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sexta-feira, 17 de abril de 2009

NONA ROSA DE SAROM


Eu vivo como quem nas pétalas das rosas
transcreve um êxodus de roseirais em flor
onde as fugas de amor por vias dolorosas
conduzem rosas para um canaã de amor.

O encanto da paixão por vias espinhosas
entre as rosas não é mais símbolo de dor
onde os lírios da fé são flores milagrosas
da Rosa de Sarom em todo o resplendor.

Faço de rosas o óleo santo das candeias
que faz fluir a lume o sangue pelas veias
a estes jardins em festa no meu coração.

Todo o que crê nas rosas nunca morrerá
que a primavera é o jeito do que nascerá
de crer na rosa muito mais que na razão!

Afonso Estebanez

quarta-feira, 15 de abril de 2009

MEU PLANETA HABITÁVEL


Pelo menos uma vez na vida
permito que meu coração avesso
seja o único planeta habitável
da via-láctea farta de mim...

Deixo encostado o portão do meu jardim
e entro em casa pelos fundos de minha alma
para não sujar o tapete da porta de entrada
preparado para quando chegar a primavera...

Todo amor começa com a espera...
E enquanto você não chega,
faço do instante mais eterno
o mais breve momento
de você chegar...

Não importa se demorar...
A certeza me é o bastante
e você me vem em pensamento
antes mesmo de chegar...


Afonso Estebanez
(Dedicado à minha notável
amiga La Bianchi – “Bia”)

SOLILÓQUIO



Completo-me na ausência de tudo
amo a solidão
o nada ter
o nada haver

Sou a metade na falta de tudo
amo a duvida que sucede
o meu porque

Em outra parte sou a verdade.
Na ausência do nada
amo a face que me deixa parecer,
no espelho o meu semblante
que nada vê


Conceição Bentes
14/04/09

terça-feira, 14 de abril de 2009

OS CAVALOS DO TEMPO



Os cavalos do tempo são de vento.
Têm músculos de vento,
nervos de vento, patas de vento, crinas de vento.

Perenemente em surda galopada,
passam brancos e puros
por estradas de sonho e esquecimento.

Os cavalos do tempo vão correndo.
Vêm correndo de origens insondáveis,
e a um abismo absoluto vão rumando.

Passam puros e brancos, livres, límpidos,
no indescontínuo imemorial esforço.
Ah! são o eterno atravessando o efêmero:
levam sombras divinas sobre o dorso...


Tasso da Silveira
(Regresso à Origem, 1960)


Neste momento, meu Deus, eu só tenho em minha
alma a perplexidade infinita.
Nada mais sei de mim, nem dos outros, nem do sentido do mundo.
Foi como se tivesse caminhado distraidamente e me
perdesse dos rumos costumeiros
E de repente me encontrasse para além das
fronteiras de meu próprio destino.
Não sei se fiquei mais impuro ou mais puro.
Vejo que os que mais me amam estão me deixando caminhar sozinho.
sentindo-me, talvez, estrangeiro em meio deles.
Vejo que todos os que vinham comigo na matinal
alegria das primeiras jornadas
deixaram de deslumbrar-se com a vida.
E perderam o senso do mistério,
e passaram a estranhar os meus olhos, a minha fala, os meus gestos.
Vejo que todos subitamente serenaram
e ficaram entregues às suas quotidianas tarefas numa aceitação tranqüila,
como se tivessem todos recebido o seu quinhão
justo de amor, de beleza e de bondade,
ao passo que eu vou na mesma sede imitigada, na
mesma procura aflita de sempre.
Não sei se fiquei mais puro ou mais impuro.
Sei que estou caminhando, solitário, para além das fronteiras do meu destino.
E sinto crescer em mim
esta vontade absurda
de descansar de mim mesmo.


Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes

Resposta à Sétima Rosa de Sarom



Eis que te bato à porta, amado meu,
para entregar-me, em alma e coração;
para dizer-te: a fé jamais morreu,
nos versos que me deste por canção.

Em mim, sequer um dia feneceu,
a espera, o amor e o canto da paixão;
o credo em quem teceu o que sou eu...
E nos uniu por graça e compaixão.

Porque somente Deus, pai generoso,
pode nos conceder chão tão ditoso,
que acolha o renascer de nossas rosas.

E juntos, na justiça da equidade,
semearemos paz, fraternidade,
em pétalas de luzes caridosas!


