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sábado, 17 de janeiro de 2009

'TERCEIRA ROSA DE SAROM'



É doce quanto o sonho de ser procurado
meu sonho mesmo tardo de te procurar.
É eterno como o fado de ser encontrado
sob o peso do fardo de não te encontrar.

O evangelho das rosas me traz revelado
que o mistério do amor é o único pomar
onde uma lágrima é um fruto maturado
que flui da alma da saudade de te amar.

Meu coração ainda é recâmara de amor
e tâmaras entre os racimos de ternuras
que te ofereço pelo amor além do mito.

Ô, toda rosa amada! aflito é o desamor
que não revive de saber das amarguras
que o limite da minha rosa é o infinito...


Afonso Estebanez

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


Formatação:
Valkiria Cordeiro &
Regina Helena

'POTE DE VIDRO'



Tudo o que eu queria,
nas minhas infindáveis horas de desamparo,
era a companhia de um pote de vidro gordo e redondo
cheio de gomas coloridas e açucaradas,
e outro de bolinhas de gude,
coloridas e de todos os tamanhos.

Quando moleque, eu tinha só esses dois sonhos;
eles faziam meu abandono parecer dádiva.

- Por serem doces e coloridos, acho.

Por que será que nunca sonhei com mãos meigas,
com colo me aquecendo
e com histórias me fazendo adormecer?


Por que será que nunca sonhei com lápis apontado,
com uma borracha indestrutível
e com palavras me fazendo a dor me ser?

Por que será que até hoje
tenho só esses dois sonhos
- gomas e bolinhas de gude coloridas -
adormecidos nas prateleiras empoeiradas da paciência
em potes de dores que nunca consigo abrir?


- Por serem gordos e redondos, acho.


Oswaldo Antônio Begiato

Fixação


(Boulevard Saint Michèl - Paris (France)

Fixo momentos
Sem deixar escapar
O cheiro das manhãs chuvosas
O rumor das coisas não tocadas
Sinto, ao ouvir a canção que entoas
A permanência dos teus passos
Onde me guardo

Não me perdi para te encontrar
Sou viajante entre o real e o irreal
Choro
Silencio
Muitas vezes não existo

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/09
Código do Texto: T1387396

Janelas da Alma



Abraço tuas lembranças
Em pedras frias e confidentes
Onde meus olhos cansados
Percorrem buscas inconscientes
Abro as janelas da alma
Olhando o que já foi visto
Sem distancia, sem ausência
Vivo o tempo presente
Perto ou longe, estás comigo
No pensamento
No coração
Na vida.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/09
Código do Texto: T1387391

Impiedosa!



Ando sem sono nos sonhos alheios
quando o mar me ouve e eu ouço o mar,
ondeando as lágrimas,
maroleando a dor,
sendo em mim o que fez teu amor
docemente ido ao fel de um abandono.

Olho-te e nada vejo,
cala-te no último segredo fez nós dois,
e sem me olhar teu olho sente medo...
um medo de perder-me para sempre.

Quando eu achar teu sono,
deixarei que durma em ti apaixonado
o mesmo amor de outrora, hoje acabado,
que pensei nunca pudesse morrer dentro de nós dois.

Vás enfim triste com tua solidão
porque em mim me resta apenas tua mão
acenando para minha dor que surda fica.


Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/2009
Código do Texto:1387557

'DESEJO DE AMAR...'



Eu pus minha vida no vento
e o vento aprendeu a cantar
levando-me todo o lamento
do encanto na brisa do mar.

A vida era todo o momento
que o vento deixava passar
na breve cantiga do tempo
na ausência infinita do mar.

E não era paz ou tormento
tentar ir-me embora e ficar
à beira do amor ao relento
ouvindo o lamento do mar.

Então pus o corpo sedento
e o ventre da brisa no mar
e a alma salgada do vento
refez meu desejo de amar...

A. Estebanez
(Poema dedicado à amiga
Elisabeth Zamboneti Rylko)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

'SONETO DA ESPERA'



O coração tem que esperar, mais nada!
Inda que a espera exaure a vida inteira
até que emprenhe o banho de alvorada
a luz das águas remansosas da ribeira...

O amor tem que esperar essa chegada!
Inda que chegue ao nunca do amanhã,
até que soem os clarins da madrugada
no ouvido íntimo dos sinos da manhã...

Sonhos são deuses surdos, nada mais!
E para deuses não existem horizontes
em que o amor desponte eternamente...

Sonhos de amor são brisas sazonais...
Às vezes partem por alguns instantes
e às vezes vão embora para sempre...


A. Estebanez

Delírio



Pensei, houvera a nuvem da incerteza,
toldado o brilho claro das estrelas;
mas, no rolar da lágrima, a crueza:
é a dor – e dói de um tanto... – a enublecê-las.

É a dor que se mantém no céu acesa,
tal contas de cristal; como não vê-las?
Ou céu é minha dor, numa ardileza
das lágrimas – buscando ser estrelas?

Mas pode haver no céu tamanho inferno?
Teu nome são os anjos que murmuram,
quando mais a saudade me lacera?

Ou há de ser, no meu loucor eterno,
o céu, um paraíso onde amarguram
os sonhos, de quem vive em vã espera?


- Patricia Neme -

DE UM MÁGICO ENCONTRAR



Se todo momento é hora
De um doce aconchegar
Não desperdices o AGORA
Que escapa pelo ar
E se pretendes amar
Sem qualquer pestanejar
Manda a solidão embora
Em vez de se lamentar
Pois todo momento é hora
De um mágico encontrar.

Walter Dimenstein
29.12.2008

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

RIBALTA




Apagam-se as luzes do palco da vida
E o vazio assentou-se na platéia
Onde eu protagonista
Espreito recordando
Os momentos de gloria na memória do tempo
Invertem-se os papéis
Onde o amor torna-se ficção,
Lembranças são conservadas
Em meu sorriso patético
Processando imagens
De uma bela utopia
Que não constava
No argumento final.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/09
Código do Texto: T1382158

PARA A MULHER QUE EU SONHEI



Para subirem às vezes
Sem ter medo dos revezes
Há pessoas que descem tanto
Que as vitórias viram prantos
E o tempo incansável
Cria mudança notável
Mas por dentro não mudei
Mesmo com alguns contratempos
Exacerbei meus sentimentos
Para a mulher que sonhei.

Walter Dimenstein
3.1.2009

Poema Azul



Sou integrante desse Universo
Vendo-te brilhar
Nas rimas que ilustram
As lembranças que desnudas

Retiras o véu do plano maior
Que conheces
Transformando poesia em prece
Irradiada na luz do amor fecundo
Dando forma, cor e harmonia
Tal criador e criatura em sintonia


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/09
Código do Texto: T1382196


..."E decidiu: vou viajar.
Porque não morri,
porque é verão,
porque é tarde demais
e eu quero ver, rever,
transver, milver tudo que não vi
e ainda mais do que já vi,
como um danado, quero ver feito Pessoa,
que também morreu sem encontrar.
Maldito e solitário, decidiu ousado:
vou viajar.

(excerto)
Caio Fernando Abreu

'Antídotos'



Desejo um antídoto louco para esta saudade
e um amor inda mais louco para minha vontade
que vê no teu amor ausência de verdade
e fartura de medo.

Teus passos parecem não ter pressa
e, em vez de virem, vão isolados
como se cantassem inglórios a perda do caminho.

Esvaem-se no trago triste que sorri,
tecendo lágrimas, vomitando no teu pranto.
Tudo é igual e diferente,
parece que desamamos em um mesmo amor pungente
ferido a ferro e fogo e a perecer.

Se qualquer antídoto houver,
toma-o se quiseres e segue.
Teu pranto é a outra dor perversa
que meus olhos têm pressa de acabar.


Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/2009
Código do Texto:1382091

sábado, 17 de janeiro de 2009

'TERCEIRA ROSA DE SAROM'



É doce quanto o sonho de ser procurado
meu sonho mesmo tardo de te procurar.
É eterno como o fado de ser encontrado
sob o peso do fardo de não te encontrar.

O evangelho das rosas me traz revelado
que o mistério do amor é o único pomar
onde uma lágrima é um fruto maturado
que flui da alma da saudade de te amar.

Meu coração ainda é recâmara de amor
e tâmaras entre os racimos de ternuras
que te ofereço pelo amor além do mito.

Ô, toda rosa amada! aflito é o desamor
que não revive de saber das amarguras
que o limite da minha rosa é o infinito...


Afonso Estebanez

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


Formatação:
Valkiria Cordeiro &
Regina Helena

'POTE DE VIDRO'



Tudo o que eu queria,
nas minhas infindáveis horas de desamparo,
era a companhia de um pote de vidro gordo e redondo
cheio de gomas coloridas e açucaradas,
e outro de bolinhas de gude,
coloridas e de todos os tamanhos.

Quando moleque, eu tinha só esses dois sonhos;
eles faziam meu abandono parecer dádiva.

- Por serem doces e coloridos, acho.

Por que será que nunca sonhei com mãos meigas,
com colo me aquecendo
e com histórias me fazendo adormecer?


Por que será que nunca sonhei com lápis apontado,
com uma borracha indestrutível
e com palavras me fazendo a dor me ser?

Por que será que até hoje
tenho só esses dois sonhos
- gomas e bolinhas de gude coloridas -
adormecidos nas prateleiras empoeiradas da paciência
em potes de dores que nunca consigo abrir?


- Por serem gordos e redondos, acho.


Oswaldo Antônio Begiato

Fixação


(Boulevard Saint Michèl - Paris (France)

Fixo momentos
Sem deixar escapar
O cheiro das manhãs chuvosas
O rumor das coisas não tocadas
Sinto, ao ouvir a canção que entoas
A permanência dos teus passos
Onde me guardo

Não me perdi para te encontrar
Sou viajante entre o real e o irreal
Choro
Silencio
Muitas vezes não existo

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/09
Código do Texto: T1387396

Janelas da Alma



Abraço tuas lembranças
Em pedras frias e confidentes
Onde meus olhos cansados
Percorrem buscas inconscientes
Abro as janelas da alma
Olhando o que já foi visto
Sem distancia, sem ausência
Vivo o tempo presente
Perto ou longe, estás comigo
No pensamento
No coração
Na vida.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/09
Código do Texto: T1387391

Impiedosa!



Ando sem sono nos sonhos alheios
quando o mar me ouve e eu ouço o mar,
ondeando as lágrimas,
maroleando a dor,
sendo em mim o que fez teu amor
docemente ido ao fel de um abandono.

Olho-te e nada vejo,
cala-te no último segredo fez nós dois,
e sem me olhar teu olho sente medo...
um medo de perder-me para sempre.

Quando eu achar teu sono,
deixarei que durma em ti apaixonado
o mesmo amor de outrora, hoje acabado,
que pensei nunca pudesse morrer dentro de nós dois.

Vás enfim triste com tua solidão
porque em mim me resta apenas tua mão
acenando para minha dor que surda fica.


Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/2009
Código do Texto:1387557

'DESEJO DE AMAR...'



Eu pus minha vida no vento
e o vento aprendeu a cantar
levando-me todo o lamento
do encanto na brisa do mar.

A vida era todo o momento
que o vento deixava passar
na breve cantiga do tempo
na ausência infinita do mar.

E não era paz ou tormento
tentar ir-me embora e ficar
à beira do amor ao relento
ouvindo o lamento do mar.

Então pus o corpo sedento
e o ventre da brisa no mar
e a alma salgada do vento
refez meu desejo de amar...

