(Tela de Alessandra Placucci)
A vida
está
na pétala
colorida,
da flor,
no sorriso
ingênuo
das crianças
que brincam,
correm,
pulam,
nos passantes
que andam
lá fora,
no homem
que trabalha
arduamente
para
o sustento
do lar,
no rosto
cansado
das pessoas
que carregam
o peso
do sofrimento,
e,
sobretudo,
no AMOR!
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
terça-feira, 31 de julho de 2012
'ESPELHOS'
Bendito amor! Jardim, pomar, eden, garimpo,
de nossa vida, irmã!
Oh! cada qual de nós é um cristal limpo
que espelha um outro, irmã!
Claros espelhos frente a frente duplicando
a luz de uma feérica manhã -
as almas vão o amor recíproco aumentando.
É assim que fulge - é assim que cresce o lume brando
do sonho nosso, irmã!
Murilo Araujo,
in "Carrilhões" (1917)
terça-feira, 24 de julho de 2012
'MOMENTO'
Oh! A resignação das coisas paradas,
grávidas de silencio, reverentes,
em sua geometria sem jactância!
A placidez das ruas acolchoadas
contra a dura cintilação do dia;
o recato das arvores, a prece
das esquadrias de alumínio ionizado
na fachada do edifício em frente!
Todas as coisas – em clausura – cumprem votos,
enquanto a vã filosofia do século
pensa que move o mundo.
Rio, 9/9/87
Hélio Pellegrino
In: Minérios Domados
''Para nada''
Estou de passagem:
olho a vida de uma janela
que amanhã estará fechada.
Não sabemos para que.
Talvez também
para nada.
Natal, RN, 22/06/1986
Luiz Rabelo
In: Poemas
'O poeta e a Prece'
(Pôr-do-sol em Colatina, ES, cidade do autor do poema)
A oração do poeta é a poesia
Pela qual ele vive e se extasia,
É o seu pensamento preferido.
A rima da musica do verso,
Com a métrica vai ao universo,
A tônica, o ritmo querido.
Só depois da poesia já pronta,
Ele festeja e logo se apronta,
Alegre, vai seu verso declamar.
E assim, recitando os versos seus,
Com respeito envia a prece a Deus,
Na mais bela maneira de amar.
Francisco Hilário Waichert
In: Poesias Pôr do Sol
A oração do poeta é a poesia
Pela qual ele vive e se extasia,
É o seu pensamento preferido.
A rima da musica do verso,
Com a métrica vai ao universo,
A tônica, o ritmo querido.
Só depois da poesia já pronta,
Ele festeja e logo se apronta,
Alegre, vai seu verso declamar.
E assim, recitando os versos seus,
Com respeito envia a prece a Deus,
Na mais bela maneira de amar.
Francisco Hilário Waichert
In: Poesias Pôr do Sol
Marcadores:
Francisco Hilário Waichert
quarta-feira, 11 de julho de 2012
METÁFORA
Já não tento reter do dia
a luz que por exata concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves .
O tempo tem o galope das fúrias
ventos que jamais enternecem .
Melhor correr da memória o labirinto
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: tudo vai escapando
o que restar será na noite
a forma intáctil, o espectro redivivo .
(Mais no mundo me tardo
mais no comando de sombras me esmero .)
Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago : a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.
Fernando Campanella
quinta-feira, 28 de junho de 2012
'O Nunca Mais não é verdade.'
O Nunca Mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a Duração.
O Nunca Mais é só meia-verdade:
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tampo não
(E antevisses
Contentamento e morte na paisagem).
O Nunca Mais é de planícies e fendas.
É de abismos e arroios.
É de perpetuidade no que pensas efêmero
E breve e pequenino
No que sentes eterno.
Nem é corvo ou poema o Nunca Mais.
Hilda Hilst
In Cantares do Sem Nome e de Partidas (1995)
terça-feira, 29 de maio de 2012
''INVENTÁRIO''
Permitirei ao rosto
que se dispa, em silêncio,
das usuras do tempo:
à linha do lábio
legarei a memória do beijo;
à curva da mão
o gesto simples do afagar;
aos olhos, que buscaram,
a maciez do orvalho.
E ao corpo, que adocicou
com seu louco mistério
a vida dos dias perdidos,
doarei chaves de solidão.
Ymah Théres
''Ritual''
Despida de aromas
e de seu íntimo segredo
cabe à flor a renúncia de suas sépalas.
Vai fanando devagar
na tarde que o verão queima:
não há gota d’água que a abençoe
a flor é um sonho murcho
Mas a brisa percorreu seus contornos
a abelha levou-lhe o pólen de seu amor.
