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domingo, 7 de março de 2010

E-Book



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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MORTE... VIDA...



Se existe um amanhã... Um "logo mais"...
Quem sabe, onde a certeza do momento?
Viver, morrer... É tudo tão fugaz...
Efêmero... Qual é o pensamento.

Se agora, aqui... Em breve o corpo jaz
em meio ao canto triste do lamento.
Os sonhos... São entregues ao jamais...
Os planos... Perdem-se em esquecimento.

O Agora é tua vida, teu instante,
traze bem junto a ti quem é distante,
quem dá sentido a tu'alma, ao teu amor.

Pois só o amor conduz à eternidade,
o mais... O mais é vão, tola vaidade,
que em si traz o vazio, angústia e dor!

- Patricia Neme -

sábado, 10 de outubro de 2009

CHUVA?



Do céu cinzento, chega a chuva fina...
Vem mansamente, quase em desalento.
E chove, chove... Nunca que termina...
É chuva d’água... Ou chove sofrimento?

A terra dorme sob a gris neblina,
o tempo para, já não canta o vento...
Nem leve sol, a vida descortina...
É chuva d’água, ou chuva de lamento?

E vão-se o dia, noite, madrugada...
E sempre a chuva, tão desalentada...
Minh’alma indaga às nuvens: até quando?

Até que exista paz, amor, verdade,
e todo humano viva a boa-vontade...
Não vês? Não chove... Deus está chorando!

- Patrícia Neme -

PAI NOSSO


(Tadeusz Makovsky-1882-1932)

- porque há crianças... -

Pai nosso, Pai de toda a criançada,
estás longe no céu, por qual razão?
Te assusta tanta vida aniquilada,
Te agride ver a infância sem ter pão?

Do céu, ouves a mãe desempregada,
que implora por Tua Graça e Compaixão,
pra que a família seja alimentada
e os filhos tenham teto e educação?

Escutas a menina que é estuprada,
gritando de terror, dor, solidão?
E o jovem, cuja vida é ameaçada,
pra que seja, do tráfico, avião?

Tens visto que há criança escravizada
e, por salário, só ganha um tostão?
E aquela, que a chuva deixa assustada,
pois teme vá ao chão seu barracão?

Pai nosso, tanta coisa está errada...
Falta respeito, falta proteção...
Deixa, um pouquinho só, Tua morada,
vem cá, os filhos Teus estão sem chão!

- Patrícia Neme -

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Mercedes Sosa


Mercedes Sosa- San Miguel de Tucumán, 9 de julho de 1935
— Buenos Aires, 4 de outubro de 2009)



Mercedes se fue al cielo,
cantar para estrellas
que alumbran los ensueños de poetas.
Mercedes,
que buscaba libertad…
Ahora es pájaro libre
en la eternidad.
Así era necesario.
El hombre común ya no oye
las voces del miedo o dolor
que vienen del vientre de la tierra.
Pero un poeta…
Ese si conoce
el sentido del brillo
que una estrella encierra.
Mercedes se fue,
para que sus canciones de cuna
se transformen en canciones de amor,
en rimas llenas de paz.
Como Mercedes no pudo conocer…
Jamás!

- PAT -

sábado, 26 de setembro de 2009

Ventos



Já nem sei quando sejam madrugadas
- ou dias plenos, de um viver ardente...
Pois pelas minhas mais sutis estradas,
um vento aflito busca-te, imprudente!

Cavalga amaro e nas fundas passadas,
lacera os sonhos da espera silente.
Espera antiga, de vidas passadas,
que não permite o agora em meu presente.

Cavalga o vento, dia ou madrugada...
E tem-me a vida, morta, devastada,
cativa eterna de um existir tão só...

Duma promessa, por ti, imolada...
Vento cortante, que esta alma cansada,
sopra ferino... E me reduz a pó!

- Patricia Neme -

domingo, 9 de agosto de 2009

"SPLEENBORED"



Llorar por todo lo que se perdió
Lloro por mí, que me perdí de mí..
Por quién he sido – y si es que esto ocurrió…
Como yo soy… Y como lloro así.

Hasta llorar por quién ya me olvidó
Llorar por nada… Lo que no és tán malo…
Tan solamente llorar por llorar
Desde el comienzo de mi propio fin.

Dejadme quieto, borracho de asombro
Sin la resaca de todo mi llanto
De una pasión que vive en desatino.

