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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

HORA DA INSÔNIA



Noite sem termo! A Lua erra em delírio,
Balbucío palavras sem querer...
Cismo no olor vernal d'alma de um lírio,
E sou memória d'algo a transcender...

Sofro-lhe a ausência. A carne é meu martírio,
Ressurjo... Amo a visão do meu Não-Ser!
Todo meu corpo é amorfa névoa--círio...
Volúpia de um perfume a se perder.

Cismo na errante estrela, que deslumbra
O vaso de teu ser dentre o relento
Num murmúrio de fonte que ressumbra!

Sou o olfato! Amo as horas de um jardim...
Sou uma vaga sonora em pensamento:
Eflúvio lirial que vens a mim!...


Ernani Rosas

A MORTE



Sou dos ventres a lúbrica bacante,
a pantera em meus ócios de veludo:
fascino os corações, que enervante,
no languir dos aromas, sobretudo...

Serei do teu Amor, homem, o quebranto,
talvez, a morte em minha garra adunca,
sou bizarra no amor, não vejo nunca:
o que possa na dor causar espanto!

Venho meu corpo à alambra do oriente,
Lascivo riso exóticos perfumes...
Encarno a mancenilha em forma ingente!

Sou a sombra do Amor luxuriante.,
Inebrio as cabeças dos amantes...
Nunca amei, nem de mim não tive ciúmes!

Ernani Rosas

II



Dentro de Mim, um outro urde negro destino,
urde a lenda da raça em torre de ilusão.
E é rival meu no sonho esse monstro divino,
fez-nos Deus duplo ser, tendo um só coração...

São dois gêmeos irmãos, que se beijam e se odeiam;
Filhos da mesma Sina e do mesmo infortúnio
e erram sob um luar num distante interlúnio
de saudades e veemência - ardores que a lua anseiam...

Sou um misto de luz e Deus... deliro arcano!
mistério e luar perdidos a seguir as galeras
que esculpem em sonho o Além desfeito no oceano...

O ardor da carne anseia um outro ser, enfim!
sou o fluxo-refluxo eterno das quimeras...
que chora esse outro alguém, que já viveu por mim.

Ernani Rosas

TÂNTALO DA DOR




Maldita, seja a Arte incompreendida
e a taça do Ideal que nos lacera...
os vinhos de luxúria e da quimera
e a báquica eclosão da luz dorida!

dos tântlos letais e da beleza,
da dúvida do mundo em meu pensar...
os ciclos turvos de íntimas tristezas
que nunca mais se vão para o luar!

Eo meu cismar romântico e amoroso,
é como um rio fundo rumoroso,
cheio de sombras e de estrelas d´oiro...

P´la maldição dessa sinistra incúria,
maldiz ao fel da vida, como agouro...
Maldita seja a serpe das luxúrias!

Ernani Rosas

GOSTAR




Num antro de magia e rúbido mistério,
onde a serpe, a coruja, o sapo tem poesia...
seja negra ou real, a lúgrube magia
em prol da nossa fé em seu áureo hemisfério...

A víbora e o morcego têm duplo poderio,
a áspide produz filtros cruéis p'rá morte:
e na ronda avernal desliza um negro rio...
de líticas visões n'uma obscura coorte!...

Gostando do que é velho e rude, amei-Te um dia...
oh! gasta barregã-ruiva, que ironia
emoldura de Luz na sombra luxuriante!

Vejo aquilo, que o olhar não vê e não namora!
vejo, não a mulher - o anjo, que lá mora....
a nevoenta visão da aurora inquietante ?!...

Ernani Rosas



NOITE DE VALPURGIS



Náufrago brigue do Éter e do sonho,
Derramando um clarão tíbio e suicida...
O sol acena um áureo adeus à Vida
E doura a imensa estrada ante-sonho!

Âmbito argivo em mármore de estranha
Visão de torres e cruzes brancas,
Onde passaram adejos de asas francas
Das aves, se o luar neva à montanha...

Gotas nitentes pela luz douradas
São pérolas que um mar verteu um dia,
Junto às areias gris das alvoradas!

Exaurindo-se à luz dentre a agonia,
Difunde-se qual tule em nuvem alada...
Para voar a tua fantasia!...

Ernani Rosas

EU?



(Para o amigo Tasso da Silveira) 

Eu sei que vim dAlém, como esperança! 
Moço e rude, trigueiro e ponderado... 
Tenho um ar de aldeão, desde criança 
fui campino no sol, fiquei bronzeado!

Enganas-te, alma vil e forasteira? 
venho - do mouro - de alga fidalguia... 
Tive outrora um corcel... que a fantasia, 
apascentou na minha ideal fronteira!

Arrebatou-me o vento da soidão! 
levou-me para longe num farrapo... 
e ao despertar tive a desilusão 

Trazer os pés em sangue e a alma perfeita, 
dentro da luta, sempre satisfeita... 
para lutar até cair em trapo!... 

Ernani Rosas

CANÇÃO DAS PEDRAS



Embrandecei pedras duras
À luz da Lua, no outono,
Quando tudo é só saudade
D'um coração ao abandono!...

Quando tudo é só doçura
E noite peninsular,
Quando ao longe, muito longe,
Choram guitarras ao mar.

E noites, onde marujos
Cantaram à luz do luar:
Saudosos da sua terra
Nas plagas além mar.

Embrandecei pedras duras!
Abri os olhos ceguinhos ...
Com que alegria as verei.
Estrelas, na noite escura!

A luz da lua no outono,
Quando alguém canta magoado
Cantigas de Amor passado
Alta noite... ao abandono!...

Ernani Rosas

CREPÚSCULO



Toda existência, é ocasional regresso...
Ali, a sombra do homem é grave e austera,
recai a tarde em cisma, à noute o espera
sossega a ceifa célere dos músculos...

É efêmero o viver do caminheiro
falsa visão do sonho p´la atmosfera
na demência da enxada do coveiro
que enterra as ruínas, mais as primaveras!...

Vida e ânsia vibrando num só verso
no transporte da serra ao éter puro,
é contato genial com o Universo...

Bruxuleia a minguar em céu escuro,
porque não crê, ficando submerso...
entre o oceano e o Nirvana do futuro!...

Ernani Rosas

SONETO



Vai alta a lua lírica e silente,
Toda paisagem em sonho se embebeu!
Narra a si-mesmo o eco, vagamente...
Paira a auréola da luz dentre os céus...

Parece madrugada! Um galo canta...
Uivam de tédio os cães, não chega o dia!
[pois] se o Luar turvou minha alegria...
E a noite toda de uma mágoa santa!

Outono! Vão-se as horas... E lacrimosa
É tão triste a vereda e a própria casa...
Traz saudades da vida religiosa!

Cada vez mais o luar neva e cintila...
Seixos em pranto à flux o areal abrasa,
E a água por ser ceguinha erra e vacila...


Ernani Rosas

PENUMBRA DO LUAR



Noite de lua e nevoeiro, argente
Difunde-se o luar pela folhagem...
Com a mesma languidez vaga e dormente
Da chuva, quando cai sobre a ramagem...

Como a música ao longe e som dolente
Recorda todo esse abandono... E a aragem
Que passa, agita o olor suave e florente
Vindo das messes, da vernal paisagem...

E o luar cresce através de ermo arvoredo,
Noite chuvosa e triste a Lua ateia...
Fluida névoa de luz... Sonho... Segredo...

Ao ressurgir das coisas na saudade
Que o silêncio evocou... E à luz ondeia
Erra na morta e fria claridade...


Ernani Rosas


AO POENTE



Gosto de ver na síncope do dia
A mistura de tintas do poente,
O sangue vivo, violento e quente
Do sol, n'uma medonha hemorragia.

A claridade extingue-se na enchente
Da noite, de uma atroz melancolia,
Mas, na curva rosada inda sorria
A luz do fim da tarde no ocidente.

Pirilampos azuis, misteriosos
Saem das moitas frescas, perfumadas,
Como os astros por Céus silenciosos...

E, por entre o salgueiro de uma cova,
Surgia além, das fúnebres moradas,
A cimitarra de uma lua nova.

Ernani Rosas

Ó MEU CÃOZINHO



"Ó meu cãozinho barbado,
Tão peludo e tão velhinho!
Ao ver-Te triste e calado,
Pareces meu avozinho!..."

