Seja bem-vindo. Hoje é

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um Violão ao Poente



Ai, que pungente!
Esse violão ao longe,
notas musicais assim soltas
...caindo docemente.
O horizonte nessas cores,
o sol poente parecendo morrer
dentro da própria alma da gente.

Ai! nessa hora que finda o dia,
mesmo quem tem um amor
sente uma ponta de tristeza,
um quê de melancolia!


Lenise Marques

"CANÇÃO I"




Viver não dói. O que dói
é a vida que não se vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa fôrça onírica
em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo mais é perdido.

Emílio Moura

BIOGRAFIA



Não se preocupem com a minha biografia.
Ela é cópia de alguns traços cartográficos
de reticências espalhadas entre estrelas...

Biografia é uma história de vida apócrifa.
A minha ninguém a escreveu, nem poderia.
Faltaria o epílogo do amor não resolvido:
esse ponto final seria o último planeta
do universo desconhecido.

Cumpri minha missão, porque eu já beijei
tudo na vida e andei de tudo neste mundo.
Deitei a boca no pó para abraçar a sombra
dormi com todas as insônias por amor
fui aeronauta da noite pousada no telhado
fui o cavaleiro fiel das castas infidelidades
andei de vento sem camisa para ver
como era o acaso e só depois eu aprendi
como era viver de brisa:

é como viver sozinho
de muitos sonhos pequenos,
por falta de companhia para viver
o grande sonho de uma flor
do tamanho proporcional
ao tamanho do meu amor...

Julis Calderón

Razão e Emoção




O que sabemos do amor?
encontros, reencontros
livre arbítrio...

O que dizer entre
a razão e a emoção
e das verdades do querer?

Vulneráveis somos
Diante desse imbatível sentimento
Que não escolhe quem atingir

E vêem os porquês
aos desejos mais secretos,
intensos e pelas escolhas tomadas

Não é só vislumbrar o mais além,
vem o inconfessável perceber,
de não ter medo do que se sente
e proclamar o que convém.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 12/03/09
Código do Texto: T1482171

segunda-feira, 9 de março de 2009

CHUVA NO MOLHADO



Gosto da chuva no telhado...
As goteiras me fazem pensar
nos pontos finais que deixei
de colocar na minha história.

Gosto da chuva no molhado...
Os canteiros me dão lembrar
dos jardineiros que ficaram
com sementes na memória.

Gosto de causas sem efeito...
De maus sonhos sem motivo
de morrer sem ser preciso
por ter fama sem proveito.

Gosto das coisas como são...
Da vida como um desterro
da sombra indo ao enterro
da sombra morta no chão...


Afonso Estebanez

Mulher Liberta



Venho do mundo,
sou negra, branca, fui escrava
misturei meiguices, criei raças

Defendo a terra com amor
sou índia guerreira
o ser mutilado em seus direitos
ditos humanos

Podaram meus valores,
sonhos e esperanças
afogando minhas crenças
calando minha voz

Sou água, sou terra,
sou semente da vida liberta
a beleza que não entendem
que desconcerta e contagia
SOU MULHER!

Conceição Bentes
08/03/09

Pigmalião



Vejo o sol se por,
o crepúsculo tinge minha retina
seduzindo minha alma
cheia de angústias e vivências
Nasce minha identidade
ofuscada pelo brilho
dos astros, de deuses
e luas enigmáticas
Sou Pigmalião,
vivente de um universo pálido
sem cores,
de monólogos sem respostas
cercado por esculturas ilusionistas
que fazem do meu mundo
menos mórbido e infeliz


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 07/03/09
Código do Texto: T1473527

HORAS



Vieste buscar as horas
Que, quando ainda jovem,
Deixaste abandonadas
No pêndulo do relógio?

Elas trincaram a pele
Do reboco que escondia
A fraqueza das paredes
E a insolência do passado
E descoloriram a retina
Das cortinas que protegiam
A sala das vidraças, do sol
E dos maus olhados.

Leve-as contigo.
Guarde-as.

Guarde-as como quem guarda
O pão caseiro,
No forno do fogão
Cobertas por um pano de prato
Para que testemunhem a saciação
De quem as quer consumidas.

