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segunda-feira, 29 de junho de 2009

BRISA DO TEMPO



Primeiro era um banco
Frente ao mar calmo.
Sentados nele, calmos,
Dois marinheiros,
Que dividiam a mesma alma,
Falavam de amores passados
Que nunca passaram.

O mais velho tinha um porto em cada amor,
O mais moço tinha um amor em cada porto.

Havia neles uma solidão
Que o mar não continha.

No dia seguinte era um banco
Impregnado de vazios,
E um navio à procura de um porto
Que pudesse lhes conter a alma.


Oswaldo Antônio Begiato

domingo, 28 de junho de 2009



nas linhas da vida,
o tempo da morte!
soluços, lágrimas...
restos de amor...

na manhã de dor
de tudo o fim
o fim da esperança:
- retalhos do adeus.

no chão orvalhado
de dor e de pranto,
do triste caminho,

o fim da estrada!
consumado o fato:
agora... a saudade!


Regina Helena

IDÍLIO QUASE ESQUECIDO



Na paisagem me esqueci,
além do florido muro;
o sonho era muito branco,
mas o destino era escuro...
Resta a memória apagada
do mundo em que me procuro:

eis as rosas que componho
- rosas que plantei nos olhos,
rosas que colhi no sonho.

Decifro o mural da noite
no luar marmorizado
- entre o milagre das rosas
e o branco mel entornado
sobre o tapete do sono:

eis as rosas que componho
- rosas que plantei nos olhos,
rosas que colhi no sonho.


Colombo de Sousa
em O Anúncio do Acontecido

O MURO



Resiste o velho paredão em ruínas,
já não é coisa, é uma lembrança
persistente e negra,
que a hera aperta em seu manto de esperança.


Mas se a planta tivesse coração,
e se abraçasse só por amizade,
largaria os tijolos . . . de piedade
abriria os seus ramos pelo chão.


Miguel Reale
In: Poemas do Amor e do Tempo

Simbólica



Minhas palavras
são simbolismos
perdidos em pensamentos afoitos

Meus sonhos não são inteiros
se não tenho em mim
a tua imagem insegura

Adivinho a linguagem insana
deixando escrever a seiva que luta.
falseada por não ficar inteira
iludida, por não significar um tudo.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 27/06/09
Código do Texto: T1671285

COMPLEXIDADE



A palavra que transcende sentimentos
é mais precisa e veloz
que o amor e a dor

Escrevo com a voz calada
versos de poemas
do amanhã que nunca chega
opostos ao tempo
de momentos eternos

Indago a complexidade
do entender da vida,
como se a dúvida
fosse a convicção,
pouco importando
se dela me ausento
pela vertente da ilusão

Conceição Bentes
25/06/09

PASTOREIO



Sou a pastora de mil andorinhas,
aves perdidas em teu denso olhar;
quero poupá-las de ilusões daninhas,
mas elas voam... E te vão buscar.

Tão delicadas, frágeis, pequeninhas...
Tão fascinadas pelo teu mirar...
Sonhos que anseiam ser as entrelinhas
do amor suposto no teu versejar.

E eu pastoreio, busco-as, noite e dia...
Mas são reféns da etérea melodia,
do encantamento, vindo do teu ser.

Asas abertas, alma entregue, inteira...
Seguem viagem, que sei derradeira...
Pois em tuas mãos, irão morrer... Morrer...


- Patricia Neme-

sábado, 27 de junho de 2009

'Requiescat'



De meu mar, ofereço-te as ondas
e as praias que poéticas conchas te trazem.
Tais suaves mistérios te concedo, mais as algas
e as gaivotas que bicam tecidos de luz na tarde.
Povoados de ti, de mim,
os barcos que chegam e ardem.
Adere-te, pois, ao sal que a mim te chama,
cobre teus pés em espuma e encanto,
molha teu rosto
nas claras águas que o dia me abre.

(Sosseguem , minhas dorsais,
descanse, meu leviatã escuso).


