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domingo, 24 de maio de 2009

Trama


Ser refém do calendário
achando que o tempo conta
o passar diário,
que o próprio tempo desmonta,
é achar que este aponta
um momento unitário
onde o futuro é o horário
que ao passado se remonta.

O uno contém o vário,
o meio contém a ponta.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 24/05/09
Código do Texto: T1611644

terça-feira, 19 de maio de 2009

Do ciclo de uma Rosa


Trago em meu ser o canto do infinito,
a desfolhar-se em rosas, no jardim.
Um canto em louvação ao Ser bendito,
que fez, da rosa, a essência que há em mim!

Na terra, eu germinei, em sacro rito,
semente, planta, flor... Princípio e fim.
Embora a dor do espinho... Estava escrito:
ser rosa é o esplendor do querubim!

Se Deus gerou-me Rosa de Sarom,
e do servir à vida fez meu dom...
Para serví-Lo, sempre, é que eu existo.

Doar-me, em paz, em luz... Fraternidade...
Ser voz de independência e liberdade,
trazer no olhar, o olhar do próprio Cristo.

- Patrícia Neme -

ÚLTIMA ROSA DE SAROM


Além dos muros do meu coração aberto
os cantares das rosas que plantei no pó
são sensações das primaveras no deserto
aquém dos muros dos Jardins de Jericó.

Eu sou a Rosa de Sarom em teu desperto
coração tão infenso ao estar morto e só
em que se cumprirá o antigo manifesto
das rosas castas dos Jardins de Jericó.

Bendito quem deixou as trevas pela Luz
por ter plantado rosas no lugar da cruz
entre os canteiros dos Jardins de Jericó

de onde a última Rosa de Sarom voltou
para ascender ao Pai a rosa que restou
além dos muros dos Jardins de Jericó.

Afonso Estebanez

Renascer – A Décima Rosa


Eu me despi do fogo incandescente,
onde a paixão expande seu fulgor.
E me adornei, contrita, reverente,
com gotas orvalhadas pelo amor.

O amor... Singelo, de cantar silente...
O amor... Profundo e intenso em esplendor...
Transforma o coração duro e inclemente,
no suave despertar da rosa-flor!

Em meu caminho rumo à eternidade,
liberta dos floreios da vaidade,
no infindo roseiral terei morada.

E quando eu reflorir, por santo alento,
não mais trarei a cor do sofrimento...
Somente a paz dos tons que há na alvorada!

- Patrícia Neme -

Reencontros


Sou depois de tempos
o reflexo do teu corpo
distanciado de mim geometricamente

Revejo-me radiada
no lago dos olhos teus
que me descobrem
nas tardes sonolentas
trocadas por noites quietas e ligeiras

Ando por entre mil auroras
para encontrar-te e reassistir
a gênesis da vida
permanecendo em ti
de olhos cerrados
soletrando o silêncio
das horas que passam


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 19/05/09
Código do Texto: T1602270

segunda-feira, 18 de maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DOR


No infindo constelado
apenas rubra lua,
tecida por gotas
dos sonhos
de asas rasgadas pelo vento.
Sangue vertido
em luta desigual,
batalha inglória,
quimera dos desejos
esquecidos pela história.
Além do mais além,
ausências...
Vazios no silêncio,
almas despidas de essência...
Olhos opacos,
gestos podados,
palavra atada.
Completo é o negror
que habita o pensamento,
apenas embalado por
resquícios de lamento.
E nas veias da poeta,
sobrevive,
tão somente,
o nada!

Patrícia Neme

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O JULGAMENTO


Submetido ao látego do julgamento
aquele homem prestava depoimento
sobre tudo o que sabia sobre a vida.
Falou de fé e esperança e caridade,
falou de fraternidade e de felicidade
e dos ideais de solidariedade humana.
E não havendo mais do que falar,
calou-se como ave que cai do céu...

E recebeu então a cruel indiferença
como sentença irrecorrível dos mortos.
De repente aquele homem tão simples
pôs-se a falar a falar a falar e a falar
COISAS DE AMOR como quem cria
na remota possibilidade dos milagres.

E aquele tribunal acabou acreditando
nele porque falou do que nem sabia.
E aquela foi a única vez em sua vida
que aquele homem falou de amor
com infinita sabedoria...

Julis Calderón

Tua magia


Deixe-me envolver na magia do teu amor,
receber a energia que ensina
o caminho deste olhar

Emanas a verdade
e tua força vital
possibilita um diálogo total
nos gestos breves que muitos falam
mas nem todos traduzo

O silêncio do teu rosto
calam palavras
tal a calma do nascer do sol
escrevendo a vida
entre a tinta e o sonho

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/05/09
Código do Texto: T1591299

quarta-feira, 6 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

PAULA

Cigana, o teu dançar embala a vida,
o som do teu pandeiro anima o vento.
Teu negro olhar é luz que à paz convida,
no teu sorrir resplande o firmamento.

Cigana, mãe querida, meu alento...
Ainda me dói a dor da despedida.
Minh'alma não vê fim a esse tormento...
Sem ti, perdi meu porto de acolhida.

Contemplo o céu... Te busco... Onde andarás?
Em qual brilho de estrela, agora, estás?
Naquela que precede o Criador?

Por certo ELE te fez estrela-guia,
pois foste essência pura da alegria,
a fonte do mais verdadeiro amor!


- Mãezinha, saudade eterna. Outro domingo de tua ausência. -

Patricia

PROCURA


Meu caminhar inquieto,
gitana peregrina,
andeja chão de estrelas,
buscando te encontrar.

Percorro mil estradas
do Tempo e da Memória...
Passadas tão inglórias...
Não te deixas achar.

E em frente à minha tenda,
contemplo as labaredas
das minhas mil veredas,
que esperam teu voltar.

E a lágrima na face?
É gota do luar!

- Patricia Neme -

FACTUAL


um estalido
cai uma folha seca
no quintal

factualmente

e o poeta retoma a velha tecla
e bate, bate
todo o outono que sente...

Fernando Campanella

Sonhando a dança


A dança não é agitação
imprevista ação musical
absorção de um instante
da humana dádiva natural

Na terra não, nas vagas
adejamos nela a pousar
a dança na aragem nos galhos
seiva, energia, eterno ficar

Ficar entre o céu e a terra
atual poder conseguido
onde tentem nossos ardores
alforria em todo o sentido

Onde o espírito possa chegar
às mais variadas paragens
sem destoar a sua persona
se sobre os mistérios sonhar

Tereza Lima Gondim

Foto:Fred Astaire and Rita Hayworth

Rumo ao sumo


Disfarça, tem gente olhando.
Uns olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.

Paulo Leminski

domingo, 24 de maio de 2009

Trama


Ser refém do calendário
achando que o tempo conta
o passar diário,
que o próprio tempo desmonta,
é achar que este aponta
um momento unitário
onde o futuro é o horário
que ao passado se remonta.

O uno contém o vário,
o meio contém a ponta.


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 24/05/09
Código do Texto: T1611644

terça-feira, 19 de maio de 2009

Do ciclo de uma Rosa


Trago em meu ser o canto do infinito,
a desfolhar-se em rosas, no jardim.
Um canto em louvação ao Ser bendito,
que fez, da rosa, a essência que há em mim!

Na terra, eu germinei, em sacro rito,
semente, planta, flor... Princípio e fim.
Embora a dor do espinho... Estava escrito:
ser rosa é o esplendor do querubim!

Se Deus gerou-me Rosa de Sarom,
e do servir à vida fez meu dom...
Para serví-Lo, sempre, é que eu existo.

Doar-me, em paz, em luz... Fraternidade...
Ser voz de independência e liberdade,
trazer no olhar, o olhar do próprio Cristo.

- Patrícia Neme -

ÚLTIMA ROSA DE SAROM


Além dos muros do meu coração aberto
os cantares das rosas que plantei no pó
são sensações das primaveras no deserto
aquém dos muros dos Jardins de Jericó.

Eu sou a Rosa de Sarom em teu desperto
coração tão infenso ao estar morto e só
em que se cumprirá o antigo manifesto
das rosas castas dos Jardins de Jericó.

Bendito quem deixou as trevas pela Luz
por ter plantado rosas no lugar da cruz
entre os canteiros dos Jardins de Jericó

de onde a última Rosa de Sarom voltou
para ascender ao Pai a rosa que restou
além dos muros dos Jardins de Jericó.

Afonso Estebanez

Renascer – A Décima Rosa


Eu me despi do fogo incandescente,
onde a paixão expande seu fulgor.
E me adornei, contrita, reverente,
com gotas orvalhadas pelo amor.

O amor... Singelo, de cantar silente...
O amor... Profundo e intenso em esplendor...
Transforma o coração duro e inclemente,
no suave despertar da rosa-flor!

Em meu caminho rumo à eternidade,
liberta dos floreios da vaidade,
no infindo roseiral terei morada.

