Seja bem-vindo. Hoje é

domingo, 30 de agosto de 2009

DESCOMPASSOS



Baila sob a luz das estrelas.
Desata o fio de teus sapatos.
Deixa que o sol te beije de esperanças e risos.
Faze de tua vida
um hino ao beijar os olhos da manhã
uma harpa ao por os pés no ventre da noite
um rodopio de azuis, de conchas e de búzios.


Deixa que o vento brinque com teus pés
a chuva te beije ate se cansar
as flores e os verdes e os caracóis
enfeitem teus cabelos de verões.


Corre atrás da vida com ternura de criança
e canções plenas de paz
e com risos de palhaços
porque tudo, todos nos
brincamos de viver bem
sempre, sempre
num carrossel
no circo da vida.



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo
(Porto Alegre- RS- 1929)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

VIVER É DESAFIAR


(John William Waterhouse, British Painter, 1849-1917)

Mulher,
Teu nome é coragem!
Viva inteira os teus papéis,
A tua multiplicidade...
Não permita cerceamento,
Persiga a felicidade!
Exiba o sentimento,
A essência, o desafio
E a coragem.
Retoma as rédeas!
Nada de fraquejar!
Arquiteta o teu destino,
Pois viver é desafiar,
Enfrentar as tormentas
E chegar em alto mar.

Selma Regina de Moraes

quinta-feira, 27 de agosto de 2009



Formatação da amiga e poetisa Regina Helena.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quando eu passar a porta escura



Quando eu passar a porta escura
e minha ausência deixar saudade
quando sentires minha falta tanta,
e for tamanha a dor que sintas,
abre meu livro em qualquer hora,
e então me leias e me devora.

Vais descobrir minhas lembranças,
de meus amores tempo afora,
das muitas coisas que fui e fiz,
de tantas outras que quis outrora.

Frases de mim, do que fui e sou,
coisas de ti, entre palavras,
falo de amores, falo de mágoas,
falo de tudo porque passei,
porque pequei, porque paguei.

Relembro encontros que me ensinaram,
muitos alguéns que já não importam
Mostro a minha vida que vivo agora,
mais feliz por me entender
e atender meus desejos todos,
alguns tão tolos,outros nem tantos,
mas sempre puros.
Quando eu passar a porta escura,
lembra de mim assim.

Luiz Alberto dos Santos Monjeló

(Queríamos deixar registrada as nossas desculpas ao poeta Monjeló, porque anteriormente, postamos esse poema como sendo de Aníbal Beça. Corrigimos e novamente pedimos mil desculpas.)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

VERDADE


(Paint by Emile Vernon)

No fundo,
Somos todos crianças,
Em permanente aprendizado.

Felizes
Os vêem essa verdade,
Sem deixar que a natural
E humana fragilidade
Seja desculpa
Para o enfrentamento
De cada obstáculo,
De cada desafio
Que nos darão bagagem,
Discernimento e preparo
Para o final dessa viagem.

Esse experimento
Fortalece, enobrece...
Sem a perda da ternura
E da esperança
Que nos faz
Ser sempre uma criança.

Selma Regina de Moraes
(Rio de Janeiro)

'Ondas Dentro de Mim'


(Charles Chaplin,French Academic Painter, 1825-1891)

Amei , com a delicadeza de quem segura nas mãos
uma bolha de sabão
com o cuidado de quem tece fios de seda,
acalentei a própria vida
Esperei, como quem contempla o sol
após a chuva torrencial
Desejei, como quem almeja a paz
depois que o estrondo jaz
Não contemplo águas paradas
persigo o movimento que há nas estradas
Hoje, não é o fim
encontro ondas dentro de mim
ainda amo, acalento, espero, desejo..
transformo cada momento num ensejo


Úrsula Avner
(Minas Gerais)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Destes tristes dobrados da canção



Destes tristes dobrados da canção,
da ágrafa manhã, ágrafo ardor,
ressoa-se dos sorrisos dos irmãos,
tristeza céu do azul tardia dor.

Cante, cante do pássaro, dor sino,
se sutil deste pássaro, à tardinha,
fazendo deste voar látego do hino,
murmúrio desta voz paz da ladainha.

Se tangem destas tardes dos passos,
se batem destas flores brandos pálio,
deste homem sofrido, dos ossos.

Da tristeza, refrãos da tarde ardor,
tenho apenas versos do salário,
tangendo sutil poeta desta dor.


Eric Ponty
(Minas Gerais)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Instância



Quem volta ao lugar perdido
quer ver o tempo.
Não vê a casa, o muro, o degrau mais fino:
quer no bater do coração o antigo.