Dejadme el llanto por mi amada rosa
Porqué aún creo que el rocío es canto
De la semilla en su final destino.

Afonso Estebanez
(Dedicado com carinho à minha Mestra
Maria Madalena Cigarán Schuck
Versão: Patrícia Neme)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fiz do verde meu caminho...



Fiz do verde meu caminho,
fiz da vida plantação;
plantei flor e passarinho,
filhos, versos e oração.
Plantei pão e plantei vinho,
com o amor da minha mão.
Caminhei por verdes mares,
fiz sorrir verdes olhares,
verde foi o meu jardim.
Verde foi minha esperança
no verdor das minhas tranças...
Hoje restam só lembranças
com as quais brinco cantares
da ventura que há em mim.
O Senhor é meu pastor
e nas verdes pradarias
me regala paz sem fim!

- Patricia Neme -

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Das Rosas e dos Sonhos



"O sonho que se esvai na desventura"
do anoitecer das pétalas das rosas,
é sonho embevecido pela alvura
da mão entregue às tramas amorosas.

O sonho que se esvai... Sonho ou loucura?
No sonho habitam cores enganosas...
E na loucura habita a entrega pura
de quem sonhou venturas ardorosas.

As rosas... Sempre as rosas por pretexto
para ilustrar a forma e dar contexto
ao que a palavra anseia em demonstrar.

Os sonhos... São as rosas desfolhadas
ao vento de ilusões vãs, derrocadas...
Em busca de um alguém a quem amar!


- Patricia Neme -

domingo, 19 de julho de 2009

LIBERTAÇÃO



É certo, amei-te além do meu bom senso,
com força, com delírio... Com loucura!
Amei, tão de profundis, tão intenso...
Que me perdi... Quando à tua procura.

E achei-me em pranto largo, triste, denso,
nos campos semeados de ternura.
Amei-te... E o meu amor foi tão imenso...
E para ti, foi tudo uma aventura...

Porém, quando faltou-me o tudo e o nada,
a vida fez surgir nova alvorada,
nos sonhos que eu sonhei, como jamais.

E agora, hoje eu me encontro em outro peito,
que pulsa em meu viver e no meu leito...
De ti... Por fim, eu não me lembro mais!


Patrícia Neme

sábado, 4 de julho de 2009

Auto-retrato



Me pedes das feições... Contempla os traços
das vidas, cujo lar é uma calçada.
Caminhos, onde os sonhos são escassos,
aos quais o fado oferta o nada... Nada!

Encontra-me no olhar do pequenino
privado de carinhos, de alimento;
na infância - filha de único destino:
um chão, sem sepultura, alma em tormento.

É minha a voz pungente em elegia
às ilusões ceifadas pela guerra
(por quê pretendem vã toda agonia
da cruz, a suplicar por paz na terra?).

Meu rosto é feito da pura energia,
criando as esperanças do amanhã;
é cheiro de pão quente e mão macia
que planta e colhe o fresco do hortelã.

Em mim repousa o credo na igualdade
dos povos, pouco importam credo ou raça;
e a gratidão à eterna divindade
que a bichos, gente, plantas, tudo abraça.

Eu sou o verso aceso, alma serena,
sou noite perfumada de jasmim;
mãe de toda Maria - ou Madalena...
Me pedes das feições... Eu sou assim!

- Patricia Neme -

domingo, 28 de junho de 2009

PASTOREIO



Sou a pastora de mil andorinhas,
aves perdidas em teu denso olhar;
quero poupá-las de ilusões daninhas,
mas elas voam... E te vão buscar.

Tão delicadas, frágeis, pequeninhas...
Tão fascinadas pelo teu mirar...
Sonhos que anseiam ser as entrelinhas
do amor suposto no teu versejar.

E eu pastoreio, busco-as, noite e dia...
Mas são reféns da etérea melodia,
do encantamento, vindo do teu ser.

Asas abertas, alma entregue, inteira...
Seguem viagem, que sei derradeira...
Pois em tuas mãos, irão morrer... Morrer...


- Patricia Neme-

sexta-feira, 26 de junho de 2009

VÔO...



Os passos da noite...
Deixam rastros nos desvãos de minha alma,
despertando consteladas esperanças em minha solidão.
Os passos da noite,
macios, etéreos,
em cálidas fragrâncias embebidos,
me pensam alvoradas de desejos do amanhã.
E uma ilusão enluarada me abrasa,
me veste com asas de vontade renascida.
Porém eu não sei o destino do vôo.

- Patricia Neme –

domingo, 21 de junho de 2009

ENGANO


(Daniel Gerhartz)


Eu te percebo em vôo errante e vago,
cortejas flores, rondas os canteiros.
Perdido em cores, bebes, trago a trago,
orvalho e néctar, vãos e derradeiros.

Beijas a rosa, no cravo um afago...
Mas teus carinhos não são verdadeiros.
Teu rastro fala de dor e de estrago,
dos sonhos mortos... Todos passageiros!

Teus passos são volúveis, causam dano,
motivam pranto, angústia, desengano,
desfolhas vidas, sem pena, sem dó.

Tanta aridez... O que é do meu jardim?
Eu me pergunto, o que será de mim...
Assim tão triste, machucada e só!

- Patricia Neme -

terça-feira, 16 de junho de 2009

ENCONTRO

(Gary Benfield)


Sente minh'alma, o corpo... Ouve a esperança
de um amanhã sem medos, sem pecado.
Sente o desejo, a entrega e o amor que alcança
os sonhos de um sonhar jamais sonhado.

Sente o lembrar perdido na lembrança,
cantado pelas brumas do passado.
Perscruta além do véu... Então, alcança
a trama entrelaçada pelo fado.

Sou tua; há eternidades tu és meu...
Desde o princípio em que nos concebeu,
o céu nos destinou a mesma estrada.

E a noite... Uma só tenda... Uma fogueira...
E uma paixão, qual fora a vez primeira...
No encontro... Na explosão de uma alvorada!


Patricia Neme

DESCAMINHOS


Como afagar teus sonhos,
se teu pensar vai distante,
entre as brumas do passado
e o amanhã, que o tempo esconde?

Como embalar-te a alma,
se em fiel vagar por sendas
da tênue veracidade
dos silêncios constelados?

Como ancorar-te o corpo,
no abrigo dos meus permeios,
se teu barco singra mares
de solidão consentida?

Não são reais teus reclamos
de meus passos peregrinos;
se acompanhas as pegadas,
ver-me-ás seguindo a ti.

Patricia Neme

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PROCURA



A música distante.. É triste... Chora...
A lua... Sonhos, tantos... Solidão...
Palavras, sentimentos... Tudo implora
por ter nova esperança, novo chão.

Vazio... Alma apagada... É lenta a hora...
É lento o amanhecer do coração.
O sol... O sol, não vem... O sol, demora...
E a dor demarca os passos da emoção.

Qual folha que se vai na tempestade,
minh'alma peregrina na saudade,
saudade... Que não mostra o seu olhar.

De quem? Não sei... Mas sofro, sem medida...
Aqui... No outrora... Eu busco minha vida,
rogando ao céu um dia te encontrar!

- Patricia Neme -

sexta-feira, 29 de maio de 2009

RENASCER




No teu olhar vejo prenúncio de alvorada,
canto de pássaros... O sol... A brisa amena...
A relva verde... O rio manso... Até a estrada
de onde a esperança, enternecida, a mim, acena.

No teu olhar de mil paixões... Ventura plena?
Perco meu norte... Sou quem sou... Ou não sou nada?
Olhos que juram vida em paz, simples, serena...
E me sussurram aventura não pensada.

No teu olhar... Sonho... Delírio... Insanidade?
Como saber se és ilusão... Ou se és verdade?
Se creio, arrisco... Se desisto... O que fazer?

Como eu quisera mergulhar nessa promessa
e palmilhar teu coração, sem medo ou pressa...
No teu olhar, viver, morrer... E renascer!

- Patricia Neme -

segunda-feira, 25 de maio de 2009

NÃO CALO!


Se eu não falar da rosa... Qual o tema
que me há-de conduzir à eternidade?
Eu sei, já percebi... Há quem a tema...
Talvez por viver longe da verdade.

Em meio ao roseiral, a paz é extrema,
o mundo é mansidão, fraternidade.
Em cada reflorir... Novo poema...
Mais um canto de amor... E de humildade!

Porque o amor é simples, tão sereno,
eleva à plenitude o que é pequeno,
transforma a vida em êxtase sem fim.

Se eu me calar agora, miserere!
Se eu abafar o canto... Ele me fere...
Se emudecer... O que vai ser de mim?