Certo é que mais dia menos dia
há de haver outro jardim.
(Ymah Théres)
(THÉRES, 1991, p. 46)
e de seu íntimo segredo
cabe à flor a renúncia de suas sépalas.
Vai fanando devagar
na tarde que o verão queima:
não há gota d’água que a abençoe
a flor é um sonho murcho
Mas a brisa percorreu seus contornos
a abelha levou-lhe o pólen de seu amor.
Certo é que mais dia menos dia
há de haver outro jardim.
(Ymah Théres)
(THÉRES, 1991, p. 46)
''Poemeto''
Vejo é a rosa
mas há o espinho
mesmo que o toque
seja fortuito mesmo
que o jardim repouse
vejo a rosa
mas há é o espinho.
(Ymah Théres)
(THÉRES, 1991, p. 45)
Imaculada Therezinha Miranda Ribeiro, conhecida como Ymah Théres,
Nascida em Lima Duarte, no ano de 1939, Ymah formou-se em jornalismo pela antiga Faculdade de Filosofia e Letras – Fafile (UFJF) e viveu em Juiz de Fora, onde faleceu em 2008, aos 69 anos. Durante mais de 30 anos, colaborou como articulista em inúmeros periódicos mineiros. Membro titular e fundadora da Academia Juizforana de Letras, a poetisa teve seu talento reconhecido por meio de inúmeras premiações e menções honrosas recebidas em concursos literários.
domingo, 27 de maio de 2012
''DO MUNDO''
Vão, que já não são meus
os filhos, os versos, a história.
Comigo não ficam meus passos
nem o desenho do corpo.
Vão os que do mundo vieram:
as folhas, os porres, os cansaços.
Se depositamos guirlandas e lágrimas
aos pés deste deus, nossos tesouros
já não ficam ensimesmados.
Vão, pois, esvaziem-se nossos barcos
por tamanha generosa partida.
E para tantos outros encontros
solte-se a órbita do peito no espaço.
(Fernando Campanella)
domingo, 13 de maio de 2012
ALGUMA COISA
Alguma coisa fica
do caminhar contínuo
e deste sono.
Alguma folha fica
da primavera
no outono.
Algum fruto, algum gesto, alguma voz.
Alguma coisa frutifica.
E fica em nós.
Renata Pallottini
terça-feira, 1 de maio de 2012
Pouca Fala
Como é fácil dizer. É abrir a boca
e deixar que se livre, como um rio
perdido de si mesmo, o desvairio.
Aprendi: toda vez que deixo a boca
entregar-se à aventura da verdade,
não demora e a traição da liberdade
me devolve a palavra desalada.
O tempo é o do fazer silencioso,
e um pouco de canção, brasa que o azul
do sonho que trabalha vai lavrando.
Com a terra que abriga e dá caminho
a um sonho de semente que não sabe
que abre um rastro de luz na escuridão.
Thiago de Mello
In: Poesia Comprometida Com a Minha e a Tua Vida
quarta-feira, 18 de abril de 2012
'O Paradoxo dos Sentidos'
A distância nos aproxima.
A ausência traz tua presença.
Quando não te vejo mais te percebo.
No silêncio a sós ouço tua voz.
Na solidão ando contigo em pensamento pela mão.
Enxergo claro a noite através da escuridão.
No antagonismo da adversidade
mostra-se os sentidos e a autenticidade.
Será sempre assim?
Precisaremos do oposto em nosso posto.
Do amargo para lembrar o doce do gosto.
Indeléveis marcas da vida são os reversos.
Que muitas vezes só entendemos nos versos.
Jorge Cabral
(Porto alegre- RS)
Metamorfose
As borboletas são as flores
que, enfim, conseguiram voar,
mas vivem a rondar as plantas
como quem ronda o antigo lar;
há sempre, pelo ar, um jardim
de rosa múltipla e jasmim,
e há, talvez, a vontade enorme
em tudo de perder seu peso,
ter a leveza de quem dorme,
ser a lembrança no abandono,
ou luz de estrela se apagando.
Alberto da Cunha Melo
In: Dois caminhos e uma oração
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terça-feira, 31 de julho de 2012
'VIDA, VIDA'
(Tela de Alessandra Placucci)
A vida
está
na pétala
colorida,
da flor,
no sorriso
ingênuo
das crianças
que brincam,
correm,
pulam,
nos passantes
que andam
lá fora,
no homem
que trabalha
arduamente
para
o sustento
do lar,
no rosto
cansado
das pessoas
que carregam
o peso
do sofrimento,
e,
sobretudo,
no AMOR!
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
A vida
está
na pétala
colorida,
da flor,
no sorriso
ingênuo
das crianças
que brincam,
correm,
pulam,
nos passantes
que andam
lá fora,
no homem
que trabalha
arduamente
para
o sustento
do lar,
no rosto
cansado
das pessoas
que carregam
o peso
do sofrimento,
e,
sobretudo,
no AMOR!
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
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Delores Pires
'ESPELHOS'
Bendito amor! Jardim, pomar, eden, garimpo,
de nossa vida, irmã!
Oh! cada qual de nós é um cristal limpo
que espelha um outro, irmã!
Claros espelhos frente a frente duplicando
a luz de uma feérica manhã -
as almas vão o amor recíproco aumentando.
É assim que fulge - é assim que cresce o lume brando
do sonho nosso, irmã!
Murilo Araujo,
in "Carrilhões" (1917)
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Murilo Araújo
terça-feira, 24 de julho de 2012
'MOMENTO'
Oh! A resignação das coisas paradas,
grávidas de silencio, reverentes,
em sua geometria sem jactância!
A placidez das ruas acolchoadas
contra a dura cintilação do dia;
o recato das arvores, a prece
das esquadrias de alumínio ionizado
na fachada do edifício em frente!
Todas as coisas – em clausura – cumprem votos,
enquanto a vã filosofia do século
pensa que move o mundo.
Rio, 9/9/87
Hélio Pellegrino
In: Minérios Domados
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Hélio Pellegrino
''Para nada''
Estou de passagem:
olho a vida de uma janela
que amanhã estará fechada.
Não sabemos para que.
Talvez também
para nada.
Natal, RN, 22/06/1986
Luiz Rabelo
In: Poemas
Marcadores:
Luiz Rabelo
'O poeta e a Prece'
(Pôr-do-sol em Colatina, ES, cidade do autor do poema)
A oração do poeta é a poesia
Pela qual ele vive e se extasia,
É o seu pensamento preferido.
A rima da musica do verso,
Com a métrica vai ao universo,
A tônica, o ritmo querido.
Só depois da poesia já pronta,
Ele festeja e logo se apronta,
Alegre, vai seu verso declamar.
E assim, recitando os versos seus,
Com respeito envia a prece a Deus,
Na mais bela maneira de amar.
Francisco Hilário Waichert
In: Poesias Pôr do Sol
A oração do poeta é a poesia
Pela qual ele vive e se extasia,
É o seu pensamento preferido.
A rima da musica do verso,
Com a métrica vai ao universo,
A tônica, o ritmo querido.
Só depois da poesia já pronta,
Ele festeja e logo se apronta,
Alegre, vai seu verso declamar.
E assim, recitando os versos seus,
Com respeito envia a prece a Deus,
Na mais bela maneira de amar.
Francisco Hilário Waichert
In: Poesias Pôr do Sol
Marcadores:
Francisco Hilário Waichert
quarta-feira, 11 de julho de 2012
METÁFORA
Já não tento reter do dia
a luz que por exata concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves .
O tempo tem o galope das fúrias
ventos que jamais enternecem .
Melhor correr da memória o labirinto
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: tudo vai escapando
o que restar será na noite
a forma intáctil, o espectro redivivo .
(Mais no mundo me tardo
mais no comando de sombras me esmero .)
Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago : a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.
Fernando Campanella
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Fernando Campanella
quinta-feira, 28 de junho de 2012
'O Nunca Mais não é verdade.'
O Nunca Mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a Duração.
O Nunca Mais é só meia-verdade:
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tampo não
(E antevisses
Contentamento e morte na paisagem).
O Nunca Mais é de planícies e fendas.
É de abismos e arroios.
É de perpetuidade no que pensas efêmero
E breve e pequenino
No que sentes eterno.
Nem é corvo ou poema o Nunca Mais.
Hilda Hilst
In Cantares do Sem Nome e de Partidas (1995)
Marcadores:
Hilda Hilst
terça-feira, 29 de maio de 2012
''INVENTÁRIO''
Permitirei ao rosto
que se dispa, em silêncio,
das usuras do tempo:
à linha do lábio
legarei a memória do beijo;
à curva da mão
o gesto simples do afagar;
aos olhos, que buscaram,
a maciez do orvalho.
E ao corpo, que adocicou
com seu louco mistério
a vida dos dias perdidos,
doarei chaves de solidão.
Ymah Théres
Marcadores:
Ymah Théres
''Ritual''
Despida de aromas
e de seu íntimo segredo
cabe à flor a renúncia de suas sépalas.
Vai fanando devagar
na tarde que o verão queima:
não há gota d’água que a abençoe
a flor é um sonho murcho
Mas a brisa percorreu seus contornos
a abelha levou-lhe o pólen de seu amor.
Certo é que mais dia menos dia
há de haver outro jardim.
(Ymah Théres)
(THÉRES, 1991, p. 46)
e de seu íntimo segredo
cabe à flor a renúncia de suas sépalas.
Vai fanando devagar
na tarde que o verão queima:
não há gota d’água que a abençoe
a flor é um sonho murcho
Mas a brisa percorreu seus contornos
a abelha levou-lhe o pólen de seu amor.
Certo é que mais dia menos dia
há de haver outro jardim.
(Ymah Théres)
(THÉRES, 1991, p. 46)
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Ymah Théres
''Poemeto''
Vejo é a rosa
mas há o espinho
mesmo que o toque
seja fortuito mesmo
que o jardim repouse
vejo a rosa
mas há é o espinho.
(Ymah Théres)
(THÉRES, 1991, p. 45)
Imaculada Therezinha Miranda Ribeiro, conhecida como Ymah Théres,
Nascida em Lima Duarte, no ano de 1939, Ymah formou-se em jornalismo pela antiga Faculdade de Filosofia e Letras – Fafile (UFJF) e viveu em Juiz de Fora, onde faleceu em 2008, aos 69 anos. Durante mais de 30 anos, colaborou como articulista em inúmeros periódicos mineiros. Membro titular e fundadora da Academia Juizforana de Letras, a poetisa teve seu talento reconhecido por meio de inúmeras premiações e menções honrosas recebidas em concursos literários.
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Ymah Théres
domingo, 27 de maio de 2012
''DO MUNDO''
Vão, que já não são meus
os filhos, os versos, a história.
Comigo não ficam meus passos
nem o desenho do corpo.
Vão os que do mundo vieram:
as folhas, os porres, os cansaços.
Se depositamos guirlandas e lágrimas
aos pés deste deus, nossos tesouros
já não ficam ensimesmados.
Vão, pois, esvaziem-se nossos barcos
por tamanha generosa partida.
E para tantos outros encontros
solte-se a órbita do peito no espaço.
(Fernando Campanella)
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Fernando Campanella
domingo, 13 de maio de 2012
ALGUMA COISA
Alguma coisa fica
do caminhar contínuo
e deste sono.
Alguma folha fica
da primavera
no outono.
Algum fruto, algum gesto, alguma voz.
Alguma coisa frutifica.
E fica em nós.
Renata Pallottini
Marcadores:
Renata Pallottini
terça-feira, 1 de maio de 2012
Pouca Fala
Como é fácil dizer. É abrir a boca
e deixar que se livre, como um rio
perdido de si mesmo, o desvairio.
Aprendi: toda vez que deixo a boca
entregar-se à aventura da verdade,
não demora e a traição da liberdade
me devolve a palavra desalada.
O tempo é o do fazer silencioso,
e um pouco de canção, brasa que o azul
do sonho que trabalha vai lavrando.
Com a terra que abriga e dá caminho
a um sonho de semente que não sabe
que abre um rastro de luz na escuridão.
Thiago de Mello
In: Poesia Comprometida Com a Minha e a Tua Vida
Marcadores:
Thiago de Mello
quarta-feira, 18 de abril de 2012
'O Paradoxo dos Sentidos'
A distância nos aproxima.
A ausência traz tua presença.
Quando não te vejo mais te percebo.
No silêncio a sós ouço tua voz.
Na solidão ando contigo em pensamento pela mão.
Enxergo claro a noite através da escuridão.
No antagonismo da adversidade
mostra-se os sentidos e a autenticidade.
Será sempre assim?
Precisaremos do oposto em nosso posto.
Do amargo para lembrar o doce do gosto.
Indeléveis marcas da vida são os reversos.
Que muitas vezes só entendemos nos versos.
Jorge Cabral
(Porto alegre- RS)
Marcadores:
Jorge Cabral
Metamorfose
As borboletas são as flores
que, enfim, conseguiram voar,
mas vivem a rondar as plantas
como quem ronda o antigo lar;
há sempre, pelo ar, um jardim
de rosa múltipla e jasmim,
e há, talvez, a vontade enorme
em tudo de perder seu peso,
ter a leveza de quem dorme,
ser a lembrança no abandono,
ou luz de estrela se apagando.
Alberto da Cunha Melo
In: Dois caminhos e uma oração
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