Seja bem-vindo. Hoje é
Mostrando postagens com marcador Fernando Campanella. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Campanella. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de julho de 2013

À MESMA HORA


À mesma hora, no mesmo lugar,
eu caminhava entre árvores
e espremia nos dedos
o mudo cipreste.
Mas naquele instante
entre cúmplices imagens
(quando a sombra me tece
e o sem-fundo do lago me diz)
no frescor do mais contido sumo
cheirei a poesia, como do nada

e caminhei sobre águas –
o naufrágio por um triz.

(Fernando Campanella)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

METÁFORA


Já não tento reter do dia
a luz que por exata concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves .
O tempo tem o galope das fúrias
ventos que jamais enternecem .
Melhor correr da memória o labirinto
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: tudo vai escapando
o que restar será na noite
a forma intáctil, o espectro redivivo .

(Mais no mundo me tardo
mais no comando de sombras me esmero .)

Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago : a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.

Fernando Campanella

domingo, 27 de maio de 2012

''DO MUNDO''


Vão, que já não são meus
os filhos, os versos, a história.

Comigo não ficam meus passos
nem o desenho do corpo.


Vão os que do mundo vieram:
as folhas, os porres, os cansaços.


Se depositamos guirlandas e lágrimas
aos pés deste deus, nossos tesouros
já não ficam ensimesmados.


Vão, pois, esvaziem-se nossos barcos
por tamanha generosa partida.


E para tantos outros encontros
solte-se a órbita do peito no espaço.

(Fernando Campanella)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

OFÍCIO

Naturezas de borboleta
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.

Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.

O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.

Também meu ofício de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada
no mais desprovido silêncio.

Fernando Campanella
Do blog do poeta.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BEM-AVENTURANÇA


Graças, por todo pão e mistério
pela palavra soerguida
pela poesia
pela vida sobre a vida.

(Fernando Campanella)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

EM SEDA

Por esta luz que me alumia
e me inventa em seda a estrada

entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada

- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -

sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.

(Fernando Campanella, 2010)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

MAIS TARDE, AINDA É MADRUGADA

os pássaros mais espertos
voltaram aos ninhos
quando viram a geada

(Fernando Campanella)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

POLARIDADES


A vida?
Ora a encontro
Ora a perco
Teço e desfio
Amanheço com promessa
Pássaros
Depois anoiteço
Com desconcerto de gritos...

(Fernando Campanella, trecho do primeira poema que escrevi, em 1982.)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"XI"


Novembro lava a alma
e as flores do Guapuruvú
respingam na tarde.
Logo, a lua dá o ar da graça
e entre os galhos da árvore
amorosamente se enrosca.
O universo embala então a terra
e os pássaros
sonham abóbodas iluminadas.


F.Campanella
da série 'Efemérides'

Photo 'Guapuruvú' (Schizolobium parahyba)
by Fernando Campanela.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"X" da série Efemérides

(Caesalpinia peltophoroides-Sibipiruna)

Outubro in memoriam:
coração ebuliente de amor.
Sibipirunas então floridas
davam o tom.

Outubros,
a premência dos ciclos,
Sibipirunas em reflor.

Mas o tempo, o tempo
Vai colhendo distância
E esculpindo eternidade.


F.Campanella
Poema da série 'Efemérides'.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"IX"


Setembro floresce em sapucaias,
vórtice de abelha
em aroma roxo-lilás.
Logo a flor será cumbuca de fruto.
Bendito o tempo entre floração e semente,
doce a amêndoa
do beijo que eu consigo roubar.


Fernando Campanella
da série 'Efemérides'

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

'POESIS'


A poesia é algo assim
Como uma dúbia certeza,
Aposta de um tudo
No oco intraduzível do nada,
Algo como a luz-menina dos olhos
Entreabrindo a opacidade,
Sumo delicado
Espremido de alegrias
E enfermidade,
Efemérides
E ainda um certo milagre,
Pérola pescada -
Insípida borboleta dos dias
Pela magia do verbo eterno
Encantada.

