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sexta-feira, 6 de março de 2009

TRÊS INSTANTES DE PERPLEXIDADE - 2




Há um raio de luz rastejando na soleira,
mas a claridade do luar não entra em minha casa.
Há uma ave noturna pousada em meu telhado,
devasso todos os porões do hotel de minha vida
e não sei de ninguém que ali estivesse pernoitado
por causa de minha esperança desistida...
Onde está o momento do sonho que sustento,
onde fica a tal porta de saída...

... se me procuro atentamente na superfície fria
dos espelhos e não ouço mais os velhos chavões
dos maus conselhos... Cometo atos profanos
de arrebatamento clandestino e assim me espero
e desespero e me pereço e também me desatino
porque nunca aconteço nem com a cumplicidade
do meu eu-menino...

É assim que somos dois:
aquele que de mim aprende
tudo o que de mim ensino...

Julis Calderón

O Peso das Palavras




Repousam dentro de mim
palavras que calaram minha voz,
transformaram momentos em caricias
e ditaram leis ante lágrimas vertidas

Simbolizam a dor silenciosa,
a alegria na alma quando desnudada
ante a felicidade, em alegres cânticos
do mais puro lirismo

Pesam ao atingir o amor camuflado
quebrando encantamentos ,
sentidos pelas emoções vividas
em verbos conjugados.


Conceição Bentes
06/03/09

Rostos quebrados




Quebrei os conceitos de preconceitos
Num mundo pré-concebido.

Parti caminhos ao meio
para juntá-los do meu jeito
fazendo um lugar perfeito
dos perdidos e desencontrados,
que procuram um rosto
em pedaços de espelhos quebrados.

Conceição Bentes
28/02/09

Assim é o amor!




Meu amor não tem utopias
é real, sem as cores do arco-íris
como tema
Tem o som da voz da poesia
que fala das fraquezas, dos medos
fortalecendo minhas ilusões

Esse amor está no cantar da fonte
aromatiza o tempo
tem o cheiro da mata
e fecunda a vida

Tem sonhos sem ilusões
faz do saber meu caminhar
consome de forma primordial meus sentidos,
é o livro sagrado pelo qual
meu espírito se orienta
e incansavelmente se guia!

Conceição Bentes
02/03/09

TRÊS INSTANTES DE PERPLEXIDADE - 1



O que adianta esperar sem sofrimento?
O mesmo relógio parado na beira do tempo
o relâmpago o trovão o raio e o pensamento
o velho retrato de meus pais aprumado sobre
a cristaleira exibindo o mesmo bigode do dia
do casamento celebrado na mesma igreja
perante o mesmo altar da mesma santa...
O que adianta...

... se o que desejo é tão incerto como o olhar
de um pássaro cativo na gaiola do meu vizinho
herói de si mesmo e emérito caçador de nada,
se o que me leva é leve como o pólen na brisa
passageira e breve como o traço de uma flor,
se o que me faz viver é essa esperança
desesperada de sobreviver do meu amor?...

Julis Calderón

CANTIGA INOCENTE




Construo estradas na alma
onde os sonhos vão passar
e na espera passa a calma
para o amor poder sonhar.

De alguns fios de alvorada
as cordas de um bandolim
vêm tocando pela estrada
do amor cantado por mim.

Por aqui passa a saudade
da saudade que não sinto
do meu sonho de verdade
que vivo quando consinto.

Consinto que tu me vejas
chorando porque me vais
sem sair das profundezas
de meus encantos banais.

Encantos de ser um louco
ou o eterno entre mortais.
É tão pouco! se do pouco
teu amor não tenho mais!


Afonso Estebanez

COMO A ÁGUIA...




Nenhum ser é tão audacioso
quanto aquele que não sabe
de uma boa razão para viver.

Que seria de meus pássaros
sempre que não soubessem
dos seus instintos de cantar!

E o que seria dos que ficam
se soubessem que não têm
um motivo sequer para ficar!

Nem todo o amor teria tanto
amor se teu amor soubesse
não ter razão para me amar.

Nossas almas se encontram
sempre porque essas almas
são almas iguais às minhas.

Procuro ensinar minha alma
a voar sozinha como a águia
para que não aprenda a voar
em bandos como as
andorinhas...

Afonso Estebanez
(Poema composto em homenagem
ao aparecimento de Julis Calderón)

O Ser Mulher



Mulher, ser divino
bandeira de todas as conquistas
poema de cada verso
caminho das certezas
És emoção distribuída
nem sempre captada
que cancela sonhos
em prol de outras vidas
Tens vida única entre mil vidas
recuperas o irrecuperável
és o perdão não solicitado,
a rosa que não pondera
o tempo consumido
Te fragmentas e entrelaças
Nos poemas antigos e rejuvenescido
E tal uma rocha,
Compões a formação da vida!


Conceição Bentes
28/02/09

Tantas Marias



Marias de infâncias sofridas
dos versos das poesias
deusas da harmonia
das grandes inspirações
És o canto e o pranto,
a vigília, a sentinela,
o sorriso da menina
de muitos anos atrás
Faz do amor o teu cheiro
és o sol desfeito em luz
o começo de muitas estradas
do caminheiro, teu andor.

Conceição Bentes
01/03/09

Mulher, Símbolo da Vida


(Antares art)

És o símbolo do amor, da abnegação,
a busca árdua ao filho ausente
Tornas-te poema de amor na tua ausência
e a melodia cantada no grito
das mães das Praças de Maio
e da Paz Celestial
Sozinha, constróis artifícios íntimos
para viver sem dar explicações,
tornando teu canto solidário
sem envelhecer,
escrito em forma de candura
onde o Criador embalou,
de maneira idílica e fascinante
e ao mundo presenteou.

Conceição Bentes
03/03/09

segunda-feira, 2 de março de 2009

OFTALMOPOEM



O exame de fundo do meu olhar
responde ao resultado positivo
de cascatas da bruma sobre o mar:
cataratas de luz de um paraíso
como flautas de espumas do sorriso
numa canção tão simples de cantar...

Eu tomo teus olhos para enxergar
como cego que enxerga sem motivo
pelo simples prazer de navegar:
no mar imaginário do impossível
ainda que enxergar seja possível
como a última forma de te amar...

Afonso Estebanez

ROSA DA MANHÃ



Assim que pressenti que tua face
era a mesma que eu via refletida
na água pura da fonte do jardim,
eu pude perceber que nesta vida
a despeito de a fé ser presumida
não me haveria tanta paz assim:
como o infinito amor da tua face
refletida na paz dentro de mim...

Teus olhos pareciam esmeraldas
refletidas no fundo transparente
das águas límpidas do teu olhar.
Era a luz de tua face de repente
assim como alvorada no poente
anoitecendo meu amor no mar:
como anoitece a rosa da manhã
na aurora certa para me sonhar.

Afonso Estebanez

CANÇÃO PRA VOCÊ VOLTAR




Como águia nas vertentes do infinito
você não pode mais perder-se assim
como o corpo da alma sem o espírito
como flor que se ausenta do jardim...

Você não deve nunca mais perder-se
de mim enquanto não for hora ainda...
Enquanto for tão cedo e o amanhecer
é sonho que desperta, mas não finda.

Talvez deva supor que sua ausência
seja a parte acordada de meu sono...
E a minha ensolarada inconsciência
seja a linda manhã do ainda outono...

Por isso não se ausente mais de mim
que sempre fiz você dormir de amor!
Como as crinas douradas do alecrim
que ao pôr-do-sol hospeda a sua flor...

Você não pode mais deixar-se alada
ao tempo como o vento sobre o mar...
Você tem que voltar tão despertada
como um sonho cansado de sonhar...

Como águia que regressa do infinito...
Enfim! É justo amar o amar-se assim...
Como alma que retoma seu espírito...
Como flor que retorna ao seu jardim...

A. Estebanez

A Vida é Poesia



Como adolescente rebelde
a poesia quebra limites
a morte desafia,
modismos são criados
É o adulto sério
protestando com veemência,
lutando calado
impondo a presença
denunciando o errado
Na maturidade se faz
ponderada ao agir,
dominando a ausência
sem se afligir pela partida
usando a experiência
da vida que por si,
já é poesia


Conceição Bentes
01/03/09

Encontro Delirante



Em cada camada da tua pele
transito feito sol no teu corpo
Tomo a forma das libélulas
e vôo rasante no teu mar
dominado tempestades
seguindo teus passos
que buscam legados imaginários
Espalho íris nos teus lírios
simulo sorrisos naufragados
no oceano que insisto em navegar
Congrego ósculos
viro pedra,
sombra,
pó.


