Seja bem-vindo. Hoje é

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Berceuse


A chuva embala as árvores insones
Com baladas e lendas outonais...

Carícia d'água, cândida e piedosa,
Nos braços nus dos troncos espetrais.

Mantilha em que se abrigam tristes frondes,
Saudosas dos diademas estivais.

A chuva dependura pelos ramos
Braceletes de lúcidos cristais

O vento embala as árvores silentes
Com baladas e lendas outonais.

Helena Kolody

quarta-feira, 4 de maio de 2011

INVASÃO DA ALEGRIA


Ah! Que alegria de furtar manhãs! –
Um “venha “ de um tapa azul no sangue!
Tê-la a ensinar ao sol da nossa boca
Uma lição de madrigais meninos!

Brincar o cheiro da manhã molhada
Enxugando-a de amor! Depois gostá-la
Com um circo de prazer de ter achado
Dentro da música o assobio perdido.

Ter a manhã como uma caixa e abri-la
Para afofar seu dispersivo corpo
Até reaver os dedos sujos de asas!

Sorver manhãs com licor de almas dentro,
Num orgasmo castíssimo, surpreso
Que a dor insista em praticar a noite...

Homero Frei
In “Sonetos Brancos” (1998)

POEMAS DO VENTO


Gastar-se no tempo
diluir-se no vento
evolar-se no sonho
deixando
- haverá quem o colha? -
um resíduo...

Memória.

Levarei por onde ande
uma inquietação mais nada
impulso vital que extingo
dentro de um pouco de lama.

Tal que o vento que baila
fazendo seu corpo efêmero
com a poeira das estradas...


Menotti Del Picchia

terça-feira, 19 de abril de 2011

EPITALÂMIO


Apenas as gotas de chuva: compassadas e mansas.
A folhagem, lá fora, adormeceu feliz.
Despertando na relva, cantam grilos baixinho.
A confidência da chuva, a confidência dos grilos,
Tudo que vem da noite é surdina e doçura.

Certeza não direi, mas direi: esperança.
Deves pensar em mim neste momento mesmo.
Teu pensamento é o meu, tua esperança é a minha.
Através do espaço,não é verdade? as nossas mãos
Estão apertadas, em segredo.
Sinto que o nosso amor era grande como a noite
E que o melhor de nós habita na distância
Que nos espera.


Ribeiro Couto
In Poesias Consagradas Vol.3

Elegia


Que quer o vento?
a cada instante
Este lamento
Passa a porta
Dizendo: abre...

Vento que assusta
Nas horas frias
Da noite feia,
Vindo de longe,
Das ermas praias.

Andam de ronda
Nesse violento
longo queixume,
As invisíveis
Bocas dos mortos.

Também um dia,
Estando eu morto,
Virei queixar-me
Na tua porta
Virei no vento
Mas não de inverno,
Nas horas frias
Das noites feias.

Virei no vento
Da primavera,
Em tua boca
Serei carícia,
Cheiro de flores
Que estão lá fora
Na noite quente.

Virei no vento...
Direi: acorda...


Ribeiro Couto

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A NOITE


Um vento fresco e suave entre os pinhais murmura;
A Noite, aos ombros solta a desgrenhada coma,
No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma ...
Tornam-se o campo e o céu de uma cor mais escura.

Um novo aspecto em tudo. um novo e bom aroma
De látiros exala a amplíssima verdura.
Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura
Doce, entreabrindo a flor dos negros lábios, toma ...

Por vales e rechãs caminha, passo a passo,
Atento o ouvido, à escuta ... E no seu plaustro enorme
Cujo rumor desperta a placidez do espaço,

À encantada região das estrelas se eleva ...
E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme,
Volve, quieta, de novo, à habitação da treva.


Francisca Júlia
in Poesias

Francisca Júlia da Silva Munster (Xiririca, 31 de agosto de 1871 - São Paulo, 1 de novembro de 1920)

sábado, 26 de março de 2011

O ausente


Tudo que foi luz
e hoje desmaia em treva
sob a errática
e suas confusas pétalas
tudo o que amamos e em desejo tivemos
com sede amarga de posse
em lábios angustiados
renasce deste silêncio de orfandade
e da vida faz cinza
e morte.
O inverno é que não estejas
senão nos olhos áridos da insônia
ai, que não estejas e o sol já não aquece
e o mar não dança entre rochedos
e o pássaro é um triste vôo
que adormece.


