Seja bem-vindo. Hoje é

sexta-feira, 29 de maio de 2009

RENASCER




No teu olhar vejo prenúncio de alvorada,
canto de pássaros... O sol... A brisa amena...
A relva verde... O rio manso... Até a estrada
de onde a esperança, enternecida, a mim, acena.

No teu olhar de mil paixões... Ventura plena?
Perco meu norte... Sou quem sou... Ou não sou nada?
Olhos que juram vida em paz, simples, serena...
E me sussurram aventura não pensada.

No teu olhar... Sonho... Delírio... Insanidade?
Como saber se és ilusão... Ou se és verdade?
Se creio, arrisco... Se desisto... O que fazer?

Como eu quisera mergulhar nessa promessa
e palmilhar teu coração, sem medo ou pressa...
No teu olhar, viver, morrer... E renascer!

- Patricia Neme -

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Conselho



Hás-de ver castelos no ar,
E Belas-Adormecidas,
E filtros de envenenar,
E riquezas escondidas.

Hás-de ver dragões raivosos,
E gênios bons, e maus reis,
E dias maravilhosos
Com sabor de Era uma vez.

Vive as horas deslumbrantes.
Esquece as das aflições.
Admira sempre os gigantes
E tem pena dos anões.


Stella Leonardos
in: Pedaço de Madrugada
(Rio de janeiro-1923)

Egocêntrica



Sinto a vida correr
como um artista
que entra no palco
ao encontro das multidões

Combato o que sonho,
perco-me e me acho
não tendo o quê
nem o porquê

Sou o fim do início,
o ateu com fé
não tenho rimas , nem versos
sacio a vontade de viver
e chego como criança aos teus olhos
que me indagam sem nada ver


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 26/05/09
Código do Texto: T1615106

RENDIÇÃO



Como quem frustra uma dor
é que eu te entrego uma flor
que em mim havias deixado.


Não quero que me devolvas
a tua flor entre outras coisas
que me arrancas do passado.


Seja quando ou onde eu for
lá já esteve um fausto amor
não que o tivesses plantado.


Não quero que me devolvas
teu amor entre outras coisas
que bem pouco tens amado.


Mesmo tão incompreendido
se tens dor do amor perdido
eu te dou um já encontrado.


Afonso Estebanez

segunda-feira, 25 de maio de 2009

NÃO CALO!


Se eu não falar da rosa... Qual o tema
que me há-de conduzir à eternidade?
Eu sei, já percebi... Há quem a tema...
Talvez por viver longe da verdade.

Em meio ao roseiral, a paz é extrema,
o mundo é mansidão, fraternidade.
Em cada reflorir... Novo poema...
Mais um canto de amor... E de humildade!

Porque o amor é simples, tão sereno,
eleva à plenitude o que é pequeno,
transforma a vida em êxtase sem fim.

Se eu me calar agora, miserere!
Se eu abafar o canto... Ele me fere...
Se emudecer... O que vai ser de mim?


- Patricia Neme -

Canção para um desencontro


Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder agora que entrevejo
um horizonte.
Deixa-me errar e me compreende,
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, e tonta, eternamente
recomeçando a cada dia como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho, dos teus
desvãos de música ou vôo, teus sótãos e porões,
e dessa escadaria de tua alma.


Deixa-me errar mas não me soltes
para que eu não me perca
deste tênue fio de alegria
dos sustos do amor que se repetem
enquanto houver entre nós essa magia.


Lya Luft
In: Secreta Mirada

SONETO DA CONTRADIÇÃO


O tempo de calar está maduro.
Sobre a trama incompleta dos minutos
o óleo do tédio escorre espesso e escuro
na emanação secreta de outros lutos.


Morte? Não é. A flor arde no muro,
dádiva subsolar. E, resolutos,
passos passados soam no futuro.
A vida flui-reflui em seus astutos


engodos de ir e vir, mas duplicados
na alma dúplice e vária, inda que ágil
entre as sombras dos túmulos caiados;


e a música das horas silenciosas
reaviva no tempo o encanto frágil
do amor, das madrugadas e das rosas.



Waldemar Lopes
In: Cinza de Estrelas

SONETO DO TRANSITÓRIO


Esta visão do tempo evanescente
o mistério de tudo denuncia:
sentimento do efêmero, pungente
apego ao que se esvai, lenta agonia


se a dor do transitório cinge a mente,
a alma, o ser, na crisálida sombria.
À luz morta do sonho, inconseqüente
sublimação do nada, a nostalgia


do que não foi senão sombra de ausência
na ânsia do eterno: chama transfundida
neste fluir da humana contingência


em que o tempo a si mesmo se devora
feito um breve clarão; e o dom da vida
é como um simples sopro; e se evapora...



Waldemar Lopes
In: Cinza de Estrelas

CENTÃO SIMBOLISTA


cítaras, harpas, bandolins, violinos,
mórbidos, quentes, finos, penetrantes,
carinhos, beijos, lágrimas, desvelos,
desejos, vibrações, ânsias, alentos.


mares, estrelas, tardes, natureza,
inefáveis, edênicos, aéreos,
sinistras, cabalísticas, noturnas,
esferas, gerações sonhando, passam!


sombra, segredo, lágrima, harmonia,
pálida, bela, escultural, clorótica,
atra, sinistra, gélida, tremenda,


alvo, sereno, límpido, direito,
amplo, inflamado, mágico, fecundo,
ondula, ondeia, curioso e belo.



Gilberto Mendonça Teles
In: & Cone de Sombras

O Límpido Cristal


Que límpido o cristal de abril!... Um grito
não vai como os da noite - para os extra-mundos...
Todas as vozes, todas as palavras ditas - cigarras presas
dentro do globo azul - vão em redor do mundo
e a ninguém é preciso entender o que elas dizem;
basta aquele bordoneio profundo
que vibra com o peito de cada um...
palavras felizes de se encontrarem uma com a outra
nas solidões do mundo!

Mario Quintana

DOR


No infindo constelado
apenas rubra lua,
tecida por gotas
dos sonhos
de asas rasgadas pelo vento.
Sangue vertido
em luta desigual,
batalha inglória,
quimera dos desejos
esquecidos pela história.
Além do mais além,
ausências...
Vazios no silêncio,
almas despidas de essência...
Olhos opacos,
gestos podados,
palavra atada.
Completo é o negror
que habita o pensamento,
apenas embalado por
resquícios de lamento.
E nas veias da poeta,
sobrevive,
tão somente,
o nada!

Patricia Neme

domingo, 24 de maio de 2009

NÃO VOU DESISTIR


Eu não vou
desistir do amor
nem da paz
nem das rosas
nem dos sonhos
nem de ti
e nem Deus
vai desistir
de mim...

Mesmo assim
haverá
mais espinhos
de plantão
do que flores
no jardim...

Pois o resto
é a razão
de ser assim...

Afonso Estebanez

ADEUS...


O adeus é vendaval, tudo embaralha...
Quem fica perde o rumo, o tino e o chão.
É como andar no corte da navalha,
sem conhecer aonde os passos vão.

No adeus, o coração tem a mortalha
e a alma se consome em solidão.
E o amor em mil lembranças se agasalha...
E o sonho se despede da emoção!

Oh, Deus, é tanta a dor que há na partida,
quem fica não mais quer a própria vida,
quem parte, leva a vida que ficou...

E os dias são tristeza e nostalgia...
E as noites um vazio... Uma agonia...
Adeus é uma esperança... Que findou!


- Patrícia Neme -

Trama


Ser refém do calendário
achando que o tempo conta
o passar diário,
que o próprio tempo desmonta,
é achar que este aponta
um momento unitário
onde o futuro é o horário
que ao passado se remonta.

O uno contém o vário,
o meio contém a ponta.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 24/05/09
Código do Texto: T1611644

terça-feira, 19 de maio de 2009

Do ciclo de uma Rosa


Trago em meu ser o canto do infinito,
a desfolhar-se em rosas, no jardim.
Um canto em louvação ao Ser bendito,
que fez, da rosa, a essência que há em mim!

Na terra, eu germinei, em sacro rito,
semente, planta, flor... Princípio e fim.
Embora a dor do espinho... Estava escrito:
ser rosa é o esplendor do querubim!

Se Deus gerou-me Rosa de Sarom,
e do servir à vida fez meu dom...
Para serví-Lo, sempre, é que eu existo.

Doar-me, em paz, em luz... Fraternidade...
Ser voz de independência e liberdade,
trazer no olhar, o olhar do próprio Cristo.