Conceição Bentes
01/03/09

sexta-feira, 6 de março de 2009

TRÊS INSTANTES DE PERPLEXIDADE - 2




Há um raio de luz rastejando na soleira,
mas a claridade do luar não entra em minha casa.
Há uma ave noturna pousada em meu telhado,
devasso todos os porões do hotel de minha vida
e não sei de ninguém que ali estivesse pernoitado
por causa de minha esperança desistida...
Onde está o momento do sonho que sustento,
onde fica a tal porta de saída...

... se me procuro atentamente na superfície fria
dos espelhos e não ouço mais os velhos chavões
dos maus conselhos... Cometo atos profanos
de arrebatamento clandestino e assim me espero
e desespero e me pereço e também me desatino
porque nunca aconteço nem com a cumplicidade
do meu eu-menino...

É assim que somos dois:
aquele que de mim aprende
tudo o que de mim ensino...

Julis Calderón

O Peso das Palavras




Repousam dentro de mim
palavras que calaram minha voz,
transformaram momentos em caricias
e ditaram leis ante lágrimas vertidas

Simbolizam a dor silenciosa,
a alegria na alma quando desnudada
ante a felicidade, em alegres cânticos
do mais puro lirismo

Pesam ao atingir o amor camuflado
quebrando encantamentos ,
sentidos pelas emoções vividas
em verbos conjugados.


Conceição Bentes
06/03/09

Rostos quebrados




Quebrei os conceitos de preconceitos
Num mundo pré-concebido.

Parti caminhos ao meio
para juntá-los do meu jeito
fazendo um lugar perfeito
dos perdidos e desencontrados,
que procuram um rosto
em pedaços de espelhos quebrados.

Conceição Bentes
28/02/09

Assim é o amor!




Meu amor não tem utopias
é real, sem as cores do arco-íris
como tema
Tem o som da voz da poesia
que fala das fraquezas, dos medos
fortalecendo minhas ilusões

Esse amor está no cantar da fonte
aromatiza o tempo
tem o cheiro da mata
e fecunda a vida

Tem sonhos sem ilusões
faz do saber meu caminhar
consome de forma primordial meus sentidos,
é o livro sagrado pelo qual
meu espírito se orienta
e incansavelmente se guia!

Conceição Bentes
02/03/09

TRÊS INSTANTES DE PERPLEXIDADE - 1



O que adianta esperar sem sofrimento?
O mesmo relógio parado na beira do tempo
o relâmpago o trovão o raio e o pensamento
o velho retrato de meus pais aprumado sobre
a cristaleira exibindo o mesmo bigode do dia
do casamento celebrado na mesma igreja
perante o mesmo altar da mesma santa...
O que adianta...

... se o que desejo é tão incerto como o olhar
de um pássaro cativo na gaiola do meu vizinho
herói de si mesmo e emérito caçador de nada,
se o que me leva é leve como o pólen na brisa
passageira e breve como o traço de uma flor,
se o que me faz viver é essa esperança
desesperada de sobreviver do meu amor?...

Julis Calderón

CANTIGA INOCENTE




Construo estradas na alma
onde os sonhos vão passar
e na espera passa a calma
para o amor poder sonhar.

De alguns fios de alvorada
as cordas de um bandolim
vêm tocando pela estrada
do amor cantado por mim.

Por aqui passa a saudade
da saudade que não sinto
do meu sonho de verdade
que vivo quando consinto.

Consinto que tu me vejas
chorando porque me vais
sem sair das profundezas
de meus encantos banais.

Encantos de ser um louco
ou o eterno entre mortais.
É tão pouco! se do pouco
teu amor não tenho mais!


Afonso Estebanez

COMO A ÁGUIA...




Nenhum ser é tão audacioso
quanto aquele que não sabe
de uma boa razão para viver.

Que seria de meus pássaros
sempre que não soubessem
dos seus instintos de cantar!

E o que seria dos que ficam
se soubessem que não têm
um motivo sequer para ficar!

Nem todo o amor teria tanto
amor se teu amor soubesse
não ter razão para me amar.

Nossas almas se encontram
sempre porque essas almas
são almas iguais às minhas.

Procuro ensinar minha alma
a voar sozinha como a águia
para que não aprenda a voar
em bandos como as
andorinhas...

