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segunda-feira, 27 de outubro de 2014
INFÂNCIA
Quando recordo o tempo de criança
revivendo aquela fase linda,
envolvo-me em magia mansa
julgando-me ser criança ainda!
Temos sempre e sentimos dentro de nós
um pouco da linda e frágil criança,
aquela que vive simplesmente a sós
imaginando sonhos de esperança.
E neste vai e vem de nossa vida,
vez em quando uma lembrança remexida
nos torna feliz, momentaneamente.
Quase sempre é a imagem colorida
através de uma lágrima escorrida,
lembrando a criança que fomos antigamente.
Celeste Laus
In A Décima Carta
A gente vai indo...
crescendo...vivendo...
chorando ou sorrindo...
e no vaivém
- da vida,
retorna ao passado:
uma série de ocorrências
acumulam-se
em nossa mente,
cheias de beleza
ou de maldade,
e... no giro, girando
a gente fica,
ficando sempre a pensar
se tudo aquilo
foi mentira,
ou se realmente é verdade
o que nos surpreende
num momento
- de saudade.
Celeste Laus
In Um Pedaço de Papel
Escritora nascida em Tijucas em 1911. Filha de Minervina e Rodolfo Laus.
Poetisa consagrada de Santa Catarina. Autora de Caderno de Sonhos, Poemas Escolhidos e Seleção de Poemas, Um pedaço de Papel, etc...
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
SONHANDO
Ensimesmada passando pela vida
Buscando respostas, encontrando perguntas
Perdidas nos tempos, perguntas velhas,
Cansadas, Irrespondíveis...
Fugindo do sol, buscando crepúsculos
Amanhecendo noites, perdendo auroras
Buscando ternura, comprometida com a solidão
Nessa louca e rápida passagem – Chamada Vida –
Quero preencher as ausências,
Fazer acontecer a alegria
Dourar as horas, alegrar a melancolia.
Afinal sonhar é de alguma forma viver.
Anna Carlini
(Pseudônimo)
1949
[Arte: Catrin Welz Stein]
domingo, 6 de julho de 2014
POEMA
Duro caminho é o saber que não há caminho.
O que há são fragmentos de rota que o tecido do acaso
une ou desune. Estar, andar. Identificar-se com as coisas,
com o tempo. Estar aqui, ali. Estar antigamente, estar futuro,
ou buscar-se no espelho onde não há espelho.
Isso é tudo.
Mesmo assim nos sonhamos, e sonhamos
um roteiro, um destino.
Não no espaço, ou no tempo,
mas na parte de nós, ah, tão frágil, que se devora
e, perdida, se salva.
Emílio Moura
In: Itinerário Poético
Entre o Real e a Fabula
OS VERSOS QUE TE DOU
Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...
E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...
Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...
Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los nas
lembranças que a vida não desfez...
E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...
Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...
Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.
J. G. de Araújo Jorge*
do livro “Meu céu interior”, Editora Vecchi –
Rio de Janeiro, 1934.
*José Guilherme de Araújo Jorge - nasceu na Vila de
Tarauacá, no Estado do Acre, aos 20 de maio de 1914. Ainda jovem iniciou-se na poesia.
Estudou em Coimbra, Portugal, e fez curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim,
Alemanha. Além de escritor, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de
História e Literatura, líder estudantil, tinha política em suas veias. Foi candidato a
vários cargos públicos. Elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara, em 1970.
Foi reeleito em 1974 e 1978. Mesmo combatidos pelos críticos, seus livros — em
número de 36 — tinham grande aceitação e foram publicados em diversos países.
Faleceu no dia 27 de janeiro de 1987.
'TRUMPET'S BLUES'
O dia se foi.
A lua é um nada,
O vento é frio.
Passado, presente
Futuro – é isso:
Um cigarro aceso,
Uma tosse no meio da praça,
Um estalar de dedos na outra esquina.
Então, lá no fundo,
No meio da cidade,
Alguém começa a gritar
Pelo bocal de um piston.
Sérgio Jockyman*
De ‘Poemas em negro’, pag 47
Imprensa Oficial do Estado – 1958-
[Tela by Ted Hornes, Blues Silhouette]
quinta-feira, 22 de maio de 2014
“Todas as aves do mundo de amor cantavam ...”
Todas as aves do mundo de amor cantavam...
e os grandes horizontes se estendiam multicores
e os dias da vida eram tão raros ainda
que se podiam enumerar, só por suas lembranças.
“Todas as aves do mundo de amor cantavam...”
mas grandes mares se abriram para passagens belas como ritos,
e os dias se tornaram tão numerosos e densos e duros
como essas pedras das fortalezas em montanhas antigas.
E agora são na verdade os dias inumeráveis
e cada um com sua angustia, e todos eles se entrechocam,
e a noite vem mais cedo há tempestades entre as nuvens.
E eu queria que todas as aves do mundo de amor cantassem,
mas um vasto silencio, uma vigília de morte
estende céus frios, céus escuros sobre amargos corações.
1960
Cecília Meireles
In: Poesia Completa
Dispersos (1918-1964)
[Fotografia: Dança dos Tangarás ( Chiroxiphia caudata)]
Bem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski
Bondade
Pequena e frágil vive nas pedras uma flor.
Sua doçura contamina a dureza em volta
O mel escorrendo da corola aberta.
Um milagre que sobreviva desprotegida
À merce de ventos, frio e calor...
Assim, como certas almas abençoadas
Presente celeste trazido por anjos.
Mesmo em meio às condições adversas
Onde os corações são como pedra,
Sorriem e só espalham amor.
Helena Frontini
Do Blog da autora.
[Foto: Edelweiss (Leontopodium alpinum), flor dos Alpes Suíços]
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Os dias não são iguais
Cada dia é único e pertence a si mesmo.
Olhar a manhã que nasce é um descobrimento
Uma fantasia descortinada por um único olhar
Que também se modifica a cada amanhecer...
O tempo passa,escorre entre os dedos...
Há que prender o dia e seus doces momentos
E os momentos em seu breves instantes
-Helena Frontini-
domingo, 4 de maio de 2014
De Airton Souza...
O tempo
não tem
piedade de nós
além de tudo
não sabe curar
saudades
é cego, surdo e mudo
no mundo
e parece saber mais
das coisas da solidão
e do desamor.
Airton Souza
[Arte: Ben Goossens]
não tem
piedade de nós
além de tudo
não sabe curar
saudades
é cego, surdo e mudo
no mundo
e parece saber mais
das coisas da solidão
e do desamor.
Airton Souza
[Arte: Ben Goossens]
Cisne negro
Sempre fui diferente dos demais
A vida, uma esteira de luzes brilhantes
Onde os pés pousavam suavemente.
A diferença estava em minhas asas
Que elevavam-me além dos mortais.
Nunca o medo de cair desastradamente
Do orgulho de ser assim, endeusada.
Um dia as asas fraquejaram letais
Os pés deixaram de ser esvoaçantes
Cabendo a outra meu dom flamejante.
A fama soprou suas últimas brasas
No cerrar de cortinas dos acordes finais.
A vaidade cobrou seu preço justamente
Fazendo do voo, a queda anunciada.
Helena Frontini
No escuro de mim
No escuro de mim
aprisiono vagalumes.
Vagam pelos salões negros
Acariciam as paredes gélidas
E morrem de solidão
Inutilmente.
No escuro de mim
Coleciono pirilampos
Eu os solto
vã tentativa de atrair a lua.
No escuro de mim
Acendo os candelabros
Eles velam os assombros
Que dormem nus, solitários.
No escuro de mim
Eu vigio
para que não morram
Os vagalumes
Não fujam os pirilampos
Não se apaguem
Os candelabros.
Miriam Portela
Nudez
Ela foi se despindo aos poucos.
Primeiro as lágrimas, os risos, os silêncios.
Despenteou os sonhos; alisou as rugas; desabotoou os desejos.
Caminhou lentamente sobre a pele nua e desatou toda a dor.
Miriam Portela
[Arte: Maria Szollosi]
Ilusões
Estes verdes ou pedaços de vida
não serão fáceis nas manhãs frias
onde há prazeres nas asas do vento
eterna passageira que precisa do teu amor.
Você me conheceu vestida de fantasias
deixei acontecer a nossa história
fiquei a olhar pela janela nos jardins
escolhi petúnias à liberdade das borboletas.
Não vale a pena estar distante de você
nunca esperei a solidão calada
nem convidei a noite escura
os desejos nossos são ilusões.
Desta existência selvagem
não chores pelas tardes
em que não cheguei frágil
à transição do sol na fim da tarde.
Caprichos lá adiante ardem
na intensa euforia cativa
no fim a claridade nos portões
que se abrem e revelam segredos.
No interlúdio há controvérsias de fantasias
do mesmo trilho em que flui cor constantes
ao ficar fora das noites enluaradas
tudo são ilusões de um coração peregrino.
Iara Pacini
[Arte: Maria Szollosi]
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014
INFÂNCIA
Quando recordo o tempo de criança
revivendo aquela fase linda,
envolvo-me em magia mansa
julgando-me ser criança ainda!