Ernani Rosas

OBRA LITERÁRIA DE ERNANI ROSAS



‘Certa Lenda Numa Tarde’ - Paráfrasis de Narciso; 
Poemas do ópio; 
Silêncios. (...)
‘Poesia de Ernani Rosas’, organizado em 1988 por Iaponam e Danila Varella
‘Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos’ organizada por Zahidé Muzart

BIOGRAFIA DE ERNANI ROSAS



Ernani Rosas nasceu em na pequena cidade de Desterro em 31 de março
 de 1886 e viveu grande parte da vida no Rio de Janeiro. Filho do 
poeta, jornalista e político Oscar Rosas - homem influente, amigo 
do simbolista Cruz e Sousa - especula-se que a genialidade do pai
tenha intimidado o filho. Morreu em 1954 aos 69 anos e em vida,
 publicou apenas ‘Certa Lenda Numa Tarde’ - Paráfrasis de Narciso;
 Poemas do ópio; Silêncios. (...)

Era um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no 
anonimato. Deixou manuscritos que foram descoberto por Iaponam 
Soares numa caixa na Academia Catarinense de Letras. Com isso foi
 ganhando espaço. Primeiro no livro ‘Poesia de Ernani Rosas’,
 organizado em 1988 por Iaponam e Danila Varella, com a
 transcrição de 88 poemas.

Sua cidade, Desterro, foi tema de ‘Cidade do Ócio: entre sonetos
 e retalhos’, livro organizado pela professora da UFSC, Zilma 
Gesser Nunes, doutora em Teoria Literária, que quebra de vez o 
anonimato da obra de Ernani e dá voz ao poeta por meio desta
coletânea formada por 525 poemas inéditos e belos.

“Esta é uma obra de paixão e resgata uma poesia de rara sensibilidade,
 com muita musicalidade e o emprego de imagens e combinações insólitas
 deste estranho poeta que, marginalizado em vida, ainda que resgatado
 nos dias de hoje, continua quase um solene desconhecido na literatura
 brasileira” Zahidé Muzart

Ernani Rosas era um homem misterioso. A julgar pelos raros textos 
que falam sobre seu cotidiano e sua obra, parece que vivia escondido
 como se tivesse se auto-imposto um exílio. Um homem que preferia 
escrever a falar e, sensível às dores do mundo, traduzia seu 
desencanto em versos. Raramente se encontram fotos dele. 

Ernani segue em permanente descoberta por pesquisadores,
estudiosos  e amantes da poesia. Quanto mais se conhece da obra,
 mais aguçada fica a curiosidade do leitor.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

HORA DA INSÔNIA



Noite sem termo! A Lua erra em delírio,
Balbucío palavras sem querer...
Cismo no olor vernal d'alma de um lírio,
E sou memória d'algo a transcender...

Sofro-lhe a ausência. A carne é meu martírio,
Ressurjo... Amo a visão do meu Não-Ser!
Todo meu corpo é amorfa névoa--círio...
Volúpia de um perfume a se perder.

Cismo na errante estrela, que deslumbra
O vaso de teu ser dentre o relento
Num murmúrio de fonte que ressumbra!

Sou o olfato! Amo as horas de um jardim...
Sou uma vaga sonora em pensamento:
Eflúvio lirial que vens a mim!...


Ernani Rosas

A MORTE



Sou dos ventres a lúbrica bacante,
a pantera em meus ócios de veludo:
fascino os corações, que enervante,
no languir dos aromas, sobretudo...

Serei do teu Amor, homem, o quebranto,
talvez, a morte em minha garra adunca,
sou bizarra no amor, não vejo nunca:
o que possa na dor causar espanto!

Venho meu corpo à alambra do oriente,
Lascivo riso exóticos perfumes...
Encarno a mancenilha em forma ingente!

Sou a sombra do Amor luxuriante.,
Inebrio as cabeças dos amantes...
Nunca amei, nem de mim não tive ciúmes!

Ernani Rosas

II



Dentro de Mim, um outro urde negro destino,
urde a lenda da raça em torre de ilusão.
E é rival meu no sonho esse monstro divino,
fez-nos Deus duplo ser, tendo um só coração...

São dois gêmeos irmãos, que se beijam e se odeiam;
Filhos da mesma Sina e do mesmo infortúnio
e erram sob um luar num distante interlúnio
de saudades e veemência - ardores que a lua anseiam...

Sou um misto de luz e Deus... deliro arcano!
mistério e luar perdidos a seguir as galeras
que esculpem em sonho o Além desfeito no oceano...

O ardor da carne anseia um outro ser, enfim!
sou o fluxo-refluxo eterno das quimeras...
que chora esse outro alguém, que já viveu por mim.

