Seja bem-vindo. Hoje é

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

''E onde pousa não faz ninho''



Por possuir só momentos
Fugazes como os ventos
A felicidade tão falada
Não foi bem interpretada
Pois a mesma é passageira
Uma ilusão feiticeira
Uma espera que desespera
Lembra um dócil passarinho
Que voa e pousa e de novo voa
E onde pousa não faz ninho.

Walter Dimenstein

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

''Discurso da Primavera''



Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as ideias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio.
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

''CRIANÇAS''






DIA 12 DE OUTUBRO , ANIVERSÁRIO DA POETISA HELENA KOLODY, DIA DA CRIANÇA NO BRASIL !

Brincam à margem da correnteza
Não indagam a origem do rio

Amam esta água necessária.
Aceitam o mistério sem surpresa

Helena Kolody
de Tempo

(Tela de Arthur Elsley)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

'O TESOURO DAS HORAS'

A cada novo dia,
 a vida me oferece
 o tesouro das horas,
 inteiramente minhas.

 Helena Kolody
in Correnteza

Homenagem a grande poetisa Helena Kolody, pela passagem do centenário de seu nascimento.

''Crepúsculo de Abril''



Cruz Machado (PR), em 12 de outubro de 1912, e faleceu em Curitiba (PR), em 15 de fevereiro de 2004.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

''2''


A flor abriu nos caminhos do abismo.

Mãos desfeitas colheram-na
nos caminhos do abismo,
e as pétalas inocentes não murcharam.

A flor azul abriu no deserto silente.

Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.

A flor azul abriu no píncaro alto e puro.

Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.

E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,

os Poetas cantaram. . .


Tasso da Silveira
In: Puro Canto

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

'LIBERTAÇÃO'


Nossos desejos se purificaram e o nosso pensamento foi subindo, ascendendo, serenando...
Nossas paixões se altearam
como o vento, que, depois de varrer o pó do chão,
para as estrelas trêmulas se eleva,

e, mais alto que a sombra, além da treva,


fica ressoando,


longe e livre, na ignota solidão...



Tasso da Silveira


(SILVEIRA In MURICY, 1936, p. 167-168)
.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

'Primavera'


Ouro flutuando
pelos ramos desfolhados
nos ipês floridos.

Delores Pires

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

"O Vento e Eu"



O vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia...
Tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso,
me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!

Mário Quintana

sábado, 15 de setembro de 2012

"As horas desfeitas"

Das horas, que é feito,
que é feito do encanto
da musica dos dias
do teu canto
de puras harmonias?
Longe de nós o pranto
o peito não nos vinha
triste magoar.
Rumoroso era o espanto
que sentíamos de amar.
De amarmo-nos sem cessar.
Das horas, que é feito?
Hoje tudo desfeito
foi-se em fumo e vento e sombra
e turvo mar.

Natal, RN, 03/06/1984.


Luiz Rabelo
In: Poemas

"POESIA"


Tudo, para ser poesia,
precisa de sentimento,
ser pensamento que cria,
indo além do pensamento.

Ser força que se irradia,
ser ideia e sofrimento,
ser contrario à noite e ao dia,
ser igual ao som do vento.

Ser o chão, ser a escalada,
ser a essência do lamento
uma dor que do alto cai...

Ser tudo não sendo nada,
nada mais que o desalento
de um soluço que se esvai...

Natal, RN, 16/07/1986



Luiz Rabelo
In: Poemas

terça-feira, 21 de agosto de 2012

UM POEMA DENISON MENDES


A palavra bebeu demais, doces licores, perdeu o sentido, fez um striptease. Mais tarde, envergonhada, não soube o que dizer.

Denison Mendes

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"A NOITE"


Um vento fresco e suave entre os pinhais murmura;
A Noite, aos ombros solta a desgrenhada coma,
No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma ...
Tornam-se o campo e o céu de uma cor mais escura.

Um novo aspecto em tudo. um novo e bom aroma
De látiros exala a amplíssima verdura.
Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura
Doce, entreabrindo a flor dos negros lábios, toma ...

Por vales e rechãs caminha, passo a passo,
Atento o ouvido, à escuta ... E no seu plaustro enorme
Cujo rumor desperta a placidez do espaço,

À encantada região das estrelas se eleva ...
E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme,
Volve, quieta, de novo, à habitação da treva.


Francisca Júlia
in Poesias

''HORAS INTERMINÁVEIS''



. . . sem consciência de poemas com janelas
de arvores que lhes arrancaram seus frutos
de flor que mentiu sua cor
de rio que perdeu seu curso sem avisos
de vozes que se sufocaram na choupana dos deuses
de exércitos que se perderam sem fronteiras de vitórias
de crucificações nas almas já sepultadas
de paredes a amordaçarem esperanças-verdes
de queixas sobre versos não falantes dos infinitos buscas.


de todas as horas sem inteligência
para dizerem da religião dos afogados
dos afogados sem amor.


de todas as horas
a clamarem pelo universo de todos os tristes
quando desejam
comungar intenções Deus.