Guarde-as como quem guarda
A aliança de noivado,
Na caixinha de música,
Para que denunciem a subtração
De quem as quer furtadas.

Guarde-as.

Porque elas te encheram a vida de tempo
E lhe farão experimentar o fim.


Oswaldo Antônio Begiato


Deixo pra você um sorriso
Com cheirinho de amizade
Um beijo em sua face
Com desejos de felicidade


Deixo também minha mão
Acaso você precisar
Um afago em seu coração
E um ombro para ninar


Deixo pra você meu carinho
Mas não esqueça de vir
Aquecer o meu cantinho
Sou alguém...
que de ti precisa
Para seguir a sorrir!

Sirlei L. Passolongo


Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana,
Um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias,
e sempre resta essa coisa chamada"impulso vital".
Pois esse impulso às vezes cruel,
Porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo,
Te empurrará quem sabe para o sol, para o mar,
Para uma nova estrada qualquer e, de repente,
No meio de uma frase ou de um movimento
Te surpreenderás pensando algo assim como
"estou contente outra vez... "
(excerto)

(Caio Fernando Abreu)

Bem-vindo amado...




Bem-vindo ao meu mundo calado...
Sinta-se em casa, pouse em meu coração.
Traga alegria que há muito já não o habita.
Venha desarmado, traga paz e acalanto.

Cante doce melodia qual rouxinol
na minha janela traga flores...
As mais belas e perfumadas!
Pinte um quadro que traduza
imensa harmonia...
Observe meu devaneio...
Sinta o ar romântico que me rodeia...

Conceda-me uma dança e descubras
pueril contentamento.
Convide-me a caminhar contigo...
Dê-me tua mão.
Silencie as palavras e olha-me...
Saberei o que dizes.
E caso a ternura neles eu venha encontrar,
Serás então meu amado...
Eternamente bem-vindo.

(Cida Luz )

PELAS MULHERES ANÔNIMAS




Rogo hoje a Deus pelas mulheres esquecidas
que sempre foram ‘caso’ e nunca foram tema:
mulheres sem o amor das musas pertencidas
sem o nome lembrado ao menos num poema.

E penso nas mulheres nunca compreendidas
as que sofrem sozinhas porque sentem pena
das mulheres que choram porque suas vidas
são extremos entre o prazer e a dor suprema.

E Deus se apraza das mulheres sem história
que desistem do sonho sem deixar memória
ou vivem de ilusões dos sonhos já passados.

Rogo de Deus o amor de dias complacentes
eis porque todas as mulheres são nascentes
dos milagres de amor que foram realizados!


Afonso Estebanez
(Pelo Dia Internacional da Mulher-2009)

DA ALMA FEMININA



Deixa a alma espalhar-se pelo vento
deixa o tempo perder-te onde quiser
deixa a brisa seguir teu pensamento
e a menina encontrar-se na mulher.

Aos látegos do mar o sonho acalma
aos espinhos do só o bem-me-quer
se tu ficas no campo e pões a alma
naquela rosa em que te vês mulher.

Perder-me em ti o teu amor ensina
e tanto vou perder-me onde puder
o quanto houver tua alma feminina
de ser deusa com alma de mulher.


Afonso Estebanez

Devaneio




Alquimia de cheiros
sabores e cores
amor galopa veloz
dentro do meu peito

Transborda febril
chuva e sol
arco-íris vibrante
desenha-se no céu

Voraz acorda a fúria
ardente derrete
desejos contidos

Um pedaço de mim
se entrega ...
Coração sedento
devaneia em silêncio

(Van Albuquerque)
09/03/09

EU VOU



Se for preciso reinventar
a vida e me fazer de conta
e retomar a alma já pronta
por onde nada mais restou...
Eu vou!
Se for preciso restaurar
a dor e me doer de novo
no cio ardente e copioso
do mal ausente que ficou...
Eu vou!
Se for preciso reanimar
a luz extinta no crepúsculo
imponderável do minúsculo
grão de areia que se apagou...
Eu vou!
Se for preciso me afogar
no charco por mero martírio
ou por razão ou por delírio
o lírio diga por quem vou...
Eu vou!
Se for preciso reinventar
o amor numa paixão suicida
e reencontrá-la além da vida
na lida que a paixão deixou...
Eu vou!

