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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

'Mensageiro !'



Escrevo nas linhas das estações
Quebradas pela música da saudade,
Momentos de um passado mendigo
Carregado e instalado
Na dúvida do silêncio.

Fustigo o fogo do presente
Antes que as cinzas do esquecimento
Cubram as luzes do nosso tempo.


Levarei entre cometas errantes
Teu sorriso indecifrável
Onde fervilha o amor
De uma história não consumada!

Conceição Bentes
06/01/09

domingo, 4 de janeiro de 2009

'NUMA POESIA PURA'



O bramir do verde mar
O vento insistente a soprar
Pingos de chuva a ressoar
Numa úmida manhã
No lago coaxam as rãs
Diversos patos grasnando
Alguns canários cantando
Com uma imensa doçura
São os fonemas da natura
Numa poesia pura.

Walter Dimenstein
30-07-2002

'O QUE EU FIZ...'



Fiz de tudo para que o primeiro dia
deste ano acordasse meu ano bom
como fez aquele pássaro na manhã
do último dia do destino da criança
que despertou cantando no jardim
da infância de minha perplexidade.

Eu não sei de nenhum primeiro dia
que não pareça o último do tempo.

Então eu atirei sementes de rosas
no canteiro do olhar de meu amor
e a aurora numerosa do ano novo
acordou meus jardins do coração.

E cá estou meu próprio jardineiro,
atemporal como essa luz no chão:
não sei! o tempo chegou primeiro.
Contudo minhas rosas já existiam
e para isso não existe explicação.

Afonso Estebanez

'CONFISSÃO'



Minha vida não comporta tua ausência
Em descompasso, trôpego, caminho
Como um doido a blasfemar com eloqüência
Descontrolado, bêbado, sozinho.

Minhas mãos, que não suportam o vazio
Nem a leveza, límpida, do vento,
Sem as tuas entre as minhas é baldio
Qualquer esforço, máximo, que tento.

Meu coração não pulsa sem teu sangue
E meus olhos se apagam com freqüência
E me dissolvo, mínimo, exangue.
Minha vida não comporta tua ausência.

José Magno

'Senhor do Tempo!'



O meu amor
É o senhor do tempo
Que transmuta os ponteiros
Transformando segundos
Em centelhas.
Nas ternas madrugadas
Pára o mundo
Fazendo meus olhos
Dançarem em cada afago
Entrelaçados de promessas
Na certeza do nunca
Ser demasiado cedo.
Num gesto sem tempo
Cessa meu sonho
Despertando-me nas manhãs peregrinas
Acenando esparsas palavras
Semeadas com alento.

Conceição Bentes
03/01/09

'PARTIDA'




Já me desfiz de todos os guardados
e das lembranças que abrigava em mim.
Joguei ao vento, sonhos tão sonhados...
Tristeza, anseios... Tudo teve fim.

Álbuns com fotos dos meu bem amados...
E as conchas brancas, qual flor de jasmim.
Agora vou juntando meus trocados...
Já nada resta, nada mais... Enfim!

E desnudada de qualquer lembrança,
tendo nos versos a melhor herança,
outros caminhos eu irei trilhar.

A solidão? Ah, essa vai comigo,
pois nela sempre tive meu abrigo...
Pois ela sempre me soube embalar.

- Patricia Neme -

'Deus e o poeta'




Eu queria saber de Deus quem sou
e de tudo crido crer em mim
e dar-me todo aos versos
como se a poesia fosse mais do que meu alimento.

Sobrando fôlego, dizer-me poeta
e sentir que em cada luar,
sempre há uma lua em festa.

Eu queria saber de mim quem é Deus
e deixar-me ir com o vento até a onipresença
quando eu já pudesse ser de Deus...
outro deus menino feito gente.

Mas se um dia eu for ao céu,
ido ou levado,
hei de tecer os poemas desejados
que, sendo eu mortal, nunca fiz
e por isso não pude de tudo ser feliz...
aqui, tão tolamente, nesta terra.


Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 04/01/2009
Código do Texto:1366491

'Nossas Madrugadas!'



Vivemos nas indefesas madrugadas
Fechados em concha,
Um amor bordados de carícias
Ante o mundo adormecido.

Nossa voz se desfez em líquido,
Despertando entre os lençóis de neblinas,
Desejos contidos
Num manancial de emoções.

Mas o tempo não teve senso
E guardou nossa historia
Junto às estrelas
Sabendo que eu e tu
Éramos poeiras do mesmo céu!

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 04/01/09
Código do Texto: T1365247

'Céu de Primavera'



Nas noites
De olhares apaixonados
A lua aparece
Cheia de flores
Repleta de amor
Corpo na cheia
Prenhe de versos
Poética no céu
Acima dos telhados
É convite aos corações
A um céu de primavera

Elisa Cesar

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

'Futuro Incerto!'