Ernani Rosas

TÂNTALO DA DOR




Maldita, seja a Arte incompreendida
e a taça do Ideal que nos lacera...
os vinhos de luxúria e da quimera
e a báquica eclosão da luz dorida!

dos tântlos letais e da beleza,
da dúvida do mundo em meu pensar...
os ciclos turvos de íntimas tristezas
que nunca mais se vão para o luar!

Eo meu cismar romântico e amoroso,
é como um rio fundo rumoroso,
cheio de sombras e de estrelas d´oiro...

P´la maldição dessa sinistra incúria,
maldiz ao fel da vida, como agouro...
Maldita seja a serpe das luxúrias!

Ernani Rosas

GOSTAR




Num antro de magia e rúbido mistério,
onde a serpe, a coruja, o sapo tem poesia...
seja negra ou real, a lúgrube magia
em prol da nossa fé em seu áureo hemisfério...

A víbora e o morcego têm duplo poderio,
a áspide produz filtros cruéis p'rá morte:
e na ronda avernal desliza um negro rio...
de líticas visões n'uma obscura coorte!...

Gostando do que é velho e rude, amei-Te um dia...
oh! gasta barregã-ruiva, que ironia
emoldura de Luz na sombra luxuriante!

Vejo aquilo, que o olhar não vê e não namora!
vejo, não a mulher - o anjo, que lá mora....
a nevoenta visão da aurora inquietante ?!...

Ernani Rosas



NOITE DE VALPURGIS



Náufrago brigue do Éter e do sonho,
Derramando um clarão tíbio e suicida...
O sol acena um áureo adeus à Vida
E doura a imensa estrada ante-sonho!

Âmbito argivo em mármore de estranha
Visão de torres e cruzes brancas,
Onde passaram adejos de asas francas
Das aves, se o luar neva à montanha...

Gotas nitentes pela luz douradas
São pérolas que um mar verteu um dia,
Junto às areias gris das alvoradas!

Exaurindo-se à luz dentre a agonia,
Difunde-se qual tule em nuvem alada...
Para voar a tua fantasia!...

Ernani Rosas

EU?



(Para o amigo Tasso da Silveira) 

Eu sei que vim dAlém, como esperança! 
Moço e rude, trigueiro e ponderado... 
Tenho um ar de aldeão, desde criança 
fui campino no sol, fiquei bronzeado!

Enganas-te, alma vil e forasteira? 
venho - do mouro - de alga fidalguia... 
Tive outrora um corcel... que a fantasia, 
apascentou na minha ideal fronteira!

Arrebatou-me o vento da soidão! 
levou-me para longe num farrapo... 
e ao despertar tive a desilusão 

Trazer os pés em sangue e a alma perfeita, 
dentro da luta, sempre satisfeita... 
para lutar até cair em trapo!... 

Ernani Rosas

CANÇÃO DAS PEDRAS



Embrandecei pedras duras
À luz da Lua, no outono,
Quando tudo é só saudade
D'um coração ao abandono!...

Quando tudo é só doçura
E noite peninsular,
Quando ao longe, muito longe,
Choram guitarras ao mar.

E noites, onde marujos
Cantaram à luz do luar:
Saudosos da sua terra
Nas plagas além mar.

Embrandecei pedras duras!
Abri os olhos ceguinhos ...
Com que alegria as verei.
Estrelas, na noite escura!

A luz da lua no outono,
Quando alguém canta magoado
Cantigas de Amor passado
Alta noite... ao abandono!...

Ernani Rosas

CREPÚSCULO



Toda existência, é ocasional regresso...
Ali, a sombra do homem é grave e austera,
recai a tarde em cisma, à noute o espera
sossega a ceifa célere dos músculos...

É efêmero o viver do caminheiro
falsa visão do sonho p´la atmosfera
na demência da enxada do coveiro
que enterra as ruínas, mais as primaveras!...

Vida e ânsia vibrando num só verso
no transporte da serra ao éter puro,
é contato genial com o Universo...

Bruxuleia a minguar em céu escuro,
porque não crê, ficando submerso...
entre o oceano e o Nirvana do futuro!...

Ernani Rosas

SONETO



Vai alta a lua lírica e silente,
Toda paisagem em sonho se embebeu!
Narra a si-mesmo o eco, vagamente...
Paira a auréola da luz dentre os céus...

Parece madrugada! Um galo canta...
Uivam de tédio os cães, não chega o dia!
[pois] se o Luar turvou minha alegria...
E a noite toda de uma mágoa santa!

