Quem é alguém que caminha
Toda a manhã com tristeza
Dentro de minhas roupas, perdido
Além do sonho e da rua?
Das roupas que vão crescendo
Como se levassem nos bolsos
Doces geografias, pensamentos
De além do sonho e da rua?
Alguém a cada momento
Vem morrer no longe horizonte
Do meu quarto, onde esse alguém
É vento, barco, continente.
Alguém me diz toda a noite
Coisas em voz que não ouço.
- Falemos na viagem, eu lembro.
Alguém me fala na viagem.
João Cabral de Melo Neto
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
FILHO PRÓDIGO
I
Ele me olha
com a expectativa do mundo.
Sonda o que sei,
pensa que eu sei.
II
Ele me acompanha
com os olhos da vida.
Mira o que dei,
julga o que eu sei.
III
Ele me abraça
com os anos da infância.
Acha que sou rei,
acredita que eu voltei.
IV
Ele me beija
com os lábios da inocência.
Escolhe as palavras,
multiplica suas vidas.
V
Ele me descobre
no ocaso da existência.
Confere o que sei:
já sabe que não sou rei.
Jairo De Britto,
em "Dunas de Marfim"
Foto do poeta e seu filho Leonardo.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
IDEAL
Preciso semear
em todos os horizontes
brancas paisagens de aves
. . . sendeiro luz aos humanos.
Preciso ver germinar
. . . lá, muito lá,
beijos se encontrando,
desertos sussurrando . . .
preciso ver florescer
nessas vastidões submissas
pensamentos em largos vôos. . .
Desejo então,
nessas nesses raras,
absorver perfeições de céus
. . . ódios sorrindo aos perdões
. . . braços recolhendo ausências
. . . silêncios desenhando canções.
Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos
em todos os horizontes
brancas paisagens de aves
. . . sendeiro luz aos humanos.
Preciso ver germinar
. . . lá, muito lá,
beijos se encontrando,
desertos sussurrando . . .
preciso ver florescer
nessas vastidões submissas
pensamentos em largos vôos. . .
Desejo então,
nessas nesses raras,
absorver perfeições de céus
. . . ódios sorrindo aos perdões
. . . braços recolhendo ausências
. . . silêncios desenhando canções.
Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Feliz Ano-Novo Judaico 5772
Um sorriso se faz
olha lá os passos de luz vindo
te abraçar feito azul,
na tua estrada,
tua história,
tua memória,
teu coração.
Bem Vindo
doce abraço
aromas de mel
e maçã.
e o que passou deixa ir
feliz ou não.
Vai nascer um big bang
momento virgem
sair do mar
o sol
a vida
o alimento,
na alma
uma estrela
brilhando
ano novo
chegando.
Aharon
מל
חיוך גורם
נראה במורד המדרגות של אור מגיע
אני מחבק אותך כמו האור,
הדרך שלך,
הסיפור שלך,
הזיכרון שלך,
הלב שלך.
רצוי
מתוקה חיבוק
ארומות של דבש
וגם תפוח.
ומה להרפות עכשיו
מאושר או לא.
ייוולד המפץ הגדול
בתולה רגע
מן הים
השמש
חיים
אוכל,
נשמה
כוכב
מבריק
ראש השנה
הקרובים.
אהרון
—
olha lá os passos de luz vindo
te abraçar feito azul,
na tua estrada,
tua história,
tua memória,
teu coração.
Bem Vindo
doce abraço
aromas de mel
e maçã.
e o que passou deixa ir
feliz ou não.
Vai nascer um big bang
momento virgem
sair do mar
o sol
a vida
o alimento,
na alma
uma estrela
brilhando
ano novo
chegando.
Aharon
מל
חיוך גורם
נראה במורד המדרגות של אור מגיע
אני מחבק אותך כמו האור,
הדרך שלך,
הסיפור שלך,
הזיכרון שלך,
הלב שלך.
רצוי
מתוקה חיבוק
ארומות של דבש
וגם תפוח.
ומה להרפות עכשיו
מאושר או לא.