E quando eu reflorir, por santo alento,
não mais trarei a cor do sofrimento...
Somente a paz dos tons que há na alvorada!

- Patrícia Neme -

Reencontros


Sou depois de tempos
o reflexo do teu corpo
distanciado de mim geometricamente

Revejo-me radiada
no lago dos olhos teus
que me descobrem
nas tardes sonolentas
trocadas por noites quietas e ligeiras

Ando por entre mil auroras
para encontrar-te e reassistir
a gênesis da vida
permanecendo em ti
de olhos cerrados
soletrando o silêncio
das horas que passam


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 19/05/09
Código do Texto: T1602270

segunda-feira, 18 de maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DOR


No infindo constelado
apenas rubra lua,
tecida por gotas
dos sonhos
de asas rasgadas pelo vento.
Sangue vertido
em luta desigual,
batalha inglória,
quimera dos desejos
esquecidos pela história.
Além do mais além,
ausências...
Vazios no silêncio,
almas despidas de essência...
Olhos opacos,
gestos podados,
palavra atada.
Completo é o negror
que habita o pensamento,
apenas embalado por
resquícios de lamento.
E nas veias da poeta,
sobrevive,
tão somente,
o nada!

Patrícia Neme

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O JULGAMENTO


Submetido ao látego do julgamento
aquele homem prestava depoimento
sobre tudo o que sabia sobre a vida.
Falou de fé e esperança e caridade,
falou de fraternidade e de felicidade
e dos ideais de solidariedade humana.
E não havendo mais do que falar,
calou-se como ave que cai do céu...

E recebeu então a cruel indiferença
como sentença irrecorrível dos mortos.
De repente aquele homem tão simples
pôs-se a falar a falar a falar e a falar
COISAS DE AMOR como quem cria
na remota possibilidade dos milagres.

E aquele tribunal acabou acreditando
nele porque falou do que nem sabia.
E aquela foi a única vez em sua vida
que aquele homem falou de amor
com infinita sabedoria...

Julis Calderón

Tua magia


Deixe-me envolver na magia do teu amor,
receber a energia que ensina
o caminho deste olhar

Emanas a verdade
e tua força vital
possibilita um diálogo total
nos gestos breves que muitos falam
mas nem todos traduzo

O silêncio do teu rosto
calam palavras
tal a calma do nascer do sol
escrevendo a vida
entre a tinta e o sonho

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/05/09
Código do Texto: T1591299

quarta-feira, 6 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

PAULA

Cigana, o teu dançar embala a vida,
o som do teu pandeiro anima o vento.
Teu negro olhar é luz que à paz convida,
no teu sorrir resplande o firmamento.

Cigana, mãe querida, meu alento...
Ainda me dói a dor da despedida.
Minh'alma não vê fim a esse tormento...
Sem ti, perdi meu porto de acolhida.

Contemplo o céu... Te busco... Onde andarás?
Em qual brilho de estrela, agora, estás?
Naquela que precede o Criador?

Por certo ELE te fez estrela-guia,
pois foste essência pura da alegria,
a fonte do mais verdadeiro amor!


- Mãezinha, saudade eterna. Outro domingo de tua ausência. -

Patricia

PROCURA


Meu caminhar inquieto,
gitana peregrina,
andeja chão de estrelas,
buscando te encontrar.

Percorro mil estradas
do Tempo e da Memória...
Passadas tão inglórias...
Não te deixas achar.

E em frente à minha tenda,
contemplo as labaredas
das minhas mil veredas,
que esperam teu voltar.

E a lágrima na face?
É gota do luar!

- Patricia Neme -

FACTUAL


um estalido
cai uma folha seca
no quintal

factualmente

e o poeta retoma a velha tecla
e bate, bate
todo o outono que sente...

Fernando Campanella

Sonhando a dança


A dança não é agitação
imprevista ação musical
absorção de um instante
da humana dádiva natural

Na terra não, nas vagas
adejamos nela a pousar
a dança na aragem nos galhos
seiva, energia, eterno ficar

Ficar entre o céu e a terra
atual poder conseguido
onde tentem nossos ardores
alforria em todo o sentido

Onde o espírito possa chegar
às mais variadas paragens
sem destoar a sua persona
se sobre os mistérios sonhar

Tereza Lima Gondim

Foto:Fred Astaire and Rita Hayworth

Rumo ao sumo


Disfarça, tem gente olhando.
Uns olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.

Paulo Leminski