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sexta-feira, 19 de março de 2010

Terna usura treva escura



p/ Stella Leonardos

Minha percepção é presságio,
apanágio conserva o pão.
Vem à mente lançar-se fio,
Minha percepção é presságio,
da iluminação sem estágio,
pura reserva coração,
Minha percepção é presságio,
apanágio conserva o pão.

Da clâmide sempre ramagem,
lanço-me sozinho à curva!
È meu marinho antissolar,
da clâmide sempre ramagem,
que desta terra serro turva,
resguardo-me deste mentar,
Da clâmide sempre ramagem,
lanço-me sozinho à curva!

Quando me ausentar de culpa,
pensar ação deste caminho?
Terna usura treva escura,
quando me ausentar de culpa,
de poder cantar formosura,
da árvore deste seu raminho?
Quando me ausentar de culpa,
pensar ação deste caminho?

Eric Ponty

Clique no nome do autor e irá visitar o blogger dele.

A TARDE ÀS VEZES ME CONVIDA


(Foto by Fernando Campanella)

A tarde às vezes me convida
para um volteio nos campos
entre contornos de montes
ante o silêncio de uma ermida


a uma luz inclinada
por um certo sopro de outono
em transperências de azul
às vezes a tarde me quer voo
por entre as nuvens compartidas


- a tarde se esquece às vezes
louca e lindamente
que não tenho o descompromisso
das aves, que sou gente.

Fernando Campanella

(Poema dedicado à minha querida amiga Maria Madalena)

quarta-feira, 17 de março de 2010

SAUDADE


(a Guilherme de Almeida)


A saudade é o limite da presença,
estar em nós daquilo que é distante,
desejo de tocar que apenas pensa,
contorno doloroso do que era antes.

Saudade é um ser sozinho descontente
um amor contraído, não rendido,
um passado insistindo em ser presente
e a mágoa de perder no pertencido.

Saudade, irreversível tempo, espaço
da ausência, sensação em nós premente
de ser amor somente leve traço

num sonho vão de posse permanente.
Saudade, desterrada raiz, vida
que se prolonga e sabe que é perdida.

Lupe Cotrim
São Paulo
(16 de março de 1933 —
18 de fevereiro de 1970)
HOMENAGEM A MARAVILHOSA POETISA QUE ESTARIA COMPLETANDO 77 ANOS DIA 16/03/2010)

terça-feira, 9 de março de 2010

NÃO LIGA,NÃO


Não liga não! a vida é mesmo assim.
Há tempo de chegar, de ir embora,
há tempo de sorrir, para quem chora,
tempo de ser começo e de ser fim.

Planta rosa vermelha no jardim
e esquece o preto-e-branco que há lá fora.
Aquece o coração, cantando, agora,
um soneto, ao amor dizendo "sim"!

Não liga não! A vida tem seu preço:
a cada novo fim, novo começo.
Recomeça a viver o amor, então!

Se voltar a vivê-lo não tem jeito
renasce o amor antigo no teu peito,
E se ela não voltar, não liga não!

Ronaldo Cunha Lima
In As flores na janela sem ninguém...

Poesia colhida no jardim de Dione,aqui:
'Gotas de Poesia e outras essências'
Clique e faça uma visitinha, vc vai gostar!

e-book


Homenagem a poeta Renata Pallottini. Clique na imagem para visualizar.

domingo, 7 de março de 2010

e-book



Clique na imagem para ler o livro. Se for baixar, clique no livro da coluna ao lado.

E-book




Para ler o livro, clique na imagem.Quando abrir, clique em f11 para ver em tela cheia.

E-Book



Para ler clique no livro. Quando abrir, clique em f11 para ver em tela cheia.

terça-feira, 2 de março de 2010

CADÊNCIA



Se venta, noto que falta
O pássaro autor do vento,
Como se pautas cantassem
Sem notas nem movimento.

Se passam pássaros penso
Onde é que o vento ficou?
Como se a vida só fosse
A morte que se atrasou.

Mas quando o vento retorna
Durante um pássaro, eu sei
Que de nós três só eu mesmo
Não vou, não fico e voltei!


Homero Frei
in Lado Alado

'CAIXA DOIS'


(Miguel Barceló)

Se saudade é sentimento,
Muito mais é associação
Entre as sobras do talento
E a escassa recordação.

Rego com o próximo agora
A flor que quero lembrar.
E o bem que doía outrora
Começa a me perfumar.

O lucro é o poema. E o divido
Comigo mesmo; afinal,
Dos que já devo ter sido,
Metade é meu capital.

Homero Frei
in Lado Alado

segunda-feira, 1 de março de 2010

E-book




Cliquei na setinha para ler o livro. Dê um f11 para ficar em tela cheia.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

III (Março)



Março abre os cômodos da casa.
Chegam formigas, pulgões, macacos
E nas embaúbas se instalam.

Preguiças úmidas prateadas
também em mim
se hospedam
em simbioses mais raras.

(F. Campanella)
Poema da série 'Efemérides

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

E-book



Obs.: Para ver em tela cheia, quando abrir clique em f11.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

E-Book



Um pouco da bela poesia de Bernardina Vilar,
poeta cearense nascida em Crato 22-05-1928,
falecida em 21-12-1997.

E-book criado por Regina Helena, sobrinha da poeta e minha querida amiga.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

IV



Não é do sono que nasce
nem de obscuras palavras
mas da luz que me ilumina
os braços, olhos e face.

Nasce de estranhos presságios
submersos nos meus sentidos
esta encantação de pássaros
que voam da minha fala.

Nasce talvez dos meus gestos
de recônditos segredos
e são as minhas secretas
alegrias e meus medos.

São meus transes, meus instantes
que me possuem com a beleza
de extrair corpos e plumas
das tábuas da minha mesa.

São minhas múltiplas horas
de alucinados prazeres
em que me assistem transidos
o anoitecer e as auroras.

Ah dom de inventar-me alado
e voar com os meus vocábulos
sem espaços que limitem
meus pés no chão repousados.


Foed Castro Chamma
De Narceja - antologia de poesia. São Paulo, 1959
(Paraná- 1927- Rio de Janeiro 2010)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Terna usura treva escura



p/ Stella Leonardos

Minha percepção é presságio,
apanágio conserva o pão.
Vem à mente lançar-se fio,
Minha percepção é presságio,
da iluminação sem estágio,
pura reserva coração,
Minha percepção é presságio,
apanágio conserva o pão.

Da clâmide sempre ramagem,
lanço-me sozinho à curva!
È meu marinho antissolar,
da clâmide sempre ramagem,
que desta terra serro turva,
resguardo-me deste mentar,
Da clâmide sempre ramagem,
lanço-me sozinho à curva!

Quando me ausentar de culpa,
pensar ação deste caminho?
Terna usura treva escura,
quando me ausentar de culpa,
de poder cantar formosura,
da árvore deste seu raminho?
Quando me ausentar de culpa,
pensar ação deste caminho?

Eric Ponty

Clique no nome do autor e irá visitar o blogger dele.

A TARDE ÀS VEZES ME CONVIDA


(Foto by Fernando Campanella)

A tarde às vezes me convida
para um volteio nos campos
entre contornos de montes
ante o silêncio de uma ermida


a uma luz inclinada
por um certo sopro de outono
em transperências de azul
às vezes a tarde me quer voo
por entre as nuvens compartidas


- a tarde se esquece às vezes
louca e lindamente
que não tenho o descompromisso
das aves, que sou gente.

Fernando Campanella

(Poema dedicado à minha querida amiga Maria Madalena)

quarta-feira, 17 de março de 2010

SAUDADE


(a Guilherme de Almeida)


A saudade é o limite da presença,
estar em nós daquilo que é distante,
desejo de tocar que apenas pensa,
contorno doloroso do que era antes.