ייוולד המפץ הגדול
בתולה רגע
מן הים
השמש
חיים
אוכל,
נשמה
כוכב
מבריק
ראש השנה
הקרובים.
אהרון
—
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Veleiros de Papel
Há no ar uma sede
ferindo a alma dos pescadores,
roendo barcos
e velas em lance de rede.
O homem pelas sebes
Caminha,
recolhendo estrelas
entre as mãos - no céu.
Nas ribanceiras,
crianças empalmam rios,
plantam neve nas colinas
em brancas tendas de areia.
O cansaço dos inocente
põe pedras nos olhos,
fere de morte os covardes,
desmonta velhas embarcações.
Se nada segues
pouco vale o destino,
a morte cavalga veloz
sempre a caminho.
O homem vive
de pescar o tempo:
ora em veleiros de papel,
ora em veleiros de vento
Onévio Antonio Zabot
Joinville, Santa Catarina
Brasil
Copiado da página de minha amiga Dione.
ferindo a alma dos pescadores,
roendo barcos
e velas em lance de rede.
O homem pelas sebes
Caminha,
recolhendo estrelas
entre as mãos - no céu.
Nas ribanceiras,
crianças empalmam rios,
plantam neve nas colinas
em brancas tendas de areia.
O cansaço dos inocente
põe pedras nos olhos,
fere de morte os covardes,
desmonta velhas embarcações.
Se nada segues
pouco vale o destino,
a morte cavalga veloz
sempre a caminho.
O homem vive
de pescar o tempo:
ora em veleiros de papel,
ora em veleiros de vento
Onévio Antonio Zabot
Joinville, Santa Catarina
Brasil
Copiado da página de minha amiga Dione.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Os ventos
Não há, nos ventos,
a liberdade da morte,
embora sejam implacáveis e
jamais perdoem as folhas secas.
Todos os ventos têm nome
mas não se conhece nenhum
de perto, embora
se agarrem a você
e desorganizem a harmonia.
Os ventos não têm forma
mas sabemos todas as suas aspirações
e os seus amores com o mar e as árvores.
Os ventos não têm a liberdade da morte
diluídos na essência
do que nunca aconteceu.
Ashford Castle, Irlanda, julho 92
Álvaro Pacheco
In Geometria dos Ventos (1992)
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Eu, no tempo
Meu espírito caminha irreversivelmente para a irrealidade de tudo.
O universo para, de repente, à espera de minha infância.
Tudo repousa em seu lugar.
O tempo, no relógio.
O silencio, na pedra.
Jogo as máscaras fora e me identifico comigo
que me esperava há séculos.
Emílio Moura
In: Itinerário Poético
Entre o Real e a Fabula
sexta-feira, 29 de julho de 2011
EM SEDA
Por esta luz que me alumia
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
quinta-feira, 28 de julho de 2011
SMILE
Viver quando a vida é um mar de rosas,
onde voga o batel das ilusões,
oh quanto é bom viver!
Quando a falena de asas luminosas
— Amor — se abriga em nossos corações,
como é triste morrer!
Viver, quando o Ideal é um sonho findo,
e o presente — amarga realidade...
como é triste viver!
Quando a Crença e o Amor não se extinguindo,
e empunhamos a taça da Saudade...
oh quanto é bom morrer!
Rosalia Sandoval
(Alagoas)
Da revista: "O Lyrio", nº 18 e 19, abril e maio 1904, PE
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Intervalo
Às vezes,
Todas as dores de uma vida inteira
Gritam...
Às vezes,
Nas mãos, os gestos de perdão
Petrificam...
Às vezes,
As canções dos anjos
Emudecem...
Às vezes,
Os silêncios , numa praia derradeira
Desaguam...
Às vezes...
Só às vezes...
Vera Muniz
Todas as dores de uma vida inteira
Gritam...
Às vezes,
Nas mãos, os gestos de perdão
Petrificam...
Às vezes,
As canções dos anjos
Emudecem...
Às vezes,
Os silêncios , numa praia derradeira
Desaguam...
Às vezes...
Só às vezes...
Vera Muniz
Rochas
Não me apresse.
Meus olhos embriagam-se
Na visão altiva das montanhas...
Não tenho pressa.
Meu corpo inteiro dança
No ritmo idílico da eternidade...
Componho, pedra a pedra,
O jardim onde meu coração habita.
Vera Muniz
Meus olhos embriagam-se
Na visão altiva das montanhas...
Não tenho pressa.
Meu corpo inteiro dança
No ritmo idílico da eternidade...
Componho, pedra a pedra,
O jardim onde meu coração habita.
Vera Muniz
quarta-feira, 13 de julho de 2011
ALEGRIA
Trêmula gota de orvalho
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.
Helena Kolody
In: Correnteza
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.
Helena Kolody
In: Correnteza
CICLO
Do telhado, solitário,
Sempre, um corvo centenário
Observa o pátio da escola.
Há um século, vive cheio
De meninos em recreio. . .
Como a vida não varia!
Claras risadas amenas
E sempre os mesmos brinquedos.
Mudam os rostos apenas.
Helena Kolody
In: Correnteza
Sempre, um corvo centenário
Observa o pátio da escola.
Há um século, vive cheio
De meninos em recreio. . .
Como a vida não varia!
Claras risadas amenas
E sempre os mesmos brinquedos.
Mudam os rostos apenas.
Helena Kolody
In: Correnteza
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Compensação
O pensamento vestido de imaginados
Surge como um gânglio enfartado
E movimenta o cérebro cansado
Pelas distância sem rumo.
No caminho pedras e abismos
Se agarram ao nosso corpo frágil
E nos levam para a paisagem eterna
Num céu onde não há fim.
O mundo é um grande olho que espia tudo
E ensina um sofrimento mudo.
A luz pode ser esperança ou desespero
No olhar do transeunte que jamais veremos.
Sabemos que todos seguem o mesmo rumo
Nos jardins plantados de ciprestes.
Adalgisa Nery in Erosão
quarta-feira, 6 de julho de 2011
TAL VEZ, O QUE BASTE SABER*
I
Não que eu saiba tanto assim,
ou que menos me importe saber:
Há quantos, exatos incríveis anos,
não tomo um copo de cólera?
II
Não que me caiba aventar aqui,
quão mal me comporte ou sobreviva ali.
Ou arguir: Qual a veríssima idade
das algas, estrelas, pedras - da Luz?
Vez que tantos diferem de mim,
em tanta alegria ou tão pouca sorte,
qual a estival infame verdade do Tempo?
III
Sei, talvez suficiente, da noite, das luas,
dos rios e vaidades; do distraído
conviver com a morte – severa amante,
pão nosso primo de cada dia.
Conheço suas mais íntimas, venais,
profundas entranhas; becos, vielas e ruas
E elas, todas, muito mais sabem de mim!
IV
Sei, da madrugada, o estuário das manhas
- malditas e surdas; a densa voz de cada cidade:
A farsa inteira – crua, da servil tempestade
com que profana e abafa a viva manhã!
V
Do dia, mares, amor e sol, já soube
- e quis - mais.
Hoje, bem pouco sei. Mas o que sei me basta.
É este parco, velho, provável falso saber
que alimenta meu viver.
(Amanhã será outra noite!)
*Jairo De Britto, em
"Dunas de Marfim"
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
A Viagem
Quem é alguém que caminha
Toda a manhã com tristeza
Dentro de minhas roupas, perdido
Além do sonho e da rua?
Das roupas que vão crescendo
Como se levassem nos bolsos
Doces geografias, pensamentos
De além do sonho e da rua?
Alguém a cada momento
Vem morrer no longe horizonte
Do meu quarto, onde esse alguém
É vento, barco, continente.
Alguém me diz toda a noite
Coisas em voz que não ouço.
- Falemos na viagem, eu lembro.
Alguém me fala na viagem.
João Cabral de Melo Neto
Toda a manhã com tristeza
Dentro de minhas roupas, perdido
Além do sonho e da rua?