- Patricia Neme -
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domingo, 7 de março de 2010

E-Book



Para ler clique no livro. Quando abrir, clique em f11 para ver em tela cheia.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MORTE... VIDA...



Se existe um amanhã... Um "logo mais"...
Quem sabe, onde a certeza do momento?
Viver, morrer... É tudo tão fugaz...
Efêmero... Qual é o pensamento.

Se agora, aqui... Em breve o corpo jaz
em meio ao canto triste do lamento.
Os sonhos... São entregues ao jamais...
Os planos... Perdem-se em esquecimento.

O Agora é tua vida, teu instante,
traze bem junto a ti quem é distante,
quem dá sentido a tu'alma, ao teu amor.

Pois só o amor conduz à eternidade,
o mais... O mais é vão, tola vaidade,
que em si traz o vazio, angústia e dor!

- Patricia Neme -

sábado, 10 de outubro de 2009

CHUVA?



Do céu cinzento, chega a chuva fina...
Vem mansamente, quase em desalento.
E chove, chove... Nunca que termina...
É chuva d’água... Ou chove sofrimento?

A terra dorme sob a gris neblina,
o tempo para, já não canta o vento...
Nem leve sol, a vida descortina...
É chuva d’água, ou chuva de lamento?

E vão-se o dia, noite, madrugada...
E sempre a chuva, tão desalentada...
Minh’alma indaga às nuvens: até quando?

Até que exista paz, amor, verdade,
e todo humano viva a boa-vontade...
Não vês? Não chove... Deus está chorando!

- Patrícia Neme -

PAI NOSSO


(Tadeusz Makovsky-1882-1932)

- porque há crianças... -

Pai nosso, Pai de toda a criançada,
estás longe no céu, por qual razão?
Te assusta tanta vida aniquilada,
Te agride ver a infância sem ter pão?

Do céu, ouves a mãe desempregada,
que implora por Tua Graça e Compaixão,
pra que a família seja alimentada
e os filhos tenham teto e educação?

Escutas a menina que é estuprada,
gritando de terror, dor, solidão?
E o jovem, cuja vida é ameaçada,
pra que seja, do tráfico, avião?

Tens visto que há criança escravizada
e, por salário, só ganha um tostão?
E aquela, que a chuva deixa assustada,
pois teme vá ao chão seu barracão?

Pai nosso, tanta coisa está errada...
Falta respeito, falta proteção...
Deixa, um pouquinho só, Tua morada,
vem cá, os filhos Teus estão sem chão!

- Patrícia Neme -

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Mercedes Sosa


Mercedes Sosa- San Miguel de Tucumán, 9 de julho de 1935
— Buenos Aires, 4 de outubro de 2009)



Mercedes se fue al cielo,
cantar para estrellas
que alumbran los ensueños de poetas.
Mercedes,
que buscaba libertad…
Ahora es pájaro libre
en la eternidad.
Así era necesario.
El hombre común ya no oye
las voces del miedo o dolor
que vienen del vientre de la tierra.
Pero un poeta…
Ese si conoce
el sentido del brillo
que una estrella encierra.
Mercedes se fue,
para que sus canciones de cuna
se transformen en canciones de amor,
en rimas llenas de paz.
Como Mercedes no pudo conocer…
Jamás!

- PAT -

sábado, 26 de setembro de 2009

Ventos



Já nem sei quando sejam madrugadas
- ou dias plenos, de um viver ardente...
Pois pelas minhas mais sutis estradas,
um vento aflito busca-te, imprudente!

Cavalga amaro e nas fundas passadas,
lacera os sonhos da espera silente.
Espera antiga, de vidas passadas,
que não permite o agora em meu presente.

Cavalga o vento, dia ou madrugada...
E tem-me a vida, morta, devastada,
cativa eterna de um existir tão só...

Duma promessa, por ti, imolada...
Vento cortante, que esta alma cansada,
sopra ferino... E me reduz a pó!

- Patricia Neme -

domingo, 9 de agosto de 2009

"SPLEENBORED"



Llorar por todo lo que se perdió
Lloro por mí, que me perdí de mí..
Por quién he sido – y si es que esto ocurrió…
Como yo soy… Y como lloro así.

Hasta llorar por quién ya me olvidó
Llorar por nada… Lo que no és tán malo…
Tan solamente llorar por llorar
Desde el comienzo de mi propio fin.

Dejadme quieto, borracho de asombro
Sin la resaca de todo mi llanto
De una pasión que vive en desatino.