Perco-me no labirinto do meu ser
Como se não me conhecesse
Nem tivesse dado a isso.
A sombra criada
É um vulto que me acalma
Tirando-me da solidão.
Caminho para o infinito
Meditando nas palavras,
Só as pausas me interessam.
Com o destino traçado
Sucumbo às encruzilhadas
No livre arbítrio achado.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 01/01/09
Código do Texto: T1362530

Vontade



Se eu pudesse
escrever cada palavra
com o perfume da alma
como prece a Deus

Ousaria no poema
o clamor da fala
dedicando a todo ser
cada verso meu


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 17/01/09
Código do Texto: T1389332

'Poema ao Novo Ano!'



Quero escrever um poema
Ao Novo Ano que chega
Com as rimas da musicalidade
Da paz e da esperança,
Vestido de branco
E contagiante quanto o sorriso
De uma criança.
Que seja intenso como a energia cósmica
Fazendo-se próspero eternamente
Esse poema terá
Cores e brilho do amor
Abraçando cada amigo
Como se todos fossem um só;
E a improvável possibilidade
De fechar as portas de uma dor
E abrir-se para a vida
Permitindo que a luz
Chegue permaneça!


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 31/12/2008
Código do Texto: T1361248

'DAQUILO QUE SE ACABOU'


“Quem não sabe o que é saudade
Faça do jeito que eu fiz
Vá para um lugar bem longe
Sem querer como eu não quis
Fique distante de todos
E depois você me diz”

(Do folclore nordestino)


Porém há outra saudade
Porque assim alguém o quis
Displicência ou maldade
Que torna o ser infeliz
Deixando a vida vazia
Com a noite igual ao dia
Mas é bom guardar na vida
O pouquinho que sobrou
Pois saudade é tudo que fica
Daquilo que se acabou.


Walter Dimenstein
30.12.2008

'Um Novo Dia'




Um novo dia vem nascendo
Um novo sol já vai raiar
Parece a vida, rompendo em luz
E que nos convida a amar

Oh, meu irmão, não desespera
Espera a luz acontecer
Para que a vida renasça em paz
Nesse novo amanhecer

Surgem as abelhas em zoeira a sugar o mel das
flores gentis
Param as ovelhas pelo monte, a recordar os
horizontes felizes
Vindo à distância cantam galos em longínquos
intervalos de sons
Pombos revoando, vão uivando, vão passando nestes
céus tão azuis

Ah, quanta cor e luz!

E o movimento vai crescendo
Vai aumentando em amplidão
Parece a vida pulsar no ar
O bater de um coração

Sobem pregões vindos da praça
Começa o povo a aparecer

Quem quer comprar neste novo dia
A alegria de viver?


Vinícius de Moraes
& Edu Lobo

'ESPERANÇA'




Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..


(Mario Quintana)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

'Mensageiro !'



Escrevo nas linhas das estações
Quebradas pela música da saudade,
Momentos de um passado mendigo
Carregado e instalado
Na dúvida do silêncio.

Fustigo o fogo do presente
Antes que as cinzas do esquecimento
Cubram as luzes do nosso tempo.


Levarei entre cometas errantes
Teu sorriso indecifrável
Onde fervilha o amor
De uma história não consumada!

Conceição Bentes
06/01/09

domingo, 4 de janeiro de 2009

'NUMA POESIA PURA'



O bramir do verde mar
O vento insistente a soprar
Pingos de chuva a ressoar
Numa úmida manhã
No lago coaxam as rãs
Diversos patos grasnando
Alguns canários cantando
Com uma imensa doçura
São os fonemas da natura
Numa poesia pura.

Walter Dimenstein
30-07-2002

'O QUE EU FIZ...'



Fiz de tudo para que o primeiro dia
deste ano acordasse meu ano bom
como fez aquele pássaro na manhã
do último dia do destino da criança
que despertou cantando no jardim
da infância de minha perplexidade.

Eu não sei de nenhum primeiro dia
que não pareça o último do tempo.

Então eu atirei sementes de rosas
no canteiro do olhar de meu amor
e a aurora numerosa do ano novo
acordou meus jardins do coração.

E cá estou meu próprio jardineiro,
atemporal como essa luz no chão:
não sei! o tempo chegou primeiro.
Contudo minhas rosas já existiam
e para isso não existe explicação.

Afonso Estebanez

'CONFISSÃO'



Minha vida não comporta tua ausência
Em descompasso, trôpego, caminho
Como um doido a blasfemar com eloqüência
Descontrolado, bêbado, sozinho.

Minhas mãos, que não suportam o vazio
Nem a leveza, límpida, do vento,
Sem as tuas entre as minhas é baldio
Qualquer esforço, máximo, que tento.

Meu coração não pulsa sem teu sangue
E meus olhos se apagam com freqüência
E me dissolvo, mínimo, exangue.
Minha vida não comporta tua ausência.

José Magno

'Senhor do Tempo!'



O meu amor
É o senhor do tempo
Que transmuta os ponteiros
Transformando segundos
Em centelhas.
Nas ternas madrugadas
Pára o mundo
Fazendo meus olhos
Dançarem em cada afago
Entrelaçados de promessas
Na certeza do nunca
Ser demasiado cedo.
Num gesto sem tempo
Cessa meu sonho
Despertando-me nas manhãs peregrinas
Acenando esparsas palavras
Semeadas com alento.

Conceição Bentes
03/01/09

'PARTIDA'




Já me desfiz de todos os guardados
e das lembranças que abrigava em mim.
Joguei ao vento, sonhos tão sonhados...
Tristeza, anseios... Tudo teve fim.

Álbuns com fotos dos meu bem amados...
E as conchas brancas, qual flor de jasmim.
Agora vou juntando meus trocados...
Já nada resta, nada mais... Enfim!

E desnudada de qualquer lembrança,
tendo nos versos a melhor herança,
outros caminhos eu irei trilhar.

A solidão? Ah, essa vai comigo,
pois nela sempre tive meu abrigo...
Pois ela sempre me soube embalar.

- Patricia Neme -

'Deus e o poeta'




Eu queria saber de Deus quem sou
e de tudo crido crer em mim
e dar-me todo aos versos
como se a poesia fosse mais do que meu alimento.

Sobrando fôlego, dizer-me poeta
e sentir que em cada luar,
sempre há uma lua em festa.

Eu queria saber de mim quem é Deus
e deixar-me ir com o vento até a onipresença
quando eu já pudesse ser de Deus...
outro deus menino feito gente.

Mas se um dia eu for ao céu,
ido ou levado,
hei de tecer os poemas desejados
que, sendo eu mortal, nunca fiz
e por isso não pude de tudo ser feliz...
aqui, tão tolamente, nesta terra.


Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 04/01/2009
Código do Texto:1366491

'Nossas Madrugadas!'



Vivemos nas indefesas madrugadas
Fechados em concha,
Um amor bordados de carícias
Ante o mundo adormecido.

Nossa voz se desfez em líquido,
Despertando entre os lençóis de neblinas,
Desejos contidos
Num manancial de emoções.

Mas o tempo não teve senso
E guardou nossa historia
Junto às estrelas
Sabendo que eu e tu
Éramos poeiras do mesmo céu!

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 04/01/09
Código do Texto: T1365247

'Céu de Primavera'



Nas noites
De olhares apaixonados
A lua aparece
Cheia de flores
Repleta de amor
Corpo na cheia
Prenhe de versos
Poética no céu
Acima dos telhados
É convite aos corações
A um céu de primavera

Elisa Cesar

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

'Futuro Incerto!'



Perco-me no labirinto do meu ser
Como se não me conhecesse
Nem tivesse dado a isso.
A sombra criada
É um vulto que me acalma
Tirando-me da solidão.
Caminho para o infinito
Meditando nas palavras,
Só as pausas me interessam.
Com o destino traçado
Sucumbo às encruzilhadas
No livre arbítrio achado.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 01/01/09
Código do Texto: T1362530

Vontade



Se eu pudesse
escrever cada palavra
com o perfume da alma
como prece a Deus

Ousaria no poema
o clamor da fala
dedicando a todo ser
cada verso meu


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 17/01/09
Código do Texto: T1389332

'Poema ao Novo Ano!'



Quero escrever um poema
Ao Novo Ano que chega
Com as rimas da musicalidade
Da paz e da esperança,
Vestido de branco
E contagiante quanto o sorriso
De uma criança.
Que seja intenso como a energia cósmica
Fazendo-se próspero eternamente
Esse poema terá
Cores e brilho do amor
Abraçando cada amigo
Como se todos fossem um só;
E a improvável possibilidade
De fechar as portas de uma dor
E abrir-se para a vida
Permitindo que a luz
Chegue permaneça!


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 31/12/2008
Código do Texto: T1361248

'DAQUILO QUE SE ACABOU'


“Quem não sabe o que é saudade
Faça do jeito que eu fiz
Vá para um lugar bem longe
Sem querer como eu não quis
Fique distante de todos
E depois você me diz”

(Do folclore nordestino)


Porém há outra saudade
Porque assim alguém o quis
Displicência ou maldade
Que torna o ser infeliz
Deixando a vida vazia
Com a noite igual ao dia
Mas é bom guardar na vida
O pouquinho que sobrou
Pois saudade é tudo que fica
Daquilo que se acabou.


Walter Dimenstein
30.12.2008

'Um Novo Dia'




Um novo dia vem nascendo
Um novo sol já vai raiar
Parece a vida, rompendo em luz
E que nos convida a amar

Oh, meu irmão, não desespera
Espera a luz acontecer
Para que a vida renasça em paz
Nesse novo amanhecer

Surgem as abelhas em zoeira a sugar o mel das
flores gentis
Param as ovelhas pelo monte, a recordar os
horizontes felizes
Vindo à distância cantam galos em longínquos
intervalos de sons
Pombos revoando, vão uivando, vão passando nestes
céus tão azuis

Ah, quanta cor e luz!

E o movimento vai crescendo
Vai aumentando em amplidão
Parece a vida pulsar no ar
O bater de um coração

Sobem pregões vindos da praça
Começa o povo a aparecer

Quem quer comprar neste novo dia
A alegria de viver?


Vinícius de Moraes
& Edu Lobo

'ESPERANÇA'




Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..


(Mario Quintana)