Das roupas que vão crescendo
Como se levassem nos bolsos
Doces geografias, pensamentos
De além do sonho e da rua?
Alguém a cada momento
Vem morrer no longe horizonte
Do meu quarto, onde esse alguém
É vento, barco, continente.
Alguém me diz toda a noite
Coisas em voz que não ouço.
- Falemos na viagem, eu lembro.
Alguém me fala na viagem.
João Cabral de Melo Neto
Marcadores:
João Cabral De Melo Neto
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
FILHO PRÓDIGO
I
Ele me olha
com a expectativa do mundo.
Sonda o que sei,
pensa que eu sei.
II
Ele me acompanha
com os olhos da vida.
Mira o que dei,
julga o que eu sei.
III
Ele me abraça
com os anos da infância.
Acha que sou rei,
acredita que eu voltei.
IV
Ele me beija
com os lábios da inocência.
Escolhe as palavras,
multiplica suas vidas.
V
Ele me descobre
no ocaso da existência.
Confere o que sei:
já sabe que não sou rei.
Jairo De Britto,
em "Dunas de Marfim"
Foto do poeta e seu filho Leonardo.
Marcadores:
Jairo De Britto
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
IDEAL
Preciso semear
em todos os horizontes
brancas paisagens de aves
. . . sendeiro luz aos humanos.
Preciso ver germinar
. . . lá, muito lá,
beijos se encontrando,
desertos sussurrando . . .
preciso ver florescer
nessas vastidões submissas
pensamentos em largos vôos. . .
Desejo então,
nessas nesses raras,
absorver perfeições de céus
. . . ódios sorrindo aos perdões
. . . braços recolhendo ausências
. . . silêncios desenhando canções.
Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos
em todos os horizontes
brancas paisagens de aves
. . . sendeiro luz aos humanos.
Preciso ver germinar
. . . lá, muito lá,
beijos se encontrando,
desertos sussurrando . . .
preciso ver florescer
nessas vastidões submissas
pensamentos em largos vôos. . .
Desejo então,
nessas nesses raras,
absorver perfeições de céus
. . . ódios sorrindo aos perdões
. . . braços recolhendo ausências
. . . silêncios desenhando canções.
Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos
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Alvina Nunes Tzovenos
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Feliz Ano-Novo Judaico 5772
Um sorriso se faz
olha lá os passos de luz vindo
te abraçar feito azul,
na tua estrada,
tua história,
tua memória,
teu coração.
Bem Vindo
doce abraço
aromas de mel
e maçã.
e o que passou deixa ir
feliz ou não.
Vai nascer um big bang
momento virgem
sair do mar
o sol
a vida
o alimento,
na alma
uma estrela
brilhando
ano novo
chegando.
Aharon
מל
חיוך גורם
נראה במורד המדרגות של אור מגיע
אני מחבק אותך כמו האור,
הדרך שלך,
הסיפור שלך,
הזיכרון שלך,
הלב שלך.
רצוי
מתוקה חיבוק
ארומות של דבש
וגם תפוח.
ומה להרפות עכשיו
מאושר או לא.
ייוולד המפץ הגדול
בתולה רגע
מן הים
השמש
חיים
אוכל,
נשמה
כוכב
מבריק
ראש השנה
הקרובים.
אהרון
—
olha lá os passos de luz vindo
te abraçar feito azul,
na tua estrada,
tua história,
tua memória,
teu coração.
Bem Vindo
doce abraço
aromas de mel
e maçã.
e o que passou deixa ir
feliz ou não.
Vai nascer um big bang
momento virgem
sair do mar
o sol
a vida
o alimento,
na alma
uma estrela
brilhando
ano novo
chegando.
Aharon
מל
חיוך גורם
נראה במורד המדרגות של אור מגיע
אני מחבק אותך כמו האור,
הדרך שלך,
הסיפור שלך,
הזיכרון שלך,
הלב שלך.
רצוי
מתוקה חיבוק
ארומות של דבש
וגם תפוח.