Temos sempre e sentimos dentro de nós
um pouco da linda e frágil criança,
aquela que vive simplesmente a sós
imaginando sonhos de esperança.
E neste vai e vem de nossa vida,
vez em quando uma lembrança remexida
nos torna feliz, momentaneamente.
Quase sempre é a imagem colorida
através de uma lágrima escorrida,
lembrando a criança que fomos antigamente.
Celeste Laus
In A Décima Carta
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Celeste Laus
A gente vai indo...
crescendo...vivendo...
chorando ou sorrindo...
e no vaivém
- da vida,
retorna ao passado:
uma série de ocorrências
acumulam-se
em nossa mente,
cheias de beleza
ou de maldade,
e... no giro, girando
a gente fica,
ficando sempre a pensar
se tudo aquilo
foi mentira,
ou se realmente é verdade
o que nos surpreende
num momento
- de saudade.
Celeste Laus
In Um Pedaço de Papel
Escritora nascida em Tijucas em 1911. Filha de Minervina e Rodolfo Laus.
Poetisa consagrada de Santa Catarina. Autora de Caderno de Sonhos, Poemas Escolhidos e Seleção de Poemas, Um pedaço de Papel, etc...
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Celeste Laus
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
SONHANDO
Ensimesmada passando pela vida
Buscando respostas, encontrando perguntas
Perdidas nos tempos, perguntas velhas,
Cansadas, Irrespondíveis...
Fugindo do sol, buscando crepúsculos
Amanhecendo noites, perdendo auroras
Buscando ternura, comprometida com a solidão
Nessa louca e rápida passagem – Chamada Vida –
Quero preencher as ausências,
Fazer acontecer a alegria
Dourar as horas, alegrar a melancolia.
Afinal sonhar é de alguma forma viver.
Anna Carlini
(Pseudônimo)
1949
[Arte: Catrin Welz Stein]
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Anna Carlini
domingo, 6 de julho de 2014
POEMA
Duro caminho é o saber que não há caminho.
O que há são fragmentos de rota que o tecido do acaso
une ou desune. Estar, andar. Identificar-se com as coisas,
com o tempo. Estar aqui, ali. Estar antigamente, estar futuro,
ou buscar-se no espelho onde não há espelho.
Isso é tudo.
Mesmo assim nos sonhamos, e sonhamos
um roteiro, um destino.
Não no espaço, ou no tempo,
mas na parte de nós, ah, tão frágil, que se devora
e, perdida, se salva.
Emílio Moura
In: Itinerário Poético
Entre o Real e a Fabula
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Emílio Moura
OS VERSOS QUE TE DOU
Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...
E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...
Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...
Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los nas
lembranças que a vida não desfez...
E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...
Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...
Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.
J. G. de Araújo Jorge*
do livro “Meu céu interior”, Editora Vecchi –
Rio de Janeiro, 1934.
*José Guilherme de Araújo Jorge - nasceu na Vila de
Tarauacá, no Estado do Acre, aos 20 de maio de 1914. Ainda jovem iniciou-se na poesia.
Estudou em Coimbra, Portugal, e fez curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim,
Alemanha. Além de escritor, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de
História e Literatura, líder estudantil, tinha política em suas veias. Foi candidato a
vários cargos públicos. Elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara, em 1970.
Foi reeleito em 1974 e 1978. Mesmo combatidos pelos críticos, seus livros — em
número de 36 — tinham grande aceitação e foram publicados em diversos países.
Faleceu no dia 27 de janeiro de 1987.
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JG de Araújo Jorge
'TRUMPET'S BLUES'
O dia se foi.
A lua é um nada,
O vento é frio.
Passado, presente
Futuro – é isso:
Um cigarro aceso,
Uma tosse no meio da praça,
Um estalar de dedos na outra esquina.
Então, lá no fundo,
No meio da cidade,
Alguém começa a gritar
Pelo bocal de um piston.
Sérgio Jockyman*
De ‘Poemas em negro’, pag 47
Imprensa Oficial do Estado – 1958-
[Tela by Ted Hornes, Blues Silhouette]
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Sérgio Jockyman
quinta-feira, 22 de maio de 2014
“Todas as aves do mundo de amor cantavam ...”
Todas as aves do mundo de amor cantavam...
e os grandes horizontes se estendiam multicores
e os dias da vida eram tão raros ainda
que se podiam enumerar, só por suas lembranças.
“Todas as aves do mundo de amor cantavam...”
mas grandes mares se abriram para passagens belas como ritos,
e os dias se tornaram tão numerosos e densos e duros
como essas pedras das fortalezas em montanhas antigas.
