Seja bem-vindo. Hoje é

domingo, 11 de janeiro de 2009

'Contemplação'




Contemplo teu vôo etéreo
Desenlaçando-se de mim
Tornando-te singular
Na imensidão que habitas

Tomo às mãos teu destino,
A transferência do querer
Isolando-te num sítio mágico
Onde a harmonia transpira
Sensorial e intensa a tua volta.
E minha alma voa
Sobre as asas do teu amor
Ocultando para sempre
No derradeiro anoitecer
O tempo consumido sem explicações.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 10/01/09
Código do Texto: T1377233

'A Cascata do Lameiro'


(Lameiro- Portugal)


No primeiro brilho da alvorada
Saudando o dia alegremente
Pensamento voando livremente
No perfume da flor desabrochada.

Crianças à caminho da cascata
Em plena comunhão com a natureza,
A contemplar do rio a beleza
Que arrastava tudo pela mata.

Que rumo esse rio seguiria,
Ao Mar, cheio de beleza e vida,
Ou findar em deserto, a sua sorte?

Assim a vida que pra nós sorria:
- Bonança de uns, ventura infinda
- Pra outros, prematuramente a morte...

Regina Helena


O céu que eu tenho em mente
Não está em cima nem embaixo
O céu que tenho escolhido
É o céu que eu me acho

Céu que no mundo existe vários
Céu da boca ou outros céus
Céu de Deus do firmamento
Céu além dos chaminés.

Eu pensei na minha terra
Do céu que era do fundo
Tão azul e muito belo
Para mim o fim do mundo...

Jevan Siqueira

'Versos em Aquarela'


Gabriela Seltz


Visto-me de noite mansa
Reinvento versos
Desprendendo o coração
Do labirinto monocromático.

Venho com luzes
Clareando caminhos
Das rimas coloridas
Antes do poema final

Reescrevo minhas páginas
Em cenários multicores
Que diz quase tudo
Ou muito pouco
De maneira irreal
Difusa
Irrevelada!

Conceição Bentes
09/01/09

'Insônia'




Noites como tantas não adormecidas
Vendo auroras chegarem
A vida recomeçar
No amanhecer lento não desejado.

Regresso até onde te deixei
Debruçada no meu sentir
Esperando a clareza das respostas
Escondidas nas minhas emoções

As certezas se acanham dentro de mim
Tal como lume de cera lenta e branda
Sem derramar calor
Minhas noites interligam-se
Nos dias que não findam
Estancando o tempo enlouquecido
Nos segundos duradouros
Presos à imutável eternidade.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 11/01/09
Código do Texto: T1378805

'Espelho'


Isabel Filipe


Cerco-me de imagens refletidas
Que me retornam sensações
De não estar só.
Partilho dores ocultas
Recebendo as suas
Em troca solidária
Ante a barreira do silêncio.
Refletes luzes errantes
Que rompem névoas
E imagens dormidas
Transformando traços
Em figuras perfeitas
Tidas como reais.

Conceição Bentes
08/01/09

'Uma Valquíria'




Tal como uma Valquíria
Reinaste na sabedoria,
Nunca permitindo
Que um repouso enganador
Fosse o escolhido
Diante dos tropeços da tua jornada.
Caminhaste confiante diante da dor
Mantendo ânimo enobrecedor
E quando lágrimas ameaçaram teus olhos
Abrigaste-te nas asas da prece
Mudando o panorama do teu mundo
Fazendo da tua realização interior
Uma proposta otimista
De valorização da vida

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 03/01/09
Código do Texto: T1364891

'Choro de papelão'



Mansa é-me a tua voz,
dos meus ouvidos rara algoz,
de minha alma um barulho estúpido.

Lindo é o olhar roubado de tua face
entre as primeiras rugas que deixaste
que tuas mãos as pusessem em teu rosto.

Nada mais creio possa dar teu coração
a este poeta transformado em papelão
e que essas tuas lágrimas molhando rasgue-o.

Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 11/01/2009
Código do Texto1379329

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

'Magia do Silêncio'



Verdades são partilhadas
No silêncio dos olhares
Em sorrisos disfarçados
Nas palavras não pronunciadas.

Em silêncio cruzam-se dores
Calam-se passos
Sem pressa de chegar
Seduz-se a magia de um reencontro
Selam-se beijos sem pedidos
Revive-se o que o tempo não apaga.

Conceição Bentes
07/01/09

'Vem...'



vem, me dá tua mão
me aperta junto a ti
esquece por um tempinho só
o impossível...
deixa de olhar pra mim
como se eu pudesse ser o teu passado
para que eu deixe de te olhar
como se pudesses ser o meu futuro...

vem, me toca ao menos uma vez
fecha os teus olhos e me abraça
para que eu possa esquecer
que és tão visível quanto inatingível,
embora ocupemos o mesmo espaço...

vem, fica junto a mim,
que importa o tempo?
sendo bom, parecerá sem fim
e será suficiente para que
as nossas almas fiquem marcadas
pelo nosso amor e, silenciosamente,
sussurremos uma prece...

e então, em outra eternidade,
embora além, bem além,
nos reconheceremos
e viveremos esse amor
no mesmo tempo e no mesmo espaço.

Regina Helena

'VERSOS PARA MINAS'


(Photo by Fernando Campanella)

O que me fica de Minas
Mais que os rumos das Inconfidências
São as ossadas azuis distantes de seus montes
Indecifráveis dinossauros férreos
Incrustados na vastidão da alma.

Mais que os versos para Bárbara
O que me fica de Minas
É um certo ar de inverno impregnando as sombras
Um cheiro de pasto & esterco orvalhados
Onde cavalos, insetos, vacas
Reinam remansos de silêncios gigantes.

É a beleza modesta porém eterna
De suas claras morenas meninas
Os seios do desejo casto arfando.

São casas com trepadeiras rubras
limões cravo e primaveras despencando;
São restos senhoris dos cafés dos campos
Um descomunal cansaço
Uma quase lembrança do que já vivido.
E ainda os incansáveis, gentis, negros braços
O leite pródigo dos úberes
Seiva inteira desta Minas universo inesgotável.

Além das transparências do nome
Além da forma
O que me fica de Minas
É matiz, é perfume.


(Fernando Campanella)

'AQUARELA'


(Hedychium – Lírio do brejo)

Bananeiras
lírios do brejo
sapos
e reticências mineiras...

Em transparências de tédio
a aquarela da tarde
é meu exílio de Minas....


(Fernando Campanella ,1993)

'RONDEL A MEU AMOR'



Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito;
Eu te amo com a intensidade das dores
Que me deixam inconsequente e aflito.

E dos sonhos que tive de amores
Tu és a que vens cumprir o escrito,
Como o orvalho rouba frescor das flores
E a eternidade tudo que é finito.

Como não sei fazer um verso bonito,
Para aliviar teus doidos temores
Apenas repito o que tenho dito:
Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito.


Oswaldo Antônio Begiato

'PRIMEIRA ROSA DE SAROM'



Tão triste é tu encontrares um amor
tão triste que não pode te encontrar
tão vasto como o aroma de uma flor
dispersa na lembrança sem lembrar.

Oh, fonte de água viva! banha a dor
do tédio do deserto e o joga ao mar
onde o pranto supõe ser um louvor
ou o meu canto ao direito de chorar.

Chorar por toda rosa é uma canção
que dói, mas não magoa o coração,
se meu amar é vida e amor é dom.

Eu quero apenas encontrar a rosa:
entre muitas aquela mais formosa
reflorida entre as rosas de Sarom!


Afonso Estebanez


Chega um momento
em que somos aves na noite,
pura plumagem, dormindo de pé,
com a cabeça encolhida.
O que tanto zelamos
na fileira dos dias,
o que tanto brigamos
para guardar, de repente
não presta mais: jornais, retratos,
poemas, posteridade.
Minha bagagem
é a roupa do corpo.