- Patricia Neme -


Design da amiga Laderzi.

sábado, 11 de abril de 2009

Alguém olha por mim



Olhos que me tocam
Com a ternura de quem ama
Cuidando da minha alma
transposta na imensidão
Teu amor me chega
pelos clarões da saudade,
no silêncio dos meus passos trôpegos,
em labirintos meio a tempestades
Olhas por mim
do teu mundo perfeito
longe da minha compreensão,
modelado pela imaginação
Sinto a essência do teu ser
E renasço contra o poente da vida
Ofertando minhas esperanças
Ante o fulgor do mundo.


Conceição Bentes
09/04/09

POR SETE MARES



Navega, coração, o mar da vida
e rompe com bravura esse oceano
d"angústia, que me faz vagar perdida...
E me consome o ser... Ano após ano.

Navega, coração, busca a saída
(já me cansei deste combate insano)
do mar de dor para onde fui banida...
Por tanto amar e só ter desengano.

Navega, vai além da tempestade,
navega, rompe as ondas da saudade,
que eu tenha o mar de um calmo entardecer.

Com céu de lua cheia... E a melodia
da brisa a sussurrar, em calmaria,
que, enfim, um novo amor me vai nascer!


- Patricia Neme -

Resposta à Sexta Rosa de Sarom


Não há segredo... É somente o recato,
prudência... De quem mal conhece a vida.
No abrir-me lentamente, em tom sensato,
resguardo-me de ser, em vão, ferida.

Anseio conhecer todo o vibrato
das emoções, da vinda e da partida.
Do amor... E todo o seu desiderato...
Da essência, que me anima e consolida.

Embora a perfeição eu não alcance,
almejo, mesmo breve, ter a chance,
de ter centrado em mim todo o poder

de acalentar quem perde-se em tristeza,
de perfumar-lhe os dias co'a leveza,
que as rosas trazem n'alma: bem querer!

- Patricia Neme -

quarta-feira, 8 de abril de 2009

REDE NEURAL



Há mutações,
Autoconhecimento,
Na esquina do tempo.

Na visão de nós mesmos,
Há um mar de sinapses,
Em bites imersos,
Sensorialmente conectados.
A mente em sintonia
Cria o Universo.

Não há dogmas!
Num conceito de Unidade
O pensamento é tudo,
Absoluto.
É ensaio mental,
Força propulsora
No lóbulo frontal,
Altaneiro e soberano
Na rede neural
Do Ser Humano.

(Genaura Tormin)

A ALMA SONHA SOZINHA



Anda a minh’alma sonhando
tão sozinha e acompanhada,
que às vezes vivo pensando
que a alma sonha acordada.

Mas sonhar é um fio d’água
que sozinho entrega ao mar
muitos afluentes de mágoa
que se escoam sem passar.

Sejam simples como a flor
que sonha sonhos calados
dos que perecem do amor
dos sonhos não realizados.

Somos a curva da estrada
dos sonhos que vão além:
sonhar sozinha sem nada
é tudo o que a alma tem...


Afonso Estebanez
(Dedicado ao escritor carioca
Antônio Poeta – criador do site cultural
“Revista de Poesias” / Rio de Janeiro)

BEM MAIOR QUE O PRÓPRIO SER



Quando o ideal não floresce
O ser humano embrutece
Fica pequeno demais
Com desempenhos banais
Escuta ó homem querido
Deste mundo dividido
Indispensável é preciso
No nosso curto viver
Um magistral ideal
Bem maior que o próprio ser.


Walter Dimenstein

Pequenas palavras



Machuca essa espera
das horas ausentes,
dos sonhos dormentes,
das noites perdidas
em versos plangentes!
Destrói, dói, corrói,
minh'alma engasgada,
a voz amassada,
o amor que se perde
em vãos dessa estrada.
Por onde a ternura,
por que só há pranto?
Nenhum acalanto...
Quisera dizer-te,
te quero, de um tanto...
De um tanto, de um tanto...

- Patricia Neme -

O VENTO E A CANÇÃO


À Tania Carvalhal

Só o vento é que sabe versejar:
Tem um verso a fluir que é como um rio de ar.
E onde a qualquer momento podes embarcar:
O que ele está cantando é sempre o teu
cantar.


