Cruz Machado (PR), em 12 de outubro de 1912, e faleceu em Curitiba (PR), em 15 de fevereiro de 2004.
Seja bem-vindo. Hoje é
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Homenagem a grande poetisa Helena Kolody, pela passagem do centenário de seu nascimento.
''Crepúsculo de Abril''
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
GRAVIDADES
Madrugada,
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
''2''
A flor abriu nos caminhos do abismo.
Mãos desfeitas colheram-na
nos caminhos do abismo,
e as pétalas inocentes não murcharam.
A flor azul abriu no deserto silente.
Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.
A flor azul abriu no píncaro alto e puro.
Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.
E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,
os Poetas cantaram. . .
Tasso da Silveira
In: Puro Canto
e as pétalas inocentes não murcharam.
A flor azul abriu no deserto silente.
Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.
A flor azul abriu no píncaro alto e puro.
Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.
E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,
os Poetas cantaram. . .
Tasso da Silveira
In: Puro Canto
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
'LIBERTAÇÃO'
Nossos desejos se purificaram e o nosso pensamento foi subindo, ascendendo, serenando...
Nossas paixões se altearam
como o vento, que, depois de varrer o pó do chão,
para as estrelas trêmulas se eleva,
e, mais alto que a sombra, além da treva,
fica ressoando,
longe e livre, na ignota solidão...
Tasso da Silveira
(SILVEIRA In MURICY, 1936, p. 167-168)
.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
"O Vento e Eu"
O vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia...
Tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso,
me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!
Mário Quintana
sábado, 15 de setembro de 2012
"As horas desfeitas"
Das horas, que é feito,
que é feito do encanto
da musica dos dias
do teu canto
de puras harmonias?
Longe de nós o pranto
o peito não nos vinha
triste magoar.
Rumoroso era o espanto
que sentíamos de amar.
De amarmo-nos sem cessar.
Das horas, que é feito?
Hoje tudo desfeito
foi-se em fumo e vento e sombra
e turvo mar.
Natal, RN, 03/06/1984.
Luiz Rabelo
In: Poemas
que é feito do encanto
da musica dos dias
do teu canto
de puras harmonias?
Longe de nós o pranto
o peito não nos vinha
triste magoar.
Rumoroso era o espanto
que sentíamos de amar.
De amarmo-nos sem cessar.
Das horas, que é feito?
Hoje tudo desfeito
foi-se em fumo e vento e sombra
e turvo mar.
Natal, RN, 03/06/1984.
Luiz Rabelo
In: Poemas
"POESIA"
Tudo, para ser poesia,
precisa de sentimento,
ser pensamento que cria,
indo além do pensamento.
Ser força que se irradia,
ser ideia e sofrimento,
ser contrario à noite e ao dia,
ser igual ao som do vento.
Ser o chão, ser a escalada,
ser a essência do lamento
uma dor que do alto cai...
Ser tudo não sendo nada,
nada mais que o desalento
de um soluço que se esvai...
Natal, RN, 16/07/1986
Luiz Rabelo
In: Poemas
terça-feira, 21 de agosto de 2012
UM POEMA DENISON MENDES
A palavra bebeu demais, doces licores, perdeu o sentido, fez um striptease. Mais tarde, envergonhada, não soube o que dizer.
Denison Mendes
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
"A NOITE"
Um vento fresco e suave entre os pinhais murmura;
A Noite, aos ombros solta a desgrenhada coma,
No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma ...
Tornam-se o campo e o céu de uma cor mais escura.
Um novo aspecto em tudo. um novo e bom aroma
De látiros exala a amplíssima verdura.
Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura
Doce, entreabrindo a flor dos negros lábios, toma ...
Por vales e rechãs caminha, passo a passo,
Atento o ouvido, à escuta ... E no seu plaustro enorme
Cujo rumor desperta a placidez do espaço,
À encantada região das estrelas se eleva ...
E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme,
Volve, quieta, de novo, à habitação da treva.
Francisca Júlia
in Poesias
''HORAS INTERMINÁVEIS''
. . . sem consciência de poemas com janelas
de arvores que lhes arrancaram seus frutos
de flor que mentiu sua cor
de rio que perdeu seu curso sem avisos
de vozes que se sufocaram na choupana dos deuses
de exércitos que se perderam sem fronteiras de vitórias
de crucificações nas almas já sepultadas
de paredes a amordaçarem esperanças-verdes
de queixas sobre versos não falantes dos infinitos buscas.
de todas as horas sem inteligência
para dizerem da religião dos afogados
dos afogados sem amor.
de todas as horas
a clamarem pelo universo de todos os tristes
quando desejam
comungar intenções Deus.
Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo
terça-feira, 31 de julho de 2012
'VIDA, VIDA'
(Tela de Alessandra Placucci)
A vida
está
na pétala
colorida,
da flor,
no sorriso
ingênuo
das crianças
que brincam,
correm,
pulam,
nos passantes
que andam
lá fora,
no homem
que trabalha
arduamente
para
o sustento
do lar,
no rosto
cansado
das pessoas
que carregam
o peso
do sofrimento,
e,
sobretudo,
no AMOR!
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
A vida
está
na pétala
colorida,
da flor,
no sorriso
ingênuo
das crianças
que brincam,
correm,
pulam,
nos passantes
que andam
lá fora,
no homem
que trabalha
arduamente
para
o sustento
do lar,
no rosto
cansado
das pessoas
que carregam
o peso
do sofrimento,
e,
sobretudo,
no AMOR!
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
'ESPELHOS'
Bendito amor! Jardim, pomar, eden, garimpo,
de nossa vida, irmã!
Oh! cada qual de nós é um cristal limpo
que espelha um outro, irmã!
Claros espelhos frente a frente duplicando
a luz de uma feérica manhã -
as almas vão o amor recíproco aumentando.
É assim que fulge - é assim que cresce o lume brando
do sonho nosso, irmã!
Murilo Araujo,
in "Carrilhões" (1917)
terça-feira, 24 de julho de 2012
'MOMENTO'
Oh! A resignação das coisas paradas,
grávidas de silencio, reverentes,
em sua geometria sem jactância!
A placidez das ruas acolchoadas
contra a dura cintilação do dia;
o recato das arvores, a prece
das esquadrias de alumínio ionizado
na fachada do edifício em frente!
Todas as coisas – em clausura – cumprem votos,
enquanto a vã filosofia do século
pensa que move o mundo.
Rio, 9/9/87
Hélio Pellegrino
In: Minérios Domados
''Para nada''
Estou de passagem:
olho a vida de uma janela
que amanhã estará fechada.
Não sabemos para que.
Talvez também
para nada.
Natal, RN, 22/06/1986
Luiz Rabelo
In: Poemas
Assinar:
Postagens (Atom)
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Homenagem a grande poetisa Helena Kolody, pela passagem do centenário de seu nascimento.
''Crepúsculo de Abril''
Cruz Machado (PR), em 12 de outubro de 1912, e faleceu em Curitiba (PR), em 15 de fevereiro de 2004.
Marcadores:
Helena Kolody
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
GRAVIDADES
Madrugada,
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
três vezes canta ainda o galo
em sua órbita assinalado.
Espio o turbilhão de estrelas
revolvendo ao vasto da noite,
três vezes, em silêncio,
ainda àquela porta eu bato
e não me atende o coração
do recolhimento indevassável.
Quantas almas e o assombro de um deus
não terão assim por um instante
se entreolhado!
(Fernando Campanella)
Marcadores:
Fernando Campanella
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
''2''
A flor abriu nos caminhos do abismo.
Mãos desfeitas colheram-na
nos caminhos do abismo,
e as pétalas inocentes não murcharam.
A flor azul abriu no deserto silente.
Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.
A flor azul abriu no píncaro alto e puro.
Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.
E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,
os Poetas cantaram. . .
Tasso da Silveira
In: Puro Canto
e as pétalas inocentes não murcharam.
A flor azul abriu no deserto silente.
Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.
A flor azul abriu no píncaro alto e puro.
Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.
E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,
os Poetas cantaram. . .
Tasso da Silveira
In: Puro Canto
Marcadores:
Tasso da Silveira
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
'LIBERTAÇÃO'
Nossos desejos se purificaram e o nosso pensamento foi subindo, ascendendo, serenando...
Nossas paixões se altearam
como o vento, que, depois de varrer o pó do chão,
para as estrelas trêmulas se eleva,
e, mais alto que a sombra, além da treva,
fica ressoando,
longe e livre, na ignota solidão...
Tasso da Silveira
(SILVEIRA In MURICY, 1936, p. 167-168)
.
Marcadores:
Tasso da Silveira
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
"O Vento e Eu"
O vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia...
Tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso,
me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!
Mário Quintana
Marcadores:
Mário Quintana
sábado, 15 de setembro de 2012
"As horas desfeitas"
Das horas, que é feito,
que é feito do encanto
da musica dos dias
do teu canto
de puras harmonias?
Longe de nós o pranto
o peito não nos vinha
triste magoar.
Rumoroso era o espanto
que sentíamos de amar.
De amarmo-nos sem cessar.
Das horas, que é feito?
Hoje tudo desfeito
foi-se em fumo e vento e sombra
e turvo mar.
Natal, RN, 03/06/1984.
Luiz Rabelo
In: Poemas
que é feito do encanto
da musica dos dias
do teu canto
de puras harmonias?
Longe de nós o pranto
o peito não nos vinha
triste magoar.
Rumoroso era o espanto
que sentíamos de amar.
De amarmo-nos sem cessar.
Das horas, que é feito?
Hoje tudo desfeito
foi-se em fumo e vento e sombra
e turvo mar.
Natal, RN, 03/06/1984.
Luiz Rabelo
In: Poemas
Marcadores:
Luiz Rabelo
"POESIA"
Tudo, para ser poesia,
precisa de sentimento,
ser pensamento que cria,
indo além do pensamento.
Ser força que se irradia,
ser ideia e sofrimento,
ser contrario à noite e ao dia,
ser igual ao som do vento.
Ser o chão, ser a escalada,
ser a essência do lamento
uma dor que do alto cai...
Ser tudo não sendo nada,
nada mais que o desalento
de um soluço que se esvai...
Natal, RN, 16/07/1986
Luiz Rabelo
In: Poemas
Marcadores:
Luiz Rabelo
terça-feira, 21 de agosto de 2012
UM POEMA DENISON MENDES
A palavra bebeu demais, doces licores, perdeu o sentido, fez um striptease. Mais tarde, envergonhada, não soube o que dizer.
Denison Mendes
Marcadores:
Denison Mendes
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
"A NOITE"
Um vento fresco e suave entre os pinhais murmura;
A Noite, aos ombros solta a desgrenhada coma,
No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma ...
Tornam-se o campo e o céu de uma cor mais escura.
Um novo aspecto em tudo. um novo e bom aroma
De látiros exala a amplíssima verdura.
Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura
Doce, entreabrindo a flor dos negros lábios, toma ...
Por vales e rechãs caminha, passo a passo,
Atento o ouvido, à escuta ... E no seu plaustro enorme
Cujo rumor desperta a placidez do espaço,
À encantada região das estrelas se eleva ...
E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme,
Volve, quieta, de novo, à habitação da treva.
Francisca Júlia
in Poesias
Marcadores:
Francisca Júlia
''HORAS INTERMINÁVEIS''
. . . sem consciência de poemas com janelas
de arvores que lhes arrancaram seus frutos
de flor que mentiu sua cor
de rio que perdeu seu curso sem avisos
de vozes que se sufocaram na choupana dos deuses
de exércitos que se perderam sem fronteiras de vitórias
de crucificações nas almas já sepultadas
de paredes a amordaçarem esperanças-verdes
de queixas sobre versos não falantes dos infinitos buscas.
de todas as horas sem inteligência
para dizerem da religião dos afogados
dos afogados sem amor.
de todas as horas
a clamarem pelo universo de todos os tristes
quando desejam
comungar intenções Deus.
Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo
Marcadores:
Alvina Nunes Tzovenos
terça-feira, 31 de julho de 2012
'VIDA, VIDA'
(Tela de Alessandra Placucci)
A vida
está
na pétala
colorida,
da flor,
no sorriso
ingênuo
das crianças
que brincam,
correm,
pulam,
nos passantes
que andam
lá fora,
no homem
que trabalha
arduamente
para
o sustento
do lar,
no rosto
cansado
das pessoas
que carregam
o peso
do sofrimento,
e,
sobretudo,
no AMOR!
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
A vida
está
na pétala
colorida,
da flor,
no sorriso
ingênuo
das crianças
que brincam,
correm,
pulam,
nos passantes
que andam
lá fora,
no homem
que trabalha
arduamente
para
o sustento
do lar,
no rosto
cansado
das pessoas
que carregam
o peso
do sofrimento,
e,
sobretudo,
no AMOR!
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
Marcadores:
Delores Pires
'ESPELHOS'
Bendito amor! Jardim, pomar, eden, garimpo,
de nossa vida, irmã!
Oh! cada qual de nós é um cristal limpo
que espelha um outro, irmã!
Claros espelhos frente a frente duplicando
a luz de uma feérica manhã -
as almas vão o amor recíproco aumentando.
É assim que fulge - é assim que cresce o lume brando
do sonho nosso, irmã!
Murilo Araujo,
in "Carrilhões" (1917)
Marcadores:
Murilo Araújo
terça-feira, 24 de julho de 2012
'MOMENTO'
Oh! A resignação das coisas paradas,
grávidas de silencio, reverentes,
em sua geometria sem jactância!
A placidez das ruas acolchoadas
contra a dura cintilação do dia;
o recato das arvores, a prece
das esquadrias de alumínio ionizado
na fachada do edifício em frente!
Todas as coisas – em clausura – cumprem votos,
enquanto a vã filosofia do século
pensa que move o mundo.
Rio, 9/9/87
Hélio Pellegrino
In: Minérios Domados
Marcadores:
Hélio Pellegrino
''Para nada''
Estou de passagem:
olho a vida de uma janela
que amanhã estará fechada.
Não sabemos para que.
Talvez também
para nada.
Natal, RN, 22/06/1986
Luiz Rabelo
In: Poemas
Marcadores:
Luiz Rabelo
Assinar:
Postagens (Atom)