Espanta a resistência daquela árvore,
a mesma e outra nesta floração.
Espanta a cor fiel dos azulejos,
a penumbra e o tom daquele quarto
desenhados na pauta de outros olhos.

Quem retorna não mora no outro tempo,
embora imite o rosto ancestral.
Quem retorna medita. Não cruza o corredor
como planava a mosca distraída.

Pode-se sentar na escada, prover os olhos
com a massa do cenário inocente.
Livre-se o coração para a verdade
desta árvore em gala de outro amor.

Alcides Villaça
In: Viagem de Trem-1988-
(Atibaia- São Paulo-1946)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ENSAIO



Levanta-te – é preciso; o Sol inda abastece
o cimo da consciência e a voz o verbo, uivante,
acende na memória a tocha flamejante
da rima cobiçada ao verso que enternece.

Registra pois, em tempo, o sonho – doce amante
que paira além da vida e que contempla a messe
já posta no celeiro, assim, do que fenece,
importa muito pouco ao cérebro escaldante.

Levanta-te e contempla a música irrequieta
que nasce dentro d’alma e baila, tal profeta
ao ter codificado a luz do pensamento...

Ensaia o vôo agora; insiste nas alturas.
Quando a alma se equilibra, além das desventuras,
por certo estará pronta a desposar o vento.


Jandira Grillo
In: Uma Canção de Amor para Você
Academia Amparense de Letras

FRAGA E SOMBRA



A sombra azul da tarde nos confrange.
Baixa, severa, a luz crepuscular.
Um sino toca, e não saber quem tange
é como se este som nascesse do ar.

Música breve, noite longa. O alfanje
que sono e sonho ceifa devagar
mal se desenha, fino, ante a falange
das nuvens esquecidas de passar.

Os dois apenas, entre céu e terra,
sentimos o espetáculo do mundo,
feito de mar ausente e abstrata serra.

E calcamos em nós, sob o profundo
instinto de existir, outra mais pura
vontade de anular a criatura.

Carlos Drummond de Andrade
in: Claro Enigma -1951-

terça-feira, 18 de agosto de 2009

TEMA DA ROSA / I



Parecia uma rosa madrugando
Aquela rosa ali, naquele dia.
Era quando em redor amanhecia,
Porém sem Lugar-Onde ou Tempo-Quando,
Estava eterna e eterna parecia.
Não se sabia a luz que a estava olhando,
Ou se ela olhava a luz desabrochando,
Nem se era dela que esta luz surgia.
Nada movia em torno, mas da haste
Parecia vibrar, tensa e nervosa,
A onda de um acorde num segundo
Sonhando em rubro e alheio a seu engaste,
Que era a história das rosas numa rosa,
A rosa em si, dentro de si, no mundo.

Jorge Wanderley
De Manias de Agora (1995)
(Pernambuco-1938-1999)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

RESQUÍCIO



Às vezes
A dor de chuvas passadas
Cai em mim fina,
Reelaborada,
A ponto de não ser eu
Assim mais que bolhas
Na espuma da tarde
Molhada.

(Fernando Campanella)

“GITANO”


('Gypsy with a Mandolin'by Jean- Baptiste Camille Corot)


amor cigano
é bela viola
oco de dentro
em canto por fora

asas que arrastam
é ave rompante

beijos que explodem
e viram abóbora

luas em transe
vagas de mar
jades que chamam

areias que cedem
- sereia de tranças
onde vou me enredar

febre do mato
amor vaga-lume

vinhos que encorpam
em porres baratos

grifes que deixam
perfumes prescritos

fome de romãs
nos entreatos


(Fernando Campanella)


Nossa pequena homenagem a maravilhosa poeta Patrícia Neme, que hoje aniversaria.
Muito obrigada pelos versos que nós presenteias com tanto carinho e amor.
Que teu caminho seja repleto das cores da alegria, e se pedras houver, que sejam pequenas e se desfaçam com o vento da paz.
Muito grata por existires e seres como és!
Parabéns pelo aniversário.
14/08/2009


(Patrícia Neme)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

PRINCÍPIO REVERSO



Toda estória tem dois lados,
como a moeda da própria história.
Como o dia e a noite,
como o gelo e o fogo:
verão, inverno, céu e inferno.

Toda memória tem dois fados,
como a beleza e a falácia da glória.
Como o imóvel e o veloz,
como o crédulo e o néscio:
lume, escuro, verão e inverno.

Toda história tem dois fardos,
como a sacola e o silêncio do viajante.
Como a tristeza e a grandeza do nascer,
como a pura luz e o tempo voraz:
espaço, sal, sangue
e o infinito terror do viver.


- Jairo De Britto -

domingo, 30 de agosto de 2009

DESCOMPASSOS



Baila sob a luz das estrelas.
Desata o fio de teus sapatos.
Deixa que o sol te beije de esperanças e risos.
Faze de tua vida
um hino ao beijar os olhos da manhã
uma harpa ao por os pés no ventre da noite
um rodopio de azuis, de conchas e de búzios.


Deixa que o vento brinque com teus pés
a chuva te beije ate se cansar
as flores e os verdes e os caracóis
enfeitem teus cabelos de verões.


Corre atrás da vida com ternura de criança
e canções plenas de paz
e com risos de palhaços
porque tudo, todos nos
brincamos de viver bem
sempre, sempre
num carrossel
no circo da vida.



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo
(Porto Alegre- RS- 1929)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

VIVER É DESAFIAR


(John William Waterhouse, British Painter, 1849-1917)

Mulher,
Teu nome é coragem!
Viva inteira os teus papéis,
A tua multiplicidade...
Não permita cerceamento,
Persiga a felicidade!
Exiba o sentimento,
A essência, o desafio
E a coragem.
Retoma as rédeas!
Nada de fraquejar!
Arquiteta o teu destino,
Pois viver é desafiar,
Enfrentar as tormentas
E chegar em alto mar.

Selma Regina de Moraes

quinta-feira, 27 de agosto de 2009



Formatação da amiga e poetisa Regina Helena.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quando eu passar a porta escura



Quando eu passar a porta escura
e minha ausência deixar saudade
quando sentires minha falta tanta,
e for tamanha a dor que sintas,
abre meu livro em qualquer hora,
e então me leias e me devora.

Vais descobrir minhas lembranças,
de meus amores tempo afora,
das muitas coisas que fui e fiz,
de tantas outras que quis outrora.

Frases de mim, do que fui e sou,
coisas de ti, entre palavras,
falo de amores, falo de mágoas,
falo de tudo porque passei,
porque pequei, porque paguei.

Relembro encontros que me ensinaram,
muitos alguéns que já não importam
Mostro a minha vida que vivo agora,
mais feliz por me entender
e atender meus desejos todos,
alguns tão tolos,outros nem tantos,
mas sempre puros.
Quando eu passar a porta escura,
lembra de mim assim.

Luiz Alberto dos Santos Monjeló

(Queríamos deixar registrada as nossas desculpas ao poeta Monjeló, porque anteriormente, postamos esse poema como sendo de Aníbal Beça. Corrigimos e novamente pedimos mil desculpas.)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

VERDADE


(Paint by Emile Vernon)

No fundo,
Somos todos crianças,
Em permanente aprendizado.

Felizes
Os vêem essa verdade,
Sem deixar que a natural
E humana fragilidade
Seja desculpa
Para o enfrentamento
De cada obstáculo,
De cada desafio
Que nos darão bagagem,
Discernimento e preparo
Para o final dessa viagem.

Esse experimento
Fortalece, enobrece...
Sem a perda da ternura
E da esperança
Que nos faz
Ser sempre uma criança.

Selma Regina de Moraes
(Rio de Janeiro)

'Ondas Dentro de Mim'


(Charles Chaplin,French Academic Painter, 1825-1891)

Amei , com a delicadeza de quem segura nas mãos
uma bolha de sabão
com o cuidado de quem tece fios de seda,
acalentei a própria vida
Esperei, como quem contempla o sol
após a chuva torrencial
Desejei, como quem almeja a paz
depois que o estrondo jaz
Não contemplo águas paradas
persigo o movimento que há nas estradas
Hoje, não é o fim
encontro ondas dentro de mim
ainda amo, acalento, espero, desejo..
transformo cada momento num ensejo


Úrsula Avner
(Minas Gerais)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Destes tristes dobrados da canção



Destes tristes dobrados da canção,
da ágrafa manhã, ágrafo ardor,
ressoa-se dos sorrisos dos irmãos,
tristeza céu do azul tardia dor.

Cante, cante do pássaro, dor sino,
se sutil deste pássaro, à tardinha,
fazendo deste voar látego do hino,
murmúrio desta voz paz da ladainha.

Se tangem destas tardes dos passos,
se batem destas flores brandos pálio,
deste homem sofrido, dos ossos.

Da tristeza, refrãos da tarde ardor,
tenho apenas versos do salário,
tangendo sutil poeta desta dor.


Eric Ponty
(Minas Gerais)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Instância



Quem volta ao lugar perdido
quer ver o tempo.
Não vê a casa, o muro, o degrau mais fino:
quer no bater do coração o antigo.