Mario Quintana

sexta-feira, 17 de abril de 2009

NONA ROSA DE SAROM


Eu vivo como quem nas pétalas das rosas
transcreve um êxodus de roseirais em flor
onde as fugas de amor por vias dolorosas
conduzem rosas para um canaã de amor.

O encanto da paixão por vias espinhosas
entre as rosas não é mais símbolo de dor
onde os lírios da fé são flores milagrosas
da Rosa de Sarom em todo o resplendor.

Faço de rosas o óleo santo das candeias
que faz fluir a lume o sangue pelas veias
a estes jardins em festa no meu coração.

Todo o que crê nas rosas nunca morrerá
que a primavera é o jeito do que nascerá
de crer na rosa muito mais que na razão!

Afonso Estebanez

quarta-feira, 15 de abril de 2009

MEU PLANETA HABITÁVEL


Pelo menos uma vez na vida
permito que meu coração avesso
seja o único planeta habitável
da via-láctea farta de mim...

Deixo encostado o portão do meu jardim
e entro em casa pelos fundos de minha alma
para não sujar o tapete da porta de entrada
preparado para quando chegar a primavera...

Todo amor começa com a espera...
E enquanto você não chega,
faço do instante mais eterno
o mais breve momento
de você chegar...

Não importa se demorar...
A certeza me é o bastante
e você me vem em pensamento
antes mesmo de chegar...


Afonso Estebanez
(Dedicado à minha notável
amiga La Bianchi – “Bia”)

SOLILÓQUIO



Completo-me na ausência de tudo
amo a solidão
o nada ter
o nada haver

Sou a metade na falta de tudo
amo a duvida que sucede
o meu porque

Em outra parte sou a verdade.
Na ausência do nada
amo a face que me deixa parecer,
no espelho o meu semblante
que nada vê


Conceição Bentes
14/04/09

terça-feira, 14 de abril de 2009

OS CAVALOS DO TEMPO



Os cavalos do tempo são de vento.
Têm músculos de vento,
nervos de vento, patas de vento, crinas de vento.

Perenemente em surda galopada,
passam brancos e puros
por estradas de sonho e esquecimento.

Os cavalos do tempo vão correndo.
Vêm correndo de origens insondáveis,
e a um abismo absoluto vão rumando.

Passam puros e brancos, livres, límpidos,
no indescontínuo imemorial esforço.
Ah! são o eterno atravessando o efêmero:
levam sombras divinas sobre o dorso...


Tasso da Silveira
(Regresso à Origem, 1960)


Neste momento, meu Deus, eu só tenho em minha
alma a perplexidade infinita.
Nada mais sei de mim, nem dos outros, nem do sentido do mundo.
Foi como se tivesse caminhado distraidamente e me
perdesse dos rumos costumeiros
E de repente me encontrasse para além das
fronteiras de meu próprio destino.
Não sei se fiquei mais impuro ou mais puro.
Vejo que os que mais me amam estão me deixando caminhar sozinho.
sentindo-me, talvez, estrangeiro em meio deles.
Vejo que todos os que vinham comigo na matinal
alegria das primeiras jornadas
deixaram de deslumbrar-se com a vida.
E perderam o senso do mistério,
e passaram a estranhar os meus olhos, a minha fala, os meus gestos.
Vejo que todos subitamente serenaram
e ficaram entregues às suas quotidianas tarefas numa aceitação tranqüila,
como se tivessem todos recebido o seu quinhão
justo de amor, de beleza e de bondade,
ao passo que eu vou na mesma sede imitigada, na
mesma procura aflita de sempre.
Não sei se fiquei mais puro ou mais impuro.
Sei que estou caminhando, solitário, para além das fronteiras do meu destino.
E sinto crescer em mim
esta vontade absurda
de descansar de mim mesmo.


Tasso Da Silveira
In: Poemas De Antes

Resposta à Sétima Rosa de Sarom



Eis que te bato à porta, amado meu,
para entregar-me, em alma e coração;
para dizer-te: a fé jamais morreu,
nos versos que me deste por canção.

Em mim, sequer um dia feneceu,
a espera, o amor e o canto da paixão;
o credo em quem teceu o que sou eu...
E nos uniu por graça e compaixão.

Porque somente Deus, pai generoso,
pode nos conceder chão tão ditoso,
que acolha o renascer de nossas rosas.