Saudade é um ser sozinho descontente
um amor contraído, não rendido,
um passado insistindo em ser presente
e a mágoa de perder no pertencido.

Saudade, irreversível tempo, espaço
da ausência, sensação em nós premente
de ser amor somente leve traço

num sonho vão de posse permanente.
Saudade, desterrada raiz, vida
que se prolonga e sabe que é perdida.

Lupe Cotrim
São Paulo
(16 de março de 1933 —
18 de fevereiro de 1970)
HOMENAGEM A MARAVILHOSA POETISA QUE ESTARIA COMPLETANDO 77 ANOS DIA 16/03/2010)

terça-feira, 9 de março de 2010

NÃO LIGA,NÃO


Não liga não! a vida é mesmo assim.
Há tempo de chegar, de ir embora,
há tempo de sorrir, para quem chora,
tempo de ser começo e de ser fim.

Planta rosa vermelha no jardim
e esquece o preto-e-branco que há lá fora.
Aquece o coração, cantando, agora,
um soneto, ao amor dizendo "sim"!

Não liga não! A vida tem seu preço:
a cada novo fim, novo começo.
Recomeça a viver o amor, então!

Se voltar a vivê-lo não tem jeito
renasce o amor antigo no teu peito,
E se ela não voltar, não liga não!

Ronaldo Cunha Lima
In As flores na janela sem ninguém...

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domingo, 7 de março de 2010

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Para ler o livro, clique na imagem.Quando abrir, clique em f11 para ver em tela cheia.

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terça-feira, 2 de março de 2010

CADÊNCIA



Se venta, noto que falta
O pássaro autor do vento,
Como se pautas cantassem
Sem notas nem movimento.

Se passam pássaros penso
Onde é que o vento ficou?
Como se a vida só fosse
A morte que se atrasou.

Mas quando o vento retorna
Durante um pássaro, eu sei
Que de nós três só eu mesmo
Não vou, não fico e voltei!


Homero Frei
in Lado Alado

'CAIXA DOIS'


(Miguel Barceló)

Se saudade é sentimento,
Muito mais é associação
Entre as sobras do talento
E a escassa recordação.

Rego com o próximo agora
A flor que quero lembrar.
E o bem que doía outrora
Começa a me perfumar.

O lucro é o poema. E o divido
Comigo mesmo; afinal,
Dos que já devo ter sido,
Metade é meu capital.

Homero Frei
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III (Março)



Março abre os cômodos da casa.
Chegam formigas, pulgões, macacos
E nas embaúbas se instalam.

Preguiças úmidas prateadas
também em mim
se hospedam
em simbioses mais raras.

(F. Campanella)
Poema da série 'Efemérides

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

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Um pouco da bela poesia de Bernardina Vilar,
poeta cearense nascida em Crato 22-05-1928,
falecida em 21-12-1997.

E-book criado por Regina Helena, sobrinha da poeta e minha querida amiga.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

IV



Não é do sono que nasce
nem de obscuras palavras
mas da luz que me ilumina
os braços, olhos e face.

Nasce de estranhos presságios
submersos nos meus sentidos
esta encantação de pássaros
que voam da minha fala.

Nasce talvez dos meus gestos
de recônditos segredos
e são as minhas secretas
alegrias e meus medos.

São meus transes, meus instantes
que me possuem com a beleza
de extrair corpos e plumas
das tábuas da minha mesa.

São minhas múltiplas horas
de alucinados prazeres
em que me assistem transidos
o anoitecer e as auroras.

Ah dom de inventar-me alado
e voar com os meus vocábulos
sem espaços que limitem
meus pés no chão repousados.


Foed Castro Chamma
De Narceja - antologia de poesia. São Paulo, 1959
(Paraná- 1927- Rio de Janeiro 2010)