ומה להרפות עכשיו
מאושר או לא.
ייוולד המפץ הגדול
בתולה רגע
מן הים
השמש
חיים
אוכל,
נשמה
כוכב
מבריק
ראש השנה
הקרובים.
אהרון
—
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Nelson Aharon
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Veleiros de Papel
Há no ar uma sede
ferindo a alma dos pescadores,
roendo barcos
e velas em lance de rede.
O homem pelas sebes
Caminha,
recolhendo estrelas
entre as mãos - no céu.
Nas ribanceiras,
crianças empalmam rios,
plantam neve nas colinas
em brancas tendas de areia.
O cansaço dos inocente
põe pedras nos olhos,
fere de morte os covardes,
desmonta velhas embarcações.
Se nada segues
pouco vale o destino,
a morte cavalga veloz
sempre a caminho.
O homem vive
de pescar o tempo:
ora em veleiros de papel,
ora em veleiros de vento
Onévio Antonio Zabot
Joinville, Santa Catarina
Brasil
Copiado da página de minha amiga Dione.
ferindo a alma dos pescadores,
roendo barcos
e velas em lance de rede.
O homem pelas sebes
Caminha,
recolhendo estrelas
entre as mãos - no céu.
Nas ribanceiras,
crianças empalmam rios,
plantam neve nas colinas
em brancas tendas de areia.
O cansaço dos inocente
põe pedras nos olhos,
fere de morte os covardes,
desmonta velhas embarcações.
Se nada segues
pouco vale o destino,
a morte cavalga veloz
sempre a caminho.
O homem vive
de pescar o tempo:
ora em veleiros de papel,
ora em veleiros de vento
Onévio Antonio Zabot
Joinville, Santa Catarina
Brasil
Copiado da página de minha amiga Dione.
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Onévio Antonio Zabot
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Os ventos
Não há, nos ventos,
a liberdade da morte,
embora sejam implacáveis e
jamais perdoem as folhas secas.
Todos os ventos têm nome
mas não se conhece nenhum
de perto, embora
se agarrem a você
e desorganizem a harmonia.
Os ventos não têm forma
mas sabemos todas as suas aspirações
e os seus amores com o mar e as árvores.
Os ventos não têm a liberdade da morte
diluídos na essência
do que nunca aconteceu.
Ashford Castle, Irlanda, julho 92
Álvaro Pacheco
In Geometria dos Ventos (1992)
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Álvaro Pacheco
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Eu, no tempo
Meu espírito caminha irreversivelmente para a irrealidade de tudo.
O universo para, de repente, à espera de minha infância.
Tudo repousa em seu lugar.
O tempo, no relógio.
O silencio, na pedra.
Jogo as máscaras fora e me identifico comigo
que me esperava há séculos.
Emílio Moura
In: Itinerário Poético
Entre o Real e a Fabula
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Emílio Moura
sexta-feira, 29 de julho de 2011
EM SEDA
Por esta luz que me alumia
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
e me inventa em seda a estrada
entre a arte, alívio da memória,
e o mais trêmulo aceno do nada
- se com o mundo me acertei/me desavim,
já nem sei -
sou o que perdidamente
tomou rumo de mim.
(Fernando Campanella, 2010)
Marcadores:
Fernando Campanella
quinta-feira, 28 de julho de 2011
SMILE
Viver quando a vida é um mar de rosas,
onde voga o batel das ilusões,
oh quanto é bom viver!
Quando a falena de asas luminosas
— Amor — se abriga em nossos corações,
como é triste morrer!
Viver, quando o Ideal é um sonho findo,
e o presente — amarga realidade...
como é triste viver!
Quando a Crença e o Amor não se extinguindo,
e empunhamos a taça da Saudade...
oh quanto é bom morrer!
Rosalia Sandoval
(Alagoas)
Da revista: "O Lyrio", nº 18 e 19, abril e maio 1904, PE
Marcadores:
Rosália Sandoval
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Intervalo
Às vezes,
Todas as dores de uma vida inteira
Gritam...