Fabrício Carpinejar

domingo, 11 de janeiro de 2009

'Contemplação'




Contemplo teu vôo etéreo
Desenlaçando-se de mim
Tornando-te singular
Na imensidão que habitas

Tomo às mãos teu destino,
A transferência do querer
Isolando-te num sítio mágico
Onde a harmonia transpira
Sensorial e intensa a tua volta.
E minha alma voa
Sobre as asas do teu amor
Ocultando para sempre
No derradeiro anoitecer
O tempo consumido sem explicações.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 10/01/09
Código do Texto: T1377233

'A Cascata do Lameiro'


(Lameiro- Portugal)


No primeiro brilho da alvorada
Saudando o dia alegremente
Pensamento voando livremente
No perfume da flor desabrochada.

Crianças à caminho da cascata
Em plena comunhão com a natureza,
A contemplar do rio a beleza
Que arrastava tudo pela mata.

Que rumo esse rio seguiria,
Ao Mar, cheio de beleza e vida,
Ou findar em deserto, a sua sorte?

Assim a vida que pra nós sorria:
- Bonança de uns, ventura infinda
- Pra outros, prematuramente a morte...

Regina Helena


O céu que eu tenho em mente
Não está em cima nem embaixo
O céu que tenho escolhido
É o céu que eu me acho

Céu que no mundo existe vários
Céu da boca ou outros céus
Céu de Deus do firmamento
Céu além dos chaminés.

Eu pensei na minha terra
Do céu que era do fundo
Tão azul e muito belo
Para mim o fim do mundo...

Jevan Siqueira

'Versos em Aquarela'


Gabriela Seltz


Visto-me de noite mansa
Reinvento versos
Desprendendo o coração
Do labirinto monocromático.

Venho com luzes
Clareando caminhos
Das rimas coloridas
Antes do poema final

Reescrevo minhas páginas
Em cenários multicores
Que diz quase tudo
Ou muito pouco
De maneira irreal
Difusa
Irrevelada!

Conceição Bentes
09/01/09

'Insônia'




Noites como tantas não adormecidas
Vendo auroras chegarem
A vida recomeçar
No amanhecer lento não desejado.

Regresso até onde te deixei
Debruçada no meu sentir
Esperando a clareza das respostas
Escondidas nas minhas emoções

As certezas se acanham dentro de mim
Tal como lume de cera lenta e branda
Sem derramar calor
Minhas noites interligam-se
Nos dias que não findam
Estancando o tempo enlouquecido
Nos segundos duradouros
Presos à imutável eternidade.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 11/01/09
Código do Texto: T1378805

'Espelho'


Isabel Filipe


Cerco-me de imagens refletidas
Que me retornam sensações
De não estar só.
Partilho dores ocultas
Recebendo as suas
Em troca solidária
Ante a barreira do silêncio.
Refletes luzes errantes
Que rompem névoas
E imagens dormidas
Transformando traços
Em figuras perfeitas
Tidas como reais.

Conceição Bentes
08/01/09

'Uma Valquíria'




Tal como uma Valquíria
Reinaste na sabedoria,
Nunca permitindo
Que um repouso enganador
Fosse o escolhido
Diante dos tropeços da tua jornada.
Caminhaste confiante diante da dor
Mantendo ânimo enobrecedor
E quando lágrimas ameaçaram teus olhos
Abrigaste-te nas asas da prece
Mudando o panorama do teu mundo
Fazendo da tua realização interior
Uma proposta otimista
De valorização da vida

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 03/01/09
Código do Texto: T1364891

'Choro de papelão'



Mansa é-me a tua voz,
dos meus ouvidos rara algoz,
de minha alma um barulho estúpido.

Lindo é o olhar roubado de tua face
entre as primeiras rugas que deixaste
que tuas mãos as pusessem em teu rosto.

Nada mais creio possa dar teu coração
a este poeta transformado em papelão
e que essas tuas lágrimas molhando rasgue-o.

Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 11/01/2009
Código do Texto1379329

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

'Magia do Silêncio'



Verdades são partilhadas
No silêncio dos olhares
Em sorrisos disfarçados
Nas palavras não pronunciadas.

Em silêncio cruzam-se dores
Calam-se passos
Sem pressa de chegar
Seduz-se a magia de um reencontro
Selam-se beijos sem pedidos
Revive-se o que o tempo não apaga.

Conceição Bentes
07/01/09

'Vem...'



vem, me dá tua mão
me aperta junto a ti
esquece por um tempinho só
o impossível...
deixa de olhar pra mim
como se eu pudesse ser o teu passado
para que eu deixe de te olhar
como se pudesses ser o meu futuro...

vem, me toca ao menos uma vez
fecha os teus olhos e me abraça
para que eu possa esquecer
que és tão visível quanto inatingível,
embora ocupemos o mesmo espaço...

vem, fica junto a mim,
que importa o tempo?
sendo bom, parecerá sem fim
e será suficiente para que
as nossas almas fiquem marcadas
pelo nosso amor e, silenciosamente,
sussurremos uma prece...

e então, em outra eternidade,
embora além, bem além,
nos reconheceremos
e viveremos esse amor
no mesmo tempo e no mesmo espaço.

Regina Helena

'VERSOS PARA MINAS'


(Photo by Fernando Campanella)

O que me fica de Minas
Mais que os rumos das Inconfidências
São as ossadas azuis distantes de seus montes
Indecifráveis dinossauros férreos
Incrustados na vastidão da alma.

Mais que os versos para Bárbara
O que me fica de Minas
É um certo ar de inverno impregnando as sombras
Um cheiro de pasto & esterco orvalhados
Onde cavalos, insetos, vacas
Reinam remansos de silêncios gigantes.

É a beleza modesta porém eterna
De suas claras morenas meninas
Os seios do desejo casto arfando.

São casas com trepadeiras rubras
limões cravo e primaveras despencando;
São restos senhoris dos cafés dos campos
Um descomunal cansaço
Uma quase lembrança do que já vivido.
E ainda os incansáveis, gentis, negros braços
O leite pródigo dos úberes
Seiva inteira desta Minas universo inesgotável.

Além das transparências do nome
Além da forma
O que me fica de Minas
É matiz, é perfume.


(Fernando Campanella)

'AQUARELA'


(Hedychium – Lírio do brejo)

Bananeiras
lírios do brejo
sapos
e reticências mineiras...

Em transparências de tédio
a aquarela da tarde
é meu exílio de Minas....


(Fernando Campanella ,1993)

'RONDEL A MEU AMOR'



Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito;
Eu te amo com a intensidade das dores
Que me deixam inconsequente e aflito.

E dos sonhos que tive de amores
Tu és a que vens cumprir o escrito,
Como o orvalho rouba frescor das flores
E a eternidade tudo que é finito.

Como não sei fazer um verso bonito,
Para aliviar teus doidos temores
Apenas repito o que tenho dito:
Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito.


Oswaldo Antônio Begiato

'PRIMEIRA ROSA DE SAROM'



Tão triste é tu encontrares um amor
tão triste que não pode te encontrar
tão vasto como o aroma de uma flor
dispersa na lembrança sem lembrar.

Oh, fonte de água viva! banha a dor
do tédio do deserto e o joga ao mar
onde o pranto supõe ser um louvor
ou o meu canto ao direito de chorar.

Chorar por toda rosa é uma canção
que dói, mas não magoa o coração,
se meu amar é vida e amor é dom.

Eu quero apenas encontrar a rosa:
entre muitas aquela mais formosa
reflorida entre as rosas de Sarom!


Afonso Estebanez


Chega um momento
em que somos aves na noite,
pura plumagem, dormindo de pé,
com a cabeça encolhida.
O que tanto zelamos
na fileira dos dias,
o que tanto brigamos
para guardar, de repente
não presta mais: jornais, retratos,
poemas, posteridade.
Minha bagagem
é a roupa do corpo.


Fabrício Carpinejar