- Patrícia Neme -

sexta-feira, 29 de maio de 2009

RENASCER




No teu olhar vejo prenúncio de alvorada,
canto de pássaros... O sol... A brisa amena...
A relva verde... O rio manso... Até a estrada
de onde a esperança, enternecida, a mim, acena.

No teu olhar de mil paixões... Ventura plena?
Perco meu norte... Sou quem sou... Ou não sou nada?
Olhos que juram vida em paz, simples, serena...
E me sussurram aventura não pensada.

No teu olhar... Sonho... Delírio... Insanidade?
Como saber se és ilusão... Ou se és verdade?
Se creio, arrisco... Se desisto... O que fazer?

Como eu quisera mergulhar nessa promessa
e palmilhar teu coração, sem medo ou pressa...
No teu olhar, viver, morrer... E renascer!

- Patricia Neme -

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Conselho



Hás-de ver castelos no ar,
E Belas-Adormecidas,
E filtros de envenenar,
E riquezas escondidas.

Hás-de ver dragões raivosos,
E gênios bons, e maus reis,
E dias maravilhosos
Com sabor de Era uma vez.

Vive as horas deslumbrantes.
Esquece as das aflições.
Admira sempre os gigantes
E tem pena dos anões.


Stella Leonardos
in: Pedaço de Madrugada
(Rio de janeiro-1923)

Egocêntrica



Sinto a vida correr
como um artista
que entra no palco
ao encontro das multidões

Combato o que sonho,
perco-me e me acho
não tendo o quê
nem o porquê

Sou o fim do início,
o ateu com fé
não tenho rimas , nem versos
sacio a vontade de viver
e chego como criança aos teus olhos
que me indagam sem nada ver


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 26/05/09
Código do Texto: T1615106

RENDIÇÃO



Como quem frustra uma dor
é que eu te entrego uma flor
que em mim havias deixado.


Não quero que me devolvas
a tua flor entre outras coisas
que me arrancas do passado.


Seja quando ou onde eu for
lá já esteve um fausto amor
não que o tivesses plantado.


Não quero que me devolvas
teu amor entre outras coisas
que bem pouco tens amado.


Mesmo tão incompreendido
se tens dor do amor perdido
eu te dou um já encontrado.


Afonso Estebanez

segunda-feira, 25 de maio de 2009

NÃO CALO!


Se eu não falar da rosa... Qual o tema
que me há-de conduzir à eternidade?
Eu sei, já percebi... Há quem a tema...
Talvez por viver longe da verdade.

Em meio ao roseiral, a paz é extrema,
o mundo é mansidão, fraternidade.
Em cada reflorir... Novo poema...
Mais um canto de amor... E de humildade!

Porque o amor é simples, tão sereno,
eleva à plenitude o que é pequeno,
transforma a vida em êxtase sem fim.

Se eu me calar agora, miserere!
Se eu abafar o canto... Ele me fere...
Se emudecer... O que vai ser de mim?


- Patricia Neme -

Canção para um desencontro


Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder agora que entrevejo
um horizonte.
Deixa-me errar e me compreende,
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, e tonta, eternamente
recomeçando a cada dia como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho, dos teus
desvãos de música ou vôo, teus sótãos e porões,
e dessa escadaria de tua alma.


Deixa-me errar mas não me soltes
para que eu não me perca
deste tênue fio de alegria
dos sustos do amor que se repetem
enquanto houver entre nós essa magia.


Lya Luft
In: Secreta Mirada

SONETO DA CONTRADIÇÃO


O tempo de calar está maduro.
Sobre a trama incompleta dos minutos
o óleo do tédio escorre espesso e escuro
na emanação secreta de outros lutos.


Morte? Não é. A flor arde no muro,
dádiva subsolar. E, resolutos,
passos passados soam no futuro.
A vida flui-reflui em seus astutos


engodos de ir e vir, mas duplicados
na alma dúplice e vária, inda que ágil
entre as sombras dos túmulos caiados;


e a música das horas silenciosas
reaviva no tempo o encanto frágil
do amor, das madrugadas e das rosas.