Dejadme el llanto por mi amada rosa
Porqué aún creo que el rocío es canto
De la semilla en su final destino.

Afonso Estebanez
(Dedicado com carinho à minha Mestra
Maria Madalena Cigarán Schuck
Versão: Patrícia Neme)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fiz do verde meu caminho...



Fiz do verde meu caminho,
fiz da vida plantação;
plantei flor e passarinho,
filhos, versos e oração.
Plantei pão e plantei vinho,
com o amor da minha mão.
Caminhei por verdes mares,
fiz sorrir verdes olhares,
verde foi o meu jardim.
Verde foi minha esperança
no verdor das minhas tranças...
Hoje restam só lembranças
com as quais brinco cantares
da ventura que há em mim.
O Senhor é meu pastor
e nas verdes pradarias
me regala paz sem fim!

- Patricia Neme -

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Das Rosas e dos Sonhos



"O sonho que se esvai na desventura"
do anoitecer das pétalas das rosas,
é sonho embevecido pela alvura
da mão entregue às tramas amorosas.

O sonho que se esvai... Sonho ou loucura?
No sonho habitam cores enganosas...
E na loucura habita a entrega pura
de quem sonhou venturas ardorosas.

As rosas... Sempre as rosas por pretexto
para ilustrar a forma e dar contexto
ao que a palavra anseia em demonstrar.

Os sonhos... São as rosas desfolhadas
ao vento de ilusões vãs, derrocadas...
Em busca de um alguém a quem amar!


- Patricia Neme -

domingo, 19 de julho de 2009

LIBERTAÇÃO



É certo, amei-te além do meu bom senso,
com força, com delírio... Com loucura!
Amei, tão de profundis, tão intenso...
Que me perdi... Quando à tua procura.

E achei-me em pranto largo, triste, denso,
nos campos semeados de ternura.
Amei-te... E o meu amor foi tão imenso...
E para ti, foi tudo uma aventura...

Porém, quando faltou-me o tudo e o nada,
a vida fez surgir nova alvorada,
nos sonhos que eu sonhei, como jamais.

E agora, hoje eu me encontro em outro peito,
que pulsa em meu viver e no meu leito...
De ti... Por fim, eu não me lembro mais!


Patrícia Neme

sábado, 4 de julho de 2009

Auto-retrato



Me pedes das feições... Contempla os traços
das vidas, cujo lar é uma calçada.
Caminhos, onde os sonhos são escassos,
aos quais o fado oferta o nada... Nada!

Encontra-me no olhar do pequenino
privado de carinhos, de alimento;
na infância - filha de único destino:
um chão, sem sepultura, alma em tormento.

É minha a voz pungente em elegia
às ilusões ceifadas pela guerra
(por quê pretendem vã toda agonia
da cruz, a suplicar por paz na terra?).

Meu rosto é feito da pura energia,
criando as esperanças do amanhã;
é cheiro de pão quente e mão macia
que planta e colhe o fresco do hortelã.

Em mim repousa o credo na igualdade
dos povos, pouco importam credo ou raça;
e a gratidão à eterna divindade
que a bichos, gente, plantas, tudo abraça.

Eu sou o verso aceso, alma serena,
sou noite perfumada de jasmim;
mãe de toda Maria - ou Madalena...
Me pedes das feições... Eu sou assim!

- Patricia Neme -

domingo, 28 de junho de 2009

PASTOREIO



Sou a pastora de mil andorinhas,
aves perdidas em teu denso olhar;
quero poupá-las de ilusões daninhas,
mas elas voam... E te vão buscar.

Tão delicadas, frágeis, pequeninhas...
Tão fascinadas pelo teu mirar...
Sonhos que anseiam ser as entrelinhas
do amor suposto no teu versejar.

E eu pastoreio, busco-as, noite e dia...
Mas são reféns da etérea melodia,
do encantamento, vindo do teu ser.

Asas abertas, alma entregue, inteira...
Seguem viagem, que sei derradeira...
Pois em tuas mãos, irão morrer... Morrer...


- Patricia Neme-

sexta-feira, 26 de junho de 2009

VÔO...



Os passos da noite...
Deixam rastros nos desvãos de minha alma,
despertando consteladas esperanças em minha solidão.
Os passos da noite,
macios, etéreos,
em cálidas fragrâncias embebidos,
me pensam alvoradas de desejos do amanhã.
E uma ilusão enluarada me abrasa,
me veste com asas de vontade renascida.
Porém eu não sei o destino do vôo.

- Patricia Neme –

domingo, 21 de junho de 2009

ENGANO


(Daniel Gerhartz)


Eu te percebo em vôo errante e vago,
cortejas flores, rondas os canteiros.
Perdido em cores, bebes, trago a trago,
orvalho e néctar, vãos e derradeiros.

Beijas a rosa, no cravo um afago...
Mas teus carinhos não são verdadeiros.
Teu rastro fala de dor e de estrago,
dos sonhos mortos... Todos passageiros!

Teus passos são volúveis, causam dano,
motivam pranto, angústia, desengano,
desfolhas vidas, sem pena, sem dó.

Tanta aridez... O que é do meu jardim?
Eu me pergunto, o que será de mim...
Assim tão triste, machucada e só!

- Patricia Neme -

terça-feira, 16 de junho de 2009

ENCONTRO

(Gary Benfield)


Sente minh'alma, o corpo... Ouve a esperança
de um amanhã sem medos, sem pecado.
Sente o desejo, a entrega e o amor que alcança
os sonhos de um sonhar jamais sonhado.

Sente o lembrar perdido na lembrança,
cantado pelas brumas do passado.
Perscruta além do véu... Então, alcança
a trama entrelaçada pelo fado.

Sou tua; há eternidades tu és meu...
Desde o princípio em que nos concebeu,
o céu nos destinou a mesma estrada.

E a noite... Uma só tenda... Uma fogueira...
E uma paixão, qual fora a vez primeira...
No encontro... Na explosão de uma alvorada!


Patricia Neme

DESCAMINHOS


Como afagar teus sonhos,
se teu pensar vai distante,
entre as brumas do passado
e o amanhã, que o tempo esconde?

Como embalar-te a alma,
se em fiel vagar por sendas
da tênue veracidade
dos silêncios constelados?

Como ancorar-te o corpo,
no abrigo dos meus permeios,
se teu barco singra mares
de solidão consentida?

Não são reais teus reclamos
de meus passos peregrinos;
se acompanhas as pegadas,
ver-me-ás seguindo a ti.

Patricia Neme

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PROCURA



A música distante.. É triste... Chora...
A lua... Sonhos, tantos... Solidão...
Palavras, sentimentos... Tudo implora
por ter nova esperança, novo chão.

Vazio... Alma apagada... É lenta a hora...
É lento o amanhecer do coração.
O sol... O sol, não vem... O sol, demora...
E a dor demarca os passos da emoção.

Qual folha que se vai na tempestade,
minh'alma peregrina na saudade,
saudade... Que não mostra o seu olhar.

De quem? Não sei... Mas sofro, sem medida...
Aqui... No outrora... Eu busco minha vida,
rogando ao céu um dia te encontrar!

- Patricia Neme -

sexta-feira, 29 de maio de 2009

RENASCER




No teu olhar vejo prenúncio de alvorada,
canto de pássaros... O sol... A brisa amena...
A relva verde... O rio manso... Até a estrada
de onde a esperança, enternecida, a mim, acena.

No teu olhar de mil paixões... Ventura plena?
Perco meu norte... Sou quem sou... Ou não sou nada?
Olhos que juram vida em paz, simples, serena...
E me sussurram aventura não pensada.

No teu olhar... Sonho... Delírio... Insanidade?
Como saber se és ilusão... Ou se és verdade?
Se creio, arrisco... Se desisto... O que fazer?

Como eu quisera mergulhar nessa promessa
e palmilhar teu coração, sem medo ou pressa...
No teu olhar, viver, morrer... E renascer!

- Patricia Neme -

segunda-feira, 25 de maio de 2009

NÃO CALO!


Se eu não falar da rosa... Qual o tema
que me há-de conduzir à eternidade?
Eu sei, já percebi... Há quem a tema...
Talvez por viver longe da verdade.

Em meio ao roseiral, a paz é extrema,
o mundo é mansidão, fraternidade.
Em cada reflorir... Novo poema...
Mais um canto de amor... E de humildade!

Porque o amor é simples, tão sereno,
eleva à plenitude o que é pequeno,
transforma a vida em êxtase sem fim.

Se eu me calar agora, miserere!
Se eu abafar o canto... Ele me fere...
Se emudecer... O que vai ser de mim?


- Patricia Neme -