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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

''2''


A flor abriu nos caminhos do abismo.

Mãos desfeitas colheram-na
nos caminhos do abismo,
e as pétalas inocentes não murcharam.

A flor azul abriu no deserto silente.

Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.

A flor azul abriu no píncaro alto e puro.

Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.

E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,

os Poetas cantaram. . .


Tasso da Silveira
In: Puro Canto

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

'LIBERTAÇÃO'


Nossos desejos se purificaram e o nosso pensamento foi subindo, ascendendo, serenando...
Nossas paixões se altearam
como o vento, que, depois de varrer o pó do chão,
para as estrelas trêmulas se eleva,

e, mais alto que a sombra, além da treva,


fica ressoando,


longe e livre, na ignota solidão...



Tasso da Silveira


(SILVEIRA In MURICY, 1936, p. 167-168)
.

terça-feira, 13 de julho de 2010

"BALADA DE EMILY BRONTE"

(Cena do filme 'O morro dos ventos uivantes", Laurence Olivier & Merle Oberon)

No morro do Vento Uivante
o vento passa uivando, uivando ...

No Morro do Vento uivante
há um casarão sombrio
cheio de salas vazias
e corredores vazios ...
A noite toda um porta
geme agoniadamente.
Pelas vidraças partidas
silvam longos assovios,
no ar de abandono e de medo
passam bruscos arrepios ...

No Morro do Vento Uivante
o vento passa ...
Emily Bronte
não pares a história ... Conta!
conta, conta, conta, conta!
Dá-me outra vez aquele medo
que encheu minha infância morta
de sonhos e de arrepios ...

No Morro do Vento uivante ...

Depois que os anos passaram
como ficaram meus dias
vazios ... vazios ...


Tasso da Silveira
Canções a Curitiba
& outros poemas

'Wuthering Heights' ( O morro dos ventos uivantes) é um filme americano dirigido por William Wyler e lançado em 1939. Sua história é baseada na novela de mesmo nome da britânica Emily Brontë.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

22



Neste momento, meu Deus, eu só tenho em minha
alma a perplexidade infinita.
Nada mais sei de mim, nem dos outros, nem do sentido do mundo.
Foi como se tivesse caminhado distraidamente e me
perdesse dos rumos costumeiros
E de repente me encontrasse para além das
fronteiras de meu próprio destino.
Não sei se fiquei mais impuro ou mais puro.
Vejo que os que mais me amam estão me deixando caminhar sozinho.
sentindo-me, talvez, estrangeiro em meio deles.
Vejo que todos os que vinham comigo na matinal
alegria das primeiras jornadas
deixaram de deslumbrar-se com a vida.
E perderam o senso do mistério,
e passaram a estranhar os meus olhos, a minha fala, os meus gestos.
Vejo que todos subitamente serenaram
e ficaram entregues às suas quotidianas tarefas numa aceitação tranqüila,
como se tivessem todos recebido o seu quinhão
justo de amor, de beleza e de bondade,
ao passo que eu vou na mesma sede imitigada, na
mesma procura aflita de sempre.
Não sei se fiquei mais puro ou mais impuro.
Sei que estou caminhando, solitário, para além das fronteiras do meu destino.
E sinto crescer em mim
esta vontade absurda
de descansar de mim mesmo.

Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes

terça-feira, 14 de abril de 2009

OS CAVALOS DO TEMPO



Os cavalos do tempo são de vento.
Têm músculos de vento,
nervos de vento, patas de vento, crinas de vento.

Perenemente em surda galopada,
passam brancos e puros
por estradas de sonho e esquecimento.

Os cavalos do tempo vão correndo.
Vêm correndo de origens insondáveis,
e a um abismo absoluto vão rumando.

Passam puros e brancos, livres, límpidos,
no indescontínuo imemorial esforço.
Ah! são o eterno atravessando o efêmero:
levam sombras divinas sobre o dorso...


Tasso da Silveira
(Regresso à Origem, 1960)


Neste momento, meu Deus, eu só tenho em minha
alma a perplexidade infinita.
Nada mais sei de mim, nem dos outros, nem do sentido do mundo.
Foi como se tivesse caminhado distraidamente e me
perdesse dos rumos costumeiros
E de repente me encontrasse para além das
fronteiras de meu próprio destino.
Não sei se fiquei mais impuro ou mais puro.
Vejo que os que mais me amam estão me deixando caminhar sozinho.
sentindo-me, talvez, estrangeiro em meio deles.
Vejo que todos os que vinham comigo na matinal
alegria das primeiras jornadas
deixaram de deslumbrar-se com a vida.
E perderam o senso do mistério,
e passaram a estranhar os meus olhos, a minha fala, os meus gestos.
Vejo que todos subitamente serenaram
e ficaram entregues às suas quotidianas tarefas numa aceitação tranqüila,
como se tivessem todos recebido o seu quinhão
justo de amor, de beleza e de bondade,
ao passo que eu vou na mesma sede imitigada, na
mesma procura aflita de sempre.
Não sei se fiquei mais puro ou mais impuro.
Sei que estou caminhando, solitário, para além das fronteiras do meu destino.
E sinto crescer em mim
esta vontade absurda
de descansar de mim mesmo.


Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes

sábado, 4 de abril de 2009



Esta tristeza como uma ave do mar.
Vôo tão longe. Solidão tão funda.
E esta vontade impura de morrer.
O secreto desejo,
não de que o frêmito de vida
estancasse de súbito,
mas de que Deus suspendesse
o gesto criador que me faz ser.
Esta tristeza como uma ave do mar.
O vôo tão longe. E sempre o amargo mar . . .


Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

''2''


A flor abriu nos caminhos do abismo.

Mãos desfeitas colheram-na
nos caminhos do abismo,
e as pétalas inocentes não murcharam.

A flor azul abriu no deserto silente.

Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.

A flor azul abriu no píncaro alto e puro.

Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.

E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,

os Poetas cantaram. . .


Tasso da Silveira
In: Puro Canto

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

'LIBERTAÇÃO'


Nossos desejos se purificaram e o nosso pensamento foi subindo, ascendendo, serenando...
Nossas paixões se altearam
como o vento, que, depois de varrer o pó do chão,
para as estrelas trêmulas se eleva,

e, mais alto que a sombra, além da treva,


fica ressoando,


longe e livre, na ignota solidão...



Tasso da Silveira


(SILVEIRA In MURICY, 1936, p. 167-168)
.

terça-feira, 13 de julho de 2010

"BALADA DE EMILY BRONTE"

(Cena do filme 'O morro dos ventos uivantes", Laurence Olivier & Merle Oberon)

No morro do Vento Uivante
o vento passa uivando, uivando ...

No Morro do Vento uivante
há um casarão sombrio
cheio de salas vazias
e corredores vazios ...
A noite toda um porta
geme agoniadamente.
Pelas vidraças partidas
silvam longos assovios,
no ar de abandono e de medo
passam bruscos arrepios ...

No Morro do Vento Uivante
o vento passa ...
Emily Bronte
não pares a história ... Conta!
conta, conta, conta, conta!
Dá-me outra vez aquele medo
que encheu minha infância morta
de sonhos e de arrepios ...

No Morro do Vento uivante ...

Depois que os anos passaram
como ficaram meus dias
vazios ... vazios ...


Tasso da Silveira
Canções a Curitiba
& outros poemas

'Wuthering Heights' ( O morro dos ventos uivantes) é um filme americano dirigido por William Wyler e lançado em 1939. Sua história é baseada na novela de mesmo nome da britânica Emily Brontë.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

22



Neste momento, meu Deus, eu só tenho em minha
alma a perplexidade infinita.
Nada mais sei de mim, nem dos outros, nem do sentido do mundo.
Foi como se tivesse caminhado distraidamente e me
perdesse dos rumos costumeiros
E de repente me encontrasse para além das
fronteiras de meu próprio destino.
Não sei se fiquei mais impuro ou mais puro.
Vejo que os que mais me amam estão me deixando caminhar sozinho.
sentindo-me, talvez, estrangeiro em meio deles.
Vejo que todos os que vinham comigo na matinal
alegria das primeiras jornadas
deixaram de deslumbrar-se com a vida.
E perderam o senso do mistério,
e passaram a estranhar os meus olhos, a minha fala, os meus gestos.
Vejo que todos subitamente serenaram
e ficaram entregues às suas quotidianas tarefas numa aceitação tranqüila,
como se tivessem todos recebido o seu quinhão
justo de amor, de beleza e de bondade,
ao passo que eu vou na mesma sede imitigada, na
mesma procura aflita de sempre.
Não sei se fiquei mais puro ou mais impuro.
Sei que estou caminhando, solitário, para além das fronteiras do meu destino.
E sinto crescer em mim
esta vontade absurda
de descansar de mim mesmo.

Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes

terça-feira, 14 de abril de 2009

OS CAVALOS DO TEMPO



Os cavalos do tempo são de vento.
Têm músculos de vento,
nervos de vento, patas de vento, crinas de vento.

Perenemente em surda galopada,
passam brancos e puros
por estradas de sonho e esquecimento.

Os cavalos do tempo vão correndo.
Vêm correndo de origens insondáveis,
e a um abismo absoluto vão rumando.

Passam puros e brancos, livres, límpidos,
no indescontínuo imemorial esforço.
Ah! são o eterno atravessando o efêmero:
levam sombras divinas sobre o dorso...


Tasso da Silveira
(Regresso à Origem, 1960)


Neste momento, meu Deus, eu só tenho em minha
alma a perplexidade infinita.
Nada mais sei de mim, nem dos outros, nem do sentido do mundo.
Foi como se tivesse caminhado distraidamente e me
perdesse dos rumos costumeiros
E de repente me encontrasse para além das
fronteiras de meu próprio destino.
Não sei se fiquei mais impuro ou mais puro.
Vejo que os que mais me amam estão me deixando caminhar sozinho.
sentindo-me, talvez, estrangeiro em meio deles.
Vejo que todos os que vinham comigo na matinal
alegria das primeiras jornadas
deixaram de deslumbrar-se com a vida.
E perderam o senso do mistério,
e passaram a estranhar os meus olhos, a minha fala, os meus gestos.
Vejo que todos subitamente serenaram
e ficaram entregues às suas quotidianas tarefas numa aceitação tranqüila,
como se tivessem todos recebido o seu quinhão
justo de amor, de beleza e de bondade,
ao passo que eu vou na mesma sede imitigada, na
mesma procura aflita de sempre.
Não sei se fiquei mais puro ou mais impuro.
Sei que estou caminhando, solitário, para além das fronteiras do meu destino.
E sinto crescer em mim
esta vontade absurda
de descansar de mim mesmo.


Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes

sábado, 4 de abril de 2009



Esta tristeza como uma ave do mar.
Vôo tão longe. Solidão tão funda.
E esta vontade impura de morrer.
O secreto desejo,
não de que o frêmito de vida
estancasse de súbito,
mas de que Deus suspendesse
o gesto criador que me faz ser.
Esta tristeza como uma ave do mar.
O vôo tão longe. E sempre o amargo mar . . .


Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes