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terça-feira, 11 de maio de 2010

A ALEGRIA DE VIVER


Para a alegria de viver nada nos falta:
Sol, natureza clara e sinos a tocar,
Nuvens imateriais na montanha mais alta,
Ondas desenrolando a planura do mar;

O céu tranqüilo e azul que a madrugada esmalta,
O alvoroço de amor dos ninhos soltos no ar.
E a água que da montanha entre begônias salta
E, em cambiantes de luz, forma um riacho a cantar.

O vento que sussurra, o silencio que espreita,
Vôos de pombas numa apoteose de penas,
Tudo em torno de nós é tão puro e tão bom,

Que a criatura feliz, em divina colheita,
Enche as mãos sem querer. . . (como as mãos são pequenas!)
De perfume, de sol, de cor, de luz, de som.

Olegário Mariano
In: Toda Uma Vida de Poesia

MENSAGEM


Na última nuvem, quando morre o dia,
mando-te um sopro do meu pensamento
e vou seguindo a nuvem fugidia
nas linhas curvas do seu movimento.

Cai a noite e com ela mais se amplia
o horror deste infinito isolamento
o vento grita pela noite fria
mas nada exprime a longa voz do vento.

Nada dizem as folhas da ramada
não mais me encanta o eterno gorgolejo
da água que corre... A noite não diz nada.

Surge uma estrela e eu sinto, ao surpreendê-la
que mandas a mensagem do teu beijo
nessa pequena e solitária estrela.

Olegário Mariano


*OLEGÁRIO MARIANO CARNEIRO DA CUNHA
Nasceu em Recife, PE, em 24 de março de 1889,
e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de 1958.
Poeta ,político e diplomata pernambucano.Brasil.Pertencia a ABL.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

EVANGELHO DA SOMBRA E DO SILÊNCIO


("Rainy Day" by Alexander Volkov)


O silêncio das Coisas me comove;
Sinto-o, principalmente quando chove.

Que sonolência enerva as almas... Que apatia...
Que saudade da vida e da alegria!

Que saudade de tudo que ama e existe!
Como me encanta a natureza triste!

Olho através dos vidros da janela:
A paisagem desfaz-se em folhas amarelas...

Ver árvores é um grande lenitivo
Para a estesia de um contemplativo.

Ver árvores é ouvir sentidas trovas,
Vossas cantigas, raparigas novas!

Que lindo verde, em nuanças meio incertas,
Margeando, lado a lado, as estradas desertas!

As árvores dos parques e das praças
Bebem silêncio pelas folhas que são taças...

Só parece que a sombra em redor se avoluma
E cresce e desenrola o amplo manto de bruma.

É tudo calma. Em torno à minha casa
Não se escuta sequer um ruflo de asa.

Somente a água que vem da montanha, sonora,
Canta tão triste que não canta, chora.

E some-se, rezando a estranha reza
Da livre religião da natureza,

Ave, Sombra! Eu venero a tua imagem
E amo o silêncio verde da paisagem!...



Olegário Marianno
Toda uma Vida de Poesia – 1.957 –
(1889-1958- Recife)
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terça-feira, 11 de maio de 2010

A ALEGRIA DE VIVER


Para a alegria de viver nada nos falta:
Sol, natureza clara e sinos a tocar,
Nuvens imateriais na montanha mais alta,
Ondas desenrolando a planura do mar;

O céu tranqüilo e azul que a madrugada esmalta,
O alvoroço de amor dos ninhos soltos no ar.
E a água que da montanha entre begônias salta
E, em cambiantes de luz, forma um riacho a cantar.

O vento que sussurra, o silencio que espreita,
Vôos de pombas numa apoteose de penas,
Tudo em torno de nós é tão puro e tão bom,

Que a criatura feliz, em divina colheita,
Enche as mãos sem querer. . . (como as mãos são pequenas!)
De perfume, de sol, de cor, de luz, de som.

Olegário Mariano
In: Toda Uma Vida de Poesia

MENSAGEM


Na última nuvem, quando morre o dia,
mando-te um sopro do meu pensamento
e vou seguindo a nuvem fugidia
nas linhas curvas do seu movimento.

Cai a noite e com ela mais se amplia
o horror deste infinito isolamento
o vento grita pela noite fria
mas nada exprime a longa voz do vento.

Nada dizem as folhas da ramada
não mais me encanta o eterno gorgolejo
da água que corre... A noite não diz nada.

Surge uma estrela e eu sinto, ao surpreendê-la
que mandas a mensagem do teu beijo
nessa pequena e solitária estrela.

Olegário Mariano


*OLEGÁRIO MARIANO CARNEIRO DA CUNHA
Nasceu em Recife, PE, em 24 de março de 1889,
e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de 1958.
Poeta ,político e diplomata pernambucano.Brasil.Pertencia a ABL.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

EVANGELHO DA SOMBRA E DO SILÊNCIO


("Rainy Day" by Alexander Volkov)


O silêncio das Coisas me comove;
Sinto-o, principalmente quando chove.

Que sonolência enerva as almas... Que apatia...
Que saudade da vida e da alegria!

Que saudade de tudo que ama e existe!
Como me encanta a natureza triste!

Olho através dos vidros da janela:
A paisagem desfaz-se em folhas amarelas...

Ver árvores é um grande lenitivo
Para a estesia de um contemplativo.

Ver árvores é ouvir sentidas trovas,
Vossas cantigas, raparigas novas!

Que lindo verde, em nuanças meio incertas,
Margeando, lado a lado, as estradas desertas!

As árvores dos parques e das praças
Bebem silêncio pelas folhas que são taças...

Só parece que a sombra em redor se avoluma
E cresce e desenrola o amplo manto de bruma.

É tudo calma. Em torno à minha casa
Não se escuta sequer um ruflo de asa.

Somente a água que vem da montanha, sonora,
Canta tão triste que não canta, chora.

E some-se, rezando a estranha reza
Da livre religião da natureza,

Ave, Sombra! Eu venero a tua imagem
E amo o silêncio verde da paisagem!...



Olegário Marianno
Toda uma Vida de Poesia – 1.957 –
(1889-1958- Recife)