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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Solidão sem fim...



Luar lá fora...
E em meu rosto,
lágrimas em cântaros!

Diante de mim,
na noite enluarada,
cheia de brilhos e encantos,
a minha última esperança:
- Teu vulto por aquela estrada!

Silêncio... Solidão...
E um angustiado coração...
Esperançoso, desencantado...
E por fim... Nada,
apenas o abismo...
Da dor e da saudade!

Regina Helena

sábado, 25 de abril de 2009

Inércia



Preciso abrir as janelas da alma
deixar o vento adentrar
em meu tempo completo, incessante,
respirar flutuando o céu liquefeito
com as luzes de um ocaso
que chega sem avisar

Guiar-me pelas estrelas
soltando as amarras
em busca do mar da tranqüilidade,
levando comigo apenas
bagagens da vida, lembranças sem idade
e o amor à beira do tempo
em grades de brisa

Canto agora em silêncio,
as retinas se calam
e o tempo com seus ponteiros
e pêndulos tortos,
anunciam a tua companhia ausente
no pensamento que me fala.

Conceição Bentes
25/04/09
Responder

Um pouco de mim



Procure-me nos rostos que passam,
na poeira do tempo
e veja quem sou

Encontro-me na noite,
nas pedras que brotam dos interstícios
cujos braços que me enlaçam,
são os cipós dos ventos

Tornei-me palavras que se perderam
sob a saliva da noite,
embaraçando folhas de livros
repletos de versos não lidos,
calados, sem delito.

Conceição Bentes
25/04/09

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Superação



Te espero além de toda longa lida
além de toda espera

Estamos longe
pela determinação do tempo,
raízes te anunciam,
solidões te festejam

Batidas dos vidros fechados
nas portas da memória,
é a dor trazida pelo frio
num recomeço meu

Vivo minha hora
pelo vazio que me toma
ou do fim que fui
secretamente um dia

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 20/04/09
Código do Texto: T1549184

Margem



O rio que corre por minha aldeia
são martins-pescadores
em odores do mundo,
são cílios cortados
em manchas lubrax.
Mas ainda leva o céu
na envergadura
ainda estende artéria
para o mar.
Nele posso sentar-me à margem
atirar uma pedra na água
em meus silêncios concêntricos
velejar.


Fernando Campanella

Brincando de roda...


(Tela de Fernando P.)

Vem pra ciranda
eu te regalo um beijo,
esse meu riso farto,
a paz do meu olhar.
Promessas tantas,
meu dançar brejeiro...
Vem, vem, pra ciranda,
quero cirandar.

Canta comigo
letras de inocência,
põe o teu pezinho
junto ao pé do meu.
Brinca comigo
e, por complacência,
meu amor eterno,
sempre será teu.

Vem pra ciranda,
que a vida é ligeira,
e chega o futuro...
Vai-se a brincadeira...
Então seremos
como as petecas
nas mãos do destino,
que sabe ser rude,
sabe ser ferino.

A lua é cheia,
rua tá vazia...
Vamos voejar
nessa melodia.

E quando a noite,
nos roubar o sol...
Canta essa ciranda
e lembra que um dia
nossa vida foi
canto de alegria.

- Patricia Neme -

SOBRE A ESPERANÇA



Esperança é o sofrimento da vontade
razoável de correr atrás de uma sobra
de alegria que supomos tenha restado
exclusivamente para nós na vida...
Especialmente aquela que tão simples
ninguém quis, e assim restou perdida...

É quando não podemos tomar posse
de uma árvore que floresceu no pomar
da felicidade humana proibida...

Então a esperança é o padecimento
de acreditar na possibilidade mínima
de tomar posse da sombra da árvore
proibida... Mas toda sombra é uma estrada
livremente asfaltada de luz adormecida...

É quando a esperança é essa vontade
irresistível de caminhar até o crepúsculo
e tomar posse do que resta de cada dia
como o lado luminoso de uma sombra
atirado nos escombros da alegria...

Julis Calderón

A RUA DE NOSSA VIDA



A rua de nossa vida deveria ser tão calma
o quanto são os verdes vales em que passa
a brisa, para quem, apenas estar passando,
é o ofício da liberdade de ser brisa...

Pela rua de nossa vida deveriam passar
apenas crianças de tenra idade, que cantam
quando se esvaem seus corações num ímpeto
incontrolável de felicidade.

Os enfermos de amor que recompõem
a canção do entardecer e o pássaro cantor
que em seus monólogos mais comoventes
redescobre o tom das sinfonias inacabadas,
como os poetas as juras de conspiração
das palavras de ternuras reinventadas.

Lembranças de paisagens desconhecidas.
Os bêbados de fé, as dançarinas em êxtase
subitamente paralisadas, os gemidos de dor
das portas ancoradas nas sombras
já mortas sobre as calçadas.

Os operários temporariamente livres
das correntes da escravidão, que buscam
na vaga claridade da esperança a dimensão
da vasta liberdade que jamais terão...

Julis Calderón

Antíqua II


(Foto de Fernando Campanella)

Ali entre os juncais
a face de um deus esquecido
reberverava na tarde –
tua alma é antiga, junta-te a nós –
chamavam -me os juncos,
e tremiam
ao meu silêncio que era um vento
que eriçava a memória da água.

Fernando Campanella

Clamor



Onde estás?
não vês a multidão
que carrego comigo
sem alcançar tua imagem,
teu sorriso?

Tua ausência me faz
debater em terras altas,
mares profundos,
céus indistintos
ficando atônita
rindo de tudo e de nada,
ou chorando por palavras
afagos, gestos miúdos

Não sou a resposta
para questões que me fazes
e fecho-me em cortinas transparentes
nua e verde para a vida.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 20/04/09
Código do Texto: T1549194

SE ESSA RUA FOSSE MINHA...



Se minha rua fosse realmente minha
como minha alma é irreversivelmente
minha, por ela só caminharia alguém
para quem ter a paz de quem caminha
é dádiva de liberdade de quem tem...

Poetas e loucos e bêbados e pássaros têm
o ímpeto incontrolável de cantar também.
Passariam os sonhos dos amantes idosos
e o amor dos mais novos querendo passar
os que seguem do fim e voltam do início
e os que ficam só para não ter que voltar
e os que levam a vida sem ter que querer
e os que nunca terão o dever de explicar.

Os cativos do corpo viciado em ternura
e o êxtase das bailarinas de súbito no ar
e o olhar pueril da solidão das varandas
ancoradas no cais do luar e essa vontade
imensa de partir daqui para poder voltar.

Julis Calderón

Crepúsculo



Mergulho no teu olhar sem limites
absorvendo o mesclado da malicia
que me envolve e apaixona
Mesmo não sendo mais que um sonho,
tua voz me empresta forças ante a vida
que tenta me desenhar
timbres de sorrisos falsos
E teu amor me chega como o sol
no maior de todos os ocasos
raiando minguante nas luas vermelhas
fazendo-me acrobata do teu universo


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 17/04/09
Código do Texto: T1544369

Homenagem


e então, seguíamos na longa caminhada
pasmos, lívidos ante a dor medonha...
e em nosso rastro, a solidão da noite
a nos contemplar, sombria e muda!

parecíamos zumbis, calados, tristes...
entre um suspiro e outro,
a dor se revelando... e a noite,
parecia só nossa, calma, cúmplice...

mas, numa curva qualquer desse caminho,
pessoas em festa! um cão latindo,
crianças brincando! casais sorrindo!
gritos de alegria. Dança!

Eles não vêem a nossa dor passar?
não sabem que o céu desabou sobre nós
e a terra se abriu e nos deixou sem chão?
Como podem viver, se a morte passa?!!!

e então, em meio à dor, o entendimento!
o inexorável, o inevitável fim,
vem para todos! mas naquele dia,
era a nossa vez, e a dor, só nossa!

regina helena
18/04/2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

OBSESSÃO DO MAR OCEANO


Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.


Mario Quintana
in O aprendiz de Feiticeiro

À Nona Rosa de Sarom


Toda a razão, solene, à fé se rende
e de joelhos louva ao Criador,
por contemplar a Graça que resplende
no despertar de pétalas em flor.

Somente Deus, em quem tudo transcende,
sabe tecer a vida em forma e cor.
E transformá-la em rosa que se acende
ante o sacrário de um imenso amor.

Os sinos dobram... O silêncio é tanto...
A prece, a entrega... Alma em acalanto...
Misericórdia, plena, me conduz.

Porque sou rosa, abro-me em ternura,
acolho em mim tua dor e desventura
e em meu Sarom, hei-de entregar-te à Luz!


- Patrícia Neme -

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Solidão sem fim...



Luar lá fora...
E em meu rosto,
lágrimas em cântaros!

Diante de mim,
na noite enluarada,
cheia de brilhos e encantos,
a minha última esperança:
- Teu vulto por aquela estrada!

Silêncio... Solidão...
E um angustiado coração...
Esperançoso, desencantado...
E por fim... Nada,
apenas o abismo...
Da dor e da saudade!

Regina Helena

sábado, 25 de abril de 2009

Inércia



Preciso abrir as janelas da alma
deixar o vento adentrar
em meu tempo completo, incessante,
respirar flutuando o céu liquefeito
com as luzes de um ocaso
que chega sem avisar

Guiar-me pelas estrelas
soltando as amarras
em busca do mar da tranqüilidade,
levando comigo apenas
bagagens da vida, lembranças sem idade
e o amor à beira do tempo
em grades de brisa

Canto agora em silêncio,
as retinas se calam
e o tempo com seus ponteiros
e pêndulos tortos,
anunciam a tua companhia ausente
no pensamento que me fala.

Conceição Bentes
25/04/09
Responder

Um pouco de mim



Procure-me nos rostos que passam,
na poeira do tempo
e veja quem sou

Encontro-me na noite,
nas pedras que brotam dos interstícios
cujos braços que me enlaçam,
são os cipós dos ventos

Tornei-me palavras que se perderam
sob a saliva da noite,
embaraçando folhas de livros
repletos de versos não lidos,
calados, sem delito.

Conceição Bentes
25/04/09

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Superação



Te espero além de toda longa lida
além de toda espera

Estamos longe
pela determinação do tempo,
raízes te anunciam,
solidões te festejam

Batidas dos vidros fechados
nas portas da memória,
é a dor trazida pelo frio
num recomeço meu

Vivo minha hora
pelo vazio que me toma
ou do fim que fui
secretamente um dia

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 20/04/09
Código do Texto: T1549184

Margem



O rio que corre por minha aldeia
são martins-pescadores
em odores do mundo,
são cílios cortados
em manchas lubrax.
Mas ainda leva o céu
na envergadura
ainda estende artéria
para o mar.
Nele posso sentar-me à margem
atirar uma pedra na água
em meus silêncios concêntricos
velejar.


Fernando Campanella

Brincando de roda...


(Tela de Fernando P.)

Vem pra ciranda
eu te regalo um beijo,
esse meu riso farto,
a paz do meu olhar.
Promessas tantas,
meu dançar brejeiro...
Vem, vem, pra ciranda,
quero cirandar.

Canta comigo
letras de inocência,
põe o teu pezinho
junto ao pé do meu.
Brinca comigo
e, por complacência,
meu amor eterno,
sempre será teu.

Vem pra ciranda,
que a vida é ligeira,
e chega o futuro...
Vai-se a brincadeira...
Então seremos
como as petecas
nas mãos do destino,
que sabe ser rude,
sabe ser ferino.

A lua é cheia,
rua tá vazia...
Vamos voejar
nessa melodia.

E quando a noite,
nos roubar o sol...
Canta essa ciranda
e lembra que um dia
nossa vida foi
canto de alegria.

- Patricia Neme -

SOBRE A ESPERANÇA



Esperança é o sofrimento da vontade
razoável de correr atrás de uma sobra
de alegria que supomos tenha restado
exclusivamente para nós na vida...
Especialmente aquela que tão simples
ninguém quis, e assim restou perdida...

É quando não podemos tomar posse
de uma árvore que floresceu no pomar
da felicidade humana proibida...

Então a esperança é o padecimento
de acreditar na possibilidade mínima
de tomar posse da sombra da árvore
proibida... Mas toda sombra é uma estrada
livremente asfaltada de luz adormecida...

É quando a esperança é essa vontade
irresistível de caminhar até o crepúsculo
e tomar posse do que resta de cada dia
como o lado luminoso de uma sombra
atirado nos escombros da alegria...

Julis Calderón

A RUA DE NOSSA VIDA



A rua de nossa vida deveria ser tão calma
o quanto são os verdes vales em que passa
a brisa, para quem, apenas estar passando,
é o ofício da liberdade de ser brisa...

Pela rua de nossa vida deveriam passar
apenas crianças de tenra idade, que cantam
quando se esvaem seus corações num ímpeto
incontrolável de felicidade.