(Fernando Campanella)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

REFABULANDO



Estas cigarras toantes
flutuam na sã inconsciência
de um sono. Estas belezas
-não as perturbes, não as toques -
crepitam em líquidas texturas
de sonho.

Mas se buscares que despertem
afina os ouvidos, achega-te,
imperceptível, leve, e mais leve
e como elas, enquanto verão,
arde então, e canta.

(Fernando Campanella)

AGORA



Ó felicidade de ser nesta hora fixa
a luminosa forma de um sonho;
talvez a vida, quem sabe, não passasse
desse esquecimento e dessa ausência de luta.

Eu sei, a luz nunca demora.
Há um estágio marcado para as festas.
Mas se ainda me vejo capaz dessa ambição,
que importa, o que é, que importa,
se efêmero sou mais forte
do que tudo o que eterno é sempre em mim?


Lúcio Cardoso
em Poemas Inéditos

CRISTAL



Cultivo a minha rosa no mais puro
cristal, mas uma febre me rói pétala
a pétala com uma fome louca
e da flor resta a jarra solitária.

Um cavalo galopa no meu peito,
com seus cascos de fogo me transporta
ao delírio, à neblina da memória.
Tenho uma cruz na boca, tenho terra

nos olhos e uma noite me solapa
cruel, sorrindo escárnio e pus e campa.
Leva-me a insânia numa sem regresso

viagem pelos pântanos escuros
da alma em sua procura esconsa e azeite
e sei quem sou na forma do poema.


José Carlos Brandão

Poesia



Com a inquietação de toda a vida que se aproxima
Desce também sobre mim o destino implacável como a noite
Colhendo tudo de surpresa, chegando de cima.
O vento joga no meu rosto as sombras das vozes passadas,
Os ruídos eternos, o eco dos inextinguíveis silêncios
Nascidos das confissões estancadas.
Vazios e inúteis como as vigílias sem cansaço
São meus pedidos de auxilio para uma germinação estranha de ímpetos
Que correm para mim, semeados no espaço.
Meus sentidos se prolongam na agonia da tarde
Procurando encontrar na treva da noite
O fim misterioso e sem alarde.
Minha existência é o ultimo pensamento no estertor do suicida
Que abraça a morte
Esperançoso de vida.



Adalgisa Nery
In: Mundos Oscilantes

VÔO...



Os passos da noite...
Deixam rastros nos desvãos de minha alma,
despertando consteladas esperanças em minha solidão.
Os passos da noite,
macios, etéreos,
em cálidas fragrâncias embebidos,
me pensam alvoradas de desejos do amanhã.
E uma ilusão enluarada me abrasa,
me veste com asas de vontade renascida.
Porém eu não sei o destino do vôo.

- Patricia Neme –

Transições



Mastigando raízes de eternidade
adentro-me pelas colinas dos céus
onde Deus é meu relógio.

E buscando sabedoria
não me torno deserto e nem ausência.

Recolho em minha solidão
muralhas de calmaria
sem gemido de dor ou morte.

Em meus redemoinhos
viajo entre cansaços de séculos
adornada de crisântemos amarelos.

Em minha ausente juventude
não há abismos em voragem.
Trigo, fonte e pombas
ornamentam minhas varandas.

A noite ajoelhada soluça
em seu tapete entre velas.
O tempo que é túnel
fala das estações
derramando chuva de invernos
até às eternidades.


Avina Nunes Tzovenos

CONCISA


(Daniel Gerhartz)

Olhos que passam sem ver
vidas que morrem pra renascer
vivem sortilégios da verdade
que valseiam nos ares
iluminando "luares"

Pelas esquinas do mundo
em cada piso, em cada chão
levam rostos perdidos
marcados na contradição

Do romantismo saudoso
passo a pensar e viver,
um estado libertário
dispersivo e pesaroso,
esse é meu novo proceder



Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 24/06/09
Código do Texto: T1665656

segunda-feira, 29 de junho de 2009

BRISA DO TEMPO



Primeiro era um banco
Frente ao mar calmo.
Sentados nele, calmos,
Dois marinheiros,
Que dividiam a mesma alma,
Falavam de amores passados
Que nunca passaram.