Outono! Vão-se as horas... E lacrimosa
É tão triste a vereda e a própria casa...
Traz saudades da vida religiosa!

Cada vez mais o luar neva e cintila...
Seixos em pranto à flux o areal abrasa,
E a água por ser ceguinha erra e vacila...


Ernani Rosas

PENUMBRA DO LUAR



Noite de lua e nevoeiro, argente
Difunde-se o luar pela folhagem...
Com a mesma languidez vaga e dormente
Da chuva, quando cai sobre a ramagem...

Como a música ao longe e som dolente
Recorda todo esse abandono... E a aragem
Que passa, agita o olor suave e florente
Vindo das messes, da vernal paisagem...

E o luar cresce através de ermo arvoredo,
Noite chuvosa e triste a Lua ateia...
Fluida névoa de luz... Sonho... Segredo...

Ao ressurgir das coisas na saudade
Que o silêncio evocou... E à luz ondeia
Erra na morta e fria claridade...


Ernani Rosas


AO POENTE



Gosto de ver na síncope do dia
A mistura de tintas do poente,
O sangue vivo, violento e quente
Do sol, n'uma medonha hemorragia.

A claridade extingue-se na enchente
Da noite, de uma atroz melancolia,
Mas, na curva rosada inda sorria
A luz do fim da tarde no ocidente.

Pirilampos azuis, misteriosos
Saem das moitas frescas, perfumadas,
Como os astros por Céus silenciosos...

E, por entre o salgueiro de uma cova,
Surgia além, das fúnebres moradas,
A cimitarra de uma lua nova.

Ernani Rosas

Ó MEU CÃOZINHO



"Ó meu cãozinho barbado,
Tão peludo e tão velhinho!
Ao ver-Te triste e calado,
Pareces meu avozinho!..."

Ernani Rosas

OBRA LITERÁRIA DE ERNANI ROSAS



‘Certa Lenda Numa Tarde’ - Paráfrasis de Narciso; 
Poemas do ópio; 
Silêncios. (...)
‘Poesia de Ernani Rosas’, organizado em 1988 por Iaponam e Danila Varella
‘Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos’ organizada por Zahidé Muzart

BIOGRAFIA DE ERNANI ROSAS



Ernani Rosas nasceu em na pequena cidade de Desterro em 31 de março
 de 1886 e viveu grande parte da vida no Rio de Janeiro. Filho do 
poeta, jornalista e político Oscar Rosas - homem influente, amigo 
do simbolista Cruz e Sousa - especula-se que a genialidade do pai
tenha intimidado o filho. Morreu em 1954 aos 69 anos e em vida,
 publicou apenas ‘Certa Lenda Numa Tarde’ - Paráfrasis de Narciso;
 Poemas do ópio; Silêncios. (...)

Era um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no 
anonimato. Deixou manuscritos que foram descoberto por Iaponam 
Soares numa caixa na Academia Catarinense de Letras. Com isso foi
 ganhando espaço. Primeiro no livro ‘Poesia de Ernani Rosas’,
 organizado em 1988 por Iaponam e Danila Varella, com a
 transcrição de 88 poemas.

Sua cidade, Desterro, foi tema de ‘Cidade do Ócio: entre sonetos
 e retalhos’, livro organizado pela professora da UFSC, Zilma 
Gesser Nunes, doutora em Teoria Literária, que quebra de vez o 
anonimato da obra de Ernani e dá voz ao poeta por meio desta
coletânea formada por 525 poemas inéditos e belos.

“Esta é uma obra de paixão e resgata uma poesia de rara sensibilidade,
 com muita musicalidade e o emprego de imagens e combinações insólitas
 deste estranho poeta que, marginalizado em vida, ainda que resgatado
 nos dias de hoje, continua quase um solene desconhecido na literatura
 brasileira” Zahidé Muzart

Ernani Rosas era um homem misterioso. A julgar pelos raros textos 
que falam sobre seu cotidiano e sua obra, parece que vivia escondido
 como se tivesse se auto-imposto um exílio. Um homem que preferia 
escrever a falar e, sensível às dores do mundo, traduzia seu 
desencanto em versos. Raramente se encontram fotos dele. 

Ernani segue em permanente descoberta por pesquisadores,
estudiosos  e amantes da poesia. Quanto mais se conhece da obra,
 mais aguçada fica a curiosidade do leitor.