E juntos, na justiça da equidade,
semearemos paz, fraternidade,
em pétalas de luzes caridosas!


- Patricia Neme -


Design da amiga Laderzi.

sábado, 11 de abril de 2009

Alguém olha por mim



Olhos que me tocam
Com a ternura de quem ama
Cuidando da minha alma
transposta na imensidão
Teu amor me chega
pelos clarões da saudade,
no silêncio dos meus passos trôpegos,
em labirintos meio a tempestades
Olhas por mim
do teu mundo perfeito
longe da minha compreensão,
modelado pela imaginação
Sinto a essência do teu ser
E renasço contra o poente da vida
Ofertando minhas esperanças
Ante o fulgor do mundo.


Conceição Bentes
09/04/09

POR SETE MARES



Navega, coração, o mar da vida
e rompe com bravura esse oceano
d"angústia, que me faz vagar perdida...
E me consome o ser... Ano após ano.

Navega, coração, busca a saída
(já me cansei deste combate insano)
do mar de dor para onde fui banida...
Por tanto amar e só ter desengano.

Navega, vai além da tempestade,
navega, rompe as ondas da saudade,
que eu tenha o mar de um calmo entardecer.

Com céu de lua cheia... E a melodia
da brisa a sussurrar, em calmaria,
que, enfim, um novo amor me vai nascer!


- Patricia Neme -

Resposta à Sexta Rosa de Sarom


Não há segredo... É somente o recato,
prudência... De quem mal conhece a vida.
No abrir-me lentamente, em tom sensato,
resguardo-me de ser, em vão, ferida.

Anseio conhecer todo o vibrato
das emoções, da vinda e da partida.
Do amor... E todo o seu desiderato...
Da essência, que me anima e consolida.

Embora a perfeição eu não alcance,
almejo, mesmo breve, ter a chance,
de ter centrado em mim todo o poder

de acalentar quem perde-se em tristeza,
de perfumar-lhe os dias co'a leveza,
que as rosas trazem n'alma: bem querer!

- Patricia Neme -

quarta-feira, 8 de abril de 2009

REDE NEURAL



Há mutações,
Autoconhecimento,
Na esquina do tempo.

Na visão de nós mesmos,
Há um mar de sinapses,
Em bites imersos,
Sensorialmente conectados.
A mente em sintonia
Cria o Universo.

Não há dogmas!
Num conceito de Unidade
O pensamento é tudo,
Absoluto.
É ensaio mental,
Força propulsora
No lóbulo frontal,
Altaneiro e soberano
Na rede neural
Do Ser Humano.

(Genaura Tormin)

A ALMA SONHA SOZINHA



Anda a minh’alma sonhando
tão sozinha e acompanhada,
que às vezes vivo pensando
que a alma sonha acordada.

Mas sonhar é um fio d’água
que sozinho entrega ao mar
muitos afluentes de mágoa
que se escoam sem passar.

Sejam simples como a flor
que sonha sonhos calados
dos que perecem do amor
dos sonhos não realizados.

Somos a curva da estrada
dos sonhos que vão além:
sonhar sozinha sem nada
é tudo o que a alma tem...


Afonso Estebanez
(Dedicado ao escritor carioca
Antônio Poeta – criador do site cultural
“Revista de Poesias” / Rio de Janeiro)

BEM MAIOR QUE O PRÓPRIO SER



Quando o ideal não floresce
O ser humano embrutece
Fica pequeno demais
Com desempenhos banais
Escuta ó homem querido
Deste mundo dividido
Indispensável é preciso
No nosso curto viver
Um magistral ideal
Bem maior que o próprio ser.


Walter Dimenstein

Pequenas palavras



Machuca essa espera
das horas ausentes,
dos sonhos dormentes,
das noites perdidas
em versos plangentes!
Destrói, dói, corrói,
minh'alma engasgada,
a voz amassada,
o amor que se perde
em vãos dessa estrada.
Por onde a ternura,
por que só há pranto?
Nenhum acalanto...
Quisera dizer-te,
te quero, de um tanto...
De um tanto, de um tanto...

- Patricia Neme -

O VENTO E A CANÇÃO


À Tania Carvalhal

Só o vento é que sabe versejar:
Tem um verso a fluir que é como um rio de ar.
E onde a qualquer momento podes embarcar:
O que ele está cantando é sempre o teu
cantar.


Mario Quintana