E agora são na verdade os dias inumeráveis
e cada um com sua angustia, e todos eles se entrechocam,
e a noite vem mais cedo há tempestades entre as nuvens.
E eu queria que todas as aves do mundo de amor cantassem,
mas um vasto silencio, uma vigília de morte
estende céus frios, céus escuros sobre amargos corações.
1960
Cecília Meireles
In: Poesia Completa
Dispersos (1918-1964)
[Fotografia: Dança dos Tangarás ( Chiroxiphia caudata)]
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Cecília Meireles
Bem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski
Marcadores:
Paulo Leminski
Bondade
Pequena e frágil vive nas pedras uma flor.
Sua doçura contamina a dureza em volta
O mel escorrendo da corola aberta.
Um milagre que sobreviva desprotegida
À merce de ventos, frio e calor...
Assim, como certas almas abençoadas
Presente celeste trazido por anjos.
Mesmo em meio às condições adversas
Onde os corações são como pedra,
Sorriem e só espalham amor.
Helena Frontini
Do Blog da autora.
[Foto: Edelweiss (Leontopodium alpinum), flor dos Alpes Suíços]
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quinta-feira, 8 de maio de 2014
Os dias não são iguais
Cada dia é único e pertence a si mesmo.
Olhar a manhã que nasce é um descobrimento
Uma fantasia descortinada por um único olhar
Que também se modifica a cada amanhecer...
O tempo passa,escorre entre os dedos...
Há que prender o dia e seus doces momentos
E os momentos em seu breves instantes
-Helena Frontini-
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Helena Frontini
domingo, 4 de maio de 2014
De Airton Souza...
O tempo
não tem
piedade de nós
além de tudo
não sabe curar
saudades
é cego, surdo e mudo
no mundo
e parece saber mais
das coisas da solidão
e do desamor.
Airton Souza
[Arte: Ben Goossens]
não tem
piedade de nós
além de tudo
não sabe curar
saudades
é cego, surdo e mudo
no mundo
e parece saber mais
das coisas da solidão
e do desamor.
Airton Souza
[Arte: Ben Goossens]
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Airton Souza
Cisne negro
Sempre fui diferente dos demais
A vida, uma esteira de luzes brilhantes
Onde os pés pousavam suavemente.
A diferença estava em minhas asas
Que elevavam-me além dos mortais.
Nunca o medo de cair desastradamente
Do orgulho de ser assim, endeusada.
Um dia as asas fraquejaram letais
Os pés deixaram de ser esvoaçantes
Cabendo a outra meu dom flamejante.
A fama soprou suas últimas brasas
No cerrar de cortinas dos acordes finais.
A vaidade cobrou seu preço justamente
Fazendo do voo, a queda anunciada.
Helena Frontini
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Helena Frontini
No escuro de mim
No escuro de mim
aprisiono vagalumes.
Vagam pelos salões negros
Acariciam as paredes gélidas
E morrem de solidão
Inutilmente.
No escuro de mim
Coleciono pirilampos
Eu os solto
vã tentativa de atrair a lua.
No escuro de mim
Acendo os candelabros
Eles velam os assombros
Que dormem nus, solitários.
No escuro de mim
Eu vigio
para que não morram
Os vagalumes
Não fujam os pirilampos
Não se apaguem
Os candelabros.
Miriam Portela
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Miriam Portela
Nudez
Ela foi se despindo aos poucos.
Primeiro as lágrimas, os risos, os silêncios.
Despenteou os sonhos; alisou as rugas; desabotoou os desejos.
Caminhou lentamente sobre a pele nua e desatou toda a dor.
Miriam Portela
[Arte: Maria Szollosi]
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Ilusões
Estes verdes ou pedaços de vida
não serão fáceis nas manhãs frias
onde há prazeres nas asas do vento
eterna passageira que precisa do teu amor.
Você me conheceu vestida de fantasias
deixei acontecer a nossa história
fiquei a olhar pela janela nos jardins
escolhi petúnias à liberdade das borboletas.
Não vale a pena estar distante de você
nunca esperei a solidão calada
nem convidei a noite escura
os desejos nossos são ilusões.
Desta existência selvagem
não chores pelas tardes
em que não cheguei frágil
à transição do sol na fim da tarde.
Caprichos lá adiante ardem
na intensa euforia cativa
no fim a claridade nos portões
que se abrem e revelam segredos.
No interlúdio há controvérsias de fantasias
do mesmo trilho em que flui cor constantes
ao ficar fora das noites enluaradas
tudo são ilusões de um coração peregrino.
Iara Pacini
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