Dora Ferreira da Silva
Poesia Reunida (1999)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Delírio Azul


"E flores verdes no ar brandamente se movem:
"Chispam verdes fuzis riscando o céu sombrio;
Em esmeralda flui a água verde do rio,
E do céu, todo verde, as esmeraldas chovem..."
(Olavo Bilac)



Azul a tarde, azul o céu e o mar,
Azul o tempo, que não vai passar,
Enredado na trama opalescente.

Azul o teu olhar, meu sonho louco,
Essa ventura que durou tão pouco,
Esta saudade que me torna ausente.

Lividez de turquesa e água-marinha,
Na visão de berilo, que é só minha,
Em nuanças de índigo delira.

Heráldico pavés, em blau tingido,
O mundo se desfaz em colorido,
Lápis-Lazuli, em campo de safira.

Alba Saltiel Bianco
In Música do Vento

Do Blog da amiga Dione Coppi.

terça-feira, 15 de março de 2011

Auto-Retrato


Certa vez, numa aventura estranha
fugi
do estreito túmulo em que me estorcia
para uma ampliação sem fim.
Quando voltei
e senti, de novo, ferindo-me, o peso dos grilhões,
então não mais sabia quem eu era.
E nunca mais soube quem eu sou.
Talvez a sombra triste de um sonho de poeta.
Talvez a misteriosa alma de uma estrela
a guardar ainda no profundo cerne
a ilógica saudade de um passado astral.


Moacyr Félix
de Singular Plural
Editora Record.

quarta-feira, 9 de março de 2011

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade...

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe...

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

Vinicius de Moraes — Cancioneiro / Canções Populares
“in” Vinicius de Moraes Poesia Completa e Prosa

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

SIM, EU TENTO


Sim, eu quis escrever
um poema alegre.
...
Sim, eu quis antever
um poema alegre.

Sim, eu quis até viver
um poema alegre.

Mas, a vida me impôs
uma tristeza imensa.

A vida me expôs
uma franqueza intensa.

Então, não havia escolha:
como a tristeza no bolso,
esmago a ausência insana.

Mas eu quis, sim, escrever
um poema alegre.

Apenas um, porque é preciso:
enquanto ainda sobrevivo.


Jairo De Britto,
em "Dunas de Marfim"

sábado, 12 de fevereiro de 2011

NO PRINCIPIO, O VERBO


I

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
... Que flui, como lava,
do seu aflito ou alegre coração.

II

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Que arde e ilumina seu passo
ou ato de maior devoção.

III

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Que do espírito espanta
ou alivia sua dor ou fantasia.

IV

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Que saúda a criança abraçada
ao verbo, na via expressa.

V

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
A serviço do melhor ouvir;
mais aprender ou sorrir.

VI

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Seu mais caro e casto aludir;
a prima razão de tanto advir.

VII

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
paciente, seu transverso pensar;
com quem olvida o paladar.


Jairo De Britto,
de 'Dunas de Marfim'

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

varanda


do alto a chuva tênue
torna pleno
o silêncio da cidade

o corpo oscila
na noite breve vaga
nas vertentes dos rios

mãos mansas tateiam
nuances das ruínas fendas
da memória

do alto a chuva ainda
mais bela sussura
a inspiração das auroras


Adair Carvalhais Júnior

Despojamento

Deitou-se a céu aberto
com chuvas e trovoadas
teve de recolher-se
das estrelas
de sua imaginação

Carlos Vogt

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

NAITÔ JÔSÔ


Enquanto a ave busca
tronco morto, a cerejeira
procura florir.



Delores Pires
In: O livro dos Haicais





NAITÔ JÔSÔ
(1662 – 1704)


Le pivert
Cherche des arbres morts
Pendant que les cerisiers sont en fleur.



Delores Pires
In: O livro dos Haicais

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Berceuse


A chuva embala as árvores insones
Com baladas e lendas outonais...

Carícia d'água, cândida e piedosa,
Nos braços nus dos troncos espetrais.

Mantilha em que se abrigam tristes frondes,
Saudosas dos diademas estivais.

A chuva dependura pelos ramos
Braceletes de lúcidos cristais

O vento embala as árvores silentes
Com baladas e lendas outonais.

Helena Kolody

quarta-feira, 4 de maio de 2011

INVASÃO DA ALEGRIA


Ah! Que alegria de furtar manhãs! –
Um “venha “ de um tapa azul no sangue!
Tê-la a ensinar ao sol da nossa boca
Uma lição de madrigais meninos!

Brincar o cheiro da manhã molhada
Enxugando-a de amor! Depois gostá-la
Com um circo de prazer de ter achado
Dentro da música o assobio perdido.

Ter a manhã como uma caixa e abri-la
Para afofar seu dispersivo corpo
Até reaver os dedos sujos de asas!

Sorver manhãs com licor de almas dentro,
Num orgasmo castíssimo, surpreso
Que a dor insista em praticar a noite...

Homero Frei
In “Sonetos Brancos” (1998)

POEMAS DO VENTO


Gastar-se no tempo
diluir-se no vento
evolar-se no sonho
deixando
- haverá quem o colha? -
um resíduo...

Memória.

Levarei por onde ande
uma inquietação mais nada
impulso vital que extingo
dentro de um pouco de lama.

Tal que o vento que baila
fazendo seu corpo efêmero
com a poeira das estradas...


Menotti Del Picchia

terça-feira, 19 de abril de 2011

EPITALÂMIO


Apenas as gotas de chuva: compassadas e mansas.
A folhagem, lá fora, adormeceu feliz.
Despertando na relva, cantam grilos baixinho.
A confidência da chuva, a confidência dos grilos,
Tudo que vem da noite é surdina e doçura.

Certeza não direi, mas direi: esperança.
Deves pensar em mim neste momento mesmo.
Teu pensamento é o meu, tua esperança é a minha.
Através do espaço,não é verdade? as nossas mãos
Estão apertadas, em segredo.
Sinto que o nosso amor era grande como a noite
E que o melhor de nós habita na distância
Que nos espera.


Ribeiro Couto
In Poesias Consagradas Vol.3

Elegia


Que quer o vento?
a cada instante
Este lamento
Passa a porta
Dizendo: abre...

Vento que assusta
Nas horas frias
Da noite feia,
Vindo de longe,
Das ermas praias.

Andam de ronda
Nesse violento
longo queixume,
As invisíveis
Bocas dos mortos.

Também um dia,
Estando eu morto,
Virei queixar-me
Na tua porta
Virei no vento
Mas não de inverno,
Nas horas frias
Das noites feias.

Virei no vento
Da primavera,
Em tua boca
Serei carícia,
Cheiro de flores
Que estão lá fora
Na noite quente.

Virei no vento...
Direi: acorda...


Ribeiro Couto

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A NOITE


Um vento fresco e suave entre os pinhais murmura;
A Noite, aos ombros solta a desgrenhada coma,
No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma ...
Tornam-se o campo e o céu de uma cor mais escura.

Um novo aspecto em tudo. um novo e bom aroma
De látiros exala a amplíssima verdura.
Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura
Doce, entreabrindo a flor dos negros lábios, toma ...

Por vales e rechãs caminha, passo a passo,
Atento o ouvido, à escuta ... E no seu plaustro enorme
Cujo rumor desperta a placidez do espaço,

À encantada região das estrelas se eleva ...
E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme,
Volve, quieta, de novo, à habitação da treva.


Francisca Júlia
in Poesias

Francisca Júlia da Silva Munster (Xiririca, 31 de agosto de 1871 - São Paulo, 1 de novembro de 1920)

sábado, 26 de março de 2011

O ausente


Tudo que foi luz
e hoje desmaia em treva
sob a errática
e suas confusas pétalas
tudo o que amamos e em desejo tivemos
com sede amarga de posse
em lábios angustiados
renasce deste silêncio de orfandade
e da vida faz cinza
e morte.
O inverno é que não estejas
senão nos olhos áridos da insônia
ai, que não estejas e o sol já não aquece
e o mar não dança entre rochedos
e o pássaro é um triste vôo
que adormece.


Dora Ferreira da Silva
Poesia Reunida (1999)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Delírio Azul


"E flores verdes no ar brandamente se movem:
"Chispam verdes fuzis riscando o céu sombrio;
Em esmeralda flui a água verde do rio,
E do céu, todo verde, as esmeraldas chovem..."
(Olavo Bilac)



Azul a tarde, azul o céu e o mar,
Azul o tempo, que não vai passar,
Enredado na trama opalescente.

Azul o teu olhar, meu sonho louco,
Essa ventura que durou tão pouco,
Esta saudade que me torna ausente.

Lividez de turquesa e água-marinha,
Na visão de berilo, que é só minha,
Em nuanças de índigo delira.

Heráldico pavés, em blau tingido,
O mundo se desfaz em colorido,
Lápis-Lazuli, em campo de safira.

Alba Saltiel Bianco
In Música do Vento

Do Blog da amiga Dione Coppi.

terça-feira, 15 de março de 2011

Auto-Retrato


Certa vez, numa aventura estranha
fugi
do estreito túmulo em que me estorcia
para uma ampliação sem fim.
Quando voltei
e senti, de novo, ferindo-me, o peso dos grilhões,
então não mais sabia quem eu era.
E nunca mais soube quem eu sou.
Talvez a sombra triste de um sonho de poeta.
Talvez a misteriosa alma de uma estrela
a guardar ainda no profundo cerne
a ilógica saudade de um passado astral.


Moacyr Félix
de Singular Plural
Editora Record.

quarta-feira, 9 de março de 2011

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade...

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe...

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

Vinicius de Moraes — Cancioneiro / Canções Populares
“in” Vinicius de Moraes Poesia Completa e Prosa

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

SIM, EU TENTO


Sim, eu quis escrever
um poema alegre.
...
Sim, eu quis antever
um poema alegre.

Sim, eu quis até viver
um poema alegre.

Mas, a vida me impôs
uma tristeza imensa.

A vida me expôs
uma franqueza intensa.

Então, não havia escolha:
como a tristeza no bolso,
esmago a ausência insana.

Mas eu quis, sim, escrever
um poema alegre.

Apenas um, porque é preciso:
enquanto ainda sobrevivo.


Jairo De Britto,
em "Dunas de Marfim"

sábado, 12 de fevereiro de 2011

NO PRINCIPIO, O VERBO


I

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
... Que flui, como lava,
do seu aflito ou alegre coração.

II

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Que arde e ilumina seu passo
ou ato de maior devoção.

III

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Que do espírito espanta
ou alivia sua dor ou fantasia.

IV

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Que saúda a criança abraçada
ao verbo, na via expressa.

V

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
A serviço do melhor ouvir;
mais aprender ou sorrir.

VI

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
devagar, a palavra
Seu mais caro e casto aludir;
a prima razão de tanto advir.

VII

Cuidado, amigo,
com quem não acompanha,
paciente, seu transverso pensar;
com quem olvida o paladar.


Jairo De Britto,
de 'Dunas de Marfim'

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

varanda


do alto a chuva tênue
torna pleno
o silêncio da cidade

o corpo oscila
na noite breve vaga
nas vertentes dos rios

mãos mansas tateiam
nuances das ruínas fendas
da memória

do alto a chuva ainda
mais bela sussura
a inspiração das auroras


Adair Carvalhais Júnior

Despojamento

Deitou-se a céu aberto
com chuvas e trovoadas
teve de recolher-se
das estrelas
de sua imaginação

Carlos Vogt

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

NAITÔ JÔSÔ


Enquanto a ave busca
tronco morto, a cerejeira
procura florir.



Delores Pires
In: O livro dos Haicais





NAITÔ JÔSÔ
(1662 – 1704)


Le pivert
Cherche des arbres morts
Pendant que les cerisiers sont en fleur.



Delores Pires
In: O livro dos Haicais