(Fernando Campanella)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Cantilena"


solitário cri de um grilo
que se acasala a outros cris
e crispa de sonora eternidade
a sonolência úmida
de um jardim


Fernando Campanella

"Selvagem"


E Deus rogou as pragas.
Braquearas
trevos
ora-pro-nobis:
após as chuvas
um sapo estufa
e a vida estica.

Um pardal corteja
a flor conspícua
da tiririca.


Fernando Campanella

segunda-feira, 14 de junho de 2010

13 de junho, Fernando Campanella.


Clique na imagem, e veja os belos poemas de Fernando Campanella, formatos pela amiga Leila Derzi, pela passagem do 'niver' do poeta.

Observações:
Uma vez aberta uma foto individual, clique no lado direito do mouse e vá a
'Go full screen' (Tela grande) para melhor visualizar o belíssimo trabalho da querida amiga.

domingo, 25 de abril de 2010

‘Cantiga’

(Foto by Fernando Campanella)

Te contaram que Maria era bela?
Afunda nela, afunda nela.

Te disseram que a vida era dom?
Que bom! Mas agora sente:
Nada de graça
A graça da vida consente.

Que dó!
- A vida dói, dói, João Jiló.

(F.Campanella)

sexta-feira, 19 de março de 2010

A TARDE ÀS VEZES ME CONVIDA


(Foto by Fernando Campanella)

A tarde às vezes me convida
para um volteio nos campos
entre contornos de montes
ante o silêncio de uma ermida


a uma luz inclinada
por um certo sopro de outono
em transperências de azul
às vezes a tarde me quer voo
por entre as nuvens compartidas


- a tarde se esquece às vezes
louca e lindamente
que não tenho o descompromisso
das aves, que sou gente.

Fernando Campanella

(Poema dedicado à minha querida amiga Maria Madalena)

segunda-feira, 1 de março de 2010

E-book




Cliquei na setinha para ler o livro. Dê um f11 para ficar em tela cheia.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

III (Março)



Março abre os cômodos da casa.
Chegam formigas, pulgões, macacos
E nas embaúbas se instalam.

Preguiças úmidas prateadas
também em mim
se hospedam
em simbioses mais raras.

(F. Campanella)
Poema da série 'Efemérides
Mostrando postagens com marcador Fernando Campanella. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Campanella. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de julho de 2013

À MESMA HORA


À mesma hora, no mesmo lugar,
eu caminhava entre árvores
e espremia nos dedos
o mudo cipreste.
Mas naquele instante
entre cúmplices imagens
(quando a sombra me tece
e o sem-fundo do lago me diz)
no frescor do mais contido sumo
cheirei a poesia, como do nada

e caminhei sobre águas –
o naufrágio por um triz.

(Fernando Campanella)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

METÁFORA


Já não tento reter do dia
a luz que por exata concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves .
O tempo tem o galope das fúrias
ventos que jamais enternecem .
Melhor correr da memória o labirinto
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: tudo vai escapando
o que restar será na noite
a forma intáctil, o espectro redivivo .

(Mais no mundo me tardo
mais no comando de sombras me esmero .)

Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago : a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.

Fernando Campanella

domingo, 27 de maio de 2012

''DO MUNDO''


Vão, que já não são meus
os filhos, os versos, a história.

Comigo não ficam meus passos
nem o desenho do corpo.


Vão os que do mundo vieram:
as folhas, os porres, os cansaços.


Se depositamos guirlandas e lágrimas
aos pés deste deus, nossos tesouros
já não ficam ensimesmados.


Vão, pois, esvaziem-se nossos barcos
por tamanha generosa partida.


E para tantos outros encontros
solte-se a órbita do peito no espaço.

(Fernando Campanella)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

OFÍCIO

Naturezas de borboleta
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.

Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.

O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.

Também meu ofício de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada
no mais desprovido silêncio.

Fernando Campanella
Do blog do poeta.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BEM-AVENTURANÇA


Graças, por todo pão e mistério
pela palavra soerguida
pela poesia
pela vida sobre a vida.

(Fernando Campanella)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

EM SEDA

Por esta luz que me alumia
e me inventa em seda a estrada

entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada

- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -

sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.