Os enfermos de amor que recompõem
a canção do entardecer e o pássaro cantor
que em seus monólogos mais comoventes
redescobre o tom das sinfonias inacabadas,
como os poetas as juras de conspiração
das palavras de ternuras reinventadas.

Lembranças de paisagens desconhecidas.
Os bêbados de fé, as dançarinas em êxtase
subitamente paralisadas, os gemidos de dor
das portas ancoradas nas sombras
já mortas sobre as calçadas.

Os operários temporariamente livres
das correntes da escravidão, que buscam
na vaga claridade da esperança a dimensão
da vasta liberdade que jamais terão...

Julis Calderón

Antíqua II


(Foto de Fernando Campanella)

Ali entre os juncais
a face de um deus esquecido
reberverava na tarde –
tua alma é antiga, junta-te a nós –
chamavam -me os juncos,
e tremiam
ao meu silêncio que era um vento
que eriçava a memória da água.

Fernando Campanella

Clamor



Onde estás?
não vês a multidão
que carrego comigo
sem alcançar tua imagem,
teu sorriso?

Tua ausência me faz
debater em terras altas,
mares profundos,
céus indistintos
ficando atônita
rindo de tudo e de nada,
ou chorando por palavras
afagos, gestos miúdos

Não sou a resposta
para questões que me fazes
e fecho-me em cortinas transparentes
nua e verde para a vida.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 20/04/09
Código do Texto: T1549194

SE ESSA RUA FOSSE MINHA...



Se minha rua fosse realmente minha
como minha alma é irreversivelmente
minha, por ela só caminharia alguém
para quem ter a paz de quem caminha
é dádiva de liberdade de quem tem...

Poetas e loucos e bêbados e pássaros têm
o ímpeto incontrolável de cantar também.
Passariam os sonhos dos amantes idosos
e o amor dos mais novos querendo passar
os que seguem do fim e voltam do início
e os que ficam só para não ter que voltar
e os que levam a vida sem ter que querer
e os que nunca terão o dever de explicar.

Os cativos do corpo viciado em ternura
e o êxtase das bailarinas de súbito no ar
e o olhar pueril da solidão das varandas
ancoradas no cais do luar e essa vontade
imensa de partir daqui para poder voltar.

Julis Calderón

Crepúsculo



Mergulho no teu olhar sem limites
absorvendo o mesclado da malicia
que me envolve e apaixona
Mesmo não sendo mais que um sonho,
tua voz me empresta forças ante a vida
que tenta me desenhar
timbres de sorrisos falsos
E teu amor me chega como o sol
no maior de todos os ocasos
raiando minguante nas luas vermelhas
fazendo-me acrobata do teu universo


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 17/04/09
Código do Texto: T1544369

Homenagem


e então, seguíamos na longa caminhada
pasmos, lívidos ante a dor medonha...
e em nosso rastro, a solidão da noite
a nos contemplar, sombria e muda!

parecíamos zumbis, calados, tristes...
entre um suspiro e outro,
a dor se revelando... e a noite,
parecia só nossa, calma, cúmplice...

mas, numa curva qualquer desse caminho,
pessoas em festa! um cão latindo,
crianças brincando! casais sorrindo!
gritos de alegria. Dança!

Eles não vêem a nossa dor passar?
não sabem que o céu desabou sobre nós
e a terra se abriu e nos deixou sem chão?
Como podem viver, se a morte passa?!!!

e então, em meio à dor, o entendimento!
o inexorável, o inevitável fim,
vem para todos! mas naquele dia,
era a nossa vez, e a dor, só nossa!

regina helena
18/04/2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

OBSESSÃO DO MAR OCEANO


Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.


Mario Quintana
in O aprendiz de Feiticeiro

À Nona Rosa de Sarom


Toda a razão, solene, à fé se rende
e de joelhos louva ao Criador,
por contemplar a Graça que resplende
no despertar de pétalas em flor.

Somente Deus, em quem tudo transcende,
sabe tecer a vida em forma e cor.
E transformá-la em rosa que se acende
ante o sacrário de um imenso amor.

Os sinos dobram... O silêncio é tanto...
A prece, a entrega... Alma em acalanto...
Misericórdia, plena, me conduz.

Porque sou rosa, abro-me em ternura,
acolho em mim tua dor e desventura
e em meu Sarom, hei-de entregar-te à Luz!


- Patrícia Neme -