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sexta-feira, 27 de março de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2009
BRISA DO TEMPO

Primeiro era um banco
Frente ao mar calmo.
Sentados nele, calmos,
Dois marinheiros,
Que dividiam a mesma alma,
Falavam de amores passados
Que nunca passaram.
O mais velho tinha um porto em cada amor,
O mais moço tinha um amor em cada porto.
Havia neles uma solidão
Que o mar não continha.
No dia seguinte era um banco
Impregnado de vazios,
E um navio à procura de um porto
Que pudesse lhes conter a alma.
Oswaldo Antônio Begiato
domingo, 22 de março de 2009
VÁCUO

É preciso reagir.
O corpo feito copo está cheio e vazio.
Cheio porque não foi tragado
Vazio porque não tem essência.
É preciso dar-lhe alma.
É preciso tomar-lhe o vinho.
O vinho está envelhecido,
A alma está solitária.
É vinho e apenas vinho envelhecido.
Alma e apenas alma na solidão.
Tragá-lo foi apenas tragá-lo
Naquilo que tinha de vinho.
É preciso tragar-lhe a alma!
Oswaldo Antônio Begiato
segunda-feira, 9 de março de 2009
HORAS

Vieste buscar as horas
Que, quando ainda jovem,
Deixaste abandonadas
No pêndulo do relógio?
Elas trincaram a pele
Do reboco que escondia
A fraqueza das paredes
E a insolência do passado
E descoloriram a retina
Das cortinas que protegiam
A sala das vidraças, do sol
E dos maus olhados.
Leve-as contigo.
Guarde-as.
Guarde-as como quem guarda
O pão caseiro,
No forno do fogão
Cobertas por um pano de prato
Para que testemunhem a saciação
De quem as quer consumidas.
Guarde-as como quem guarda
A aliança de noivado,
Na caixinha de música,
Para que denunciem a subtração
De quem as quer furtadas.
Guarde-as.
Porque elas te encheram a vida de tempo
E lhe farão experimentar o fim.
Oswaldo Antônio Begiato
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
'MINH’ALMA'
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
A ROSA DE NOSSO ETERNO AMOR

Naquele domingo à tarde,
em que todas as criaturas
se encantavam em calcular
a Unidade Astronômica
você veio com a idéia
de construirmos uma flor.
Você faria o projeto
da semente, da brotação...
A mim caberia fazer
a fórmula do perfume,
e o voto de eternidade.
E nós chama-la-íamos de
A Rosa de Nosso Eterno Amor.
Mas veio a segunda-feira
e com ela os homens frios,
com seus tratores pesados,
com suas mantas de asfalto,
nos enfeitaram com flores
construídas de plástico
e nos puseram no andor,
no andor cheio de passos,
cheio de passos alheios.
Oswaldo Antônio Begiato
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
'BARRO E SOPRO'
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
IMPOSSÍVEL
Quero pra mim nesse amanhecer
A boca cheia d’aguardente,
Os olhos cheios de paisagens,
Os ouvidos cheios de bemóis,
E um sorriso que seja eterno.
Quero pra mim nesse entardecer
Uma melancia vermelhinha,
Um mar repleto de horizontes,
Uma pauta e uma clave de sol,
Nos dentes a brancura d’alma.
Quero pra mim nesse reencontro
O beijo ávido e imaculado,
A nudez santa e pecadora,
A melodia impertinente,
E uma alegria inescusável.
Quero pra mim, mesmo morrendo,
A tua mais preciosa presença.
Oswaldo Antônio Begiato
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
'POTE DE VIDRO'

Tudo o que eu queria,
nas minhas infindáveis horas de desamparo,
era a companhia de um pote de vidro gordo e redondo
cheio de gomas coloridas e açucaradas,
e outro de bolinhas de gude,
coloridas e de todos os tamanhos.
Quando moleque, eu tinha só esses dois sonhos;
eles faziam meu abandono parecer dádiva.
- Por serem doces e coloridos, acho.
Por que será que nunca sonhei com mãos meigas,
com colo me aquecendo
e com histórias me fazendo adormecer?
Por que será que nunca sonhei com lápis apontado,
com uma borracha indestrutível
e com palavras me fazendo a dor me ser?
Por que será que até hoje
tenho só esses dois sonhos
- gomas e bolinhas de gude coloridas -
adormecidos nas prateleiras empoeiradas da paciência
em potes de dores que nunca consigo abrir?
- Por serem gordos e redondos, acho.
Oswaldo Antônio Begiato
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
'RONDEL A MEU AMOR'

Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito;
Eu te amo com a intensidade das dores
Que me deixam inconsequente e aflito.
E dos sonhos que tive de amores
Tu és a que vens cumprir o escrito,
Como o orvalho rouba frescor das flores
E a eternidade tudo que é finito.
Como não sei fazer um verso bonito,
Para aliviar teus doidos temores
Apenas repito o que tenho dito:
Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito.
Oswaldo Antônio Begiato
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
'CHEGANÇA'