(Fernando Campanella, 2010)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

MAIS TARDE, AINDA É MADRUGADA

os pássaros mais espertos
voltaram aos ninhos
quando viram a geada

(Fernando Campanella)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

POLARIDADES


A vida?
Ora a encontro
Ora a perco
Teço e desfio
Amanheço com promessa
Pássaros
Depois anoiteço
Com desconcerto de gritos...

(Fernando Campanella, trecho do primeira poema que escrevi, em 1982.)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"XI"


Novembro lava a alma
e as flores do Guapuruvú
respingam na tarde.
Logo, a lua dá o ar da graça
e entre os galhos da árvore
amorosamente se enrosca.
O universo embala então a terra
e os pássaros
sonham abóbodas iluminadas.


F.Campanella
da série 'Efemérides'

Photo 'Guapuruvú' (Schizolobium parahyba)
by Fernando Campanela.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"X" da série Efemérides

(Caesalpinia peltophoroides-Sibipiruna)

Outubro in memoriam:
coração ebuliente de amor.
Sibipirunas então floridas
davam o tom.

Outubros,
a premência dos ciclos,
Sibipirunas em reflor.

Mas o tempo, o tempo
Vai colhendo distância
E esculpindo eternidade.


F.Campanella
Poema da série 'Efemérides'.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"IX"


Setembro floresce em sapucaias,
vórtice de abelha
em aroma roxo-lilás.
Logo a flor será cumbuca de fruto.
Bendito o tempo entre floração e semente,
doce a amêndoa
do beijo que eu consigo roubar.


Fernando Campanella
da série 'Efemérides'

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

'POESIS'


A poesia é algo assim
Como uma dúbia certeza,
Aposta de um tudo
No oco intraduzível do nada,
Algo como a luz-menina dos olhos
Entreabrindo a opacidade,
Sumo delicado
Espremido de alegrias
E enfermidade,
Efemérides
E ainda um certo milagre,
Pérola pescada -
Insípida borboleta dos dias
Pela magia do verbo eterno
Encantada.

(Fernando Campanella)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Cantilena"


solitário cri de um grilo
que se acasala a outros cris
e crispa de sonora eternidade
a sonolência úmida
de um jardim


Fernando Campanella

"Selvagem"


E Deus rogou as pragas.
Braquearas
trevos
ora-pro-nobis:
após as chuvas
um sapo estufa
e a vida estica.

Um pardal corteja
a flor conspícua
da tiririca.


Fernando Campanella

segunda-feira, 14 de junho de 2010

13 de junho, Fernando Campanella.


Clique na imagem, e veja os belos poemas de Fernando Campanella, formatos pela amiga Leila Derzi, pela passagem do 'niver' do poeta.

Observações:
Uma vez aberta uma foto individual, clique no lado direito do mouse e vá a
'Go full screen' (Tela grande) para melhor visualizar o belíssimo trabalho da querida amiga.

domingo, 25 de abril de 2010

‘Cantiga’

(Foto by Fernando Campanella)

Te contaram que Maria era bela?
Afunda nela, afunda nela.

Te disseram que a vida era dom?
Que bom! Mas agora sente:
Nada de graça
A graça da vida consente.

Que dó!
- A vida dói, dói, João Jiló.

(F.Campanella)

sexta-feira, 19 de março de 2010

A TARDE ÀS VEZES ME CONVIDA


(Foto by Fernando Campanella)

A tarde às vezes me convida
para um volteio nos campos
entre contornos de montes
ante o silêncio de uma ermida


a uma luz inclinada
por um certo sopro de outono
em transperências de azul
às vezes a tarde me quer voo
por entre as nuvens compartidas


- a tarde se esquece às vezes
louca e lindamente
que não tenho o descompromisso
das aves, que sou gente.

Fernando Campanella

(Poema dedicado à minha querida amiga Maria Madalena)

segunda-feira, 1 de março de 2010

E-book




Cliquei na setinha para ler o livro. Dê um f11 para ficar em tela cheia.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

III (Março)



Março abre os cômodos da casa.
Chegam formigas, pulgões, macacos
E nas embaúbas se instalam.

Preguiças úmidas prateadas
também em mim
se hospedam
em simbioses mais raras.

(F. Campanella)
Poema da série 'Efemérides