O mais velho tinha um porto em cada amor,
O mais moço tinha um amor em cada porto.

Havia neles uma solidão
Que o mar não continha.

No dia seguinte era um banco
Impregnado de vazios,
E um navio à procura de um porto
Que pudesse lhes conter a alma.


Oswaldo Antônio Begiato

domingo, 28 de junho de 2009



nas linhas da vida,
o tempo da morte!
soluços, lágrimas...
restos de amor...

na manhã de dor
de tudo o fim
o fim da esperança:
- retalhos do adeus.

no chão orvalhado
de dor e de pranto,
do triste caminho,

o fim da estrada!
consumado o fato:
agora... a saudade!


Regina Helena

IDÍLIO QUASE ESQUECIDO



Na paisagem me esqueci,
além do florido muro;
o sonho era muito branco,
mas o destino era escuro...
Resta a memória apagada
do mundo em que me procuro:

eis as rosas que componho
- rosas que plantei nos olhos,
rosas que colhi no sonho.

Decifro o mural da noite
no luar marmorizado
- entre o milagre das rosas
e o branco mel entornado
sobre o tapete do sono:

eis as rosas que componho
- rosas que plantei nos olhos,
rosas que colhi no sonho.


Colombo de Sousa
em O Anúncio do Acontecido

O MURO



Resiste o velho paredão em ruínas,
já não é coisa, é uma lembrança
persistente e negra,
que a hera aperta em seu manto de esperança.


Mas se a planta tivesse coração,
e se abraçasse só por amizade,
largaria os tijolos . . . de piedade
abriria os seus ramos pelo chão.


Miguel Reale
In: Poemas do Amor e do Tempo

Simbólica



Minhas palavras
são simbolismos
perdidos em pensamentos afoitos

Meus sonhos não são inteiros
se não tenho em mim
a tua imagem insegura

Adivinho a linguagem insana
deixando escrever a seiva que luta.
falseada por não ficar inteira
iludida, por não significar um tudo.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 27/06/09
Código do Texto: T1671285

COMPLEXIDADE



A palavra que transcende sentimentos
é mais precisa e veloz
que o amor e a dor

Escrevo com a voz calada
versos de poemas
do amanhã que nunca chega
opostos ao tempo
de momentos eternos

Indago a complexidade
do entender da vida,
como se a dúvida
fosse a convicção,
pouco importando
se dela me ausento
pela vertente da ilusão

Conceição Bentes
25/06/09

PASTOREIO



Sou a pastora de mil andorinhas,
aves perdidas em teu denso olhar;
quero poupá-las de ilusões daninhas,
mas elas voam... E te vão buscar.

Tão delicadas, frágeis, pequeninhas...
Tão fascinadas pelo teu mirar...
Sonhos que anseiam ser as entrelinhas
do amor suposto no teu versejar.

E eu pastoreio, busco-as, noite e dia...
Mas são reféns da etérea melodia,
do encantamento, vindo do teu ser.

Asas abertas, alma entregue, inteira...
Seguem viagem, que sei derradeira...
Pois em tuas mãos, irão morrer... Morrer...


- Patricia Neme-

sábado, 27 de junho de 2009

'Requiescat'



De meu mar, ofereço-te as ondas
e as praias que poéticas conchas te trazem.
Tais suaves mistérios te concedo, mais as algas
e as gaivotas que bicam tecidos de luz na tarde.
Povoados de ti, de mim,
os barcos que chegam e ardem.
Adere-te, pois, ao sal que a mim te chama,
cobre teus pés em espuma e encanto,
molha teu rosto
nas claras águas que o dia me abre.

(Sosseguem , minhas dorsais,
descanse, meu leviatã escuso).


