,
de boa ou má vontade, sóbrios ou falsos,
revelassem seus cantos primos; seus atos maduros.

Jairo De Britto,
em "Dunas de Marfim"
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

INTENÇÕES DIVINAS*

Os deuses criaram madrugadas estreitas
para que bêbados, pássaros e poetas
repousassem seus lábios e penas,
após dias de pura, inútil tempestade.

Os deuses criaram noites inteiras
para que putas, políticos e poetas
afiassem suas unhas, artimanhas e gemas,
após dias de enferma, escusa voragem.

Os deuses criaram manhãs de algazarra plenas
para que aves e animais, todos e tontos,
derramassem suas cestas de teses e fatos
na távola insone de cada um de seus mundos.

As tardes, inteiras e extremas, os deuses
reservaram para que os homens descalços,
de boa ou má vontade, sóbrios ou falsos,
revelassem seus cantos primos; seus atos maduros.

Jairo De Britto,
em "Dunas de Marfim"
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