Às vezes,
Nas mãos, os gestos de perdão
Petrificam...
Às vezes,
As canções dos anjos
Emudecem...
Às vezes,
Os silêncios , numa praia derradeira
Desaguam...
Às vezes...
Só às vezes...
Vera Muniz
Todas as dores de uma vida inteira
Gritam...
Às vezes,
Nas mãos, os gestos de perdão
Petrificam...
Às vezes,
As canções dos anjos
Emudecem...
Às vezes,
Os silêncios , numa praia derradeira
Desaguam...
Às vezes...
Só às vezes...
Vera Muniz
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Vera Muniz
Rochas
Não me apresse.
Meus olhos embriagam-se
Na visão altiva das montanhas...
Não tenho pressa.
Meu corpo inteiro dança
No ritmo idílico da eternidade...
Componho, pedra a pedra,
O jardim onde meu coração habita.
Vera Muniz
Meus olhos embriagam-se
Na visão altiva das montanhas...
Não tenho pressa.
Meu corpo inteiro dança
No ritmo idílico da eternidade...
Componho, pedra a pedra,
O jardim onde meu coração habita.
Vera Muniz
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Vera Muniz
quarta-feira, 13 de julho de 2011
ALEGRIA
Trêmula gota de orvalho
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.
Helena Kolody
In: Correnteza
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.
Helena Kolody
In: Correnteza
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Helena Kolody
CICLO
Do telhado, solitário,
Sempre, um corvo centenário
Observa o pátio da escola.
Há um século, vive cheio
De meninos em recreio. . .
Como a vida não varia!
Claras risadas amenas
E sempre os mesmos brinquedos.
Mudam os rostos apenas.
Helena Kolody
In: Correnteza
Sempre, um corvo centenário
Observa o pátio da escola.
Há um século, vive cheio
De meninos em recreio. . .
Como a vida não varia!
Claras risadas amenas
E sempre os mesmos brinquedos.
Mudam os rostos apenas.
Helena Kolody
In: Correnteza
Marcadores:
Helena Kolody
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Compensação
O pensamento vestido de imaginados
Surge como um gânglio enfartado
E movimenta o cérebro cansado
Pelas distância sem rumo.
No caminho pedras e abismos
Se agarram ao nosso corpo frágil
E nos levam para a paisagem eterna
Num céu onde não há fim.
O mundo é um grande olho que espia tudo
E ensina um sofrimento mudo.
A luz pode ser esperança ou desespero
No olhar do transeunte que jamais veremos.
Sabemos que todos seguem o mesmo rumo
Nos jardins plantados de ciprestes.
Adalgisa Nery in Erosão
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Adalgisa Nery
quarta-feira, 6 de julho de 2011
TAL VEZ, O QUE BASTE SABER*
I
Não que eu saiba tanto assim,
ou que menos me importe saber:
Há quantos, exatos incríveis anos,
não tomo um copo de cólera?
II
Não que me caiba aventar aqui,
quão mal me comporte ou sobreviva ali.
Ou arguir: Qual a veríssima idade
das algas, estrelas, pedras - da Luz?
Vez que tantos diferem de mim,
em tanta alegria ou tão pouca sorte,
qual a estival infame verdade do Tempo?
III
Sei, talvez suficiente, da noite, das luas,
dos rios e vaidades; do distraído
conviver com a morte – severa amante,
pão nosso primo de cada dia.
Conheço suas mais íntimas, venais,
profundas entranhas; becos, vielas e ruas
E elas, todas, muito mais sabem de mim!
IV
Sei, da madrugada, o estuário das manhas
- malditas e surdas; a densa voz de cada cidade:
A farsa inteira – crua, da servil tempestade
com que profana e abafa a viva manhã!
V
Do dia, mares, amor e sol, já soube
- e quis - mais.
Hoje, bem pouco sei. Mas o que sei me basta.
É este parco, velho, provável falso saber
que alimenta meu viver.
(Amanhã será outra noite!)
*Jairo De Britto, em
"Dunas de Marfim"
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Jairo De Britto
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