Waldemar Lopes
In: Cinza de Estrelas

SONETO DO TRANSITÓRIO


Esta visão do tempo evanescente
o mistério de tudo denuncia:
sentimento do efêmero, pungente
apego ao que se esvai, lenta agonia


se a dor do transitório cinge a mente,
a alma, o ser, na crisálida sombria.
À luz morta do sonho, inconseqüente
sublimação do nada, a nostalgia


do que não foi senão sombra de ausência
na ânsia do eterno: chama transfundida
neste fluir da humana contingência


em que o tempo a si mesmo se devora
feito um breve clarão; e o dom da vida
é como um simples sopro; e se evapora...



Waldemar Lopes
In: Cinza de Estrelas

CENTÃO SIMBOLISTA


cítaras, harpas, bandolins, violinos,
mórbidos, quentes, finos, penetrantes,
carinhos, beijos, lágrimas, desvelos,
desejos, vibrações, ânsias, alentos.


mares, estrelas, tardes, natureza,
inefáveis, edênicos, aéreos,
sinistras, cabalísticas, noturnas,
esferas, gerações sonhando, passam!


sombra, segredo, lágrima, harmonia,
pálida, bela, escultural, clorótica,
atra, sinistra, gélida, tremenda,


alvo, sereno, límpido, direito,
amplo, inflamado, mágico, fecundo,
ondula, ondeia, curioso e belo.



Gilberto Mendonça Teles
In: & Cone de Sombras

O Límpido Cristal


Que límpido o cristal de abril!... Um grito
não vai como os da noite - para os extra-mundos...
Todas as vozes, todas as palavras ditas - cigarras presas
dentro do globo azul - vão em redor do mundo
e a ninguém é preciso entender o que elas dizem;
basta aquele bordoneio profundo
que vibra com o peito de cada um...
palavras felizes de se encontrarem uma com a outra
nas solidões do mundo!

Mario Quintana

DOR


No infindo constelado
apenas rubra lua,
tecida por gotas
dos sonhos
de asas rasgadas pelo vento.
Sangue vertido
em luta desigual,
batalha inglória,
quimera dos desejos
esquecidos pela história.
Além do mais além,
ausências...
Vazios no silêncio,
almas despidas de essência...
Olhos opacos,
gestos podados,
palavra atada.
Completo é o negror
que habita o pensamento,
apenas embalado por
resquícios de lamento.
E nas veias da poeta,
sobrevive,
tão somente,
o nada!

Patricia Neme

domingo, 24 de maio de 2009

NÃO VOU DESISTIR


Eu não vou
desistir do amor
nem da paz
nem das rosas
nem dos sonhos
nem de ti
e nem Deus
vai desistir
de mim...

Mesmo assim
haverá
mais espinhos
de plantão
do que flores
no jardim...

Pois o resto
é a razão
de ser assim...

Afonso Estebanez

ADEUS...


O adeus é vendaval, tudo embaralha...
Quem fica perde o rumo, o tino e o chão.
É como andar no corte da navalha,
sem conhecer aonde os passos vão.

No adeus, o coração tem a mortalha
e a alma se consome em solidão.
E o amor em mil lembranças se agasalha...
E o sonho se despede da emoção!

Oh, Deus, é tanta a dor que há na partida,
quem fica não mais quer a própria vida,
quem parte, leva a vida que ficou...

E os dias são tristeza e nostalgia...
E as noites um vazio... Uma agonia...
Adeus é uma esperança... Que findou!


- Patrícia Neme -

Trama


Ser refém do calendário
achando que o tempo conta
o passar diário,
que o próprio tempo desmonta,
é achar que este aponta
um momento unitário
onde o futuro é o horário
que ao passado se remonta.

O uno contém o vário,
o meio contém a ponta.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 24/05/09
Código do Texto: T1611644

terça-feira, 19 de maio de 2009

Do ciclo de uma Rosa


Trago em meu ser o canto do infinito,
a desfolhar-se em rosas, no jardim.
Um canto em louvação ao Ser bendito,
que fez, da rosa, a essência que há em mim!

Na terra, eu germinei, em sacro rito,
semente, planta, flor... Princípio e fim.
Embora a dor do espinho... Estava escrito:
ser rosa é o esplendor do querubim!

Se Deus gerou-me Rosa de Sarom,
e do servir à vida fez meu dom...
Para serví-Lo, sempre, é que eu existo.

Doar-me, em paz, em luz... Fraternidade...
Ser voz de independência e liberdade,
trazer no olhar, o olhar do próprio Cristo.

- Patrícia Neme -