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segunda-feira, 23 de maio de 2011

HORA MEMÓRIA


Há rostos que nunca se irão.
Outros jamais veremos
mas aí estão,
sempre.
Nunca conheceremos todos
os convivas.
Nem os mais próximos.
Sequer o irmão.
A memória retém os
que devem ficar.
Mesmo os que, fugazes,
teimam em partir.
Lembrar é fingir.


Antonio Fernando de Franceschi
— Tarde Revelada

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ERGO SUM


Resignado,
conservo os vestígios de meus giros rasos,
(mas nunca excedo meu peso),
serei contente?

Pedestre,
jamais ousei além da margem tímida,
(mas não levo desaforo pra casa),
serei valente?

Diletante,
ignoro as regras elementares,
(mas me formei e ganho bem),
serei potente?

Inapetente,
só me enternecem os meus botões,
(mas amo o próximo mais que ninguém),
serei descrente?

Desatento,
Perdi o mapa das linhas retas
(mas tenho amigos e influencio pessoas),
serei carente?

*Antonio Fernando De Franceschi
In: Tarde Revelada Poemas

*Nasceu em Pirassununga, São Paulo, em 1942. Formado em filosofia, jornalismo e economia, já conquistou prêmios literários importantes, como o Jabuti e o APCA. Atualmente trabalha como diretor superintendente do Instituto Moreira Salles.

domingo, 2 de agosto de 2009

RECEITA DE PERFUME


(Tilia cordata Mill)

de altura máxima
ressangra e basta
o sol botão

assombra valeriano
os espinheiros:
tílias

que coram glaucas
puras
em tudo amorosas:

não pede
luz
o íntimo das rosas

Antonio Fernando de Franceschi
in A Olho Nu

(Photo que ilustra o poema é de Moitas61- Flick)
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

HORA MEMÓRIA


Há rostos que nunca se irão.
Outros jamais veremos
mas aí estão,
sempre.
Nunca conheceremos todos
os convivas.
Nem os mais próximos.
Sequer o irmão.
A memória retém os
que devem ficar.
Mesmo os que, fugazes,
teimam em partir.
Lembrar é fingir.


Antonio Fernando de Franceschi
— Tarde Revelada

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ERGO SUM


Resignado,
conservo os vestígios de meus giros rasos,
(mas nunca excedo meu peso),
serei contente?

Pedestre,
jamais ousei além da margem tímida,
(mas não levo desaforo pra casa),
serei valente?

Diletante,
ignoro as regras elementares,
(mas me formei e ganho bem),
serei potente?

Inapetente,
só me enternecem os meus botões,
(mas amo o próximo mais que ninguém),
serei descrente?

Desatento,
Perdi o mapa das linhas retas
(mas tenho amigos e influencio pessoas),
serei carente?

*Antonio Fernando De Franceschi
In: Tarde Revelada Poemas

*Nasceu em Pirassununga, São Paulo, em 1942. Formado em filosofia, jornalismo e economia, já conquistou prêmios literários importantes, como o Jabuti e o APCA. Atualmente trabalha como diretor superintendente do Instituto Moreira Salles.

domingo, 2 de agosto de 2009

RECEITA DE PERFUME


(Tilia cordata Mill)

de altura máxima
ressangra e basta
o sol botão

assombra valeriano
os espinheiros:
tílias

que coram glaucas
puras
em tudo amorosas:

não pede
luz
o íntimo das rosas

Antonio Fernando de Franceschi
in A Olho Nu

(Photo que ilustra o poema é de Moitas61- Flick)