A. Estebanez

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um Violão ao Poente



Ai, que pungente!
Esse violão ao longe,
notas musicais assim soltas
...caindo docemente.
O horizonte nessas cores,
o sol poente parecendo morrer
dentro da própria alma da gente.

Ai! nessa hora que finda o dia,
mesmo quem tem um amor
sente uma ponta de tristeza,
um quê de melancolia!


Lenise Marques

"CANÇÃO I"




Viver não dói. O que dói
é a vida que não se vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa fôrça onírica
em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo mais é perdido.

Emílio Moura

BIOGRAFIA



Não se preocupem com a minha biografia.
Ela é cópia de alguns traços cartográficos
de reticências espalhadas entre estrelas...

Biografia é uma história de vida apócrifa.
A minha ninguém a escreveu, nem poderia.
Faltaria o epílogo do amor não resolvido:
esse ponto final seria o último planeta
do universo desconhecido.

Cumpri minha missão, porque eu já beijei
tudo na vida e andei de tudo neste mundo.
Deitei a boca no pó para abraçar a sombra
dormi com todas as insônias por amor
fui aeronauta da noite pousada no telhado
fui o cavaleiro fiel das castas infidelidades
andei de vento sem camisa para ver
como era o acaso e só depois eu aprendi
como era viver de brisa:

é como viver sozinho
de muitos sonhos pequenos,
por falta de companhia para viver
o grande sonho de uma flor
do tamanho proporcional
ao tamanho do meu amor...

Julis Calderón

Razão e Emoção




O que sabemos do amor?
encontros, reencontros
livre arbítrio...

O que dizer entre
a razão e a emoção
e das verdades do querer?

Vulneráveis somos
Diante desse imbatível sentimento
Que não escolhe quem atingir

E vêem os porquês
aos desejos mais secretos,
intensos e pelas escolhas tomadas

Não é só vislumbrar o mais além,
vem o inconfessável perceber,
de não ter medo do que se sente
e proclamar o que convém.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 12/03/09
Código do Texto: T1482171

segunda-feira, 9 de março de 2009

CHUVA NO MOLHADO



Gosto da chuva no telhado...
As goteiras me fazem pensar
nos pontos finais que deixei
de colocar na minha história.

Gosto da chuva no molhado...
Os canteiros me dão lembrar
dos jardineiros que ficaram
com sementes na memória.

Gosto de causas sem efeito...
De maus sonhos sem motivo
de morrer sem ser preciso
por ter fama sem proveito.

Gosto das coisas como são...
Da vida como um desterro
da sombra indo ao enterro
da sombra morta no chão...


Afonso Estebanez

Mulher Liberta



Venho do mundo,
sou negra, branca, fui escrava
misturei meiguices, criei raças

Defendo a terra com amor
sou índia guerreira
o ser mutilado em seus direitos
ditos humanos

Podaram meus valores,
sonhos e esperanças
afogando minhas crenças
calando minha voz

Sou água, sou terra,
sou semente da vida liberta
a beleza que não entendem
que desconcerta e contagia
SOU MULHER!

Conceição Bentes
08/03/09

Pigmalião



Vejo o sol se por,
o crepúsculo tinge minha retina
seduzindo minha alma
cheia de angústias e vivências
Nasce minha identidade
ofuscada pelo brilho
dos astros, de deuses
e luas enigmáticas
Sou Pigmalião,
vivente de um universo pálido
sem cores,
de monólogos sem respostas
cercado por esculturas ilusionistas
que fazem do meu mundo
menos mórbido e infeliz


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 07/03/09
Código do Texto: T1473527

HORAS



Vieste buscar as horas
Que, quando ainda jovem,
Deixaste abandonadas
No pêndulo do relógio?

Elas trincaram a pele
Do reboco que escondia
A fraqueza das paredes
E a insolência do passado
E descoloriram a retina
Das cortinas que protegiam
A sala das vidraças, do sol
E dos maus olhados.

Leve-as contigo.
Guarde-as.

Guarde-as como quem guarda
O pão caseiro,
No forno do fogão
Cobertas por um pano de prato
Para que testemunhem a saciação
De quem as quer consumidas.

Guarde-as como quem guarda
A aliança de noivado,
Na caixinha de música,
Para que denunciem a subtração
De quem as quer furtadas.

Guarde-as.

Porque elas te encheram a vida de tempo
E lhe farão experimentar o fim.


Oswaldo Antônio Begiato


Deixo pra você um sorriso
Com cheirinho de amizade
Um beijo em sua face
Com desejos de felicidade


Deixo também minha mão
Acaso você precisar
Um afago em seu coração
E um ombro para ninar


Deixo pra você meu carinho
Mas não esqueça de vir
Aquecer o meu cantinho
Sou alguém...
que de ti precisa
Para seguir a sorrir!

Sirlei L. Passolongo


Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana,
Um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias,
e sempre resta essa coisa chamada"impulso vital".
Pois esse impulso às vezes cruel,
Porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo,
Te empurrará quem sabe para o sol, para o mar,
Para uma nova estrada qualquer e, de repente,
No meio de uma frase ou de um movimento
Te surpreenderás pensando algo assim como
"estou contente outra vez... "
(excerto)

(Caio Fernando Abreu)

Bem-vindo amado...




Bem-vindo ao meu mundo calado...
Sinta-se em casa, pouse em meu coração.
Traga alegria que há muito já não o habita.
Venha desarmado, traga paz e acalanto.

Cante doce melodia qual rouxinol
na minha janela traga flores...
As mais belas e perfumadas!
Pinte um quadro que traduza
imensa harmonia...
Observe meu devaneio...
Sinta o ar romântico que me rodeia...

Conceda-me uma dança e descubras
pueril contentamento.
Convide-me a caminhar contigo...
Dê-me tua mão.
Silencie as palavras e olha-me...
Saberei o que dizes.
E caso a ternura neles eu venha encontrar,
Serás então meu amado...
Eternamente bem-vindo.

(Cida Luz )

PELAS MULHERES ANÔNIMAS




Rogo hoje a Deus pelas mulheres esquecidas
que sempre foram ‘caso’ e nunca foram tema:
mulheres sem o amor das musas pertencidas
sem o nome lembrado ao menos num poema.

E penso nas mulheres nunca compreendidas
as que sofrem sozinhas porque sentem pena
das mulheres que choram porque suas vidas
são extremos entre o prazer e a dor suprema.

E Deus se apraza das mulheres sem história
que desistem do sonho sem deixar memória
ou vivem de ilusões dos sonhos já passados.

Rogo de Deus o amor de dias complacentes
eis porque todas as mulheres são nascentes
dos milagres de amor que foram realizados!


Afonso Estebanez
(Pelo Dia Internacional da Mulher-2009)

DA ALMA FEMININA



Deixa a alma espalhar-se pelo vento
deixa o tempo perder-te onde quiser
deixa a brisa seguir teu pensamento
e a menina encontrar-se na mulher.

Aos látegos do mar o sonho acalma
aos espinhos do só o bem-me-quer
se tu ficas no campo e pões a alma
naquela rosa em que te vês mulher.

Perder-me em ti o teu amor ensina
e tanto vou perder-me onde puder
o quanto houver tua alma feminina
de ser deusa com alma de mulher.


Afonso Estebanez

Devaneio




Alquimia de cheiros
sabores e cores
amor galopa veloz
dentro do meu peito

Transborda febril
chuva e sol
arco-íris vibrante
desenha-se no céu

Voraz acorda a fúria
ardente derrete
desejos contidos

Um pedaço de mim
se entrega ...
Coração sedento
devaneia em silêncio

(Van Albuquerque)
09/03/09

EU VOU



Se for preciso reinventar
a vida e me fazer de conta
e retomar a alma já pronta
por onde nada mais restou...
Eu vou!
Se for preciso restaurar
a dor e me doer de novo
no cio ardente e copioso
do mal ausente que ficou...
Eu vou!
Se for preciso reanimar
a luz extinta no crepúsculo
imponderável do minúsculo
grão de areia que se apagou...
Eu vou!
Se for preciso me afogar
no charco por mero martírio
ou por razão ou por delírio
o lírio diga por quem vou...
Eu vou!
Se for preciso reinventar
o amor numa paixão suicida
e reencontrá-la além da vida
na lida que a paixão deixou...
Eu vou!

A. Estebanez