A. Estebanez
(Poema dedicado à amiga
Elisabeth Zamboneti Rylko)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

'SONETO DA ESPERA'



O coração tem que esperar, mais nada!
Inda que a espera exaure a vida inteira
até que emprenhe o banho de alvorada
a luz das águas remansosas da ribeira...

O amor tem que esperar essa chegada!
Inda que chegue ao nunca do amanhã,
até que soem os clarins da madrugada
no ouvido íntimo dos sinos da manhã...

Sonhos são deuses surdos, nada mais!
E para deuses não existem horizontes
em que o amor desponte eternamente...

Sonhos de amor são brisas sazonais...
Às vezes partem por alguns instantes
e às vezes vão embora para sempre...


A. Estebanez

Delírio



Pensei, houvera a nuvem da incerteza,
toldado o brilho claro das estrelas;
mas, no rolar da lágrima, a crueza:
é a dor – e dói de um tanto... – a enublecê-las.

É a dor que se mantém no céu acesa,
tal contas de cristal; como não vê-las?
Ou céu é minha dor, numa ardileza
das lágrimas – buscando ser estrelas?

Mas pode haver no céu tamanho inferno?
Teu nome são os anjos que murmuram,
quando mais a saudade me lacera?

Ou há de ser, no meu loucor eterno,
o céu, um paraíso onde amarguram
os sonhos, de quem vive em vã espera?


- Patricia Neme -

DE UM MÁGICO ENCONTRAR



Se todo momento é hora
De um doce aconchegar
Não desperdices o AGORA
Que escapa pelo ar
E se pretendes amar
Sem qualquer pestanejar
Manda a solidão embora
Em vez de se lamentar
Pois todo momento é hora
De um mágico encontrar.

Walter Dimenstein
29.12.2008

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

RIBALTA




Apagam-se as luzes do palco da vida
E o vazio assentou-se na platéia
Onde eu protagonista
Espreito recordando
Os momentos de gloria na memória do tempo
Invertem-se os papéis
Onde o amor torna-se ficção,
Lembranças são conservadas
Em meu sorriso patético
Processando imagens
De uma bela utopia
Que não constava
No argumento final.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/09
Código do Texto: T1382158

PARA A MULHER QUE EU SONHEI



Para subirem às vezes
Sem ter medo dos revezes
Há pessoas que descem tanto
Que as vitórias viram prantos
E o tempo incansável
Cria mudança notável
Mas por dentro não mudei
Mesmo com alguns contratempos
Exacerbei meus sentimentos
Para a mulher que sonhei.

Walter Dimenstein
3.1.2009

Poema Azul



Sou integrante desse Universo
Vendo-te brilhar
Nas rimas que ilustram
As lembranças que desnudas

Retiras o véu do plano maior
Que conheces
Transformando poesia em prece
Irradiada na luz do amor fecundo
Dando forma, cor e harmonia
Tal criador e criatura em sintonia


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/09
Código do Texto: T1382196


..."E decidiu: vou viajar.
Porque não morri,
porque é verão,
porque é tarde demais
e eu quero ver, rever,
transver, milver tudo que não vi
e ainda mais do que já vi,
como um danado, quero ver feito Pessoa,
que também morreu sem encontrar.
Maldito e solitário, decidiu ousado:
vou viajar.

(excerto)
Caio Fernando Abreu

'Antídotos'



Desejo um antídoto louco para esta saudade
e um amor inda mais louco para minha vontade
que vê no teu amor ausência de verdade
e fartura de medo.

Teus passos parecem não ter pressa
e, em vez de virem, vão isolados
como se cantassem inglórios a perda do caminho.

Esvaem-se no trago triste que sorri,
tecendo lágrimas, vomitando no teu pranto.
Tudo é igual e diferente,
parece que desamamos em um mesmo amor pungente
ferido a ferro e fogo e a perecer.

Se qualquer antídoto houver,
toma-o se quiseres e segue.
Teu pranto é a outra dor perversa
que meus olhos têm pressa de acabar.


Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/2009
Código do Texto:1382091