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domingo, 6 de julho de 2014

OS VERSOS QUE TE DOU


Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei  depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los nas
lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.

J. G. de Araújo Jorge* 
do livro “Meu céu interior”, Editora Vecchi – Rio de Janeiro, 1934.


 *José Guilherme de Araújo Jorge - nasceu na Vila de Tarauacá, no Estado do Acre, aos 20 de maio de 1914. Ainda jovem iniciou-se na poesia. Estudou em Coimbra, Portugal, e fez curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim, Alemanha. Além de escritor, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura, líder estudantil, tinha política em suas veias. Foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara, em 1970. Foi reeleito em 1974 e 1978. Mesmo combatidos pelos críticos, seus livros — em número de 36 — tinham grande aceitação e foram publicados em diversos países. Faleceu no dia 27 de janeiro de 1987.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

'FILOSOFANDO'


'FILOSOFANDO'

- Interessante!... Aquele passarinho
que pelo espaço imenso, incerto, adeja,
não tem nada
porque nada deseja,
e no entanto tem tudo:

- a terra verde é sua...
- o céu azul é seu...

- interessante!... Aquele passarinho
tem muito mais do que eu

J.G.de Araújo Jorge

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Solidão



Por certo a pior solidão
É aquela que a gente sente
Sem ninguém no coração...
No meio de muita gente...

Praias longe, em solidão
Fora de todas as rotas,
Tal como o meu coração
Só como o sonho... das gaivotas...


J. G. de Araújo Jorge
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domingo, 6 de julho de 2014

OS VERSOS QUE TE DOU


Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei  depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los nas
lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.

J. G. de Araújo Jorge* 
do livro “Meu céu interior”, Editora Vecchi – Rio de Janeiro, 1934.


 *José Guilherme de Araújo Jorge - nasceu na Vila de Tarauacá, no Estado do Acre, aos 20 de maio de 1914. Ainda jovem iniciou-se na poesia. Estudou em Coimbra, Portugal, e fez curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim, Alemanha. Além de escritor, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura, líder estudantil, tinha política em suas veias. Foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara, em 1970. Foi reeleito em 1974 e 1978. Mesmo combatidos pelos críticos, seus livros — em número de 36 — tinham grande aceitação e foram publicados em diversos países. Faleceu no dia 27 de janeiro de 1987.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

'FILOSOFANDO'


'FILOSOFANDO'

- Interessante!... Aquele passarinho
que pelo espaço imenso, incerto, adeja,
não tem nada
porque nada deseja,
e no entanto tem tudo:

- a terra verde é sua...
- o céu azul é seu...

- interessante!... Aquele passarinho
tem muito mais do que eu

J.G.de Araújo Jorge

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Solidão



Por certo a pior solidão
É aquela que a gente sente
Sem ninguém no coração...
No meio de muita gente...

Praias longe, em solidão
Fora de todas as rotas,
Tal como o meu coração
Só como o sonho... das gaivotas...


J. G. de Araújo Jorge