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segunda-feira, 8 de julho de 2013
À MESMA HORA
À mesma hora, no mesmo lugar,
eu caminhava entre árvores
e espremia nos dedos
o mudo cipreste.
Mas naquele instante
entre cúmplices imagens
(quando a sombra me tece
e o sem-fundo do lago me diz)
no frescor do mais contido sumo
cheirei a poesia, como do nada
e caminhei sobre águas –
o naufrágio por um triz.
(Fernando Campanella)
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
GRAVIDADES
Madrugada,
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
quarta-feira, 11 de julho de 2012
METÁFORA
Já não tento reter do dia
a luz que por exata concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves .
O tempo tem o galope das fúrias
ventos que jamais enternecem .
Melhor correr da memória o labirinto
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: tudo vai escapando
o que restar será na noite
a forma intáctil, o espectro redivivo .
(Mais no mundo me tardo
mais no comando de sombras me esmero .)
Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago : a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.
Fernando Campanella
domingo, 27 de maio de 2012
''DO MUNDO''
Vão, que já não são meus
os filhos, os versos, a história.
Comigo não ficam meus passos
nem o desenho do corpo.
Vão os que do mundo vieram:
as folhas, os porres, os cansaços.
Se depositamos guirlandas e lágrimas
aos pés deste deus, nossos tesouros
já não ficam ensimesmados.
Vão, pois, esvaziem-se nossos barcos
por tamanha generosa partida.
E para tantos outros encontros
solte-se a órbita do peito no espaço.
(Fernando Campanella)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
OFÍCIO
Naturezas de borboleta
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.
Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.
O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.
Também meu ofício de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada
no mais desprovido silêncio.
Fernando Campanella
Do blog do poeta.
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.
Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.
O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.
Também meu ofício de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada
no mais desprovido silêncio.
Fernando Campanella
Do blog do poeta.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
BEM-AVENTURANÇA
Graças, por todo pão e mistério
pela palavra soerguida
pela poesia
pela vida sobre a vida.
(Fernando Campanella)
sexta-feira, 29 de julho de 2011
EM SEDA
Por esta luz que me alumia
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
quinta-feira, 30 de junho de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
POLARIDADES
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
"XI"
Novembro lava a alma
e as flores do Guapuruvú
respingam na tarde.
Logo, a lua dá o ar da graça
e entre os galhos da árvore
amorosamente se enrosca.
O universo embala então a terra
e os pássaros
sonham abóbodas iluminadas.
F.Campanella
da série 'Efemérides'
Photo 'Guapuruvú' (Schizolobium parahyba)
by Fernando Campanela.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
"X" da série Efemérides
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
"IX"
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
'POESIS'

A poesia é algo assim
Como uma dúbia certeza,
Aposta de um tudo
No oco intraduzível do nada,
Algo como a luz-menina dos olhos
Entreabrindo a opacidade,
Sumo delicado
Espremido de alegrias
E enfermidade,
Efemérides
E ainda um certo milagre,
Pérola pescada -
Insípida borboleta dos dias
Pela magia do verbo eterno
Encantada.
(Fernando Campanella)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
"Cantilena"
"Selvagem"
segunda-feira, 14 de junho de 2010
13 de junho, Fernando Campanella.

Clique na imagem, e veja os belos poemas de Fernando Campanella, formatos pela amiga Leila Derzi, pela passagem do 'niver' do poeta.
Observações:
Uma vez aberta uma foto individual, clique no lado direito do mouse e vá a
'Go full screen' (Tela grande) para melhor visualizar o belíssimo trabalho da querida amiga.
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Fernando Campanella,
Leila Derzi
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
A TARDE ÀS VEZES ME CONVIDA
(Foto by Fernando Campanella)
A tarde às vezes me convida
para um volteio nos campos
entre contornos de montes
ante o silêncio de uma ermida
a uma luz inclinada
por um certo sopro de outono
em transperências de azul
às vezes a tarde me quer voo
por entre as nuvens compartidas
- a tarde se esquece às vezes
louca e lindamente
que não tenho o descompromisso
das aves, que sou gente.
Fernando Campanella
(Poema dedicado à minha querida amiga Maria Madalena)
segunda-feira, 1 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
III (Março)
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segunda-feira, 8 de julho de 2013
À MESMA HORA
À mesma hora, no mesmo lugar,
eu caminhava entre árvores
e espremia nos dedos
o mudo cipreste.
Mas naquele instante
entre cúmplices imagens
(quando a sombra me tece
e o sem-fundo do lago me diz)
no frescor do mais contido sumo
cheirei a poesia, como do nada
e caminhei sobre águas –
o naufrágio por um triz.
(Fernando Campanella)
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Fernando Campanella
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
GRAVIDADES
Madrugada,
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
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Fernando Campanella
quarta-feira, 11 de julho de 2012
METÁFORA
Já não tento reter do dia
a luz que por exata concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves .
O tempo tem o galope das fúrias
ventos que jamais enternecem .
Melhor correr da memória o labirinto
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: tudo vai escapando
o que restar será na noite
a forma intáctil, o espectro redivivo .
(Mais no mundo me tardo
mais no comando de sombras me esmero .)
Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago : a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.
Fernando Campanella
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domingo, 27 de maio de 2012
''DO MUNDO''
Vão, que já não são meus
os filhos, os versos, a história.
Comigo não ficam meus passos
nem o desenho do corpo.
Vão os que do mundo vieram:
as folhas, os porres, os cansaços.
Se depositamos guirlandas e lágrimas
aos pés deste deus, nossos tesouros
já não ficam ensimesmados.
Vão, pois, esvaziem-se nossos barcos
por tamanha generosa partida.
E para tantos outros encontros
solte-se a órbita do peito no espaço.
(Fernando Campanella)
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Fernando Campanella
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
OFÍCIO
Naturezas de borboleta
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.
Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.
O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.
Também meu ofício de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada
no mais desprovido silêncio.
Fernando Campanella
Do blog do poeta.
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.
Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.
O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.
Também meu ofício de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada
no mais desprovido silêncio.
Fernando Campanella
Do blog do poeta.
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011
BEM-AVENTURANÇA
Graças, por todo pão e mistério
pela palavra soerguida
pela poesia
pela vida sobre a vida.
(Fernando Campanella)
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
EM SEDA
Por esta luz que me alumia
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
POLARIDADES

A vida?
Ora a encontro
Ora a perco
Teço e desfio
Amanheço com promessa
Pássaros
Depois anoiteço
Com desconcerto de gritos...
(Fernando Campanella, trecho do primeira poema que escrevi, em 1982.)
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
"XI"
Novembro lava a alma
e as flores do Guapuruvú
respingam na tarde.
Logo, a lua dá o ar da graça
e entre os galhos da árvore
amorosamente se enrosca.
O universo embala então a terra
e os pássaros
sonham abóbodas iluminadas.
F.Campanella
da série 'Efemérides'
Photo 'Guapuruvú' (Schizolobium parahyba)
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
"X" da série Efemérides
(Caesalpinia peltophoroides-Sibipiruna)Outubro in memoriam:
coração ebuliente de amor.
Sibipirunas então floridas
davam o tom.
Outubros,
a premência dos ciclos,
Sibipirunas em reflor.
Mas o tempo, o tempo
Vai colhendo distância
E esculpindo eternidade.
F.Campanella
Poema da série 'Efemérides'.
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
"IX"

Setembro floresce em sapucaias,
vórtice de abelha
em aroma roxo-lilás.
Logo a flor será cumbuca de fruto.
Bendito o tempo entre floração e semente,
doce a amêndoa
do beijo que eu consigo roubar.
Fernando Campanella
da série 'Efemérides'
vórtice de abelha
em aroma roxo-lilás.
Logo a flor será cumbuca de fruto.
Bendito o tempo entre floração e semente,
doce a amêndoa
do beijo que eu consigo roubar.
Fernando Campanella
da série 'Efemérides'
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
'POESIS'

A poesia é algo assim
Como uma dúbia certeza,
Aposta de um tudo
No oco intraduzível do nada,
Algo como a luz-menina dos olhos
Entreabrindo a opacidade,
Sumo delicado
Espremido de alegrias
E enfermidade,
Efemérides
E ainda um certo milagre,
Pérola pescada -
Insípida borboleta dos dias
Pela magia do verbo eterno
Encantada.
(Fernando Campanella)
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
"Cantilena"
solitário cri de um grilo
que se acasala a outros cris
e crispa de sonora eternidade
a sonolência úmida
de um jardim
Fernando Campanella
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"Selvagem"

E Deus rogou as pragas.
Braquearas
trevos
ora-pro-nobis:
após as chuvas
um sapo estufa
e a vida estica.
Um pardal corteja
a flor conspícua
da tiririca.
Fernando Campanella
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
13 de junho, Fernando Campanella.

Clique na imagem, e veja os belos poemas de Fernando Campanella, formatos pela amiga Leila Derzi, pela passagem do 'niver' do poeta.
Observações:
Uma vez aberta uma foto individual, clique no lado direito do mouse e vá a
'Go full screen' (Tela grande) para melhor visualizar o belíssimo trabalho da querida amiga.
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domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
A TARDE ÀS VEZES ME CONVIDA
(Foto by Fernando Campanella)
A tarde às vezes me convida
para um volteio nos campos
entre contornos de montes
ante o silêncio de uma ermida
a uma luz inclinada
por um certo sopro de outono
em transperências de azul
às vezes a tarde me quer voo
por entre as nuvens compartidas
- a tarde se esquece às vezes
louca e lindamente
que não tenho o descompromisso
das aves, que sou gente.
Fernando Campanella
(Poema dedicado à minha querida amiga Maria Madalena)
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segunda-feira, 1 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
III (Março)

Março abre os cômodos da casa.
Chegam formigas, pulgões, macacos
E nas embaúbas se instalam.
Preguiças úmidas prateadas
também em mim
se hospedam
em simbioses mais raras.
(F. Campanella)
Poema da série 'Efemérides
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