Eu te trouxe de presente um olhar.
Um olhar que achei escondido entre as pedras do rosário
E que brincava de encantamento com a Virgem Maria.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Desses que não descuidam de nenhum movimento
E que de tão atentos se tornam anjos da guarda.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Desses que contém dentro de si tamanha proteção
Que os olhos deles parecem um mar de cheganças.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Desses que revelam uma entrega tão desmedida
Que se tornam portas de entrada de todas as abnegações.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Apenas um olhar. Nada mais, além do meu servo olhar.
Oswaldo Antônio Begiato
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
'O TEMPO'

(Alice Linddell)
Ela queria tanto,
Para poder esquecer
A cor cinza de sua nascença,
Ganhar de presente, no dia de seu aniversário,
A delicadeza de uma boneca de trapo.
Queria tanto, tanto,
Que acabou comprando,
Naquela tardinha, em que abandonada,
A chuva lhe caia copiosamente dentro d’alma,
Uma boneca fria de porcelana fina.
Pena que já era tarde.
Ela, agora, não tinha mais tempo para esquecimentos.
Não tinha mais tempo para delicadezas.
Oswaldo Antônio Begiato
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
'ESCONDEDOURO'
terça-feira, 25 de novembro de 2008
"Meus Dias"

No dia em que a Felicidade bater
À porta da frente de minhas constâncias
Eu já não estarei mais dentro:
Terei saído de mudança
Pela porta dos fundos.
Mas Ela encontrará tudo arranjado:
O chão limpo e encerado,
A louça lavada e guardada,
As camas perfumadas e estendidas,
As coisas alinhadas e sem pó,
A alma livre e serenada.
Esquecerei então que um dia fui
Pedra selvagem e estrela cadente,
Carvão e diamante,
Esterco e pétala,
Corcunda e asas.
Serei uma gota de orvalho cristalizada
Que o destino quis como pingente
Adornando a garganta da eternidade.
Oswaldo Antônio Begiato
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
'FUTURO'
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sexta-feira, 27 de março de 2015
'IRMÃOS DE SANGUE''
Há uma tristeza imensa
no fundo de meu coração.
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Oswaldo Antônio Begiato
segunda-feira, 29 de junho de 2009
BRISA DO TEMPO

Primeiro era um banco
Frente ao mar calmo.
Sentados nele, calmos,
Dois marinheiros,
Que dividiam a mesma alma,
Falavam de amores passados
Que nunca passaram.
O mais velho tinha um porto em cada amor,
O mais moço tinha um amor em cada porto.
Havia neles uma solidão
Que o mar não continha.
No dia seguinte era um banco
Impregnado de vazios,
E um navio à procura de um porto
Que pudesse lhes conter a alma.
Oswaldo Antônio Begiato
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domingo, 22 de março de 2009
VÁCUO

É preciso reagir.
O corpo feito copo está cheio e vazio.
Cheio porque não foi tragado
Vazio porque não tem essência.
É preciso dar-lhe alma.
É preciso tomar-lhe o vinho.
O vinho está envelhecido,
A alma está solitária.
É vinho e apenas vinho envelhecido.
Alma e apenas alma na solidão.
Tragá-lo foi apenas tragá-lo
Naquilo que tinha de vinho.
É preciso tragar-lhe a alma!
Oswaldo Antônio Begiato
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segunda-feira, 9 de março de 2009
HORAS

Vieste buscar as horas
Que, quando ainda jovem,
Deixaste abandonadas
No pêndulo do relógio?
Elas trincaram a pele
Do reboco que escondia
A fraqueza das paredes
E a insolência do passado
E descoloriram a retina
Das cortinas que protegiam
A sala das vidraças, do sol
E dos maus olhados.
Leve-as contigo.
Guarde-as.
Guarde-as como quem guarda
O pão caseiro,
No forno do fogão
Cobertas por um pano de prato
Para que testemunhem a saciação
De quem as quer consumidas.
Guarde-as como quem guarda
A aliança de noivado,
Na caixinha de música,
Para que denunciem a subtração
De quem as quer furtadas.
Guarde-as.
Porque elas te encheram a vida de tempo
E lhe farão experimentar o fim.
Oswaldo Antônio Begiato
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
'MINH’ALMA'

Minh'alma
de tão enclausurada
carrega aldravas em suas portas;
não permite a entrada de minhas queixas!
Por mais que eu queira libertá-la
não posso destrancar seus cadeados.
Está tão blindada
Que mesmo os teus apelos lhe são apenas sussurros;
e eu queria tanto te amar!
Oswaldo Antonio Begiato
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
A ROSA DE NOSSO ETERNO AMOR

Naquele domingo à tarde,
em que todas as criaturas
se encantavam em calcular
a Unidade Astronômica
você veio com a idéia
de construirmos uma flor.
Você faria o projeto
da semente, da brotação...
A mim caberia fazer
a fórmula do perfume,
e o voto de eternidade.
E nós chama-la-íamos de
A Rosa de Nosso Eterno Amor.
Mas veio a segunda-feira
e com ela os homens frios,
com seus tratores pesados,
com suas mantas de asfalto,
nos enfeitaram com flores
construídas de plástico
e nos puseram no andor,
no andor cheio de passos,
cheio de passos alheios.
Oswaldo Antônio Begiato
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
'BARRO E SOPRO'