Afonso Estebanez
(Poema composto em homenagem
ao aparecimento de Julis Calderón)

O Ser Mulher



Mulher, ser divino
bandeira de todas as conquistas
poema de cada verso
caminho das certezas
És emoção distribuída
nem sempre captada
que cancela sonhos
em prol de outras vidas
Tens vida única entre mil vidas
recuperas o irrecuperável
és o perdão não solicitado,
a rosa que não pondera
o tempo consumido
Te fragmentas e entrelaças
Nos poemas antigos e rejuvenescido
E tal uma rocha,
Compões a formação da vida!


Conceição Bentes
28/02/09

Tantas Marias



Marias de infâncias sofridas
dos versos das poesias
deusas da harmonia
das grandes inspirações
És o canto e o pranto,
a vigília, a sentinela,
o sorriso da menina
de muitos anos atrás
Faz do amor o teu cheiro
és o sol desfeito em luz
o começo de muitas estradas
do caminheiro, teu andor.

Conceição Bentes
01/03/09

Mulher, Símbolo da Vida


(Antares art)

És o símbolo do amor, da abnegação,
a busca árdua ao filho ausente
Tornas-te poema de amor na tua ausência
e a melodia cantada no grito
das mães das Praças de Maio
e da Paz Celestial
Sozinha, constróis artifícios íntimos
para viver sem dar explicações,
tornando teu canto solidário
sem envelhecer,
escrito em forma de candura
onde o Criador embalou,
de maneira idílica e fascinante
e ao mundo presenteou.

Conceição Bentes
03/03/09

segunda-feira, 2 de março de 2009

OFTALMOPOEM



O exame de fundo do meu olhar
responde ao resultado positivo
de cascatas da bruma sobre o mar:
cataratas de luz de um paraíso
como flautas de espumas do sorriso
numa canção tão simples de cantar...

Eu tomo teus olhos para enxergar
como cego que enxerga sem motivo
pelo simples prazer de navegar:
no mar imaginário do impossível
ainda que enxergar seja possível
como a última forma de te amar...

Afonso Estebanez

ROSA DA MANHÃ



Assim que pressenti que tua face
era a mesma que eu via refletida
na água pura da fonte do jardim,
eu pude perceber que nesta vida
a despeito de a fé ser presumida
não me haveria tanta paz assim:
como o infinito amor da tua face
refletida na paz dentro de mim...

Teus olhos pareciam esmeraldas
refletidas no fundo transparente
das águas límpidas do teu olhar.
Era a luz de tua face de repente
assim como alvorada no poente
anoitecendo meu amor no mar:
como anoitece a rosa da manhã
na aurora certa para me sonhar.

Afonso Estebanez

CANÇÃO PRA VOCÊ VOLTAR




Como águia nas vertentes do infinito
você não pode mais perder-se assim
como o corpo da alma sem o espírito
como flor que se ausenta do jardim...

Você não deve nunca mais perder-se
de mim enquanto não for hora ainda...
Enquanto for tão cedo e o amanhecer
é sonho que desperta, mas não finda.

Talvez deva supor que sua ausência
seja a parte acordada de meu sono...
E a minha ensolarada inconsciência
seja a linda manhã do ainda outono...

Por isso não se ausente mais de mim
que sempre fiz você dormir de amor!
Como as crinas douradas do alecrim
que ao pôr-do-sol hospeda a sua flor...

Você não pode mais deixar-se alada
ao tempo como o vento sobre o mar...
Você tem que voltar tão despertada
como um sonho cansado de sonhar...

Como águia que regressa do infinito...
Enfim! É justo amar o amar-se assim...
Como alma que retoma seu espírito...
Como flor que retorna ao seu jardim...

A. Estebanez

A Vida é Poesia



Como adolescente rebelde
a poesia quebra limites
a morte desafia,
modismos são criados
É o adulto sério
protestando com veemência,
lutando calado
impondo a presença
denunciando o errado
Na maturidade se faz
ponderada ao agir,
dominando a ausência
sem se afligir pela partida
usando a experiência
da vida que por si,
já é poesia


Conceição Bentes
01/03/09

Encontro Delirante



Em cada camada da tua pele
transito feito sol no teu corpo
Tomo a forma das libélulas
e vôo rasante no teu mar
dominado tempestades
seguindo teus passos
que buscam legados imaginários
Espalho íris nos teus lírios
simulo sorrisos naufragados
no oceano que insisto em navegar
Congrego ósculos
viro pedra,
sombra,
pó.


Conceição Bentes
01/03/09