(Fernando Campanella)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

REFABULANDO



Estas cigarras toantes
flutuam na sã inconsciência
de um sono. Estas belezas
-não as perturbes, não as toques -
crepitam em líquidas texturas
de sonho.

Mas se buscares que despertem
afina os ouvidos, achega-te,
imperceptível, leve, e mais leve
e como elas, enquanto verão,
arde então, e canta.

(Fernando Campanella)

AGORA



Ó felicidade de ser nesta hora fixa
a luminosa forma de um sonho;
talvez a vida, quem sabe, não passasse
desse esquecimento e dessa ausência de luta.

Eu sei, a luz nunca demora.
Há um estágio marcado para as festas.
Mas se ainda me vejo capaz dessa ambição,
que importa, o que é, que importa,
se efêmero sou mais forte
do que tudo o que eterno é sempre em mim?


Lúcio Cardoso
em Poemas Inéditos

CRISTAL



Cultivo a minha rosa no mais puro
cristal, mas uma febre me rói pétala
a pétala com uma fome louca
e da flor resta a jarra solitária.

Um cavalo galopa no meu peito,
com seus cascos de fogo me transporta
ao delírio, à neblina da memória.
Tenho uma cruz na boca, tenho terra

nos olhos e uma noite me solapa
cruel, sorrindo escárnio e pus e campa.
Leva-me a insânia numa sem regresso

viagem pelos pântanos escuros
da alma em sua procura esconsa e azeite
e sei quem sou na forma do poema.


José Carlos Brandão

Poesia



Com a inquietação de toda a vida que se aproxima
Desce também sobre mim o destino implacável como a noite
Colhendo tudo de surpresa, chegando de cima.
O vento joga no meu rosto as sombras das vozes passadas,
Os ruídos eternos, o eco dos inextinguíveis silêncios
Nascidos das confissões estancadas.
Vazios e inúteis como as vigílias sem cansaço
São meus pedidos de auxilio para uma germinação estranha de ímpetos
Que correm para mim, semeados no espaço.
Meus sentidos se prolongam na agonia da tarde
Procurando encontrar na treva da noite
O fim misterioso e sem alarde.
Minha existência é o ultimo pensamento no estertor do suicida
Que abraça a morte
Esperançoso de vida.



Adalgisa Nery
In: Mundos Oscilantes

VÔO...



Os passos da noite...
Deixam rastros nos desvãos de minha alma,
despertando consteladas esperanças em minha solidão.
Os passos da noite,
macios, etéreos,
em cálidas fragrâncias embebidos,
me pensam alvoradas de desejos do amanhã.
E uma ilusão enluarada me abrasa,
me veste com asas de vontade renascida.
Porém eu não sei o destino do vôo.

- Patricia Neme –

Transições



Mastigando raízes de eternidade
adentro-me pelas colinas dos céus
onde Deus é meu relógio.

E buscando sabedoria
não me torno deserto e nem ausência.

Recolho em minha solidão
muralhas de calmaria
sem gemido de dor ou morte.

Em meus redemoinhos
viajo entre cansaços de séculos
adornada de crisântemos amarelos.

Em minha ausente juventude
não há abismos em voragem.
Trigo, fonte e pombas
ornamentam minhas varandas.

A noite ajoelhada soluça
em seu tapete entre velas.
O tempo que é túnel
fala das estações
derramando chuva de invernos
até às eternidades.


Avina Nunes Tzovenos

CONCISA


(Daniel Gerhartz)

Olhos que passam sem ver
vidas que morrem pra renascer
vivem sortilégios da verdade
que valseiam nos ares
iluminando "luares"

Pelas esquinas do mundo
em cada piso, em cada chão
levam rostos perdidos
marcados na contradição

Do romantismo saudoso
passo a pensar e viver,
um estado libertário
dispersivo e pesaroso,
esse é meu novo proceder



Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 24/06/09
Código do Texto: T1665656