As pessoas
intensas
imensas
e densas
são feitas
de barro,
de sopro...
De barro
para que as
sementes
germinem.
De sopro
para que as
sementes
se espalhem.
Tudo mais
é pedra,
é vácuo.
Oswaldo Antônio Begiato
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
IMPOSSÍVEL
Quero pra mim nesse amanhecer
A boca cheia d’aguardente,
Os olhos cheios de paisagens,
Os ouvidos cheios de bemóis,
E um sorriso que seja eterno.
Quero pra mim nesse entardecer
Uma melancia vermelhinha,
Um mar repleto de horizontes,
Uma pauta e uma clave de sol,
Nos dentes a brancura d’alma.
Quero pra mim nesse reencontro
O beijo ávido e imaculado,
A nudez santa e pecadora,
A melodia impertinente,
E uma alegria inescusável.
Quero pra mim, mesmo morrendo,
A tua mais preciosa presença.
Oswaldo Antônio Begiato
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
'POTE DE VIDRO'

Tudo o que eu queria,
nas minhas infindáveis horas de desamparo,
era a companhia de um pote de vidro gordo e redondo
cheio de gomas coloridas e açucaradas,
e outro de bolinhas de gude,
coloridas e de todos os tamanhos.
Quando moleque, eu tinha só esses dois sonhos;
eles faziam meu abandono parecer dádiva.
- Por serem doces e coloridos, acho.
Por que será que nunca sonhei com mãos meigas,
com colo me aquecendo
e com histórias me fazendo adormecer?
Por que será que nunca sonhei com lápis apontado,
com uma borracha indestrutível
e com palavras me fazendo a dor me ser?
Por que será que até hoje
tenho só esses dois sonhos
- gomas e bolinhas de gude coloridas -
adormecidos nas prateleiras empoeiradas da paciência
em potes de dores que nunca consigo abrir?
- Por serem gordos e redondos, acho.
Oswaldo Antônio Begiato
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
'RONDEL A MEU AMOR'

Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito;
Eu te amo com a intensidade das dores
Que me deixam inconsequente e aflito.
E dos sonhos que tive de amores
Tu és a que vens cumprir o escrito,
Como o orvalho rouba frescor das flores
E a eternidade tudo que é finito.
Como não sei fazer um verso bonito,
Para aliviar teus doidos temores
Apenas repito o que tenho dito:
Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito.
Oswaldo Antônio Begiato
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
'CHEGANÇA'

Eu te trouxe de presente um olhar.
Um olhar que achei escondido entre as pedras do rosário
E que brincava de encantamento com a Virgem Maria.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Desses que não descuidam de nenhum movimento
E que de tão atentos se tornam anjos da guarda.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Desses que contém dentro de si tamanha proteção
Que os olhos deles parecem um mar de cheganças.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Desses que revelam uma entrega tão desmedida
Que se tornam portas de entrada de todas as abnegações.
Eu te trouxe de presente um olhar.
Apenas um olhar. Nada mais, além do meu servo olhar.
Oswaldo Antônio Begiato
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
'O TEMPO'

(Alice Linddell)
Ela queria tanto,
Para poder esquecer
A cor cinza de sua nascença,
Ganhar de presente, no dia de seu aniversário,
A delicadeza de uma boneca de trapo.
Queria tanto, tanto,
Que acabou comprando,
Naquela tardinha, em que abandonada,
A chuva lhe caia copiosamente dentro d’alma,
Uma boneca fria de porcelana fina.
Pena que já era tarde.
Ela, agora, não tinha mais tempo para esquecimentos.
Não tinha mais tempo para delicadezas.
Oswaldo Antônio Begiato
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
'ESCONDEDOURO'

Dentro dos meus olhos
escuros
escondo o esmalte fosco
dos teus
que jamais pude decifrar.
Dentro de minha boca
úmida
escondo o beijo cálido
da tua
que jamais pude fartar.
Dentro de minha alma
inculta
escondo as roupas sujas
da tua
que jamais pude desnuar.
Osvaldo Antonio Begiato
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
"Meus Dias"

No dia em que a Felicidade bater
À porta da frente de minhas constâncias
Eu já não estarei mais dentro:
Terei saído de mudança
Pela porta dos fundos.
Mas Ela encontrará tudo arranjado:
O chão limpo e encerado,
A louça lavada e guardada,
As camas perfumadas e estendidas,
As coisas alinhadas e sem pó,
A alma livre e serenada.
Esquecerei então que um dia fui
Pedra selvagem e estrela cadente,
Carvão e diamante,
Esterco e pétala,
Corcunda e asas.
Serei uma gota de orvalho cristalizada
Que o destino quis como pingente
Adornando a garganta da eternidade.
Oswaldo Antônio Begiato
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
'FUTURO'

preso
à janela pequena
vejo-o lá fora
impossível
impassível
de minha janela
a liberdade parece grande
a liberdade é pequena
como pequenas são minhas singularidades
muitas marcas
muitos marços
passaram pela minha vida
Oswaldo Antônio Begiato
Jundiaí- São Paulo
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