Espanta a resistência daquela árvore,
a mesma e outra nesta floração.
Espanta a cor fiel dos azulejos,
a penumbra e o tom daquele quarto
desenhados na pauta de outros olhos.

Quem retorna não mora no outro tempo,
embora imite o rosto ancestral.
Quem retorna medita. Não cruza o corredor
como planava a mosca distraída.

Pode-se sentar na escada, prover os olhos
com a massa do cenário inocente.
Livre-se o coração para a verdade
desta árvore em gala de outro amor.

Alcides Villaça
In: Viagem de Trem-1988-
(Atibaia- São Paulo-1946)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ENSAIO



Levanta-te – é preciso; o Sol inda abastece
o cimo da consciência e a voz o verbo, uivante,
acende na memória a tocha flamejante
da rima cobiçada ao verso que enternece.

Registra pois, em tempo, o sonho – doce amante
que paira além da vida e que contempla a messe
já posta no celeiro, assim, do que fenece,
importa muito pouco ao cérebro escaldante.

Levanta-te e contempla a música irrequieta
que nasce dentro d’alma e baila, tal profeta
ao ter codificado a luz do pensamento...

Ensaia o vôo agora; insiste nas alturas.
Quando a alma se equilibra, além das desventuras,
por certo estará pronta a desposar o vento.


Jandira Grillo
In: Uma Canção de Amor para Você
Academia Amparense de Letras

FRAGA E SOMBRA



A sombra azul da tarde nos confrange.
Baixa, severa, a luz crepuscular.
Um sino toca, e não saber quem tange
é como se este som nascesse do ar.

Música breve, noite longa. O alfanje
que sono e sonho ceifa devagar
mal se desenha, fino, ante a falange
das nuvens esquecidas de passar.

Os dois apenas, entre céu e terra,
sentimos o espetáculo do mundo,
feito de mar ausente e abstrata serra.

E calcamos em nós, sob o profundo
instinto de existir, outra mais pura
vontade de anular a criatura.

Carlos Drummond de Andrade
in: Claro Enigma -1951-

terça-feira, 18 de agosto de 2009

TEMA DA ROSA / I



Parecia uma rosa madrugando
Aquela rosa ali, naquele dia.
Era quando em redor amanhecia,
Porém sem Lugar-Onde ou Tempo-Quando,
Estava eterna e eterna parecia.
Não se sabia a luz que a estava olhando,
Ou se ela olhava a luz desabrochando,
Nem se era dela que esta luz surgia.
Nada movia em torno, mas da haste
Parecia vibrar, tensa e nervosa,
A onda de um acorde num segundo
Sonhando em rubro e alheio a seu engaste,
Que era a história das rosas numa rosa,
A rosa em si, dentro de si, no mundo.

Jorge Wanderley
De Manias de Agora (1995)
(Pernambuco-1938-1999)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

RESQUÍCIO



Às vezes
A dor de chuvas passadas
Cai em mim fina,
Reelaborada,
A ponto de não ser eu
Assim mais que bolhas
Na espuma da tarde
Molhada.

(Fernando Campanella)

“GITANO”


('Gypsy with a Mandolin'by Jean- Baptiste Camille Corot)


amor cigano
é bela viola
oco de dentro
em canto por fora

asas que arrastam
é ave rompante

beijos que explodem
e viram abóbora

luas em transe
vagas de mar
jades que chamam

areias que cedem
- sereia de tranças
onde vou me enredar

febre do mato
amor vaga-lume

vinhos que encorpam
em porres baratos

grifes que deixam
perfumes prescritos

fome de romãs
nos entreatos


(Fernando Campanella)


Nossa pequena homenagem a maravilhosa poeta Patrícia Neme, que hoje aniversaria.
Muito obrigada pelos versos que nós presenteias com tanto carinho e amor.
Que teu caminho seja repleto das cores da alegria, e se pedras houver, que sejam pequenas e se desfaçam com o vento da paz.
Muito grata por existires e seres como és!
Parabéns pelo aniversário.
14/08/2009


(Patrícia Neme)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

PRINCÍPIO REVERSO



Toda estória tem dois lados,
como a moeda da própria história.
Como o dia e a noite,
como o gelo e o fogo:
verão, inverno, céu e inferno.

Toda memória tem dois fados,
como a beleza e a falácia da glória.
Como o imóvel e o veloz,
como o crédulo e o néscio:
lume, escuro, verão e inverno.

Toda história tem dois fardos,
como a sacola e o silêncio do viajante.
Como a tristeza e a grandeza do nascer,
como a pura luz e o tempo voraz:
espaço, sal, sangue
e o infinito terror do viver.


- Jairo De Britto -