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

''E onde pousa não faz ninho''



Por possuir só momentos
Fugazes como os ventos
A felicidade tão falada
Não foi bem interpretada
Pois a mesma é passageira
Uma ilusão feiticeira
Uma espera que desespera
Lembra um dócil passarinho
Que voa e pousa e de novo voa
E onde pousa não faz ninho.

Walter Dimenstein

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

''Discurso da Primavera''



Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as ideias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio.
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

''CRIANÇAS''






DIA 12 DE OUTUBRO , ANIVERSÁRIO DA POETISA HELENA KOLODY, DIA DA CRIANÇA NO BRASIL !

Brincam à margem da correnteza
Não indagam a origem do rio

Amam esta água necessária.
Aceitam o mistério sem surpresa

Helena Kolody
de Tempo

(Tela de Arthur Elsley)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

'O TESOURO DAS HORAS'

A cada novo dia,
 a vida me oferece
 o tesouro das horas,
 inteiramente minhas.

 Helena Kolody
in Correnteza

Homenagem a grande poetisa Helena Kolody, pela passagem do centenário de seu nascimento.

''Crepúsculo de Abril''



Cruz Machado (PR), em 12 de outubro de 1912, e faleceu em Curitiba (PR), em 15 de fevereiro de 2004.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

''2''


A flor abriu nos caminhos do abismo.

Mãos desfeitas colheram-na
nos caminhos do abismo,
e as pétalas inocentes não murcharam.

A flor azul abriu no deserto silente.

Mãos crispadas colheram-na
no deserto silente
e as pétalas virginais não se crestaram.

A flor azul abriu no píncaro alto e puro.

Mãos sagradas colheram-na
no píncaro alto e puro,
e as pétalas miraculosas não tombaram.

E nos caminhos tristes,
no deserto,
no píncaro,

os Poetas cantaram. . .


Tasso da Silveira
In: Puro Canto

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

'LIBERTAÇÃO'


Nossos desejos se purificaram e o nosso pensamento foi subindo, ascendendo, serenando...
Nossas paixões se altearam
como o vento, que, depois de varrer o pó do chão,
para as estrelas trêmulas se eleva,

e, mais alto que a sombra, além da treva,


fica ressoando,


longe e livre, na ignota solidão...



Tasso da Silveira


(SILVEIRA In MURICY, 1936, p. 167-168)
.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

'Primavera'


Ouro flutuando
pelos ramos desfolhados
nos ipês floridos.

Delores Pires

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

"O Vento e Eu"



O vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia...
Tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso,
me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!

Mário Quintana

sábado, 15 de setembro de 2012

"As horas desfeitas"

Das horas, que é feito,
que é feito do encanto
da musica dos dias
do teu canto
de puras harmonias?
Longe de nós o pranto
o peito não nos vinha
triste magoar.
Rumoroso era o espanto
que sentíamos de amar.
De amarmo-nos sem cessar.
Das horas, que é feito?
Hoje tudo desfeito
foi-se em fumo e vento e sombra
e turvo mar.

Natal, RN, 03/06/1984.


Luiz Rabelo
In: Poemas

"POESIA"


Tudo, para ser poesia,
precisa de sentimento,
ser pensamento que cria,
indo além do pensamento.

Ser força que se irradia,
ser ideia e sofrimento,
ser contrario à noite e ao dia,
ser igual ao som do vento.

Ser o chão, ser a escalada,
ser a essência do lamento
uma dor que do alto cai...

Ser tudo não sendo nada,
nada mais que o desalento
de um soluço que se esvai...

Natal, RN, 16/07/1986



Luiz Rabelo
In: Poemas

terça-feira, 21 de agosto de 2012

UM POEMA DENISON MENDES


A palavra bebeu demais, doces licores, perdeu o sentido, fez um striptease. Mais tarde, envergonhada, não soube o que dizer.

Denison Mendes

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"A NOITE"


Um vento fresco e suave entre os pinhais murmura;
A Noite, aos ombros solta a desgrenhada coma,
No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma ...
Tornam-se o campo e o céu de uma cor mais escura.

Um novo aspecto em tudo. um novo e bom aroma
De látiros exala a amplíssima verdura.
Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura
Doce, entreabrindo a flor dos negros lábios, toma ...

Por vales e rechãs caminha, passo a passo,
Atento o ouvido, à escuta ... E no seu plaustro enorme
Cujo rumor desperta a placidez do espaço,

À encantada região das estrelas se eleva ...
E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme,
Volve, quieta, de novo, à habitação da treva.


Francisca Júlia
in Poesias

''HORAS INTERMINÁVEIS''



. . . sem consciência de poemas com janelas
de arvores que lhes arrancaram seus frutos
de flor que mentiu sua cor
de rio que perdeu seu curso sem avisos
de vozes que se sufocaram na choupana dos deuses
de exércitos que se perderam sem fronteiras de vitórias
de crucificações nas almas já sepultadas
de paredes a amordaçarem esperanças-verdes
de queixas sobre versos não falantes dos infinitos buscas.


de todas as horas sem inteligência
para dizerem da religião dos afogados
dos afogados sem amor.


de todas as horas
a clamarem pelo universo de todos os tristes
quando desejam
comungar intenções Deus.



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo